Notas iniciais
Último cap!!

Seu olhar se encontrou com os meus e eu vi que ela chorava. Mas não era de tristeza, era de emoção. Abri os braços e a abracei bem forte. Seus braços estavam agarrados a mim e sua cabeça encostada em meu peito. Minhas lágrimas caíam sob seus cabelos e eu beijava sua cabeça em sinal de carinho e proteção.

- nada mais vai nos separar meu amor. Nunca mais. – eu disse emocionado.

Susan veio em nossa direção e eu soltei Julie do abraço. As duas se olharam por um tempo até que Susan imitou minha atitude. As duas se abraçaram apertado. Foi uma cena incrível, emocionante.

- me perdoa, filha.

- perdoar porquê? A senhora não teve culpa.

- por eu ter pensado que tinha perdido você pra sempre, meu anjo.

- eu te amo, mamãe.

Enfim, a família estava unida novamente. E dessa vez, eu era um mero coadjuvante.

Alguns dias se passaram a vida na pacata cidade de Newark voltava ao normal a cada dia. Julie havia convidado sua mãe, sua verdadeira mãe, para ir morar em sua casa. Susan ficou um pouco receosa no começo, mas aceitou já que não queria mais passar nenhum minuto longe de sua filha que passou tanto tempo desaparecida. Sr. Walter adorou a idéia e pode-se dizer que adorou até demais... Não demorou muito para que os dois descobrissem muitas coisas em comum, além do amor pela filha.

Julie e eu, bom, ainda estamos noivos. Pelo menos até daqui a pouco, mas Julie não sabe disso.

Vesti meu melhor terno, preto com gravata branca. Ajeitei meu cabelo e a caixinha que estava no bolso da calça. Me olhei no espelho antes de sair do banheiro. Respirei fundo e senti meu coração bater forte. Abri a porta e lá estava ela. Linda e perfeita à minha espera.

- por que demorou tanto? Já estamos atrasados, Gerard! A Suzy e o Frank vão nos matar se chegarmos atrasados ao casamento deles.

Esqueci de dizer que ela estava enganada. Suzy não ficaria chateada, muito menos Frank. Os dois estavam namorando e a tal menina da boate de quem ele tanto falava era nada menos do que a melhor amiga de Julie, a Suzy. Que coincidência, não?

Bom, voltando ao que estava prestes a acontecer...

- vamos, amor. Já estou pronto. Você sabia que fica linda quando ta nervosa? – ela sorriu meigamente.

- você sabe que assim eu perco minhas forças e não consigo brigar com você. Isso não é justo, Gee.

- eu adoro quando você faz esse biquinho também. – dei um beijo doce em seus lábios e acariciei seus cabelos.

Aos poucos, nossos beijos foram aumentando e quando me dei conta, já estava sem boa parte do terno. Julie passava as mãos em minha nuca, me deixando louco. Eu não tinha como resistir. Tirei seu vestido e a deixei apenas de lingerie. Ela estava linda.

- vamos nos atrasar. – ela disse mordendo meus lábios.

- que se dane. Eu quero você. – respondi excitado.

Caímos na cama e nos amamos como se fosse o último dia de nossas vidas. Uma lua de mel antecipada, quem sabe...

Tomamos outro banho, juntos, apressados. Vestimos as mesmas roupas numa correria, afinal estávamos quase 1 hora atrasados. Já ia saindo de casa quando lembrei de repente e passei a mão pelo bolso da calça.

- ufa... – exclamei aliviado. Eu não podia esquecer. Não hoje.

Entramos no carro e eu acelerei o máximo que pude. Apesar de chateada por estar atrasada para o ‘casamento’ da amiga, Julie estava com um brilho no olhar incrível. Ela me amava e isso era a coisa mais importante do mundo.

Chegamos em frente a uma igreja, não tão grande mas com certeza a mais famosa de New Jersey. O nervoso aumentava, o coração batia rápido.

- Gerard, o que foi? Parece até que você é o noivo. – ela riu, sem saber que aquilo era a mais perfeita verdade.

- me espere aqui que eu já volto.

- aqui fora? Sozinha? – ela me olhou desconfiada.

- não entre sem mim, ok? Eu já volto. – dei um selinho nela e dei a volta na igreja.

