CAPÍTULO 17;

- Gande.

Luca abria os braços, tentando demonstrar o quanto à roda gigante era grande. Estávamos a algum tempo no parque e já tínhamos visitado alguns brinquedos. Luca parecia maravilhado e não perdia um detalhe sequer de nada. Apesar de seus olhos brilharem ele não pediu pra descer do colo de Edward nem se agitou.

- É grande não é meu amor? – concordei com ele, admirando o brinquedo. – E alto também.

Edward riu, circundando minha cintura com o braço sobressalente.

- Você é uma medrosa!

- Hei! Tenho medo de altura sim Vou ser presa por isso?

Ele riu outra vez, me rebocando até a fila do brinquedo. Tudo bem que eu tinha decidido parar de ter medo, mas meu medo de altura não podia entrar nessa decisão, não é? E se eu desmaiasse?

- Oh Deus... Edward, acho que não é uma boa ideia...

- Divetido mamãe!

Era tão injusto! Como dizer não para qualquer um deles?

Com relutância entrei na cabine, olhando ao redor pra ter certeza de que realmente era seguro. Luca esticou os bracinhos pra mim, me abraçando forte quando o peguei. Fechei meus olhos por alguns segundos quando um solavanco indicou que estávamos girando, mas apenas por alguns segundos, já que Edward segurou minha mão, apertando-a, me dizendo que ele estava ali, e que estava tudo bem. E então eu aproveitei.

A paisagem lá de cima era linda. Luca ficou quietinho, olhando ao redor com admiração, parecia até que ele realmente via e entendia a beleza da paisagem, mas sempre ria quando estávamos descendo e dizia que tinha coisinhas na barriga.

Mais cedo do que eu gostaria de admitir, estávamos procurando outro brinquedo pra ir. Edward tinha um ar divertido e parecia pronto para iniciar um discurso sobre como a roda gigante tinha sido legal, mas após alguns minutos de espera eu vi que ele não diria nada. O assunto ficou pra trás quando ele avistou uma barraquinha de tiro ao alvo. Até pensei em discursar sobre os indícios de violência que a atividade oferecida, mas decidi ficar quieta. Precisava injetar coragem em minhas ações e atividades, cada uma delas.

- Usinho.

- Papai vai ganhar um pra mamãe, você quer ver?

Luca assentiu, animado, remexendo-se em meus braços.

- Vou querer o maior. – avisei, arrebitando o nariz. – O quão bom você é nisso?

Edward sorriu malicioso e eu corei, desviando o olhar, me sentindo quente de repente.

- Jonh tinha uma qualidade vida. – voltei a olhá-lo, curiosa. – Gostava de caçar. Adivinha quem ia junto?

Poucos minutos depois eu segurava um urso grande, branco, que segurava um coração. Foi um tanto difícil explicar pra Luca que ele, nem ninguém, tinha um coração daquele tamanho, pelo menos fisicamente.

Algumas horas depois estávamos voltando pra casa. Luca tinha aprendido muitas palavras novas e estava cada vez menos tímido. Em um certo momento, ele até andou alguns passinhos com a ajuda de Edward, que parecia desnorteado com o surto de melhora do filho. Mas eu sabia que ainda não era suficiente.

- Edward?

- Sim vida.

Ele segurava minha mão, acariciando minha palma, enquanto dirigia concentrado.

- Em um dos muitos cursos que eu fiz, conheci Ângela Weber. – Edward me olhou por um momento, parecendo realmente interessado. – Ela é psicóloga e se especializou na área infantil. Eu queria conversar com você sobre a possibilidade de Luca se tratar com ela.

- Nós o levamos a vários especialistas Bella. Ele começou a melhorar somente agora, com você.

- Eu sei. Ele precisa do que estamos fazendo, mas também precisa de um profissional. Nós precisamos de um profissional, precisamos de um guia. O que eu quero dizer é que as duas coisas têm que andar em conjunto. Talvez se, quando ele foi levado a outros especialistas, ele também tivesse o que está tendo agora, iria funcionar.

Ele ficou um momento em silêncio e o aperto da sua mão na minha afrouxou.

- Você está dizendo que eu não dava amor ao meu filho naquela época?

- Não. Estou dizendo que você estava mais preocupado em curá-lo do que entendê-lo. E isso é normal.

Edward parou o carro no estacionamento e jogou a cabeça para trás, respirando fundo.

- Eu estava apavorado de mais pra..

- Eu sei. – tirei meu cinto, desconectando o de Edward também e sentei em seu colo. – Eu sei. Eu imagino como deve ter sido difícil pra você ver Luca daquele jeito. E tenho certeza de que em um determinando momento você descobriria o que fazer.

Ele me abraçou apertado, enfiando seu rosto em meu pescoço. Nós ficamos assim por um momento, escutando somente o ruído do trafico no lado de fora, e o ritmo compassado de nossas respirações, inclusive a de Luca, que dormia exausto.

- Me prometa uma coisa.

- O que você quiser.

- É sério Bella.

