CAPÍTULO 11;

Eu estava em choque. Nenhuma outra definição explicaria tão bem o torpor em que eu me encontrava durante todo o trajeto de volta pra casa. