A Termologia de Sofia
1 O calor é a energia térmica em trânsito
Sofia gostava de mergulhar no olhar de Natália. Seus olhos eram lindos, eram magnéticos. Natália parecia animada, começara a narrar uma história, e por mais que Sofia se concentrasse nas palavras dela, estas escapavam ao seu ouvido.
Seus olhos desviaram dos dela, teimosamente. Entretanto, não podiam desviar da boca dela. Observava cada mínimo detalhe desde o rubor dos lábios ao contorno assimétrico e a curvatura que faziam sorrindo. De tempo em tempo sorria com esmero, lábios e dentes, e disparava uma profusão de desejos em Sofia.
Desejava provar aqueles lábios. Qual seria a textura dos seus contra os dela?
Desejava provar o sabor, teriam gosto de cereja, assim como a coloração rubra que a deixava em estado de tentação?
Desejava ter...
— Hey! — Natália estalou os dedos em frente ao seu rosto despertando-a de seus devaneios. — No que está pensando?
— Física. — Ela responde simplesmente, fazendo com que a outra arqueie as sobrancelhas, um ar de incredulidade.
— Não ouviu uma palavra do que eu disse? Inacreditável! — Retruca chateada, mordisca levemente o lábio inferior.
— Termologia... Isso não sai da minha cabeça. — diz com um pequeno sorriso, não era uma mentira afinal.
— Fala minha língua. — Ela exige impaciente, Natália não entendia nada sobre física.
— Basicamente, o estudo do calor. — diz soltando os ombros.
Sofia gostava de termologia. Era básico. Fundamental. Quente.
— E por que está pensando sobre isso, neste exato momento? — O olhar curioso dela está atento à resposta de Sofia.
Para ela aprender, compreender e até mesmo explicar a exatidão da física era fácil.
Difícil era lidar com toda a parte humana do processo.
Natália era a parte humana que faltava nela, falava fácil de sentimentos, desejos, sonhos e pensamentos. Sofia travava.
Poderia explicar com números e teorias aquilo que se passava em sua cabeça? Em seu coração? Não.
Precisava encontrar a parte humana que lhe cabia, juntar as palavras e se revelar.
— O calor é a energia térmica em trânsito entre corpos com energia diferente. Como isso. — Ela faz uma pequena pausa e segura à mão de Natália. — A minha mão é praticamente um bloco de gelo comparada a sua, que é quente. Isso é calor, você é calor.
Natália sorri com a explicação demonstrativa dela. Ela gostava do esforço de Sofia em fazê-la compreender o seu universo de fórmulas e números.
— Então meu calor vai aquecer a sua mão...
— Podemos dizer que quando ela estiver quente, terá ganhado calor.
— Isso é bastante explicativo, mas não entendi o que isso tem a ver com a conversa...
— Está quente! — Sofia a interrompe, levanta do sofá.
— Tá tentando esconder algo de mim? — Natália a puxa de volta pela mão.
— Eu só... Não sei...
— Escute, eu sei que é difícil para você. Então me deixe ajudar, não fuja de mim. — Natália é compreensível, Sofia cede tornando a sentar-se ao seu lado.
— Está ficando muito quente. — Sofia é sugestiva, a outra morde o lábio tentando entender o que ela quer dizer.
E então seus olhos flagram os de Sofia.
Seu olhar arde como brasa sobre a pele. Um desejo crescente em seu peito.
— Você é calor. — Sofia diz aproximando-se de Natália, seus lábios perpassando sobre os dela.
Não é preciso dizer mais nada. Em um ímpeto Natália elimina qualquer distância que há entre elas.
Não é preciso medir a temperatura dos corpos para saber que a sensação é quente.
Sofia entregava-se a física, embora ousasse dizer que naquele momento a química também não saia da sua mente, mas isso era outra história.
Sua respiração entrecortava. Ofegava. O coração martelava contra suas costelas, rápido e forte.
Sua pele ardia, uma combustão.
A textura dos lábios contra os dela.
Ela sentia o gelo em seu coração derretendo, cada milímetro da espessa camada.
Arfava quando os lábios de Natália desenhavam uma trilha de beijos no contorno de seu pescoço.
E perdeu o controle do próprio corpo quando esta a explorou de maneira que ninguém jamais havia feito.
Na física o equilíbrio térmico se dava pelo contato entre dois corpos com temperaturas diferentes até que alcançassem a mesma temperatura. Se misturasse o leite frio com o café quente, teria então uma mistura morna, um equilíbrio térmico.
Sofia era fria e Natália era quente. Mas não havia nada de morno entre elas, pelo contrário, Sofia sentia-se ferver enquanto seus pulmões buscavam por oxigênio e sua cabeça repousava serena no ombro de Natália.
Notas finais
Que tal deixar um comentário me dizendo o que achou? Vou adorar saber ♥
Obrigada por ler!
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