CAPÍTULO 9;

Seus olhos me percorreram analiticamente, de uma forma que me deixou muito constrangida. Não era desejo nem nada do tipo, era como se eu não valesse nada, como se não merecesse estar ali.

- Muito prazer. – balbuciei, tentando ser educada apesar da sua clara negação para comigo. – Edward me contou sobre seu marido, sinto muito. Parecia ser uma pessoa especial.

- Algo que você jamais vai ser. – sua voz era fria, cortante. – Não importa o quanto você lembre...

Ela calou-se, entregando o copo para Edward. Me olhou mais uma vez, a raiva agora dominando seus olhos e então saiu.

- Deus! Fiz alguma coisa que não devia?

- Claro que não Isabella! Acho que ela ficou infeliz, porque como eu já disse, você é muito parecida com meu falecido Tio.

- Isso não é motivo para ela colocar todo esse ódio em cima de mim! Eu nem o conhecia!

- Deixa pra lá. Quero dançar mais um pouco com você.

Nós dançamos muito em toda a noite, não que eu dançasse muito bem, mas Edward era um dançarino exímio e me conduziu com perfeição. Tinha sido uma noite mágica, eu não podia negar isso, porém tinha a impressão de que aqueles dois acontecimentos ainda dariam o que falar.

Quase no final da festa, quando poucas pessoas ainda dançavam, eu me dirigi a cozinha a fim de pegar alguns doces para comer com Edward e encontrei Alice sentada na mesa, as pernas balançando no ritmo da música.

- Hei cunhada. Dançando muito?

Eu corei, alegre e distribuiu alguns doces em um prato.

- Um pouco. Você está bem? Parece meio perdida.

Seu olhar estava fixo na geladeira branca e parecia meio apagado, sem o brilho de sempre.

- Estou bem sim. – ela riu, um som de escárnio. – Conheci oficialmente a namorada de Jasper há alguns minutos. Simpática.

Eu suspirei, desviando minha atenção dos doces.

- Em algum momento você vai precisar explodir Alice. É muito bom explodir de vez em quando sabia?! Jasper está sendo infantil, porque ele claramente tem sentimentos por você, só que não está pronto para aceitá-los.

- Não vou ficar esperando que ele caia em si e descubra que existe mais na vida do que ser super responsável. Não é culpa dele que o pai tenha morrido cedo inferno! Quando ele vai descobrir isso?! Daqui a cinco dias? Meses? Anos?! – lágrimas caiam espessas pelo rosto de Alice, mas seu rosto jamais se contraiu por soluços ou alguma expressão de dor e tristeza, havia ali simplesmente uma frieza e determinação que eu jamais vi igual. – Simplesmente não posso ficar sentada, vendo a vida passar, esperando que ele caia em si. Eu mereço mais.

E então ela saiu, correndo em direção as escadas. Minutos depois eu me sentei ao lado de Edward na varanda, vendo uma pequena garoa cair. Ele sorriu pra mim, passando seu braço por meu ombro e beliscando os doces.

- Alice acabou de tomar alguma decisão. E não acredito que seja alguma coisa muito boa.

Ele franziu a testa e suspirou quando lhe contei sobre o acontecido na cozinha.

- O pai de Jasper morreu quando ele e Rose tinham dezesseis. Ela nunca teve nenhuma vocação para assumir o que quer que fosse da família e então Jasper tomou tudo pra ele. Simplesmente, em plena adolescência, ele virou um adulto. A mãe morreu anos depois e então ele teve que cuidar de Rose também. Ela já namorava Emmett na época, então teve grande apoio da nossa família, mas Jasper sempre foi mais fechado, mais difícil.

Eu assimilei a história, concluindo que esses fatos eram os causadores do jeito de Jasper, mas não de Rosalie, afinal ela não tivera qualquer envolvimento nas responsabilidades familiares, pelo contrário, se tornou quando a mãe morreu, mais uma responsabilidade.

- Mas então porque Jasper trabalha com vocês?! O que aconteceu com os negócios da família dele?

- Se fundiu aos nossos. Papai achou que era um grande negócio e então com o casamento de Rose e Emm, unimos as empresas. A companhia da família Hale tratava de importações e como estávamos comprando empresas também fora do país... como eu ouvi Sue dizer, foi como juntar a fome com a vontade de comer.

