CAPÍTULO 23;

Carmem ficou mais surpresa em nos ver ali do que eu esperava. Arregalou os olhos, incrédula e seu rosto se contorceu em raiva por um momento. Apenas por um momento, já que logo depois ela disse que podíamos entrar.

A casa era aconchegante e dava pra perceber que Carmem tinha bom gosto, mas faltava algo mais familiar. Não havia uma única foto até onde meus olhos podiam alcançar.

Depois que nos sentamos, ela nos olhou com falsa confusão.

- Não posso imaginar porque estão aqui. Com certeza não é uma visita social, já que é costume avisar antes.

Edward rolou os olhos, aconchegando-se melhor em seu assento.

- Acho que sabe por que estamos aqui Tia Carmem.

- O que vocês sabem? – perguntou, visivelmente contrariada.

- Sabemos de tudo. – respondi, perdendo a paciência e a compostura de repente. – Sabemos de toda a história. Nada que nos contar será novo Carmem, de fato, não vim aqui pra isso. Vim pra poder olhar pra você e perguntar apenas: por quê?

Ela levantou, e por um momento pensei que pudesse lançar labaredas com os olhos.

- Como você se atreve a vir aqui pra perguntar por quê! Se alguém tem que perguntar por que esse alguém sou eu! Porque você apareceu? Porque simplesmente não morreu levando aquela infeliz da sua mãe junto!? Porque isso aconteceu comigo!?

Edward levantou também, mas eu permaneci sentada, olhando Carmem, agora com outros olhos.

- Eu tinha toda uma vida planejada! Imaginei um casamento feliz, digno, com filhos perfeitos! E o que eu tive? Uma vida miserável, ridícula, e não tive nenhum filho pra dar continuidade ao meu sangue. Acha que eu contaria ao seu pai sobre você? Não! Nem se sua mãe tivesse apenas sido mais uma e não a mulher da vida dele! Não aceitaria uma bastarda jamais!

Por um momento permanecemos em silêncio, enquanto a constatação da realidade de Carmem pairava sobre mim.

- Você preferiu ver sua vida ruir a ganhar alguma admiração da parte do meu pai contando sobre mim. É uma pessoa tradicional, fria, que se importa com as aparências mais do que com os próprios sentimentos. Ser assim deveria te levar a algum lugar, e, no entanto você está aqui. – apontei ao redor enquanto levantava. – Em um lugar isolado, sozinha, guardando rancor e nunca seguindo em frente. Valeu a pena Carmem?

Ela não respondeu, embora estivesse visivelmente abalada com o que eu acabara de dizer.

- Agora olhe pra mim. Vivi em um inferno por mais tempo que qualquer um suportaria. Fui praticamente vendida como uma mercadoria pra substituir outra mercadoria. E eu encontrei a felicidade, a vida perfeita. Quem diria que esses fatores me conduziriam a vida que eu sempre desejei? Talvez se você tivesse dito sobre mim para meu pai eu tivesse conhecido Edward desse modo também e estivesse com ele, ou talvez não, talvez não desse certo. Mas não foi assim. E parece que tenho que lhe agradecer. Se minha vida não tivesse sido exatamente como foi, quem garante que eu seria feliz agora?

Peguei minha bolsa e segurei a mão de Edward, que parecia transtornado.

- Tudo que eu sinto por você, ao contrário do que eu imaginei, é pena. Tomara que tenha valido a pena, embora eu não ache que tenha.

Nós seguimos nosso caminho, calados. Talvez Edward estivesse, como eu estava, repassando cada palavra dita, perguntando-se como uma pessoa podia ser tão amarga ao ponto de preferir a própria infelicidade a dar o braço a torcer?

Infelizmente pessoas com sentimentos ruins existem. Estão entre nós, sempre procurando uma forma de magoar ao próximo, já que não conseguem alcançar a felicidade por elas mesmas.

- Você está bem?

Já estávamos quase chegando em casa e Edward parecia um pouco preocupado. Pensando, possivelmente, que eu desabaria a qualquer momento apesar da coragem que tive ao enfrentar Carmem.

- Sim. Está tudo bem, meu amor.

