CAPÍTULO 13;

Edward, muito relutante, deixou que Jonh dançasse comigo e se dirigiu para um canto um pouco afastado, mas que lhe permitia ficar de olho em mim.

- Radiante, Isabella?

- Porque eu não estaria?

Ele nunca tirava o sorriso do rosto, mas seus olhos eram muito frios, mais frios do que os de Edward quando nos conhecemos, até porque Edward tentava ser frio, era uma defesa quase inconsciente, mas Jonh não. Ele sabia que era frio, e não fazia questão nenhuma de mudar isso.

- É claro. Porque você não estaria? Se preparou a vida inteira para ser a esposa de Edward, conseguiu sair das garras abusivas dos pais, está vivendo como uma rainha, nem vai precisar engravidar cedo já que aquele pequeno bastardo serve para o papel de filho por enquanto, sem falar das novas portas sociais que se abriram pra você. Realmente, porque você não estaria feliz?!

Suas palavras não me afetaram com achei que fariam. Apenas confirmaram a suspeita que corroia dentro de mim: ele queria algo.

- O que você quer?

- Garota direta. Eu aprecio isso.

Eu não disse nada, esperando que ele prosseguisse. Nossos passos eram mais lentos do que a música, mas eu não me importava. Tinha consciência de que Edward estava nos observando, talvez tentando entender o que Jonh queria, mas minha expressão não entregava o que eu estava prestes a fazer: dizer não.

- Quero que você converse com Edward e o convença a não chamar a policia.

- Não.

Ele ficou mais chocado do que eu achei que ficaria. Sua expressão seria até cômica, se a situação não fosse um pouco mais séria.

- O que?

- Não. Edward tem todo o direito de querer a polícia envolvida quando alguém me ameaça ou ameaça Luca. Ele é um cidadão Jonh. Não sei se você sabe disso. Têm direitos.

- Eu coloquei você aqui. Posso tirar você daqui.

- Não, Jonh. Você não pode.

- Quer pagar pra ver?

- E como você faria? Me ameaçando? Ameaçando Edward? – balancei minha cabeça, com pena dele. – Não vai funcionar. Edward sabe tudo que há pra saber sobre mim, nós estamos nos envolvendo. Você não vai estragar isso.

Nesse momento nós não dançávamos mais. Não tinha porque disfarçar, e Edward, percebendo a situação se encaminhou para nós, franzindo a testa diante da expressão chocada de Jonh.

Nós ainda ficamos por um momento ali, os três, olhando um para o outro, até que Jonh saiu, caminhando firmemente em direção a mansão. Quando não estava mais em nosso campo de visão, eu soltei o ar que nem tinha percebido que estava segurando.

- O que ele queria?

- Eu disse não. – Edward não entendeu minhas palavras, muito menos o meu sorriso. – Ele queria que eu convencesse você a não dar queixa de Tanya a polícia e eu disse que não. Ele até me ameaçou, dizendo que podia me tirar daqui, e eu ainda disse não!

Talvez Edward não tivesse noção do quanto minhas vontades sempre foram só minhas vontades, algo banal. Poder dizer não para algo era quase um sonho. Quantas vezes eu quis dizer não aos meus pais? Aos meus professores? A mim mesma? E agora eu dizia não a Jonh, isso era algo quase surreal.

- Ele ameaçou você?

Não fiquei surpresa por Edward se apegar a essa parte da história, mas logo ele pareceu entender o quanto a situação era importante pra mim e sorriu.

- Tudo bem. Parabéns pra você que disse não.

Eu ri, colando mais meu corpo ao seu enquanto dançávamos. Edward beijou meus cabelos, cantando baixinho a letra da música, que falava sobre amor a primeira vista.

Nenhum outro momento me pareceu mais perfeito. Talvez esse agora perdesse apenas para o nosso primeiro beijo, mas ainda assim era muito especial. Eu me sentia amada, querida, protegida, segura. Me sentia parte de algo, de alguém, o que nunca tinha acontecido antes.

Agora eu era uma Cullen. E nunca esse sobrenome me pareceu tão bonito.

- Eu realmente achei que Edward iria esperar pela segunda-feira. – comentou Rose, enquanto acompanhava com os olhos o movimento dos policiais dentro de casa. – Vocês casaram ontem!

Eu sorri levemente, olhando para Edward, que conversava com um dos policiais, que parecia ser aquele em comando.

- Jonh tentou impedi-lo ontem. Ele está certo em não esperar.

Ao fim da festa, Edward e eu seguimos para um dos melhores hotéis de Chicago.

Nossa noite de núpcias tinha sido um pouco inusitada já que nada mais aconteceu do que alguns beijos. Edward tinha estado muito excitado, mas eu ainda não estava pronta. Esperava que pudéssemos passar por todas as fases antes do ato em si, e me parecia que estamos caminhando pra isso, já que Edward, e eu, estávamos muito mais afoitos e querendo apertar um ao outro a todo o momento.