Entrei pelos fundos e Frank me esperava ansioso, e muito nervoso também.

- Gerard!! Onde você se meteu, cara??? Os convidados e até o padre já estão achando que você desistiu!

- calma, Frank. Eu estava aproveitando minhas últimas horas de solteiro. Ao lado da Julie, claro. – completei vendo a cara que ele fez.

- ah tá. Então tá perdoado. Agora entra lá e se ajeita. Onde ela está?

- lá fora. Na porta.

- vou pedir que abram a porta. Vai logo pra sua posição, anda! – Frank me empurrou até o altar.

Todos me esperavam e quando me viram disseram um “Aleluia” coletivo que me deixou até sem graça. Os amigos da banda me abraçaram e os pais de Julie fizeram um sinal de OK pra mim.

Ouvi o barulho da porta se abrindo e os convidados viraram todos juntos para olhar. Meu olhar estava fixo na entrada e meu coração parecia que iria explodir assim que a visse.

Uma música da nossa banda começou a tocar ao fundo, apenas orquestral. Incrível.

Meu olhar se cruzou com o dela quando a porta se abriu completamente. Eu sorri tímido enquanto ela olhava tudo sem acreditar no que estava acontecendo. Walter apareceu ao lado dela e esticou o braço para que ela apoiasse. Julie fazia tudo em estado de choque. Ela ria e chorava ao mesmo tempo. A música tradicional começou a tocar e ela entrou na igreja. Devagar, como se andasse em nuvens de algodão, ela chegou até mim. Eu estiquei meu braço e ela se segurou. Os olhos cheios de lágrimas, o rosto muito vermelho e um sorriso bobo na boca mostravam que ela estava feliz com a surpresa. E eu estava radiante.

A cerimônia não durou mais do que 1 hora, mas o bastante para se tornar o momento mais inesquecível da minha vida. Na saída, pétalas de flores forravam a passagem e grãos de arroz voavam sob nossas cabeças. Recebemos abraços e felicitações de muitos, mas o que mais me comoveu foi o comentário de dona Susan, na porta da igreja.

- Gerard, meu filho. Saiba que a partir de hoje uma parte de mim vai com você pra se tornar a mulher mais feliz e amada do mundo. Que você a faça eternamente feliz e a dê muitos filhos. Cuide dela como cuidou sempre e ela será a melhor esposa do mundo, tenho certeza. Meus parabéns, meus filhos. Que vocês sejam muito felizes!

Nós três nos abraçamos e em seguida, eu e Julie entramos na limusine. Não houve festa, não era o que eu tinha planejado para nossa verdadeira lua-de-mel.

- pra onde nós vamos? – ela perguntou.

- aeroporto. – respondi sem dar mais pistas.

- Gerard... o que mais você aprontou?

- você saberá na hora certa.

Alguns minutos viajando em um jatinho particular e, enfim, chegamos ao nosso destino.

- onde estamos?

- vem comigo. Você vai descobrir logo, logo.

Entramos no carro que nos levaria até o local que escolhi. Era noite e a cidade inteira estava iluminada em clima de festa. Um cenário perfeito para o último dia do ano, dia de reveillon. Julie estava encantada, ela nunca havia estado em Paris antes e esse era seu sonho de infância, eu me lembro muito bem disso.

Paramos em frente à Torre Eiffel e muitos aguardavam a queima de fogos. 23:58h. Estava próximo.

Segurei a mão dela que tremia, talvez de nervoso, talvez de alegria. Nossos corpos se uniram num abraço apertado, seguido por um beijo doce e mágico. 00:00h. Fogos no céu e em nossos corações incendiados de amor.

- eu trouxe isso pra você. – entreguei a ela um presente de infância.

- oh meu Deus! Gerard, ainda está perfeito! – era a pedra com nossas iniciais esculpidas com sangue.

- eu fiquei com medo de você não lembrar... — falei meio tímido.

- eu nunca esqueceria. Eu te amo, Gee. Pra sempre.

- E eu sempre irei te amar, Julie. Até que nossa vida se torne uma doce lembrança. Doce e inesquecível.

\"Quando fala o amor, a voz de todos os deuses deixa o céu embriagado de harmonia.\"

(William Shakespeare)

FIM
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