Ele suspirou, segurando minha mão.

- Jamais imaginei que ela fosse tão ruim. Sabia que ela era sozinha, amargurada, infeliz, mas não que preferisse ser assim. Deus, quem escolhe essa alternativa?

- Não importa. Tudo que importa é que nós escolhemos a outra alternativa.

Ele riu, apertando minha mão levemente.

- Tem razão vida. Vamos deixar esse capítulo da nossa história pra trás.

Eu concordei, embora soubesse que havia mais um capítulo para deixar pra trás.

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- Por quê? Faz semanas que ela não dá um sinal! Ao menos nada que a polícia tenha conseguido rastrear! Por quanto tempo vamos ter que andar com esse monte de seguranças ao nosso redor?

- Bella, nós somos conhecidos, você sabe, os seguranças não são só por causa de...

- É claro que são! A gravidez não afeta meu cérebro Edward! Eu sei que a Cullen’s é mundialmente conhecida e que a segurança é um detalhe necessário, mas consigo reconhecer quando há algo mais do que a necessidade.

- É necessário nos protegermos contra Tanya.

- Eu sei que é. Mas porque não podemos atacar também!? Você sabe que ela avançaria pra cima de mim no momento em que eu aparentasse estar insegura! Eu posso fazer isso Edward.

- Nós não vamos discutir isso novamente.

Edward saiu do quarto, batendo a porta com força.

Tinha sido assim na última semana. Nora tinha ligado para nos informar que Charlie e Renée tinham pegado mais tempo de prisão do que qualquer um imaginou, mas que infelizmente não havia qualquer pista do paradeiro de Tanya. Mais do que depressa eu sugeri que tentássemos enganá-la quanto a minha segurança, para atraí-la e então colocá-la de uma vez por todas atrás das grades.

É claro que Edward fez um escândalo.

Sua preocupação era notável até mesmo antes do telefonema de Nora. A falta de pistas, conhecida por ele, tinha o deixado mais paranóico do que o normal, a ponto de contratar cinco seguranças a mais para andar comigo e Luca. Ele fazia questão de negar, mas eu sabia que esse exagero era por causa de Tanya, algo compreensível. Mas não podia concordar em ficar parada, simplesmente esperando pelo bote.

Isso tinha nos levado a discussões quase diárias.

Nora não tinha opinado quanto a essa questão. Concordou com quanto ao fato de que Tanya agiria assim que se sentisse segura, mas também concordou que era perigoso e que deveríamos pensar bem sobre essa decisão.

Eu não queria pensar, não mais, queria apenas agir.

Mais dias se passaram, seguindo a mesma rotina. Edward começou, inclusive, a trabalhar mais. Ele dizia que estava ocupado com uma grande compra, mas eu sabia que ele queria apenas me evitar, não realmente me evitar, mas evitar discutir comigo.

Hoje eu tinha esperado por ele. Mesmo cansada, um pouco enjoada e com muita vontade de dormir, eu tinha esperado por ele. E tínhamos discutido mais uma vez.

Suspirando, levantei e desci as escadas com cuidado, procurando por Edward. Não o encontrei, mas ouvi sua voz e a de Esme vindas do escritório.

- Ela está grávida filho! Você não pode fugir dela desse jeito. Só Deus sabe o que ela pode estar imaginando. Os hormônios de Bella estarão sempre uma confusão durante esses meses.

- Eu sei. Mas meus argumentos para mantê-la segura e longe de qualquer armação pra pegar Tanya estão se esgotando. Ela não entende que tudo o que eu quero é mantê-la segura.

- Eu sei querido, mas acha que ela se sente segura, mesmo com aquele bando de seguranças a seguindo, quando sabe que Tanya está lá fora, pronta pra fazer sabe-se lá Deus o que?! É a família dela Edward. Eu faria mesma coisa pela minha.

Eles ficaram em silêncio por um momento e quando Edward falou, minhas convicções quebraram.

- Não posso perdê-la mãe. – sua voz estava embargada e eu segurei a vontade chorar. – Eu não aguentaria.

- Eu sei meu filho, eu sei. Não fique assim, vocês vão se acertar.

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- Ansiosa?