Quando acordamos, Edward me confidenciou sua vontade de não esperar pela segunda-feira para fazer a denúncia. Eu o apoiei. Sabia que Jonh não ia parar de tentar impedir esse escândalo, e só Deus sabe que armas ele usaria pra isso.

Todos nós tivemos que dar nossos depoimentos sobre Tanya. Os telefones foram grampeados e a segurança de todos reforçada. Não me agradava em nada ter alguém atrás de mim o tempo todo, mas eu sabia que era necessário.

Algumas horas depois, todos os policiais foram embora. Alice iria voltar pra Londres ainda hoje, o que a deixou atarefada com as malas e alguns tecidos que ela queria levar, e isso acabou com qualquer tempo que tivéssemos pra conversar. Esme e Carlisle foram levá-la ao aeroporto logo depois dos policiais deixarem a mansão. Emm e Rose se ocuparam de Luca, aparentemente achando que Edward e eu ainda estávamos em ritmo de lua-de-mel.

- Como está sua queimadura? – assim que entramos no quarto Edward se apressou em levantar minha blusa e analisar meu ferimento. – Parece melhor.

Eu ri, sentindo o carinho gostoso que ele fazia ao redor da grande mancha.

- Não dói tanto, mas acho que vai demorar mais um pouco ainda pra cicatrizar bem. Dr. Edward Cullen.

Ele riu, baixando a blusa e me envolvendo em seus braços.

- Eu marquei de correr hoje com papai e Emm, tudo bem pra você?

- É claro. Já percebi que vocês gostam de fazer isso juntos. – comentei, lembrando das várias outras vezes em que os três saíram para se exercitar juntos. Era quase como o chá das cinco dos garotos. – Além do mais eu combinei com a sua mãe de olharmos os presentes e escrever os cartões de agradecimento.

Edward não disse nada, apenas beijou meus cabelos, balançando nossos corpos lentamente, apesar de não haver nenhuma música.

- O que os policiais disseram pra você?

Eu vinha me corroendo de curiosidade desde que eles deixaram a mansão, mas nenhum momento até agora me pareceu intimo pra questionar.

Edward suspirou, parando de balançar nossos corpos. Dava pra sentir que esse assunto não era seu preferido.

- Ela vai ser acusada de tudo, até de seqüestrar Luca, embora isso tenha acontecido já há algum tempo. Não sabemos se ela realmente vai cumprir pena por tudo, já que tem o julgamento no meio, mas vamos fazer nosso melhor pra provar que ela é culpada. Por enquanto, temos que encontrá-la e o Oficial Lopes acha que ela está por perto.

Eu me virei, visivelmente confusa.

- Todas as mídias vão falar sobre ela, o rosto de Tanya vai estar em todos os lugares, como, por Deus, esse Oficial acha que ela vai ficar por perto? Ela seria pega num piscar de olhos com todos esses seguranças!

- Bella. Às vezes, a mente de uma pessoa obsessiva não funciona de forma tão racional quanto a nossa. Tanya não vai pensar! Ela não fez isso quando seqüestrou Luca, foi um momento de sorte pra ela e o impulso que ela sentia naquele momento. Ela queria matar você dentro da empresa. Ser pega não a preocupa.

- Então você acha que ela vai tentar outra vez? Me machucar, ou machucar Luca?

Ele apenas assentiu, sério.

- Ele está pensando em me usar como isca não é?!

- Se tivermos provas de que ela está rondando, uma operação pode ser montada. Ele sugeriu isso, mas eu não concordo.

- Eu quero. Se isso significa proteger Luca e se essa é a nossa melhor chance de pegá-la, eu quero.

- Bella...

- Não Edward! Se eu posso fazer algo pra impedir que nossas vidas virem um inferno, eu vou fazer! É minha decisão. Além do mais, não vamos dar oportunidade a Jonh de encontrá-la antes e tentar persuadi-la de sumir de vez.

- Você é mais teimosa do que uma mula.

Eu sorri, ainda que nervosamente.

- É uma das minhas melhores qualidades.

- É linda Esme!

Edward e eu tínhamos ganhado vários presentes, um mais bonito que os outros. Em nossa lista não teve nada de moveis, Edward queria reformar o quarto, para que pudéssemos balancear nossos estilos, mas isso era algo que nós mesmos faríamos, assim, nossas sugestões de presentes foram, em sua maioria, objetos de decoração. Alguns convidados nos presentearam com roupas recém-lançadas, louças, e ações.

Meu presente favorito, a luminária que eu analisava, era realmente linda. Toda dourada com desenhos incrustados.

- Realmente querida. Esse presente veio de Carmem.

Era irônico que o objeto que eu mais gostara viesse de uma mulher que não gostava nada de mim.

- Uma pena que ela tenha ido embora da festa tão cedo. Nem quis ficar por uns dias.

Secretamente eu achava que isso era minha culpa, embora não soubesse o que eu tinha feito para que ela quisesse toda essa distância.

