CAPÍTULO 15;

Deitar de lado não é uma das minhas posições preferidas, mas no momento, era o que impedia minhas costas de latejar ainda mais. Eu tinha acordado há alguns minutos, já que algumas feridas eram tão profundas que precisei ser sedada. Era irônico que uma simples fivela de cinto pudesse fazer tanto estrago. Acho que a esse ponto dos acontecimentos, eu já deveria ter me acostumado que quaisquer coisas simples nas mãos dos meus pais poderiam fazer estragos. Grandes estragos.

Pouco antes de Edward me achar, cheguei a pensar que apodreceria ali, sem qualquer tipo de cuidado, provavelmente desmaiando logo em seguida de tanta dor.

A enfermeira simpática que havia me explicado sobre os procedimentos que haviam sido feitos terminou de conferir meu soro e saiu, provavelmente indo chamar Edward, e o pior era que eu não sabia se estava pronta pra enfrentá-lo.

Não tive muito tempo pra me preparar pra vê-lo, entretanto, já que no minuto seguinte ele estava entrando no quarto, os olhos verdes arregalados, me olhando com preocupação. Seu rosto contorceu de dor quando ele correu os olhos por meu corpo, notando os arranhões aqui e ali.

- Deus, Bella.

Edward praticamente desabou na cadeira ao lado da minha cama, segurando minha mão logo em seguida. Ele distribuiu beijos nos nós dos meus dedos, os olhos marejados.

- Você está bem?

Eu apenas balancei a cabeça, me sentindo ainda incapaz de falar. Edward ficou um minuto em silêncio, o olhar perdido.

- O hospital, em vários casos, é obrigado a chamar a policia. Você sabe que seu caso é desses não é? – eu assenti novamente, olhando para nossas mãos juntas. – Daqui a uma meia hora eles vão estar aqui pra pegar o seu depoimento. O que você vai dizer Bella?

- Tudo. – minha voz saiu tão baixa e tremida que achei que ele não tivesse ouvido, então pigarreei, respondendo outra vez. – Tudo.

- Bom. Fico orgulhoso de você. – ele fez uma pausa, voltando seu olhar pra mim. – Acha que precisa de um advogado presente?

- Não. Mas gostaria que você ficasse.

Ele balançou a cabeça rapidamente, parecendo muito feliz com minha decisão. Um segundo depois o telefone de Edward apitou e ele franziu a testa, suspirando quando viu o identificador de chamadas.

- Rose. – ele suspirou de novo, parecendo constrangido. – Não contei nada a ela. De fato, Rose não sabe onde eu estou agora. Recebi algumas ameaças de morte.

Eu ri levemente, apertando sua mão na minha.

- Chame ela. Já que vou ter que falar sobre isso, que seja de uma vez.

Edward tentou retrucar, mas eu preferia assim. Era doloroso demais falar sobre o abuso que sofri a vida inteira, mas as pessoas que se importavam comigo mereciam saber, eu queria que elas soubessem, e por uma questão até de praticidade, falaria sobre isso de uma vez só.

- Jasper sabe. – segredou Edward, logo depois de falar com Rose ao telefone. – Precisei contar a ele.

- Por quê? – não estava ofendida com o acontecido, mas Edward parecia comedido demais, e algo me dizia que ele estava escondendo algo de mim. Seus olhos flamejaram quando ele falou de Jasper e talvez eu obtivesse minha resposta se seguisse esse caminho. – O que ele disse?

- Jasper pouco se impressiona Bella. Adulto desde sempre, lembra? – eu assenti, olhando fixamente para o seu rosto. Edward suspirou, percebendo que não escaparia da pergunta. – Precisava de alguns conselhos quanto a uma situação e de o nome de um advogado.

Ignorei a parte do advogado, me focando nos conselhos. Edward raramente precisava de conselhos.

- Que situação?

- Não é um bom momento para essa conversa Bella. – suspirei frustrada, sabendo que não conseguiria nada dele nesse momento. Então, do nada, sua testa estava colada na minha e ele parecia desesperado. – Achei que ia perder você.

Ele distribuiu beijos em meu rosto pálido, murmurando coisas incompreensíveis, até que seus lábios pousaram nos meus, firmemente, como se ele quisesse nos grudar.

- Sinto muito.

- Não é sua culpa Bella. Você não fez nada de errado.

Sacudi minha cabeça, sentindo a verdade desabar sobre mim.

- Eu não corri. Eu nunca corri, nunca contei a ninguém, nunca gritei. Posso ser a vitima do abuso, mas aceitei ele Edward. Nada vem sem luta. Nós nunca daríamos certo se não lutássemos, você sabe disso. Eu podia estar livre dos meus pais se tivesse simplesmente gritado antes.

Edward nada disse, apenas voltou a colar seus lábios nos meus, suspirando logo em seguida.

