A Substituta - Finalizada.
8 Capítulo 8;
CAPÍTULO 8;
A semana passou tão rápida quanto um piscar de olhos.
E eu me sentia perdida.
Todos tinham uma rotina e eu tive que me adaptar a ela, como era o caso das refeições, do chá que Esme e Rosalie gostavam de tomar à tarde, como a boa inglesa que Esme era. Eu fiquei muito surpresa por descobrir sua nacionalidade. Ela não tinha um pingo de sotaque e não me parecia provável que Carlisle tivesse ido tão longe para achar uma esposa. Mas em uma das sessões de chá, ela me contou que eles se conheceram em Nova Iorque e foi amor a primeira vista, casaram, adotaram Edward e então Esme, como um milagre, ficou grávida duas vezes. Não fazia o mínimo sentido que Edward aceitasse um casamento de conveniência quando o matrimonio dos próprios pais era baseado no mais puro amor.
Os homens passavam o dia no trabalho, aparecendo somente no jantar. Edward pediu desculpas por isso na quinta feira.
- A empresa está comprando uma rede de cafeterias, está tudo uma loucura, sinto muito por não poder passar mais tempo com você.
- Tudo bem, eu entendo.
Eu entendia realmente. E isso de certa forma era bom, porque, eram tantas informações, tanto pra guardar e isso estava me deixando loca.
E, inevitavelmente, Edward descobriu. Na sexta, quando deitamos pra dormir, ele me disse que tinha ficado no trabalho até mais tarde aquele dia, pra poder dormir um pouco mais no sábado, sendo que teríamos a festa de aniversário dos trinta anos de casamento de Esme e Carlisle. Eu congelei, estupefata. Naquele segundo ele soube que eu não sabia da festa, naquele segundo ele se deu conta de que eu não estava participando dos preparativos do casamento. O que era verdade.
Eu me senti excluída de certa forma. Deixada de lado.
E Edward ficou furioso. Ele gritou com a mãe, com Alice, com o pai, com Rosalie acordando até os empregados. Tudo que eu pude fazer foi ficar quieta, ali, atrás dele, sem saber o que fazer. Todos ficaram apavorados então Esme tomou a palavra.
- Eu sinto muito querida. Mas, achamos que você sabia da festa, todo mundo só fala disso aqui em casa. E sobre seu casamento, você não mostrou muito interesse, e como Edward exigiu que tudo estivesse pronto para daqui a um mês, eu tomei a frente.
- Eu moro aqui só há uma semana. – sussurrei, incrédula. – Ninguém me fala sobre nada, como se eu já fizesse parte da família, mas eu não faço. Fui criada de um modo conservador, muito conservador. Não vou deixar de ser tímida de um dia para o outro e sair especulando com os empregados o que está acontecendo nem vou sair organizando um casamento se eu nunca fiz isso antes. Vocês aparentemente já, mas nem se deram ao trabalho de perguntar o que eu achava sobre nada.
No mesmo instante que me calei, coloquei a mão sobre minha boca, mal acreditando que eu tinha, de fato, dito tudo aquilo. Era a primeira vez, em toda a minha vida, que eu explodia. De um modo cadenciado e até gracioso, já que não gritei, mas ainda sim, uma explosão.
Então eu sorri e olhei para Edward. Ele tentava disfarçar, mas sorria também, e seus olhos brilhavam, um brilho especial, de apreciação, orgulho. Edward estava orgulhoso de mim. E eu me senti orgulhosa de mim mesma naquele momento. Pela primeira vez na vida.
Esme teceu milhares de desculpas, Alice chorou como uma criança, Rosalie corou e Carlisle se balançou para frente e para trás em seus pés, visivelmente constrangido.
Mas bastou. Eles estavam arrependidos e tudo o que faltou foi diálogo. E então, cinco minutos depois de explodir pela primeira vez, eu percebi era possível sim, resolver as diferenças e os erros através de palavras e não de punições.
Naquela noite eu dormi como um bebê.
