CAPÍTULO 4;

Eu sentia meu peito arder, como se tivessem mil cortes ali, que sagravam sem parar. Levei minha mão ao local, como se o apertando, pudesse fazer com que parasse de doer. Meu coração batia tão rápido e tão descompassado ao mesmo tempo, que por um momento tive dúvidas se Edward não podia ouvir.

Mesmo sem me permitir isso, conscientemente, eu tinha me enchido de esperanças nessa noite. Os Cullen não eram perfeitos, ninguém era, mas pelo menos pareciam corretos e justos, o que era melhor do que viver com Charlie e Reneé e suas loucuras.

E agora tudo evaporava, sumia no ar como fumaça.

- Quem foi? – rugiu Edward, com as mãos ainda em minhas costas. – Um ex-namorado? Pretendente? Talvez não tivessem aceitado muito bem que você vai casar comigo e te machucaram. Algum admirador? Empregado? Quem foi Isabella? Porque você não disse nada pra ninguém? Como seus pais não...

Edward silenciou-se enquanto eu apertava meu peito com mais força. A raiva de Charlie e Reneé provavelmente me deixaria sem me mexer por uma semana. Pelo menos.

- Foram eles não é? – sua voz era um sussurro incrédulo. – Oh Meu Deus, tem mais!

É claro que tinha. Minhas costas era um dos lugares preferidos de Charlie e Reneé para me castigar, pois aparecia muito pouco. Mesmo assim eu não me sentia segura em mostrá-la por aí, o principal motivo de eu não querer usar um vestido que deixava minhas costas amostra. Mas mesmo assim, eu tinha leves cicatrizes nas pernas, uma na barriga e uma no seio direito.

As mãos de Edward desenharam as formas irregulares em minhas costas carinhosamente, como se ele estivesse inspecionando. Havia carinho em seu toque, mas eu me sentia como um pedaço de carne ruim.

- Tire o vestido.

O tom autoritário tinha voltado a sua voz e não deixava dúvidas de que devia ser obedecido, mas eu não conseguia, as lágrimas nublavam minha visão, os soluços me rasgavam e eu não conseguia tirar a mão do meu peito, o apertando sem parar. Mas Edward não repetiu a ordem, ele mesmo puxou meu vestido pra baixo, me deixando apenas de calcinha. Eu o senti se abaixar, examinando minhas pernas enquanto a humilhação me inundava.

Edward se ergueu, me rodeando, as mãos examinando minha barriga descoberta. Ele traçou a cicatriz quase imperceptível perto do umbigo, subindo o olhar para meus seios. Um deles estava coberto por meus cabelos que Edward jogava por sobre meu ombro, mas o outro, que continha uma cicatriz de queimadura estava descoberto.

Abaixando meu braço, ele examinou a área com os olhos, procurando, e por fim seu olhar se concentrou em meu seio marcado. Edward abaixou a cabeça e deu um singelo beijo em cima da marca. Eu solucei alto, me sentindo tão humilhada, talvez mais do que quando Charlie e Reneé me castigavam. Era como se Edward estivesse contando quantos defeitos eu tinha em minha pele para pedir reembolso por um produto danificado.

E então, inesperadamente, ele me abraçou, me apertando contra o seu peito.

- Desculpe, não queria constranger você.

- Você não precisava fazer isso! – gritei, lançando meus punhos em seu peito. – Era só dizer que não haveria mais casamento! Não tinha que me examinar pra saber o quão danificada eu sou!

- Não examinei você pra isso. – sua voz estava dura e ele me segurava firmemente, recebendo os socos em seu peito sem pestanejar. – Quando vi a queimadura, enlouqueci, me perguntando o quanto mais você foi machucada. Não examinei você pra reclamar e sim pra saber o quanto eles vão ter que sofrer por isso.

Eu levei alguns segundos para entender suas palavras e o que elas significavam.

- O que?

