A Thousand Years
29 22.2 - Extra
Notas iniciais
22.2
Duas semanas. Já haviam se passado duas semanas desde que Quinn e Santana haviam partido, e Rachel não tinha recebido nenhuma notícia delas. A tristeza já havia passado, em parte, porém a saudades apenas aumentava.
O sinal do último período soou e a morena juntou seu material. Caminho lentamente até seu armário. Blaine e Kurt haviam convidado ela para acompanhá-los aos shopping, mas, toda vez que via Blaine, pensava na namorada, e na falta que ela estava fazendo.
– Rachel?
A morena virou-se, saindo de seu transe.
– Finn, oi...
– O que você vai fazer amanhã à noite? Puck vai dar uma festa e eu queria saber se você toparia ir...
Festa... Poderia até ser uma boa ideia. As festas de Puck, principalmente, por serem conhecidas por terem bastante bebida, e álcool definitivamente era algo que faria bem a ela na situação em que estava.
– Claro, por que não? Que horas?
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“Quanto você ainda demora? Ela sente sua falta. Muita. – Blaine”
Era a quinta vez que Quinn recebia a mesma mensagem do garoto. Não podia mais ignorar.
“Não sei. Diga a ela que eu a amo. – Lucy”
Santana voltou ao carro, trazendo consigo dois copos de café e dois bagels recheados.
– Para onde agora?
Quinn abriu o mapa. Sentia que a bruxa continuava avançando ao norte, o que significava que deveriam continuar indo para o sul.
– Houston. Depois México. Ela ainda não está aqui, mas está chegando. Mais rápido e mais perto do que eu gostaria. Não quero que ela se aproxime de Rachel.
– Bem – voltou a autoestrada. – Precisamos encontrá-la antes que ela nos encontre...
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– Hey, Puck!
O garoto do moicano virou-se em direção à garota. Um sorriso no rosto e uma cerveja na mão. Caminhou até a morena.
– Ah, minha pequena princesa judia! – beijou o topo de sua cabeça. – Que bom que veio! Sinta-se à vontade, afinal, mi casa, su casa.
– Obrigada, Puck...
Começou a andar pela casa e pegou o primeiro copo que viu pela frente. Cerveja. Não era a melhor bebida do mundo, mas ao menos era alguma coisa. Depois da oitava lata, já parecia ser a bebida mais saborosa que provara na vida.
– Rachel? É você?
Virou-se, quase caindo sobre o garoto.
– Finn! Uau, já te falaram que você é muito alto?
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– Fabray, acorde!
A loira abriu os olhos. A respiração estava pesada, e podia sentir as gotas de suor escorrendo pelo seu corpo. Sentou-se à beira cama e rapidamente colocou-se de pé.
– Rachel... – disse, ofegante.
– Quinn, o que foi?
Mal ouviu o que a latina disse. Alguma coisa tinha acontecido com a morena. Caminhou até a mesa que havia na entrada do quarto e pegou as chaves do carro de Santana.
– Fabray, o que você pensa que está fazendo?
– Rachel... Alguma coisa está errada – respondeu, sem olhar para a amiga.
Vestiu o moletom e abriu a porta do quarto. Antes de sair, sentiu uma mão segurando-a pelo braço.
– Santana, me deixe ir.
– Você não vai a lugar nenhum até me explicar o que está acontecendo, Quinn. É Mara?
– Santana, me solta! – gritou. – Ela precisa de mim!
Não viu a mão vindo em sua direção. A próxima coisa que viu foi o chão se aproximando. Sentiu a bochecha começar a arder e palpitar.
– Você me bateu!
– Era o único jeito de te fazer parar – disse, dando nos ombros. – Agora você pode por favor fechar a merda dessa porta e me contar o que caralho está acontecendo? Eu te acordei porque você parecia estar tendo um pesadelo e a próxima coisa que eu sei é que você estava indo para Lima e arriscando todo o seu plano por algum motivo que você ainda não me falou. Você lembra por que você saiu de Lima, Quinn? Você saiu de lá para proteger o Hobbit daquela bruxa velha e agora você quer estragar tudo sem ao menos me dizer uma palavra?!
– Não a chame de Hobbit – falou, levantando-se e batendo a porta do quarto.
– Me dê as chaves que eu não a chamo.
A loira bufou e arremessou as chaves na direção da outra, que pegou-as no ar sem dificuldades.
– Obrigada. Agora, sente a sua bundinha nesse colchão aqui e conta para a tia Tana o que está acontecendo.
– Vá a merda, Santana – colocou o moletom de volta no gancho e pegou o celular.
“Por favor me diga que ela está com você... – Lucy”
Nunca digitou uma mensagem tão rápido. Enviou-a para o amigo em Lima e sentou-se ao lado da latina.
– Aconteceu alguma coisa, San. Eu sei, eu sinto... No meu sonho... Ela estava sofrendo. Eu não sei o que foi, e eu preciso desesperadamente saber alguma coisa dela.