- Uma pena realmente. Mas acho que esse é o estilo dela não? Ser sozinha.

- Talvez querida. – ela balançou a cabeça, enquanto olhava para a luminária. – Mas algo me diz que uma coisa realmente ruim aconteceu pra que ela seja assim. Mas vamos parar de falar de coisas tristes. Me conte como está se sentindo.

- Muito feliz. – eu tinha quase certeza que meu sorriso cortaria meu rosto a qualquer momento. – Não sinto nada a ser felicidade.

- Oh, eu entendo. Venho sentindo a mesma coisa desde que vi Carlisle pela primeira vez. – meu sorriso desmanchou enquanto eu lembrava do que senti quando vi Edward pela primeira vez. – O que houve querida?

- Eu tive medo. – olhei pra ela, quase implorando com os olhos para que ela me compreendesse. – Eu senti medo quando vi Edward pela primeira vez. Era como se ele ocupasse todo o espaço ao meu redor, como se ele tivesse o poder pra decidir se eu seria feliz ou não, foi sufocante.

- Bella! – Esme segurou minhas mãos, quase chocada diante das minhas palavras e das lágrimas que começaram a cair sem permissão. – Porque querida?

- Eu não sei. Edward é lindo. É algo que não dá pra deixar de notar, mas seus olhos eram tão frios e então quando ele falou comigo, eu senti como se todos os meus sonhos fossem por água a baixo, mas quando escutei o que ele tinha pra dizer, tudo valeu à pena. É confuso não é?

Esme sorriu, daquele jeito maternal e apertou minhas mãos carinhosamente.

- É compreensível querida. Edward se tornou muito frio depois de tudo o que aconteceu com Tanya. Custou muito pra que ele aceitasse a ideia de voltar a namorar, de que Luca iria, eventualmente, precisar de uma mãe. Mas quando ele chegou em casa, anunciando que traia sua noiva pra jantar, os olhos dele brilhavam de esperança Bella, de um jeito que nem Tanya conseguiu. Você aqueceu os olhos de Edward novamente querida. E eu tenho que agradecer você por isso.

Eu tinha a intenção de retrucar, dizendo que ela não tinha que me agradecer por nada, quando um pigarro chamou nossa atenção. Edward estava ali, a pouco metros, meio suado da corrida, com a expressão de quem tinha ouvido atrás da porta, mas que não estava nem um pouco arrependido. Não queria que ele tivesse ouvido sobre meus sentimentos quando nos conhecemos, porém agora que isso não podia ser desfeito, eu só esperava que ele entendesse, e que compartilhasse comigo o que ele sentiu ao me ver pela primeira vez.

Esme discretamente saiu, levando consigo as anotações para os cartões de agradecimento. Edward avançou pra mim, lentamente, como se contasse cada passo.

- Porque você nunca disse nada disso pra mim? – sua voz estava meio rouca, emocionada. – Eu não fazia ideia disso Bella.

Eu levantei, passando a mão pelo rosto para secar as lágrimas.

- Achei que você ficaria chateado. E minha opinião mudou depois, tudo mudou depois. Eu estava sendo pressionada Edward, de todas as formas, e você realmente tinha o poder de mudar ou piorar tudo. Acho que não havia mais o que sentir, além disso.

Num piscar de olhos ele me abraçou apertado, distribuindo beijos em meu cabelo.

- Eu sinto tanto que você tenha que ter passado por tudo isso. Sinto tanto que nada pode ser diferente. Eu queria que tudo fosse diferente Bella. Queria que tivéssemos sido um casal normal...

- Eu sei. Eu sei Edward, mas nada disso é sua culpa.

Ele se afastou alguns centímetros, pairando seu rosto sobre o meu. Delicadamente uma das suas mãos acarinhou minha bochecha, me fazendo arrepiar.

- Eu sei, mas nada do que você, ou qualquer um diga, faz com que a culpa desapareça.

- Você me salvou Edward.

Ele balançou a cabeça, negando.

- Você fez, quando aceitou entrar na minha vida, me fazendo ter esperança de novo Bella. Foi isso que eu senti quando vi você naquele dia com Luca. Esperança de uma vida melhor, mais feliz, que valesse a pena.

- E está valendo?

- Cada segundo.

Apesar de todo medo inicial, Edward era tudo o que eu queria e que continuaria a querer. Nada, nem Jonh, nem Tanya com suas loucuras, iriam tirar de mim minha chance de ser feliz.

Notas finais
OLá pessoas...
sinto muito pela demora, mas as coisas na facul estão bombando! É um trabalho atrás do outro e provas no meio disso!
Muito obrigada pelos cometários maras de vocês! Eu dou muita risada com as teorias e reações de vocês! Tem cada coisa...
beeijos especiais para LineVerneck, HILLK (flor, fiquei boiando na história da escolhinha) e Laura_Masen pelas maravilhosas recomendações!
Não deixem de comentar e deixar sugestões!
beeeijos, té.
Lidih.