- O que você quiser.

- Não me deixe. Nunca.

Eu sorri, acariciando seus cabelos, me sentindo a mulher mais poderosa do mundo.

- Nunca. Eu prometo. Se você prometer que não vai me deixar também.

- Jamais.

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Do lado de fora da mansão podíamos ouvir o rugido da gargalhada estrondosa de Emmett. Edward me olhou curioso e eu dei de ombros, indicando que não fazia a mínima ideia do que estava acontecendo. Sue apareceu logo que entramos, pegando Luca dos braços de Edward, murmurando que ia colocá-lo na cama.

A cena na sala chegava a ser cômica. Emmett ainda ria, da mesma forma estrondosa, mas falava ao celular e com o telefone fixo ao mesmo tempo, um em cada orelha. Parecia muito alegre, realizado. Mas o que não parecia correto em toda a situação era o estado de Rosalie. Ela estava sentada no sofá, segurando alguns papeis e chorando. A pobrezinha chegava a soluçar!

- Rose.. o que aconteceu?

Ela olhou pra mim, parecendo perceber que eu tinha chegado só agora e então se atirou em mim, me abraçando com fervor. Edward arqueou a sobrancelha perfeita, olhando do feliz irmão para a, aparentemente, triste cunhada. Mas tudo fez sentindo quando Rose gritou.

- Eu estou grávida!

Eu sorri, abraçando-a de volta, realmente feliz por minha amiga. Edward foi abraçar o irmão, que se despediu das pessoas no telefone e sorriu alegre para nós.

- Com quem você estava falando? – Edward perguntou, anda sorrindo.

- Nossos pais e Alice. – ele deu de ombros, o sorrisão ainda rasgando seu rosto. – Não consegui escolher alguém pra ligar primeiro.

Edward gargalhou, abraçando novamente o irmão. Rose me soltou,ainda chorando, e então Emmett me fez voar pela sala.

- Obrigada cunhadinha. Você pode não entender ainda, mas tem um dedo seu nessa história.

- De nada. – respondi, sem graça, quando ele me colocou de volta no chão.

Rose, torcendo as mãos, se aproximou de mim novamente, agora livre das lágrimas.

- Nós podemos conversar?

Eu assenti, sabendo que na realidade ela estava pronta pra me contar. Nós subimos para o meu quarto e nos esparramamos na cama.

- Não sei por onde começar. – confidenciou Rose, encabulada.

- Por onde você quiser.

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- Não foi sua culpa Rose.

- Todos me dizem isso, mas eu sinto como se fosse.

Rose não tivera uma vida fácil. Perdera os pais talvez no momento em que mais precisaria deles, passou a se sentir um fardo para o irmão super responsável que, muito novo, teve que assumir a família. Em um dos encontros sociais aos quais tinha que ir, já que decidiu fazer o social, como forma de ajudar Jasper, ela conheceu Emmett. Foi amor a primeira vista. Jonh a adorou, muito mais por sua posição social e beleza do que por sua pessoa, mas eles tiveram apoio total da família no namoro. Alguns trabalhos como modelo surgiram ao longo de sua vida e mais cedo do que ela pensava Rose era uma grande modelo fotográfica. Mas essa parte da sua vida perdeu a cor quando ela ficou grávida.

Foi um acidente. Rose tomava pílulas regularmente, mas durante certo período, em que passara em Paris em algumas divulgações, ela simplesmente esqueceu do medicamento. Emmett lhe fez uma visita nessa época. Eles casaram logo em seguida, em uma cerimônia simples e linda no Havaí e viveram um sonho por algum tempo, planejando seus futuros. Apesar de ser considerado um empecilho para Jonh, o bebê viria ao mundo. Amado, cuidado e zelado. Se Rose não tivesse tido um aborto espontâneo. Não foi realmente culpa de ninguém.

- Abortos são comuns nos primeiros meses de gravidez.

- Eu sei, mas me senti como se não fosse boa o suficiente nem pra manter um bebê dentro de mim. Eu nunca me senti boa o suficiente para nada, então me senti um nada quando perdi o bebê. Demorou um bocado para que eu simplesmente comesse e dormisse como uma pessoa normal.

E então Rose tinha se fechado em seu próprio casulo, tentando ser perfeita quando na verdade ela já era. Emmett se manteve distante, talvez até sofrendo a sua maneira, mas respeitou o espaço, que às vezes aos gritos, Rose requeria. Isso, no entanto não era verdade.

- Quando você me abraçou aquele dia na piscina, eu senti que na realidade nunca quis estar sozinha em meu luto. Eu simplesmente achava que tinha que passar por tudo sozinha, já que eu era a culpada. Por isso, muito obrigada Bella. Tenho certeza que Emmett já lhe disse que devemos muito do meu avanço a você.

- Não foi nada. – eu estava encabulada. Sempre tinha em considerado uma pessoa simples de mais, comum. Saber que todos estavam me colocando em um pedestal me deixava sem ação.

Depois de um minuto de silêncio, Rose voltou a falar.