No sábado pela manhã, uma Alice disposta a tudo para ter meu perdão, me levou para conhecer seu ateliê. Era simples, até pequeno, mas bastante sofisticado e luxuoso. Nos sábados pela manhã, como ela me explicou, o ateliê abria apenas para aqueles com hora marcada, e nesse sábado Alice só tinha duas entregas. Eu conheci duas filhas de homens do cenário político de Chicago. Fui simpática, recebendo o mesmo em troca, e nem por um minuto me senti incomodada com seus olhares incrédulos quando Alice disse que eu e Edward casaríamos em breve. E então em menos de doze horas, eu tive outra libertação: a de não me depreciar. Edward podia ter escolhido qualquer outra da lista. Ou fora dela. Ele deixou isso claro no dia em que nos conhecemos, mas ele escolheu a mim. Não só por minha aparência, mas pelo que eu era por dentro.
Quando achei que iríamos embora, Alice me levou para a área de costura mais ao fundo. As paredes eram brancas, mas os tecidos e apetrechos eram tão coloridos e vivos que a sala parecia ter aquelas cores. E então Alice estava na minha frente balançando um vestido, alegríssima.
- Eu fiz pra você. – ela disse, me olhando com sinceridade. – Pra você usar hoje à noite. Eu ia te dar só na hora, mas...
- É lindo Alice!
E nunca tinha visto um vestido tão puro e ingênuo, o que ironicamente, era a minha cara.
Em um primeiro olhar, achei que fosse branco, mas depois percebi que era gelo. Não era longo, terminava acima dos meus joelhos, e, acima dos seios, transpassando meu peito em diagonal, dando a impressão que segurava o vestido em meu corpo, havia um trançado em prata, com pedras que eu tinha certeza, eram preciosas. O frio do metal me confortava diante de todo aquele calor que vinha aumentando através dos dias.
Eu me senti uma rainha.
- Santo Deus, eu sei fazer um vestido.
Eu ri com Alice, diante da sua falta de modéstia e poucos minutos depois estávamos voltando pra casa.
Poucos momentos antes de descermos, Edward me fez sentar na cama e então deslizou em meu dedo o anel que eu nem dera falta: de noivado. Havia uma safira, brilhante e linda, no centro e então vários pequenos diamantes a rodeavam.
- Gosto de como o azul fica em você.
Não houve nada mais do que isso, mas não era necessário. Ele fez um momento que era pra ser embaraçoso, se tornar lindo e especial, simplesmente por se lembrar de mim enquanto adquiria o anel.
Eu acariciei sua bochecha, emocionada.
- É lindo Edward. Obrigada.
Eu e ele não nos soltamos naquela noite. Charlie e Reneé estavam ali, é claro, mas em momento nenhum eles conseguiram ficar a sós comigo. Alice também pairou ao nosso redor durante praticamente o tempo todo. Maria, a namorada de Jasper estava na festa, e isso a destruiu, mesmo que sua mascara de alegria fosse muito bem feita. Sue estava com Luca, zelando pelo seu sono que provavelmente seria perturbado pelo barulho, mas eu sabia que ele estava em boas mãos.
Conheci muitas pessoas naquela noite, amigos, primos, tios, etc. Jonh não veio à festa, o que parecia ter passado educadamente despercebido por todos. Carlisle e Esme dançaram uma valsa, ambos sorriam e o brilho em seus olhos era visível de longe. Isso me fez derramar lágrimas silenciosas. Será que um dia eu teria tudo aquilo? Será que Edward era aquele, apesar de todas as circunstâncias?
- Hei, o que houve? – os dedos de Edward secaram delicadamente minhas lágrimas. – Você está bem?
- Sim. – eu olhei mais uma vez o casal feliz rodeado por seus entes queridos. – É lindo.
Edward sorriu, me abraçando, nem um pouco preocupado em estar de costas para os pais em sua dança.
- Nós vamos ter isso um dia. Quando você menos imaginar.
- Como você tem tanta certeza? Não deu certo com Tanya.
Seu sorriso desapareceu, mas o brilho dos seus olhos não.
- Tanya não era você Isabella. Ela nunca poderia ser.
Eu me aconcheguei em seu abraço, encostando minha bochecha em seu peito. Nos balançamos quase imperceptivelmente ao som da valsa que ainda ecoava. E só por isso eu fui capaz de vê-la.
Era um pouco bronzeada, os cabelos em estilo chanel, bem pretos. Os olhos pareciam castanhos, mas eram estranhos, quase artificiais. Ela passou a poucos metros de mim e Edward. Olhou uma vez em nossa direção e então desviou sua atenção para as escadas. Eu não podia explicar a sensação, mas no momento seguinte eu estava a seguindo, observando seu andar decidido e suas mãos em punhos. Aquele rosto era familiar.
