CAPÍTULO 5;

Luca acordou às seis da manhã. Seu riso alegre me despertou do sono mais tranqüilo e bem vindo que eu já tivera desde muito tempo, mas eu não me incomodei com isso. Havia um conjunto de aviõezinhos em seu berço, miniaturas do avião que pendia no teto, eles pairavam acima de Luca, que tinha descoberto como fazê-los se mexer. Não do movo convencional é claro, mas cada vez que ele chutava a cama com as perninhas, os aviõezinhos se mexiam como se estivessem voando, o que o fazia rir.

Edward estava do mesmo jeito que eu o deixei ao sair do quarto: de boca aberta, respirando solenemente, atirado aos travesseiros. Luca o abraçou quando o coloquei na cama, o despertando. Ele abriu os olhos, os pousou em mim por um momento, sentada na cama, e então olhou para o filho que tinha o braço em seu pescoço e sorria.

Não houve sorrisos da parte de Edward, mas ele apertou Luca contra si, ganhando uma gargalhada em troca. Ele era realmente engraçado ao acordar, como Alice comentara, até meio rabugento, mas eu não peguei o celular que estava ao lado da babá eletrônica para fotografá-lo por causa disso, e sim porque, mesmo daquela maneira, ele soube dar atenção ao filho que continuava perto dele.

A foto ficou linda e, para a minha grande surpresa, Edward não disse nada sobre meu impulso, pelo contrário, estendeu a mão para que eu entregasse o telefone a ele. Seus olhos brilharam ao olhar a foto e então ele apertou alguns botões e quando me devolveu o aparelho, pude perceber que a foto estava como papel de parede.

Luca ergueu-se, sentando nesse momento. Edward arregalou os olhos, acompanhando o movimento do menino que, virando-se espalmou as mãozinhas na cabeceira da cama, ficando de pé. Edward sentou, maravilhado. Foi aí que eu percebi que nunca tinha visto Luca sentar ou sequer tentar andar por si próprio. O que, infernos, tinha acontecido com essa criança?

Luca permaneceu de pé por alguns minutos e então saiu engatinhando pela cama, quase caindo dela.

- Onde é que você vai mocinho?

Ele riu quando o peguei no colo, colocando-o de pé em minhas pernas. Ele voltou a apalpar meus cabelos, como nas outras vezes, admirado.

- Como é a rotina dele Edward? – perguntei, sorrindo para o bebê.

Luca era uma das minhas responsabilidades dentro daquela casa, e, como eu não queria ficar parada, pensando em como as coisas poderiam arruinar dentro de um segundo, tinha que começar a fazer alguma coisa. Luca era um bom começo.

Meu companheiro de cama olhava para minhas pernas, o que me deixou encabulada quando percebi e então procurei me tapar, mas Edward, que cada vez mais se provava mais estranho pra mim, desviou o olhar, fixando-o em meu rosto corado.

- Café-da-manhã, alguns desenho na TV e então escolhinha. Ele fica lá o tempo que determinarmos. Luca não tem uma babá, o que nos leva a revezar pra cuidar dele.

Eu assenti, mas franzi a testa.

- Porque não há uma babá? – não conseguia imaginar porque não havia ninguém para cuidar do garoto, já que dinheiro não era problema.

Edward suspirou, apertando o nariz.

- Houve seis tentativas, simplesmente desisti.

- Por quê? O que.. oh!

Não era difícil adivinhar. Uma vaga de trabalho dentro da mansão Cullen, convivendo com Edward. Talvez as candidatas nem soubessem que Luca era seu filho, e talvez tivessem continuado a não saber, mas o chamarisco de se estar dentro da mansão já era suficiente.

Edward levantou, corado, meio sem jeito.

- Eu tenho alguém. – comentei, antes de perder a coragem.

Ele pareceu interessadíssimo e isso me deixou feliz, não só por causa da oportunidade que minha indicação teria, mas por ele ter parado para prestar atenção em mim sem hesitar. Como se soubesse que podia confiar em mim. Isso era relaxante.

- Sue Clearwater. Ela tem 40 anos, perdeu o marido recentemente. Trabalhava na minha casa, porém Reneé a pegou cuidando de um dos meus ferimentos e a demitiu. Seth, seu filho, está na universidade, ela é sozinha, nem sei o que está fazendo agora, mas é maravilhosa e...

- Está contratada.

Eu fechei os olhos, muito feliz.

- Muito obrigada Edward. Só mais uma coisa, meus pais...

- Eles não vão saber que você a indicou, não se preocupe. Além do mais, não é como se eu fosse deixar que eles transitem por aqui a todo instante. Traga Sue aqui hoje à noite. Agora tenho que ir me arrumar para o trabalho.

- Tudo bem, hãn.. Edward? – ele já ia em direção ao banheiro, apressado. – Hoje é domingo, você não trabalha.

- Graças a Deus. – ele murmurou, enquanto voltava a se deitar. – Semana passada eu cheguei a ir a empresa antes de me dar conta.

