A Sweet Kiss of the Devil
1 Capítulo unico
Notas iniciais
Nunca pensei que um dia chegaria à um nível tão baixo. Desde os tempos em que minha família era uma das mais ricas, como pude acabar neste estado deplorável?
*Flashback On*
– William!! Eii!! Acorde!! – Uma voz aveludada me chamava de forma brusca.
“Tenho a impressão que alguém está me chamando, mas quem será?”
– Vamos!! Acorde! Se você não se levantar em 10 segundos eu irei abusar de você! – Ameaçou a voz.
“Hã? Abusar? Como assim?” – pensei pasmo enquanto continuava imerso em meus sonhos.
– 1....2...3.... – A voz começou a contar lentamente, sussurrando cada número em meu ouvido.
“Hã? Eiii!! Espere!!” – Comecei a me debater, tentando encontrar uma saída daquele pesadelo.
– Uaaaaaaah! – Levantei assustado e suando.
“Ué? Um sonho? Aquilo foi realmente um sonho?” – Pensei atordoado olhando ao redor. “Desde quando eu venho tendo sonhos como este?”
Meio cambaleando me levantei da cama e me dirigi a cômoda onde se encontrava um bilhete.
– O que será isso? – Peguei o bilhete e o examinei.
“Querido William, sabia que você é uma gracinha dormindo? Principalmente suas expressões quando o estou provocando Hu hu hu! Espero mais belas expressões amanhã à noite.
Com amor Dantalion.”
– Aquele maldito!!! – Amassei o bilhete e o toquei no lixo – Ele me paga!! – Sai batendo a porta do quarto e o encontrei próximo a sala do conselho estudantil.
– Bom dia. – Disse sorrindo.
– Humpf! – Passei reto e me dirigi a alguns livros que estavam na cômoda.
– Hmmm.. Vai me ignorar é?! – Andando de forma lenta e decidida ele se aproximava de mim, sua presença demoníaca quase não se era sentida então por um breve momento imaginei se não tinha desistido e ido embora.
Com um baque alto ele pôs as duas mãos ao meu redor e posicionou a boca a altura do meu ouvido. – Terei que fazer você aceitar a minha presença então. – Sussurrou.
– Hã???? – Me virei pronto para rebater quando por uma fração de segundos me dei conta do quão perto ele estava de mim. Corando de forma discreta, tentei me recompor. – Você uma mera existência formada de átomos não deveria existir em um mesmo espaço que um gênio como eu. Agora saia do meu caminho! – Olhando para ele de forma teimosa e determinada esperei que se afastasse.
– Hmm... Então você ainda não acredita? Mesmo depois de ver com seus próprios olhos?! Você é mesmo muito teimoso legitimador William. – Com seus olhos cor de rubi ele se aproximou mais para me encarar. – Mas não pense que irei desistir, você é somente meu! E é a mim que irá legitimar. – Sorrindo de forma sedutora, me lambeu da bochecha até o canto da boca e se afastou antes que eu pudesse protestar.
Levando apenas alguns segundos para conseguir pensar com coerência de novo, o encarei furioso.
– Como ousa fazer isso?!!
– Deu vontade. – Disse dando de ombros.
– Deu vontade?!!
– Sim. – Olhou para mim com aqueles olhos avermelhados que tanto me causavam arrepios e sorriu maliciosamente.
– Po....pois.. saiba que.. – Minha voz começou a sumir quando ele voltou a se aproximar.
– Saber o que? – Segurando meu queixo com uma das mãos, o levantou suavemente. – Você realmente me intriga, ainda irei faze-lo dizer que é meu. Apenas espere ansioso por isso. – Sorrindo triunfante, saiu da sala e desapareceu no corredor.
“Maaaldito!!!! Ainda irei faze-lo engolir suas palavras!!” – pensei com raiva.
*Flashback Off*
Enquanto andava calmamente pelo pátio checando se todos os alunos estavam fazendo suas devidas atividades, minha mente vagava sobre o dia anterior. Os sedutores olhos cor de rúbi se recusavam a sair de meus pensamentos e o sorriso determinado que se encontrava em sua face demoníaca me encantavam mais do que eu gostaria de admitir. Olhava distraidamente para o céu, acompanhando o movimento de alguns pássaros que voavam graciosamente quando ouvi duas vozes familiares.
“Hm... estas vozes...só pode ser aqueles dois.” – Comecei a andar em direção as vozes, voltando para dentro do prédio me dirigi a uma porta e ao abri-la fui surpreendido por Dantalion sendo jogado em minha direção.
– Aaaah! – Ambos batemos com tudo em uma parede. Dantalion se recobrou primeiro e olhou para mim surpreso.
– O que faz aqui?
– Desgraçados!! – Falei com raiva.
– William, que bom que chegou. Então? Qual de nós dois você irá legitimar? Decida-se agora! – Sitri se encontrava em pé próximo a porta me encarando determinado.
– Eu já disse para não fazerem bagunça dentro dos prédios da escola!!!