- Eu sei que estou melhor, mas sinto que vou pirar agora que estou grávida. Estou pensando em me consultar com um especialista sabe..

- Isso é bom Rose. Vai te ajudar a superar tudo. Nós vamos levar Luca em um também.

- Porque você nunca se rebelou? – ela perguntou, do nada, depois de olhar atentamente pra mim. – Por Deus, poderia ter conhecido Edward em circunstâncias diferentes, tenho certeza de que ele lutaria por você, poderiam ter sido felizes, ter tido Luca, poderiam..

- Rose..

- Não. Não é como se você não pudesse Bella. Sue com certeza acolheria você. A polícia protegeria você! Estamos no futuro!

- Era cômodo. – admiti, em um fio de voz. – Pode não parecer, mas eu morria de medo do que estava lá fora. O desconhecido. Eu sofria? Sim. Era humilhada, torturada? Sim. Mas eu conhecia aquela realidade. Sabia o que devia ou não fazer. E sabia do que eles eram capazes também. Renée principalmente. Eu nunca fui aventureira Rose, nunca fui rebelde e despeitada. Por Deus eu tenho problemas em ser desinibida na cama!

Contra todo o esperado ela riu.

- Alice comentou algumas coisas comigo. Você precisa de dicas?

Eu a abracei, porque aquele era seu jeito de me dizer que ela entendia. Não concordava, mas entendia.

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- Hei, vida. Está tudo bem, acabou.

Depois da conversa com Rosalie eu decidi que estava na hora de dizer tudo em voz alta. Realmente tudo. Mesmo que Edward já tivesse visto, ouvido e adivinhado muitas partes da história, eu contei a ele sobre a obsessão de Renée e Charlie em fazer parte da grande sociedade de Chicago, de como eles me torturaram quando eu não atingia as metas esperadas para ser a esposa perfeita ou simplesmente quando eles queriam descontar suas frustrações em alguém, de como eu sofria calada com medo do desconhecido, já que tinha sido criada como um bicho enclausurado. Ele me confortou, me segurou em seus braços o tempo todo e disse que entendia, que estava tudo bem agora.

Realmente estava, mas eu queria que ficasse melhor.

- Edward?

Ele se ergueu, pairando sobre mim, meio ansioso.

- O que?

Eu olhei em seus olhos, quase me perdendo no misto de emoções que por ali passavam. Tinha tanto carinho, zelo, preocupação ali, e mais um item que com certeza estava em meus olhos também: amor.

- Eu amo você.

Por um momento ele não apresentou reação nenhuma. Seus olhos encheram-se de lágrimas, mas ele continuou parado, olhando pra mim como se eu fosse feita de ouro. Mas então seus lábios estavam nos meus, suas mãos em volta de mim, me mantendo contra ele. Foi um beijo feroz, necessitado e apaixonado.

- Você não sabe o quanto eu esperei por isso. – Edward não parou de me beijar. Seus lábios faziam trilhas em meu pescoço, mas então seus olhos estavam nos meus. – Eu queria tanto dizer Bella, mas fiquei apavorado com a possibilidade de você não estar pronta, ou não me amar de volta, então eu esperei. E valeu a pena, porque ver, ouvir você dizer, ainda por cima primeiro, me fez o homem mais feliz do mundo.

Eu sorri fraquinho, acariciando seus cabelos.

- Eu te amo vida. Mais do que qualquer coisa. Eu te amo tanto Bella. Acho que desde quando li a sua ficha.

- Não tinha nem uma foto minha. – brinquei, rindo com ele.

- Não precisava de foto. Eu sabia que você era mais que perfeita.

Os risinhos e os barulhos dos beijos que vieram a seguir talvez pudessem ser ouvidos no corredor, e então qualquer um sabia que deveria nos dar privacidade.

Mas não Jasper.

Edward e eu pulamos em nosso lugar quando a porta do quarto foi aberta com um estrondo e Jasper entrou, parecendo transtornado. Seus olhos estavam vermelhos e ainda úmidos das prováveis lágrimas que ele derramara, seus cabelos estavam em um tamanho desalinho, de uma maneira que eu nunca vi.

- O que eu faço pra Alice voltar pra casa?

Notas finais
Oláaa
Pode parecer chato e repetitivo, mas eu não consigo não agradecer pelos comentários lindos que recebo nas fics que já finalizei. Poucas pessoas fazem isso! Muito obrigada mesmo.
E muito obrigada tbm a todos que comentam aqui. Jamais imaginei que chegaria tão longe e que minha escrita melhoraria tanto, e isso não seria possivel sem vocês.
Um beijo especial para a Reader Writer que indicou AAA e EA.
Quero explicar, embora fosse pra ser um segredo, mas como estamos no Natal, é como meu presente, que tenho demorado nos posts porque estou escrevendo duas fics paralelas a AS. Serão postadas no ano que vem e eu estou empolgada pra saber o que vocês vão achar!
Feliz Natal e um Ano Novo cheio de coisas boas!
beijos!
té.
Lidih.