CAPÍTULO 14;

Eu me sentia o mais feliz dos seres na face da Terra. A rotina tinha voltado a se estabilizar nesses últimos dias e tudo parecia estar em ordem. Jonh tinha voltado para suas namoradas, de cara amarra e prometendo vingança com os olhos, mas nada que me abalasse. Eu já não era o garotinho que ansiava por agradá-lo. Esme e Carlisle saíram em um cruzeiro pelas Ilhas Gregas que duraria pelo menos um mês. Esme estava com o coração na mão em sair de casa nesse momento, mas jamais poderíamos pedir pra eles adiarem a viagem que fora planejada meses antes, sem falar que por mais que várias coisas estivessem acontecendo, nada mudaria por agora.

Alice estava à milhas de distância, focadíssima em seu trabalho, pouco lhe sobrava tempo para falar conosco, e aparentemente ela estava tentando esquecer Jasper, já que quando ele esteve lá, há alguns dias atrás por conta de uma transação da empresa, ela não teve tempo pra se encontrar com ele, porque estava saindo com alguém. Jasper voltou arrasado. Bella achava que ele estava se arrependendo de ter ignorado seus sentimentos com relação a minha irmã, e eu concordava com ela. Ele andava com uma expressão triste, cabisbaixa e quase não sorria, desde que voltara de Londres.

Emmett e Rose passavam mais tempo no quarto do que eu achei ser possível. Estavam sempre corados e rindo sozinhos, do nada, com uma expressão apaixonada no rosto. Era obvio que andavam as mil maravilhas e eu achava que estavam tentando engravidar. Confidenciei isso a Bella ontem à noite, mas ela só sorriu, ficando feliz por eles, mas sem entender a real proporção disso. Era a história de Rosalie, afinal, eu não poderia simplesmente sair espalhando, nem que fosse pra minha esposa.

Esposa. Eu mal podia acreditar que finalmente estava casado. E casado com alguém que valia muito a pena. Alguém que estava se infiltrando em meu coração mais rápido do que eu achei ser possível. Bella e Luca eram os pontos altos do meu dia. Os dois quase nunca se desgrudavam, andavam pra cima e pra baixo juntos. Luca só ia a escolhinha pela manhã simplesmente porque Bella dissera que era importante ele interagir com outras crianças.

Era incrível o quanto ela entendia disso. O quanto ela tinha nascido pra isso. Pra zelar por crianças, educá-las, amá-las. Bella tinha nascido pra ser mãe. E era mais incrível ainda que ela permanecesse desse jeito mesmo depois de todo o martírio que tinha vivido com os pais. Pais, aliás, que não paravam de ligar querendo saber dos encontros sociais a vista.

Bella os despistava da melhor maneira que podia, mas eles não poderiam ser feitos de trouxa a vida inteira, de fato, eu diria que eles estavam se fazendo de trouxas, mas que aprontariam a qualquer momento.

Eu esperava poder viajar por pelo menos quinze dias na próxima semana. Seria meio atrasada, mas teríamos nossa lua-de-mel, que, eu esperava ansiosamente, fosse de verdade.

A casa estava silenciosa quando cheguei do trabalho, apenas Rose estava sentada na sala, observando Luca brincar com alguns jogos comprados por Bella.

- Hei Rose. Como esse garotão vai indo?

- Muito bem. Os jogos que Bella sugeriu são muito bons. Funcionam, mas ele gosta mesmo é das cores.

Luca brincava fascinado com os blocos, separando-os por cores. Vez ou outra ele agitava alguma peça no ar.

- Li no jornal hoje sobre Tanya.

- Sim. A policia me ligou ontem a noite, eu acabei esquecendo de contar. Pelo menos agora nós temos provas contra ela.

Rose assentiu, um tanto séria.

- Mas isso me preocupa Edward. A ideia era que ela não iria pensar, construir um dossiê sobre Bella e Luca demonstra que ela está pensando. Muito.

Por meio de uma ligação anônima, a polícia tinha encontrado o lugar em que Tanya estava vivendo. Havia algumas roupas, moveis e seu passaporte no pequeno apartamento, mas o que deu uma reviravolta no caso foi uma das paredes do lugar estar coberta de informações sobre Bella e Luca. Desde recortes de jornais a anotações de suas rotinas.

Isso tinha me deixado apavorado por alguns momentos. Saber que mesmo estando rodeados de seguranças, Bella e Luca ainda podiam ser observados. Porém parecia que tudo que Tanya tinha estava no lugar, e como ele estava sendo vigiado vinte quatro horas por dia, impossibilitava que ela voltasse lá sem ser presa, e isso significava que ela não tinha mais as informações a disposição para montar plano algum.

Rose ponderou sobre isso quando eu lhe disse.

- Olhando por esse lado...

