CAPÍTULO 1;

- Não é uma notícia maravilhosa? – Reneé perguntou retoricamente, balançando-se de um lado ao outro na cadeira a minha frente. – Estávamos esperando esta confirmação há semanas, e agora é certo!

Eu tentei manter meu rosto o mais alegre possível diante da noticias, mas por dentro minhas entranhas reviravam. Era uma oportunidade de sair daqui, mas também era uma nova prisão, onde eu seria a noiva substituta de Edward Cullen.

Tanya Denali e ele haviam sido o casal modelo de perfeição a seguir. Saiam nos jornais ao menos uma vez por semana, seja em um passeio romântico ou em um jantar de gala, até que ela ficou doente e eles desapareceram. Edward só voltou a cidade há seis meses depois de três anos sem, praticamente, ser visto, e sozinho.

É claro que as “candidatas” ao seu coração tinham, novamente, esperanças de enlaçar o bonitão. Todas elas, inclusive as que não estavam na lista, saiam mais penteadas e maquiadas de casa contando com a oportunidade de vê-lo, infelizmente para elas, eu era a próxima da lista, a segunda colocada dentre quinze garotas selecionadas; em minhas palavras: a substituta.

Jonh Cullen, avô de Edward, vem criando a lista de candidatas a esposa perfeita desde que o neto deu os primeiros passos. Meus pais quando souberam da tão falada lista, começaram a me preparar para ser a esposa perfeita: línguas, costura, dança, moda, administração, eventos sociais, estética, ópera, teatro, cinema, pedagogia, culinária, entre outras coisas que eu esqueci com o tempo.

Não havia candidata melhor do que eu, como mamãe ressaltou a Jonh quando ele veio me conhecer, mas Tanya conhecia os Cullen a vida toda e isso lhe conferiu mais pontos na disputa. Mas agora Tanya estava morta, segundo Jonh, e eu era a substituta. Ele marcara uma entrevista com Edward para hoje à tarde, o que fez com que Reneé ficasse alvoroçada e resolvida a me fazer ver, mais uma vez, a pasta com os detalhes sobre a família.

— Jonh Cullen você já conhece. – ela disse, colocando a foto do senhor enrugado, com cabelos cinza de lado. – Aqui, quem é esse?

- Carlisle Cullen. – respondi olhando para o homem loiro de olhos verdes na foto. – Patriarca da família.

A próxima foto foi de Esme. Uma mulher de aparência jovem, rosto em formato de coração, olhos de um castanho claríssimo, quase ouro líquido e um sorriso gentil.

Emmett foi o próximo que tive de identificar. Não era fácil esquecê-lo, corpulento, cabelos pretos ralos e com os olhos da mãe. Era casado com Rosalie, que estava com ele na foto, uma loira de corpo e rosto perfeitos e olhos azuis. Fora uma das melhores modelos do mundo, mas há um ano e meio atrás abandonara a carreira por razões desconhecidas e montara uma agência. Ninguém sabia onde ou como fora o casamento dela e Emmett, apenas se sabia que os dois eram casados.

Eu quase sorri quando a foto de Alice apareceu a minha frente. De feições pequenas e baixa estatura, ela parecia uma fada, tinha, como Emmett, os olhos da mãe e os cabelos pretos repicados. Possuía somente 18 anos, ainda estava no high school, mas já era dona de um ateliê muito requisitado. Mamãe tinha muitas esperanças de que ela fizesse meu vestido de casamento.

Todos os Cullen moravam juntos, e há alguns meses atrás, logo após o retorno de Edward, o irmão gêmeo de Rosalie veio para Chicago trabalhar na Cullen’s. Era, como a irmã, loiro de olhos azuis, mas possuía, pelo menos na foto, uma expressão muito enigmática.

- Guardou todas as informações meu bem?

Reneé me olhava com aquela expressão que não admitia uma resposta negativa, até porque eu sabia muito bem o que me aguardava se me atrevesse a ser negativa nessa altura da situação.

- Sim. Está tudo bem memorizado.

A família Cullen era bem eclética e bem família, o que me fazia ficar desconfiada ante toda a perfeição e harmonia. Ninguém era perfeito, todos tinham defeitos e segredos que a maioria das pessoas jamais acreditaria.

- Muito bem então. Vá se preparar. Fique deslumbrante para Edward.

Eu reprimi a vontade de gritar como uma louca e fui para o meu quarto.