Mas Edward apenas beijou minha cabeça, me erguendo para que meus pés ficassem livres do vestido amontoado no chão, e então me conduziu pela mão até o banheiro. Eu fiquei imóvel, de costas para Edward, enquanto ele cuidava do meu machucado, fazendo um curativo logo em seguida.

- Fique aqui.

Minutos depois ele estava de volta trazendo uma camisa de botões azul, que, provavelmente era sua. Me ajudou a vesti-la fechando os botões calmamente, ignorando minha quase total nudez.

- Dói?

- Sim. – a queimadura latejava e eu não conseguiria dormir daquele jeito. – Vou tomar um comprimido quando chegar em casa.

Parecia que o jantar fora há muito tempo atrás. Mas todos ainda estavam na sala, provavelmente se perguntando por que estávamos demorando tanto. Não entendia porque Edward perdera tempo me vestindo com uma das suas camisas se eu tinha que voltar para a sala o mais rápido possível.

Porém ele ignorou meu plano, abrindo uma das gavetas do balcão e me entregando um comprimido.

- Tem água no quarto.

Eu o segui, engolindo o comprimido e bebendo a água que ele me serviu. Ainda me sentia um pouco humilhada pelo momento anterior, e não compreendia direito o que suas palavras significavam.

Porque ele insistia em ter alguém como eu? Cheia de defeitos e cicatrizes?

- Acho que pelo menos os vestidos de Alice servirão em você. Isso resolve o problema das roupas, nem que seja por amanhã. – Edward sentou na cama, passando as mãos no cabelo. – Segunda você e Alice podem ir fazer compras. Também teremos que passar na sua casa para pegar o que você quiser trazer. Se importa de dividirmos a cama? Por mais tradicionais que meus pais aparentem ser, não acreditam mais naquela coisa de dormir junto só depois do casamento, então vão estranhar se dormirmos separados.

- Eu tenho que voltar para casa. Meus pais...

- Você não vai. Acha que vou deixar que volte para lá? Pra que? Pra te machucarem mais? Nós vamos casar daqui no máximo um mês, não tem porque você voltar para lá Isabella.

- Porque você está fazendo isso? – eu não sabia o que dizer e não entendia porque ele tinha decidido me ter apesar de tudo. – Por quê?

Edward levantou, ergueu a mão e acariciou minha bochecha manchada pelas lágrimas.

- Você pode achar isso machista ou ridículo, mas eu já considero você minha. E eu costumo cuidar do que é meu. Estou só cuidando de você Isabella.

E então ele não estava mais no quarto. Procurei não me preocupar com a desculpa que Edward daria para que eu ficasse aqui desde hoje. Andei pelo quarto, memorizando o lugar das coisas e fazendo planos do que poderia ser feito para tornar o ambiente mais alegre. Havia apenas uma foto no quarto, de Edward e Luca na praia, rindo alegres.

Lavei meu rosto e escovei os dentes com uma das escovas lacradas guardadas no balcão do banheiro e procurei ficar apresentável outra vez dentro do possível.

- Isabella?

Saí do banheiro, dando de cara com Alice, pegando a outra extensão da babá eletrônica.

- Hei! Vim pegar a babá. Da família eu sou a que mais tem o sono leve, então monitoro Luca durante a noite.

Eu absorvi a informação, apreciando o cuidado que todos tinham com Luca.

- Alice, você não precisa mais. Tenho o sono leve também, posso fazer.

Alice pareceu muito feliz, mas logo disfarçou, fazendo uma expressão de dúvida.

- Tem certeza? Você não se importa?

- É claro que não! – respondi sorrindo. – Além do mais o quarto de Luca fica nesse andar e eu posso jogar Edward pra fora da cama e dividir a tarefa com ele se Luca acordar.

Alice gargalhou, me entregando a babá.

- Fotografe! Ele é tão engraçado quando acorda.

- Se eu lembrar, vou fazer isso.

Ela ficou em silêncio por alguns minutos, analisando minha camisa/camisola.