Eu ri, o que fez com que Luca risse também. Eu o coloquei no chão e ele saiu engatinhando pelo quarto, tão rápido quanto uma formiga. Edward sentou na cama, observando o filho. Não era de se estranhar que ele quisesse casar o mais rápido possível, já que não conseguia nem saber mais em que dia da semana estava. Isso me fez lembrar sobre um ponto muito importante.

- O que você disse a Charlie e Reneé?

Sua expressão endureceu e ele fechou os olhos por um momento.

- Que não havia necessidade de você ir, que era mais fácil já estar aqui agora. Sua mãe ficou desconfiadíssima. Queria vir falar com você, mas eu não deixei, alegando que você estava cansada. Ela disse que passaria aqui essa semana.

Fiz uma careta, pensando comigo mesma que tinha que arranjar mais argumentos quando ela me interrogasse.

Luca continuava engatinhando pelo quarto. Às vezes se segurava em algum lugar e ficava de pé por alguns momentos. Ele devia ser o xodó da família, disputado com unhas e dentes, e por mais estranho que fosse, ele parecia ter um pouco de cada membro da família em seu jeito.

E foi aí que eu me dei conta de uma coisa.

- Se avô. – eu disse a Edward. – Ele não estava no jantar.

A expressão de Edward fechou mais ainda do que quando perguntei dos meus pais.

- Ele está no Caribe com a namorada da vez. Parece que esqueceu que tem um sobrenome público e está agindo como um garotão pegando todas. Foi por isso que ele ligou para seus pais e não apareceu lá.

As explicações de Edward pareciam um desabafo e eu decidi então não comentar nada sobre o rancor que ele parecia ter do avô e assenti somente.

- Será que podemos ir a sua casa hoje? – a pergunta me fez olhar pra ele, assustada. – Pensei em levarmos Alice conosco assim você não ficará sozinha com Reneé enquanto arruma suas coisas, porque com certeza seu pai vai me prender na sala com algum drink e uma conversa sobre negócios.

- Edward, você tem certeza que...

- Você não vai voltar pra lá Isabella. – seu tom era autoritário e possessivo, e por mais estranho que parecesse, me fez sentir segura. – A não ser que você queira, mas então nosso acordo será cancelado.

Eu fechei os olhos horrorizada. Um bolo pareceu crescer em minha garganta e foi com a voz embargada que eu respondi.

- Eu não quero voltar.

No segundo seguinte Edward estava me abraçando. Seus braços me apertaram contra seu corpo e eu o senti beijando minha cabeça.

Um barulho de uma gaveta fechando nos sobressaltou e então Luca apareceu enrolado em papel higiênico. Ele tentava se desvencilhar do papel, mas cada vez que engatinhava, mais o rolo se desenrolava.

Edward, as gargalhadas, foi ajudá-lo. Nós descemos em seguida para a cozinha onde Edward se apressou em dar o café da manhã para Luca. Ninguém acordava cedo na mansão no domingo e nesse dia Edward tinha que dar uma de chef já que ele não achava justo incomodar os empregados quando ninguém mais o fazia. Enquanto isso eu liguei para Sue.

Minha antiga babá chorou de felicidade com a notícia do emprego, mas eu estava furiosa quando desliguei o telefone.

- O que houve?

- Ela sujou o currículo de Sue. – gritei, enfurecida. – Ligou para agências e para as amigas falando mal dela. Sue jamais conseguiria um emprego Edward!

Até Luca ficou assustado com meu estresse, o que fez com que eu me virasse, envergonhada.

- Ela sempre soube?

- Sim. Desde a primeira vez. – respondi, lembrando de como ela sempre cuidava dos meus machucados e dizia que tudo ia ficar bem. – Mas nunca conseguiu contar a ninguém. Tinha medo de perder o emprego ou ainda que ninguém acreditasse e me fizessem mais mal ainda. Quando passei a entender melhor o que acontecia a proibi de contar. Porém no fim ela sofreu as conseqüências do mesmo jeito.

Eu senti as mãos quentes de Edward em minha cintura ao mesmo tempo em que senti seu cheiro almiscarado.

- Acabou Isabella. Acabou. Você está segura agora.

Se hálito quente soprou em meus cabelos e eu me arrepiei. Mas era um arrepio bom. Fechei os olhos, encostando minha cabeça em seu peito.

Eu estava segura agora.

Notas finais
Oláaaaaa!
gente! to chocada com tanto comentário!
Sério! Quase saí pulando dentro de casa de tanta felicidade!
É bom saber que vocês gostam tanto da fic.
Eu me fino lendo as dúvidas de vocês. Fiquem calmoos! Tudo será esclarecido... não roam as unhas, nem me matem, nem nada do tipo ok?!
Ainda não sei se terá um POV Ed. Eu gosto de me focar em um personagem só.
Kah_Nanda: flor.. Alice tem 18, como você pode conferir no capítulo 1, e mais pra frente saberemos a idade de Jasper.
Obrigada a martinhaaugusto e a Keroly pelas noras recomendações!
Vocês ainda vão em matar de tanta felicidade!
beeeijos grandes!
Até!