Eu sorri, me deliciando com um docinho de chocolate, Edward sorriu também e logo continuou a me contar a história de Jasper.

- Porém Jasper não relaxou com a fusão. Continuou responsável pela maioria das coisas, viajando a todo momento para todos os lugares, supervisionando ele mesmo as compras e reconstruções fora do país. Até que Rose ligou pra ele, pedindo pra que ficasse em casa. – Edward desviou o olhar, meio sério, como se tivesse falado de mais. – Ele não tinha como recusar o convite.

Me pareceu que tinha mais por trás da ligação de Rosalie, mas não questionei, eram muitas informações e por hora eu já tinha material de mais pra processar.

Na quarta feira seguinte eu e Luca aproveitamos a piscina. Ele estava cada vez mais solto, cada vez mais desinibido e confiante. Já caminhava se segurando nas coisas e vivia balbuciando. Eu procurava sempre incentivá-lo a dar alguns passos sozinhos e vivia lhe ensinando palavras. Ele sempre prestava atenção, como se processasse o novo diante dele, mas ainda não tinha dito nenhuma palavra concreta, por mais que Edward lhe explicasse como se dizia papai, e ainda não tinha caminhado sozinho.

- Quando é que você vai falar hein?! – ele agitou os bracinhos na água, por mais que as bóias atrapalhassem. – Isabella! Viu?! Não é difícil... Isa-be-lla!

- Você devia incentivá-lo a dizer mamãe.

Eu me assustei com a aparição de Rosalie, mas me assustei mais com seus olhos vermelhos, um claro sinal de que tinha chorado, sem falar da sua expressão triste, desolada.

- O que aconteceu Rosalie?! Você está bem?!

Rapidamente tirei Luca da piscina, colocando-o em cima da toalha, perto da espreguiçadeira onde antes eu tinha tomado um pouco de sol. Ele ficou quietinho, olhando para a Tia, como se soubesse que tinha que se comportar naquele momento.

Em segundos, as lágrimas de Rosalie voltaram, lavando seu rosto bonito.

- Não é um dia muito feliz, só isso.

Não era, claramente, só isso, mas não retruquei, a sentei na espreguiçadeira branca, abraçando-a. Luca engatinhou até sua perna, encostando o rostinho branquinho ali, oferecendo seu apoio.

- Porque você está fazendo isso? – a loira perguntou, tentando conter um soluço. – Porque está me confortando? Você nem sabe...

- Não preciso saber. – respondi, emocionada. – Só faço o que gostaria que tivessem feito comigo toda vez em que chorei sozinha, sem ninguém nem pra me abraçar, ou dizer que tudo ia ficar bem.

- Porque você chorava?

- Não é uma história para hoje. Mas vou contar pra você algum dia.

Ela assentiu, apertando minha mão.

- Obrigada. Realmente é muito melhor ter alguém nesse momento.

Ela levantou, enxugando as lágrimas rapidamente.

- Tenho que ver Emmett. Obrigado Isabella.

Então ela não estava mais ali. Eu fique sem entender o porquê de seus agradecimentos, como se eu tivesse feito mais do que apenas confortá-la em um momento difícil.

Luca então balbuciou, parecendo perdido também. Eu me levantei, andando até a borda da piscina. O chamei, incentivando que ele viesse até mim, ele veio, mas engatinhando.

- Tudo bem mocinho, vamos voltar para as palavras.

Na sexta à noite, enquanto terminava de me arrumar para sair com Edward, Emmett apareceu no quarto.

- Isabella? Tem um minuto?

- É claro! Entre!

Eu não tivera muito contato com Emmett em todo o tempo que me mudei para a mansão. Até porque nossos horários nunca combinavam, ainda mais agora que eu estava sendo requisitada até para escolher as cores dos guardanapos do casamento.

- Tudo bem com você Emmett?

- Tudo sim, eu... – ele respirou fundo, parecendo muito constrangido. – Só queria agradecer por ter confortado Rose naquele dia. Você não tem noção do bem que fez pra ela Isabella. Foi... um marco! Eu...

