Notas iniciais
Continuando... humhum...

Terminada a sessão cinema, olhei novamente pro relógio e percebi que já se passavam das 18hs e lá fora o tempo estava completamente escuro.

- eu preciso ir.

- ahhh, mas por quê? Tá cedo, Gerard.

- eu já tomei muito o seu tempo. Agora preciso resolver algumas coisas da banda.

- banda? Você toca algum instrumento?

- não, eu sou o vocalista de uma banda de rock. My Chemical Romance, já ouviu?

- já... claro! – não demorou muito tempo e ela confessou a verdade – pra falar a verdade, eu não lembro... canta alguma música pra mim! Talvez assim eu lembre.

Fiquei envergonhado na frente da minha melhor amiga?? Sim, eu fiquei.

- tive uma idéia melhor.

- qual?

- que tal você vir comigo até minha casa? Lá eu posso te mostrar alguns vídeos de nossos shows e cantar alguma coisa pra você.

- mas não vou te atrapalhar?

- claro que não! E não se preocupe com comida. Eu faço a janta. – dei uma piscada, estufei o peito me convencendo e ela riu.

- hum... com um convite assim, não posso negar não é?

Eu ri com a atitude dela. Não esperava que ela se rendesse tão fácil aos meus encantos.

Arrumamos a sala e como um gentil cavalheiro que sou, lavei toda a louça antes de sairmos. Fomos caminhando, já que morávamos realmente muito perto um do outro. Pelo caminho, eu ia tentando descobrir mais alguma coisa sobre esse mistério...

- Jamie... você disse que está fazendo faculdade de Artes não é?

- sim. Comecei semana passada.

— e por que decidiu fazer logo esse curso?

- ah eu não sei explicar, Gerard. É algo que eu gosto de fazer, desenhar e pintar. Acho que sempre gostei, desde criança.

Meus pensamentos foram levados pra longe... mais precisamente para o ano de 1992, quando eu tinha 11 anos e Julie apenas 9.

---- Flashback ----

- Gee, me ajuda aqui?

- o que você está tentando fazer, Julie? – eu vi que ela estava tentando mudar o sofá de lugar.

- eu quero que você fique aí, bem paradinho olhando pra mim ok?

- hã? pra quê? Você vai me desenhar por acaso?

- vou! – ela disse animada.

- isso vai parecer aquela cena do Titanic, só que inverso! – eu ria feito idiota.

- para de rir e me obedeça, vai. Por favor? – ela fazia uma carinha que eu não resistia.

- tá bom.. mas se me desenhar com a cabeça maior que o corpo eu te mato hein! – nós rimos.

- ah, então não tem mais graça. – ela riu – brincadeirinha! Agora senta aí no sofá e fica quieto!

Ela pegou seu caderno e começou a traçar pequenos riscos da minha imagem no papel. Eu reparava em com ela ficava linda cada vez que me lançava um olhar e sorria, voltando a sua atenção para o caderno logo depois. Eu tentava não rir da cara concentrada que ela fazia, mas foi impossível depois de 10 minutos sentado sem me mexer.

- do que está rindo? – ela parou de desenhar e me encarou séria.

- da sua cara.

- virei palhaça agora, senhor Way?

- não, não é isso Julie. É que você fica uma gracinha quando faz cara de artista. – ironizei e caí na gargalhada, sendo atingido por vários ‘tapinhas’ depois disso.

- eu tenho que treinar minha cara de desenhista séria, ué! – ela caiu na brincadeira também – afinal, como serei desenhista da Cartoon se não tiver cara de artista?

- me deixa ver esse desenho feio logo. – tentei puxar o caderno da mão dela.

- não, me devolve! Eu ainda não acabei.

- deve ter me desenhado com cabeça de batata e... – parei de falar quando vi o desenho. Não era um desenho, era uma obra de arte – Julie, foi você mesma que desenhou isso??

- está cego, Gerard? Ou não percebeu que era eu ali sentada na cadeira? – ela tomou o caderno da minha mão e fechou a capa. – eu sei que está uma porcaria...

- porcaria?? Nossa! Está perfeito! Você vai ser uma grande desenhista, você vai ver. – eu disse e ela me abraçou apertado, como sempre fazíamos.

---- Fim do Flashback ----

[...]