- Um pouco.

Edward tinha ido pra cama tarde na noite anterior. A conversa com Esme continuara, mas eu tinha subido de volta para o quarto, pensando, talvez pela primeira vez, no lado de Edward quanto a essa situação com Tanya. Era difícil pra ele também. Ele tinha medo também, e tudo o que eu fiz foi pressioná-lo ainda mais. Infelizmente estava cansada de mais pra conseguir pensar um pouco mais ou esperá-lo para fazermos as pazes, sem falar que no dia seguinte, na primeira hora da manhã, iríamos fazer o exame pra saber o sexo do bebê.

Não tínhamos trocado mais do que algumas palavras e achei melhor deixar pra conversarmos quando voltássemos pra casa.

- E você?

- Meu coração vai sair pela boca a qualquer momento.

Eu sorri. Edward, por vezes, parecia ser aquele carregando o bebê.

- Seja o que for vai ser muito amado.

O exame não demorou muito. O doutor até tentou fazer um suspense, mas Edward, que tinha lido tudo acerca de gestações, conseguiu identificar o sexo do nosso bebê. Ele estava visivelmente emocionado e me olhava com devoção, como se eu estivesse em um altar.

- É uma menina.

O doutor apenas assentiu, confirmando as palavras de Edward e se retirou, com certeza notando que precisávamos de um momento a sós.

- Obrigado vida. Obrigado.

- Não precisa me agradecer... não dava pra fazer sem você.

Ele riu, me beijando logo em seguida .

- Vamos limpar essa barriguinha e ir pra casa.

A volta foi igualmente silenciosa, mas não conseguíamos parar de sorrir. Edward me pegou no colo assim que passamos pela porta, e subiu as escadas com uma rapidez impressionante.

Não foi preciso dizer nada.

Em um acordo mútuo, nos despimos com pressa, e logo estávamos apertando um ao outro, com uma necessidade avassaladora. Não houve tempo pra chegar à cama, fui prensada na parede ao lado da porta e logo Edward estava em mim, movimentando-se vagarosamente, lambendo meu pescoço.

- Eu amo você... tanto... tanto Bella.

- Eu sei. Também... te amo.

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Horas depois estávamos esparramados na cama. Edward alisava minha barriga, murmurando palavras doces a nossa menina.

- Como vamos chamá-la?

- Não faço à mínima ideia vida. Alguma sugestão.

- Eu gosto de Anne. O que acha?

Ele pensou por um momento, sussurrando o nome algumas vezes.

- É bonito. Simples. Eu gosto.

- Então será Anne. – respirei fundo, olhando para Edward. – Sinto muito por ontem.

- Bella..

- Eu não pensei em como você se sentiria com tudo isso. Se fosse ao contrário eu piraria também Edward... é só que... – suspirei, cansada da situação. – Não aguento mais isso.

- Eu sei vida. Eu entendo. E você está certa. Isso já atingiu todos os limites possíveis. Sinto muito por ter tentado evitar nossas discussões. Deveríamos ter conversado mais sobre isso.

- Vamos fazer isso agora. O que acha que...

O toque do celular de Edward me interrompeu.

- É a Nora. Olá. O que aconteceu?

Edward estava, no mínimo, surpreso, diante da noticia que Nora tinha lhe dado. Eles não conversaram muito e quando a ligação foi encerrada, meu marido permaneceu em silêncio.

- O que aconteceu?

- Ela está morta.

- Ela quem? Edward! Você está me assustando!

- Tanya está morta.

Notas finais
Olá pessoas!
como estão?
Quero, primeiramente, pedir desculpas pela demora do capítulo. As coisas estão muito corridas e a faculdade tem consumido a maioria do meu tempo. Foi um alívio quando pude, finalmente, sentar pra escrever. Me ajuda muito a relaxar.
Espero que tenham gostado do post.
Obrigada a todos os comentários lindos e fofos! Não tenho como responder a todos, saibam que me emociono com cada um! Eu amo vocês!
Um abraço apertado a todas as novas leitoras.
Uma beijoca especial para a Darinhaassis que recomendou EA.
Acho que é isso gente.
beeijos e até!
Lidih.