- Tudo bem Emmett. É como eu disse a ela. Só fiz o que gostaria que fizessem comigo. Não vale a pena sofrer sozinho por algo que talvez não tenhamos controle. Eu não sei o que aconteceu, mas em momento algum pensei que ela pudesse ter culpa ou algo assim.

- Ela não tem, Deus, ela não tem, ninguém tem. Mas Rose nunca acreditou nisso. Ela está tão bem que vamos com você e Edward dançar!

Ele estava tão feliz e isso era algo engraçado de se ver. Uma pessoa do tamanho de Emmett quase pulando de felicidade.

Foi uma noite divertidíssima. Minhas bochechas doíam de tanto rir e pela primeira vez bebi um pouco além da conta, acompanhada pela loira. E a partir daquela noite, éramos Rose e Bella uma para a outra, mesmo sem nos conhecermos tão a fundo.

Quando chegamos em casa, eu não conseguia parar de rir, apesar de nem lembrar mais do que eu ria. Edward claramente se divertia com meu estado, já que seus olhos brilhavam de divertimento e sua boca se apertava, tentando controlar as risadas.

- Eu já disse que você é lindo?! – ele me olhou, balançando a cabeça, enquanto me ajudava a tirar os sapatos. – É sério Edward. Eu tive muita sorte! Nossos filhos vão ser tão bonitos! Quero que todos se pareçam com você, mas que tenham meu nariz. Ele é muito delicado não é?! Pelo menos é o que Sue diz. Reneé sempre o achou feio, uma vez queria até me submeter a uma cirurgia. Ganhei aquela cicatriz no meu seio quando me recusei.

Em um momento eu estava rindo e no outro chorando como um bebê.

- Doeu tanto! Ficou em carne viva por semanas. Eu só tinha dezesseis.

Edward me abraçou, fazendo com que eu deitasse em seu peito. Não se importou que minhas lágrimas manchassem sua bonita camisa preta.

- Acabou. Ninguém nunca mais vai machucar você Bella. Nunca mais.

Eu assenti, cheirando seu pescoço.

- Eu gosto de Bella.

- Combina com você querida. E eu acho seu nariz o mais bonito do mundo.

- Sério? – eu parecia uma bobinha diante do primeiro elogio, mas não me importei. – Obrigada.

Ele beijou minha testa e minhas pálpebras, alisando meu rosto com carinho.

- Porque você nunca fala de Tanya?

Edward não se afastou como eu achei que faria, apenas suspirou, continuando com as caricias.

- Não há nada nela que valha a pena comentar.

- Mas vocês estiveram juntos por tanto tempo... e ela era mãe de Luca.

- Luca foi a única coisa boa que ela já fez Bella. E por diversas vezes eu quis cancelar o noivado, procurar outra pessoa.

- Mas Jonh não deixou.

- Não. – ele se afastou um pouco, me olhando com carinho. – Eu não queria decepcioná-lo. Não queria faltar com meus deveres, pra que ele pudesse culpar o fato de eu ser adotado. Não queria esse desgosto para meus pais. Por isso fui tudo o que ele me mandou ser. Mas não me arrependo. Eu cresci, passei a ver as coisas de outro modo, ganhei Luca, ganhei você. Valeu à pena.

- Você realmente me tem em alta não é?

- Mais do que você possa imaginar. Eu gostei de você no primeiro momento. Lembra? Quando você apareceu com Luca na empresa? – eu assenti, deslumbrada. – Eu tive certeza sobre você ali.

Naquele momento eu não conseguia pensar em outra coisa a não ser em beijá-lo. E eu teria feito, mesmo sem saber o que fazer, se Rose não tivesse entrado no quarto a toda, o rosto branco.

- Alice sumiu.

Notas finais
Oláaaa!
primeiramente quero dizer que eu me fino com as teorias de vocês pra história!
São um máximo.. serio.. e tem gente que já deduziu muiiita coisaaaa!
Algumas pessoas reclamaram dos capítulos serem muito pequenos, eu posso até fazer maiores, mas iria demorar mais pra sair... não tenho como postar um capítulo gigante e ainda por cima postar seguidoo.. ainda não estou fazendo milagres gente!
Obrigado, é claro, pelo carinho... meu core palpita sempre..
beijokas, té semana que vem..
Lidih.