- Não fique pensando nisso. Não adianta chorar ou se recriminar pelo que já foi. Vamos pensar no agora. Você está bem, nós estamos bem e seus pais serão presos.

Eu assenti, envolvendo seu pescoço com meus braços, apreciando seu cheiro.

- Só um instante. – interrompeu Rosalie, novamente, fazendo o policial que pegava meu depoimento revirar os olhos, novamente. – Seus pais investiram em você, pra que através de um casamento arranjado você pudesse inseri-los na sociedade, e quando você falhava nos aprendizados ou quando eles achavam que algo era sua culpa, castigavam você?

Edward, eu e o policial assentimos, esperando pela reação de Rosalie.

- Que século nós estamos?

A pergunta parecia muito séria, já que ela não sorria ou aparentava raiva, apenas esperava pela resposta. Edward coçou a cabeça, parecendo sem graça.

- Vinte um (XXI)?

Eu estava a ponto de gargalhar, já que Rose parecia atordoada, provavelmente achando que tudo isso se tratava de uma grande pegadinha.

- E você aceitou as chantagens emocionais de Jonh e ficou noivo de forma forçada? Duas vezes? O que é que você tem na cabeça Edward?

Eu suspirei, olhando seriamente para Rosalie.

- Não querida, você não está em uma pegadinha, nem testando a força de um novo roteiro de Hollywood, eu passei por tudo isso, tenho cicatrizes pra comprovar, e sim, Edward foi noivo duas vezes de forma forçada, casou uma, não de forma forçada porque começamos a nos envolver antes disso. Estamos bem Rosinha. Está tudo bem, eu só gostaria que você soubesse e mantivesse a sua boca fechada.

- Não posso contar nem pra Emmett?

Edward e eu nos entreolhamos e eu dei de ombros.

- Conte. Emmett é pior que mamãe. Semana que vem todos vão saber sobre tudo.

Eu dei de ombros outra vez.

- Provavelmente eu contaria depois.

E então Rose estava me abraçando enquanto chorava descontroladamente.

- Não acredito que você passou por isso! Que monstros. Que horrível Bella!

O policial tossiu para disfarçar o riso e saiu acompanhado por Edward, que ria abertamente.

Rose me apertava muito, doía, mas era bom ter uma amiga se preocupando por mim pela primeira vez.

- Mamãe!

Eu devia saber que Edward traria Luca para me buscar. Ele agitava os braços no colo do pai, esticado na minha direção.

- Até que um dia vou poder voltar pra casa! – peguei Luca no colo, espalhando beijos por seu rosto enquanto ele ria. – Não agüento mais esse quarto.

- Foram só duas semanas Bella. Não é tanto tempo assim.

- Se elas tivessem sido necessárias, eu concordaria.

- Mas foram necessárias.

- Edward. Você pegou o dobro do que devia pra eu pudesse ficar de repouso aqui. O médico me liberou depois de dois dias.

Ele balançou a cabeça, parecendo quase ofendido.

- Você precisava de descanso! Todos queriam tirar férias pra ajudá-la a se recuperar se você fosse pra casa, e não acho que isso teria sido bom.

Cheguei pertinho dele, beijando seu pescoço, me sentido muito adorada quando ele circundou minha cintura.

- Eu sei. Você tem razão, mas não consigo deixar de reclamar.

Ele riu, fazendo Luca rir com ele.

- Mamãe!

- Mamãe vai pra casa. – comentou Edward, alisando os cabelinhos ralos de Luca. – Nada mais de hospital.

- Hopital não. – concordou ele, balançando a cabeça. – Casa xim.

Eu ri, maravilhada com o crescimento do seu vocabulário. Ainda havia muito pra percorrer, mas estávamos no caminho.

Os seguranças entraram, carregando minha pequena mala pra fora do quarto. Edward pegou minha mão, e juntos caminhamos para fora do hospital.

No carro, não pude deixar de notar, seguíamos para uma direção diferente.

- Onde estamos indo?

- Almoçar fora. – ele sorriu, parecendo muito feliz com a ideia. – Todos queriam vir também, mas queria que isso fosse um momento só nosso.

- Eu gosto assim.

Edward segurou minha mão, apertando-a firmemente.

- Alice fez um escândalo quando Rose contou sua história ontem. Ela, inclusive, queria pegar o primeiro avião pra cá, mas consegui dissuadi-la.

- Rose espalhou a noticia. – não estava triste ou ofendida por isso. Era muito bom saber que todos sabiam sem eu precisar contar tudo novamente. – Como os outros reagiram?

- Alice fez esse escândalo. Jasper, você sabe e Emmett ficou imóvel por alguns minutos antes de se fechar no escritório e trabalhar em cima do processo contra os seus pais.

- Eu achei que ele quebraria alguma coisa. – Emmett era muito querido e engraçado, mas todos sabiam que quando ficava com raiva, algum estrago era feito. – Isso não aconteceu em nenhum momento?