E o que ela queria subindo as escadas quando todos estavam prestando atenção a dança do casal? Havia três banheiros no salão da mansão. E eu só conseguia pensar em um motivo para ela subir: Luca.
- Hei! Hei você!
Ela parou na metade do corredor, mas não se virou.
- Sinto muito senhorita, mas você não pode subir aqui. A festa é lá em baixo.
A mulher se virou, seu vestido preto esvoaçando.
- Estou procurando um banheiro.
- Há três lá em baixo, e qualquer empregado pode guiar você.
Suas mãos nunca relaxaram. Seu corpo pareceu se preparar para um confronto, não que eu me importasse com isso, mas então sua expressão de tornou de pânico quando ouvimos a voz de Edward pelo corredor, me chamando.
- Isabella?!
Eu cheguei mais perto dela, o cenho franzido, tentando me lembrar de onde eu conhecia aquele rosto. Era angular, quase perfeito, a pele delicada, mas parecia faltar peças, como se aquele rosto não combinasse com o cabelo, ou com os olhos.
Quando Edward nos encontrou, ele fez as mesmas perguntas e alertas que eu fiz, mas sua expressão era de pura raiva. Ele conhecia aquela mulher. Ela desceu as escadas de forma apressada e logo um segurança a escoltou pra fora. Edward sumiu por alguns minutos e logo após ele estava de volta com Alice, ambos um tanto desconfortáveis.
- O que aconteceu? – perguntei assim que seus braços deslizaram pela minha cintura, em um abraço apertado. Ele beijou meus cabelos, parecendo quase desesperado. – Edward, por Deus, o que houve? Quem era aquela mulher?
- Uma penetra. Não a conhecíamos. Tudo indica que seja da mídia atrás de algo pra vender revistas.
- Luca?
- Talvez. Não há fotos dele, assim, sabe, de perto, nem oficiais. E essa semana eles flagraram você com ele na volta da escolhinha.
- Isso era inevitável.
- Eu sei. Mas a agora a curiosidade vai aumentar. Só me deixa um pouco preocupado nada de mais.
Ele não parecia mais inclinado a falar qualquer outra informação adicional, então eu não insisti. Circulamos mais um pouco entre os convidados, que nunca cansavam de elogiar meu vestido. Edward quando ouvia os comentários, sorria como um menino no Natal, porém quando os comentários vinham de solteiros, ele não era tão receptivo.
- Felizmente eu já a pedi em casamento não é?!
Eu tinha que avistar sempre alguém em prol de distraí-lo depois desses momentos, mas eles eram incrivelmente fofos e especiais. Dessa vez minha atenção se fixou em uma mulher bebendo perto da janela. Ela olhava para o pátio, ou ao menos era aquilo que ela devia ver, porém parecia perdida em pensamentos.
- Quem é? – perguntei a Edward, andando na direção da mulher. – Ela parece distante daqui.
- É Tia Carmem. A esposa de Tio Alistair. Eu lhe falei sobre ele lembra?
- Sim. – ainda me parecia meio fantasioso que alguém pudesse ser tão parecido comigo, sem que fossemos parentes. – Eles não tiveram filhos?
- Não. Ela é um pouco amargurada por isso. Mamãe acha que ela é estéril, apesar disso nunca ter se confirmado. – nós nos aproximamos mais e então Edward colocou a mão livre no ombro de Carmem. – Tia Carmem! Que bom te ver! Eu ainda não te apresentei Isabella, minha noiva.
A bela mulher sorriu para Edward e o abraçou com carinho, mas sua expressão caiu quando seus olhos pousaram em mim, como se ela estivesse vendo um fantasma.
Notas finais
Como gosto de dizer sempre... OBRIGADA pelos lindo, carinhosos e motivadores, comentáriooos! Eu amo vocês cara!
Muitas dúvidas estão surgindo... inclusive dúvidas sobre coisas que já foram esclarecidas durante os capítulos.. então... se liguem galera!
Uma beijoka especial para a Cla_Cullen e a JunneCla pelas novas recomendações... já temos 10!
Espero que tenham gostado do capítulo.. não esqueçam de comentar..
beeeijooooos! Té.
Lidih.
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