Ficamos em silencio por alguns minutos, apenas observando Luca. Rose olhava vez ou outra para o telefone e eu imaginei que ela estivesse esperando uma ligação de Emmett. Ele tinha viajado há três dias para resolver um problema simples em uma das nossas aquisições.

- Quando você vai começar a fazer testes? – perguntei, andando em direção ao bar para preparar um drink. – Me admira que você ainda não tenha começado.

Ela abriu a boca em sinal de espanto, mas logo a fechou, fingindo alisar uma ruga inexistente em sua saia de cetim.

- Estou esperando pelo menos um mês. Sabe, vão ser mais tentativas.

- Tenho certeza de que tudo vai sair conforme o planejado. – ela me olhou, visivelmente sem graça. – Estou muito feliz por vocês Rose.

- Obrigada. Você contou a...

- Não. Vocês são tão amigas, você deve contar, além disso, não é a minha história.

- Obrigada por isso. Vou contar tudo a Bella logo. Acho que estou esperando que ela pergunte algo. Não sei como começar o assunto.

Eu sorri. Pelo bem que eu conhecia minha mulher, ela morderia a língua antes de perguntar algo.

- Pois então ache um jeito Rosinha. Bella não vai perguntar nada. Nem mesmo se a curiosidade estiver a corroendo. – franzi a testa, notando que até aquele momento, Bella não tinha dado sinais de estar em casa, algo não usual, já que ela sempre estava em casa pra me esperar voltar do trabalho. Por vezes ela tinha ido me buscar com Luca. – Bella está tomando banho? Ou saiu? Ela não costuma sair nesse horário.

Rose piscou, afastando qualquer pensamento que estivesse tendo e se apressou em me responder.

- Bella esteve fora toda à tarde. Ela disse que ia sair por apenas alguns minutos, pra comprar algumas frutas, porém não voltou mais. Até que a mãe dela ligou há uma meia hora atrás. Disse que ela e Bella se encontraram e que ela ia dormir lá hoje, pediu pra avisar você.

Eu pisquei, atordoado.

- Você ouviu Bella ao fundo? Tentou falar com ela no celular?

- Ela deixou em casa. Bella saiu apenas com alguns trocados Edward. Os seguranças ainda estão com ela então não há o que se preocupar.

Rose estava tão errada.

Não perdi tempo tentando ligar para o celular de Bella já que ela não o tinha levado, e sim disquei o número de um dos seguranças, que se apressou em dizer que estava tudo bem, Bella estava na casa dos pais e não tinha saído à tarde inteira. Mas aquilo não era o bastante. Tinha algo de muito estranho na história, já que os pais de Bella não moravam em nossa vizinhança, então não havia como eles terem se encontrado tão ao acaso.

- Cuide de Luca Rosinha.

- Edward, o que está acontecendo? – ignorei Rose, saindo porta fora e sendo seguido pela minha cota de seguranças. – Edward!

Dirigi feito um louco, enquanto discava para a casa dos Swan.

- Residência dos Swan.

- Olá, eu gostaria de falar com Bella Cullen, por favor.

- A Sra. Cullen está descansando. Quem gostaria?

- É o marido dela. –respirei fundo, tentando me acalmar. – Bella está ferida? Diga só sim ou não.

- S-sim.

- Oh Meu Deus! Os pais dela estão por perto? Estão ouvindo você?

- Sim Sr. Vou passar o seu recado.

E então a linha estava muda.

Acelerei o quanto foi possível, ultrapassando alguns carros que mais do que depressa buzinaram pra mim. Alguns minutos depois estacionei de qualquer jeito na frente da casa dos Swan. Os seguranças de Bella arregalaram os olhos ao ver meu estado.

- Permaneçam junto com os outros. – ordenei, batendo fortemente na porta. – Se eles tentarem me impedir de pegar Bella, os segurem. Batam neles se precisar, não me importo.

Uma moça jovem atendeu a porta e eu tinha quase certeza de que fora ela quem atendera o telefone também, mas não me apeguei a detalhes, passei por ela, gritando o nome de Bella, logo Reneé apareceu, tentando me conter.

- Edward querido! Bella está descansando, como Alicia lhe disse ao telefone. Não há razões para estardalhaços, ela está segura.

Eu a olhei com todo o ódio que consegui reunir naquele momento, que era muito. Charlie logo apareceu, e pelo seu olhar arregalado, ele sabia que eu sabia. E quando Reneé parou de tentar explicar, ela também percebeu que eu sabia.

Tinha vontade de ameaçá-los, mas isso não iria adiantar, por que tinha certeza de que Bella já tinha sido machucada. Subi os degraus de dois em dois, ignorando os gritos no andar de baixo. Ninguém me seguiu, o que me fez concluir que meus seguranças tinham entrado em ação, aproveitando, abri cada cômodo rapidamente, procurando por Bella.