Edward balançou a cabeça, enquanto checava Luca no banco de trás.

- Fazer direito o ajudou muito. Ele canaliza sua raiva para o trabalho e geralmente a usa muito bem. O problema é quando não há nada jurídico a ser feito.

- Essa sua insinuação tem a haver com a história de Rose?

Edward sorriu, apertando minha mão novamente.

- Você não perde uma. Sim. Tem haver com a história. Rose, aliás, está mais do que pronta pra te contar.

-Fico feliz em saber. – franzi a testa me lembrando de um ponto. – Rose contou também sobre Jonh?

Edward balançou a cabeça de modo afirmativo.

- Eles ficaram sem fala, mas os convenci a não contar nada pra papai e mamãe. Nem quando eles voltarem.

- Me parece justo. Acho que seus pais morreriam de desgosto e de raiva de Jonh.

Edward assentiu, mas não disse mais nada.

Alguns minutos mais tarde entrávamos em um restaurante italiano aconchegante, levemente lotado. Edward deu seu nome na recepção, segurando Luca que parecia meio sonolento. A recepcionista nos conduziu para uma mesa no canto, um pouco mais afastada, onde uma cadeirinha alta já estava preparada para Luca.

Eu senti, franzindo a testa levemente, uma dor incomoda nas costas, fato que não passou despercebido por Edward.

- Porque você não me disse que estava com dores Bella?

- Não é nada de mais. É só um pouco incomodo. Principalmente por causa da queimadura.

Edward travou o maxilar, tentando, atrapalhado, colocar Luca na cadeirinha.

- Você está pelo menos tomando remédios?

- Sim, o médico os receitou. Está tudo bem, de verdade.

Ele suspirou, parecendo mais calmo, mas ainda sem conseguir colocar Luca na cadeirinha já que ele se debatia e choramingava.

- Mamãe.

Estiquei meus braços, esperando Edward coloca-lo em meu colo.

- Você vai mimá-lo de mais Bella.

- Não vou nada. – reclamei, enquanto aconchegava Luca em meu colo, observando seus olhinhos pesados. – Ele só está com soninho.

- Soninho. – repetiu ele, enfiando o rostinho em meu peito, sua mãozinha apertando minha blusa. – Soninho mamãe.

- Eu sei querido. Durma.

Beijei sua testa, observando-o cair no sono.

Quando ergui meus olhos, fiquei meio embaraçada diante do olhar de Edward.

- O que?

- É por essas e outras coisas, que eu acho que você não deve e não precisa esperar.

- Esperar pelo que?

Ao invés de responder, Edward tirou um maço de papeis da sua pasta, empurrando-os para mim através da mesa.

Era muitos e como estava com Luca nos braços, ficava difícil folheá-los, mas não foi difícil pegar a essência da situação.

Edward estava me dando uma das minhas razões. Edward estava me dando minha escolhinha.

- Edward...

- O lugar é fantástico, mas precisa de alguns reparos. Você também tem que decora-lo e comprar tudo o que precisa. Tenho certeza que estará funcionando em setembro, se contratarmos as pessoas certas.

Eu ainda não conseguia falar. Era indescritível ver um dos seus maiores sonhos se tornando realidade. Eu tinha chegado a pensar que jamais conseguiria alcança-lo, mas aqui estava eu, diante do meu marido arranjado, segurando meu filho emprestado, olhando para o meu sonho. Era muito mais do que eu jamais sonhei, era muito mais que perfeito.

- Eu não sei o que dizer.

- Só diga obrigado. Vou ficar feliz com isso.

- Obrigado.

- Não há de que, vida. – ele franziu a testa, corando levemente. – Rose me ajudou a escolher o lugar. Luca, do seu jeito, também opinou, mas o que eu quero dizer é que Rose ficou muito interessada em participar do projeto. De fato, mamãe também.

- É fantástico! Vou precisar de toda ajuda possível. Tenho certeza de que tudo vai dar certo.

Ele sorriu, parecendo muito animado e orgulhoso de si mesmo.

- Obrigada Edward. Muito obrigada.

- Tudo por você.

Por mais simples e clichê que fosse, eu sabia que ele estava sendo verdadeiro em sua declaração. Edward faria tudo por mim. E naquele momento, com meu coração galopando no peito, eu sabia que também faria qualquer coisa por ele.

Notas finais
OLá povo...
espero que tenham gostado do capítulo.. o próximo estará um tanto hot! uhsauhshuhuasuhshua
Tem tanta leitora nova! Sejam bem vindas todas vocês! é bom saber que tem tanta gente gostando da história..
os comentários cada vez mais me deixam chorona! Me sinto diva com todo esse carinho.
Um beijinho especial para mari_nutri, bmasen e Dressa Caris que recomendaram a fic! Babei meninas!
Bom, vou me indo...
beijos, beijos.
té.
Lidih.