- Edward disse que talvez você precise fazer compras. – ela mordeu o lábio, como se não estivesse interessada, mas o brilho nos seus olhos dizia que estava sim. – Talvez eu possa ajudar.

- Ainda não sei se vou precisar fazer compras, tenho bastante coisa, mas se eu for, vou chamar você pra me guiar.

Surpreendentemente, Alice não sorriu ou bateu palmas, apenas sentou-se na cama, parecendo muito triste.

- Quantos anos você tem Isabella?

- 21, por quê?

Ela suspirou, olhando para o teto.

- Eu queria ter 21. Ser mais velha.

- Qual é o problema Alice? – mesmo conhecendo-a a pouco tempo, eu podia dizer que aquela expressão de tristeza não combinava com ela.

- Jasper. Ele gosta de mim, consigo ver isso nos olhos dele, mas me evita porque sou nova demais. Não é como se eu fosse uma criança! Já tentei mudar o cabelo, ler o jornal, usar as cores favoritas dele, mas nada adianta.

Eu sentei ao seu lado e olhei para o teto também.

- E o que você já fez por você mesma? Quero dizer, você gostou do cabelo? Aproveitou alguma coisa do jornal? As cores que ele gosta são as que você quer usar?

- Como assim?

- Se você acha ou sente que tem que mudar Alice, que seja por você. Jasper pode ser um incentivo, mas a mudanças tem que fazer bem a você, você tem que senti-las. Jasper tem que gostar de você do jeito que você é. Se ele não gosta ou evita o sentimento é porque ele não merece você.

Ela me olhou com lágrimas escorrendo pelas bochechas. Mantive seu olhar, segurando a sua mão, dando apoio a ela diante de uma verdade tão dura, mas que aparentemente, ela tinha que escutar.

- Você tem tanto tempo pela frente Alice. Aproveite sua vida e fique de bem com você mesma. Uma hora, se Jasper gostar mesmo de você, vai ver o que está perdendo.

Alice encostou a testa em meu ombro, apertando minha mão. Eu me via no lugar dela, tentando não impressionar um garoto, mas sim meus pais, e eu nunca consegui. Não valia a pena mudar para ter ou impressionar alguém se aquilo não era o que você queria.

- Obrigada Isabella.

Edward entrou no quarto logo depois que Alice saiu. Eu coloquei a babá no criado mudo, ao lado da foto de Edward e Luca.

- Obrigado pelo que disse a Alice. Ninguém tinha conseguido achar as palavras pra dizer a ela.

- Tudo bem. Eu já gosto muito dela Edward. – ele sorriu, me fazendo corar, o que me levou a mudar de assunto. – Eu disse que ficaria com a babá eletrônica, tudo bem pra você?

- Sono leve?

- Não consigo não ficar alerta, então acordo fácil. – de repente uma questão me pegou. – Como você sabia do que eu disse a Alice?

Ele sorriu, as bochechas levemente coradas de vergonha.

- Escutei uma parte da conversa.

Eu tentei me fazer de ofendida, mas acabei sorrindo também. Ele foi para o banheiro enquanto eu olhava para a enorme cama em minha frente. Em que lado Edward dormia? Eu decidi por fim me deitar do lado em que estava a babá. Edward retornou quando me deitei, puxando o edredom.

- Posso ficar com esse lado?

Para minha surpresa ele riu, deitando-se também.

- Qualquer lado. Eu não ligo pra isso.

Edward desligou o abajur e me olhou. Nós não nos abraçamos ou qualquer outra coisa romântica que teria acontecido nos livros que gostava de ler, mas o último vislumbre que tive antes de dormir, foi dos olhos verdes de Edward que pareciam mais quentes.

Notas finais
Olá pessoas!
espero que tenham gostado do capítulo e que ele tenha matado um pouquinho a curiosidade de vocês..
adorei os comentários, vocês são demais! E muito engraçadas também..
um beijo especial para a JeySilva que presenteou a fic com a segunda recomendação..
até semana que vem em AAA.
beijos..
té.