A encontrei em seu antigo quarto, no chão, com as costas pra cima. Havia um cinto preto jogado em um canto, que eu julguei ser responsável pelos machucados espalhados por suas costas. A queimadura que estivera cicatrizando tão bem estava dez vezes pior do que antes.

- Bella?

Ela só choramingou, sem se mexer. Algo que talvez ela não pudesse fazer. Seu rosto estava de lado no chão e lágrimas corriam de seus olhos. Ela tentou falar, mas eu a impedi.

- Shiu. Tudo bem, você vai ficar bem.

Liguei para a emergência e alguns minutos depois a sirene da ambulância já podia ser ouvida. Fiquei o tempo todo ao lado de Bella, deitado com ela no chão, segurando sua mão. Meus olhos ardiam, mas eu não chorei. Ela precisava de mim naquele momento e não podia ser fraco. Beijei seus lábios levemente quando ouvi passos na escada e então o quarto estava tomado de paramédicos.

Pedi aos seguranças que me encontrassem no hospital, ignorando os gritos de Reneé e Charlie. Não tinha forças nem pra olhá-los, quanto mais pra chamar a polícia, mas sabia que eles estavam encrencados, pois o hospital tem a obrigação de informar as autoridades se eles desconfiarem de violência domestica. O que era obvio que ia acontecer.

Fui na ambulância com Bella, embora não pudesse tocá-la, já que os paramédicos continuavam trabalhando em seus machucados. Quando chegamos ao hospital, tive que sentar pra preencher uma ficha quilométrica, mas que me distraiu por algum tempo.

Até que eu me rendi às lágrimas.

Era muito difícil pensar. Muito difícil reviver o momento em que a encontrei. E foi mais difícil ainda admitir que eu não podia ajudá-la naquele momento, não podia fazer sua dor passar, não podia colocar um sorriso em seu rosto. Tudo o que eu tinha conseguido fazer fora ligar pra emergência, implorando que eles a ajudassem.

E ninguém tiraria da minha cabeça que aquilo era minha culpa.

Não podia ter me focado só em Tanya, deixando os pais de Bella a margem, sem punição, quando eu tinha afirmado, prometido, pra ela que eles iam pagar. Em vez disso eu tinha deixado que eles a machucassem novamente.

Assim que me acalmei, telefonei para Jasper. Pude ouvir as perguntas gritadas por Rosalie, mas simplesmente pedi que ele viesse ao hospital e que pedisse a irmã pra continuar cuidando de Luca. Sue estava em casa, mas não queria ninguém a mais sabendo disso, era algo que Bella tinha que contar. Era seu segredo.

Vinte minutos depois, Jasper estava incrédulo. E obviamente ignorando minha cara de quem tinha chorado.

- É muito difícil digerir isso Edward. Desde quando você sabe?

Eu pisquei, tentando criar uma resposta plausível.

- Há um mês e pouco. Foi por isso que insisti pra que ela morasse conosco logo depois do noivado. Foi difícil, Bella disfarçava muito bem, mas não tinha como não ver as cicatrizes.

Ele assentiu, dando a entender que tinha acreditado.

- Presumo que ninguém mais sabe.

- Não. Quero que Bella decida se quer contar ou não. Contei pra você porque quero que me indique um advogado. Sei que há montes deles na empresa, mas quero alguém imbatível Jasper, alguém amplo. E discreto.

Ele assentiu, pegando seu celular. Jasper tinha uma infinidade de contatos em diversos lugares e em diversas áreas, conquistadas principalmente por suas viagens.

- Nora Kreve. Sempre digo pras pessoas terem cuidado porque ela lê pensamentos.

Eu salvei o número em meu próprio telefone, preferindo ligar depois que visse Bella e falasse com os médicos.

- Posso perguntar pra quê?

- Você não acha estranho Jasper, que justo quando a cara de Tanya está em todos os lugares, justo quando ela perde o acesso as informações que vem juntando, justo quando ela some por um bom tempo, Reneé tenha encontrado Bella por acaso em um lugar que ela vai quase todos os dias pra comprar frutas frescas pra Luca? Não lhe parece estranho já que Charlie e Reneé não moram perto de nós?

- Você acha que... – ele parecia não encontrar palavras. – Meu Deus! Os próprios pais!

- A policia está fazendo tudo o que pode, mas cansei de me limitar somente a eles. Quero saber o que posso fazer, de que jeito posso prejudicar os Swan. Eles vão pagar Jasper, por cada uma daquelas cicatrizes.

Como eu tinha prometido a Bella. Antes tarde do nunca.

Notas finais
Olá povo meu!
E então? Curtiram esse POV Edward?
Meu muito obrigada a todos que comentaram (nas outras fics finalizadas tbm!!), e aos leitores novos, sejam muito bem vindooos!
Eu dou pulos pela casa de tão feliz com o carinho de vocês.
Um beijo especial pra Elli que fez uma recomendação para AAA.
Até maaaiiis!
beeeeijos.
Lidih.