– Certo, mas não é saindo correndo por aquela porta que você vai saber dela. Lembra, estamos a algumas horas de viagem de Lima... Já mandou mensagem para o Blaine?
– Ah, o que você acha que eu acabei de fazer?!
“Lucy... São três horas da manhã. Eu estou na minha casa, dormindo com o meu namorado. Ela estava em casa a última vez que eu falei com ela. – Blaine”
– Blaine não sabe de nada... – disse, apreensiva. – Eu preciso saber dela, mas não posso ligar para ela. Mara vai saber e aí eu vou por tudo a perder... – murmurava para si mesma, andando de um lado para o outro do quarto. A latina apenas a seguia com os olhos. – Quem sabe Puck saiba dela! Não... É madrugada de domingo. Tem noventa por cento de chances de ele estar dando uma das festas dele e ele não vai estar em condições de me dizer alguma coisa sobre Rachel... – virou-se para a amiga. – Será que Brittany...
– Britt e Rachel? Tem certeza?
– Eu estou desesperada, Santana! Estou quase pensando em ligar para o Finn!
– E qual seria o problema em ligar para o gigante, Fabray?
– Você sabe exatamente qual é o problema. Você sabe tão bem quanto eu que ele é completamente apaixonado pela minha Rachel e que ele nunca escondeu isso, além de sempre aproveitar as oportunidades do Glee Club para ficar perto dela.
– Momentos desesperadores merecem soluções desesperadas – falou a latina, pegando o celular da mão da loira. – Eu ligo.
Quinn jogou seu corpo de volta na cama enquanto a amiga colocava o celular em seu ouvido.
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A cabeça de Rachel rodava. Abriu os olhos lentamente, mas logo fechou-os. O menor movimento doía, e o som infernal vindo de algum lugar que ela desconhecia fazia-a querer gritar de dor.
Virou-se para um dos lados, tentando cobrir sua cabeça com o travesseiro, mas não conseguiu fazê-lo. Abriu os olhos novamente, tentando descobrir o que impedia-a. Quase caiu da cama ao ver o garoto sem camisa ao seu lado.
– Mas que po... – sussurrou para si mesma, mas perdeu a fala ao perceber que estava dividindo a cama com Finn Hudson. Nua. – Ai meu Deus, o que eu fiz...
Levantou-se rapidamente, embora tenha tido que apoiar no que parecia ser a cômoda do quarto do garoto para manter-se em pé. Começou a pegar suas roupas no chão e logo vestiu-se.
Algumas perguntas rondavam sua mente. Onde estava, e como chegara ali. Quando saíra da festa de Puck. Por que havia dormido com Finn Hudson...
Abriu a porta do quarto, já vestida, e viu algumas luzes acesas no andar de baixo. Merda. Havia alguém acordado. Desceu silenciosamente pelas escadas, tentando evitar qualquer tipo de som que pudesse ser emitido por ela.
Chegou ao pé da escada em completo silêncio. Começava a ouvir o som de uma televisão que parecia estar alta demais para a cabeça da morena.
– Kurt, é você? – perguntou uma voz, vinda da sala.
– Blaine? – sussurrou para si mesma.
As coisas haviam acabado de piorar. Blaine estava lá. Blaine era o melhor amigo de Lucy... Aquilo não poderia ser boa coisa. Tentou seguir em silêncio até a porta. Não tinha a menor ideia de como chegar de volta à sua casa. A única vez que viera até a casa de Kurt, não tinha prestado atenção no caminho que haviam feito para deixá-la em casa.
– Quem está aí? – perguntou mais uma vez.
Ouviu o som do sofá rangendo. Ele estava vindo, seria pega. Viu a sombra do garoto aproximando-se cada vez mais, até que viu o pé dele fazendo a curva no corredor.
– Kurt?
A morena correu até ele e colocou a mão em sua boca. Blaine congelou.
– Blaine, sou eu – disse Rachel, ofegante. – Eu preciso que você me leve até a minha casa. Por favor. Eu não tenho a menor ideia de como eu cheguei aqui, o que eu estou fazendo aqui e por que minha cabeça parece que está explodindo. Você pode me levar até a minha casa, por favor?
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– Ninguém atende – falou a latina, jogando o celular de volta para a loira. – São três horas da manhã, Quinn. Todos estão dormindo, e Rachel deve estar fazendo o mesmo. E, aliás, nós deveríamos estar fazendo o mesmo. Porque, em mais ou menos três horas, vamos ter que acordar e sair daqui para continuarmos atrás daquela vaca. Então, deixa eu te sugerir uma coisa. Voltamos a dormir e amanhã, em um horário descente, você fala com o Anderson de novo para ver o que ele sabe sobre o amor da sua vida, ok? – deitou-se na cama e puxou as cobertas sobre seu corpo. – Agora, boa noite.
As luzes do quarto foram apagadas e a loira cobriu seu corpo para proteger-se do frio. Ficou encarando o teto até que Santana acordasse novamente.
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