– William, Escolha um de nós! – Disse uma voz atrás de mim.
– Dantalion! Maldito, tenho contas a certar com você depois! Mas como eu já disse um milhão de vezes, não irei legitimar ninguém! Eu não sou este tal de Salomon!
– William! – Dantalion segurou uma de minhas mãos e me puxou para perto de si – Você já sabe quem irá escolher. – Me encarando com aquele habitual olhar determinado, me fez ficar preso naquele abraço por tempo suficiente para me fazer corar.
– Solte ele Dantalion! – Sitri se pôs entre nós empurrando Dantalion com força.
– Solte você!
– Não, você!
Ambos me puxavam um de cada lado como se fosse um cabo de guerra. Sentindo meus membros sendo repuxados a uma extensão que na certa não era normal e o corpo todo doendo, me abaixei e fiz ambos cambalearem até o chão comigo.
– PAREM COM ISSO!! – esbravejei.
Ambos ficaram me olhando surpresos e sem reação.
– Pela milionésima vez, eu não sou Salomon!! – Bravo e dolorido, sai soltando fumaça pelos corredores.
–E-ei, William! – Ouvi a voz de Dantalion me chamando ao longe mas a ignorei.
Depois de toda aquela turbulência da tarde, fui direto para meu quarto e lá me deitei. Não sei quando mas em algum momento adormeci e em meus sonhos novamente Dantalion me perturbava.
“ Vamos...Acorde.....” – Dizia a voz aveludada.
“Mais cinco minutos....” – Resmunguei me virando na cama.
“Cinco minutos? Isso é muito tempo... Acorde William... vamos brincar....”
“Brincar?”
“Sim..... brincar...” – De alguma forma eu senti que a névoa que envolvia meus sonhos e possuía a voz de Dantalion estava sorrindo.
Me virei novamente na cama inquieto, sentia um peso anormal sobre meu corpo.
“N-não consigo... res...respira”
Abri os olhos, ainda sonolentos e vi uma silhueta em cima de mim.
“Hmmm... estranho....” – Pensei com sono.
– Eiiiiin????? – Acordei sobressaltado.
– Hmm... Adoro ver você dormindo. – Dantalion parecia radiante.
– Maldito Dantalion! Saia de cima de mim!
– Por que? – Perguntou de forma inocente.
– Ora por que, não consigo respirar direito com seu peso! – Disse bravo.
Seus olhos de rubis pareciam me ler como um livro, me sentia inquieto quando me olhava assim.
– Pa-pare com isso!
– Com o que?
– De me olhar assim...
– Por que? – Notei que ele sorria de canto enquanto falava.
– Por nada, saia de cima de mim! – Tentei empurrar seu corpo mas ele puxou minha mão e a levou até seus lábios, onde depositou um beijo suave.
Senti todo o meu sangue pulsar até as bochechas e minha respiração se tornar irregular. Dantalion me encarava e senti que notava toda a minha inquietação. Puxei minha mão de volta e tentei me levantar, sem sucesso. Claro. Por que tinha que ser mais forte que eu?!
– William.... – Sua voz agora se tornará baixa e seu olhar penetrante.
Não respondi.
– Você precisa me legitimar. – Disse suavemente.
– Eu já disse seu mero átomo teimoso, não sou Salomon.
– Tenho certeza que irá me escolher..
– Há! Confiante você. – O encarei determinado a não ceder. Foi a pior coisa que eu podia ter feito naquele momento, fui arrebatado na hora por seus olhos avermelhados e sua voz aveludada que me estudavam sem perder um detalhe sequer.
– Você irá me escolher... – Repetiu, se aproximando do meu rosto.
Paralisei no exato momento em que senti sua respiração próxima a minha. Dantalion agora estava extremamente próximo a mim e eu não tinha como fugir, sinceramente dentro de mim estava ocorrendo uma batalha entre meu coração e meu cérebro e eu já sabia qual ganharia. Seu lábio roçou minha bochecha e foi descendo até o canto da minha boca. Prendi a respiração.
– William, você está ficando roxo... – Ele me olhava sorrindo de forma triunfante e divertida.
Soltei uma lufada de ar maior do que o previsto e pus a mão sobre a boca boca.
– Eu.. não estava não!
– Sempre com esta teimosia incansável, mas este é um dos seus charmes. – Ele ainda sorria e me olhava de forma amável.
– Humpf!
Dantalion começava a se levantar quando sem aviso prévio me deu um selinho, foi rápido e quase imperceptível mas o suficiente para me deixar sem chão.
– Você ainda se tornara meu William. Isso eu juro. – Aquele sorriso persistente e triunfante que sempre estava em seus lábios agora pareciam mais radiantes e seus olhos me aprisionaram de uma forma que eu jamais poderia escapar.
Não sei quando e nem como, mas tinha certeza que não teria como fugir daquele demônio que arrebatou meu coração e fez a ciência antes minha fiel companheira se tornar algo incerto da qual eu começara a duvidar.
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