Notas iniciais
Eu não sumi! Ainda! hahaha

Já no terceiro copo de whisk e com os olhos repletos de lágrimas, olhei pra pista e vi o que meus olhos custavam a acreditar. Era ela, de novo entrando em minha vida.

- Julie!! Julie!! Espere!

Levantei da cadeira cambaleando pela bebida e me enfiei no meio da multidão tentando alcançar a menina que mexia com meu passado e agora, com meu presente. O som ensurdecedor da danceteria atrapalhava meu modo desesperado de chamar a atenção, até que senti alguém me puxar pelo braço, fazendo com que eu caísse sentado no chão.

- Gerard! Você está se sentindo bem? – Frank perguntava assustado, me ajudando a tentar me manter de pé.

- é ela, Frank! Ela está ali... – me virei apontando a direção, mas ela havia sumido como um fantasma — ela estava bem ali, eu juro!

- ela quem?

- a Julie! – Frank balançou a cabeça em negação – você precisa acreditar em mim. Era ela, eu juro!

- vamos embora, você já bebeu demais e precisa dormir um pouco. Vamos.

Acabei desistindo de reclamar. Não adiantaria e era capaz de todos quererem me internar em um hospício se a notícia de que o vocalista do My Chemical Romance estava vendo ‘fantasmas’. Frank me deixou no apartamento e depois de um longo banho, caí na cama como uma pedra. Achei melhor esquecer aquele dia e ignorar o fato de que minha vida mudaria pra sempre depois daquilo. E mudaria mesmo.

O dia amanhecia e eu dormia sem querer acordar. O telefone tocava insistentemente em minha cabeceira e depois de rodar várias vezes na cama, resolvi atender.

- quem será a essa hora da manhã... mas que droga. Alô?

- alô, é o Gerard? – aquela voz fez minha espinha gelar.

- sim, sou eu. Quem é? – eu já sabia, mas tinha medo da resposta.

- sou a Jamie, de ontem. Lembra?

- cla... claro.

- desculpe te ligar a essa hora, mas eu tenho que sair agora. Sabe, voltar lá na farmácia pra assinar minha demissão. – ela riu sem graça.

- e... como você conseguiu meu telefone?

- ah, eu vou te explicar. Foi por isso que liguei. Você esqueceu seu relógio e sua carteira com documentos aqui em casa ontem quando... – ela fez uma pausa – você sabe.

Tentei forçar a memória pra me lembrar da carteira, mas minha cabeça doía incrivelmente.

- a carteira... eu nem lembrava que estava sem ela também. – deixei escapar um sorrisinho sem graça e ela riu do outro lado da linha.

- você pode passar aqui em casa daqui a pouco pra buscar? É que eu não sei onde você mora e como você já sabe o caminho... – aquela pergunta estava estranha, mas eu não quis pensar em mais nada a não ser aceitar.

- tudo bem, eu passo aí depois do almoço.

- se você quiser, pode vir almoçar também. Agora eu não tenho emprego e vou ficar aqui sozinha. Lembra do que você prometeu, Gerard?

- eu nunca te deixaria sozinha de novo. – meu coração bateu mais forte e minha única vontade era chorar.

- então cumpra, ok? Até daqui a pouco. Bye.

Ela desligou o telefone e eu continuei ali parado com o aparelho no ouvido, tentando formular tudo o que eu tinha ouvido pelo telefone. Qualquer um entenderia que aquele papo não passou de uma cantada pra cima de Gerard, e uma cantada bem direta. Mas era mesmo real? Aquela era Julie? A Julie de antigamente ou uma outra mulher que apenas sentiu uma atração por um cara bonito e o chamou pra almoçar?

Eu estava mais confuso do que antes, mas também estava disposto a descobrir esse segredo a qualquer custo.

[...]

O que será que vai acontecer nesse almoço hein?? hahahaha