O prédio brilhante e imaculadamente limpo da Cullen’s parecia zombar de mim e do meu terninho azul marinho escolhido a dedo por Reneé para a ocasião.

As pessoas andavam apressadas, falando ao celular ou conferindo papéis e não pareciam me notar, ou notar o quanto eu estava perdida. A garota da recepção falava irritada ao telefone, segurando um bebê de cabelos acobreados lisinhos, bochechas cheias e olhos verdes. Ele parecia alegre e muito interessado em todo o movimento a sua volta e quando seus olhos pousaram em mim, ele sorriu. Tinha quase todos os dentinhos, o que junto ao seu tamanho, me fazia acreditar que ele deveria ter uns dois aninhos.

A garota da recepção, loira e de rosto estressado arregalou os olhos quando me viu, balbuciou algo no telefone e o desligou.

- Senhorita Swan. Muito bem. O Senhor Cullen está lhe esperando. Pode pegar o elevador da esquerda que você chegará direto ao último andar, e, por favor, leve Luca com você.

O telefone voltou a tocar quando ela me passou o bebê que agora parecia fascinado com meu cabelo. Tentei parecer o menos atordoada possível e parti para o elevador da esquerda.

- Olá mocinho. Como vai você?

Luca sorriu pra mim, as mãozinhas apalpando meus cabelos. Ele parecia estranhamente familiar, mas eu não conseguia lembrar por que. Me pareceu também muito estranho o fato de ele não ter dito uma só palavra até aquele momento, nem balbuciado nada, e eu entendia e gostava muito de crianças para saber que algo estava errado.

- Muito bem, vamos lá. – cantei alegremente quando o elevador chegou. – Quem você veio visitar? Papai? Ou talvez a mamãe?

Ele fez alguns barulhos engraçados e deitou em meu peito, me apertando. Parecia temeroso, e quando o elevador deu o solavanco final, Luca escondeu o rostinho em meu pescoço.

- Oh, tudo bem Luca. Já chegamos, está tudo bem.

O ambiente do último andar era menos corrido e movimentado do que a entrada. Havia duas mesas logo à frente e ao lado direito grandes portas duplas marrons. Porém só uma das mesas estava ocupada, embora um zunido baixo me dissesse que o computador da mesa vazia também estava ligado. A moça com cabelos parecidos com palha olhou em minha direção com visível desagrado, eu só não soube se a careta era pra mim ou para Luca que não parecia feliz de vê-la.

- Olá, eu sou Isabella Swan. Edward Cullen está me esperando, e também pediram para...

- Sinto muito, mas não há nenhuma Isabella Swan com hora marcada hoje.

- Isso é porque ela não é assunto seu, Laureen. E também não acho que seu chefe vai ficar satisfeito em saber que você destratou a noiva dela.

A garota que repreendia Laureen tinha acabado de sair das portas duplas, os cabelos negros esvoaçavam conforme ela se mexia e seus olhos eram calorosos, porém se arregalaram ao ver Luca em meus braços.

Laureen parecia à pronta para brigar depois de recuperar-se do choque que as palavras da garota morena lhe causaram, mas calou-se quando viu a colega voltar as portas duplas, abrindo-as rapidamente.

- Edward. Luca está aqui! De novo! Você enlouqueceu?

Eu não ouvi a resposta, mas ela parecia ter sido dada, porque a garota fechou as portas, olhando pra mim.

- Pediram pra você trazê-lo?

- Sim. Tem algum problema? Eu só não sei como ele chegou até aqui.

- Isso é coisa da minha irmã Isabella, mas está tudo bem, você pode me passar o garotão.

Edward Cullen estava parado a minha frente com toda sua beleza. Os cabelos acobreados pareciam estar organizadamente desorganizados, a pele, tão branquinha quanto a minha, parecia seda, o queixo era firme e os olhos verdes astutos, mas um tanto frios.

Ele era lindo. Mais do que nas fotos, mais do que eu esperava.

Luca, depois de me dar um beijo estalado na bochecha, esticou os braços para Edward e então eu me dei conta do porque ele me parecia tão familiar.

Edward Cullen tinha um filho fora do casamento.

Era a confirmação do meu lema. Quantos segredos alguém podia ter?

Notas finais
Olá, espero que gostem da nova fic!
os posts serão regulares aqui, assim que as minhas outras fics terminarem..
beeijinhos.
Lidih.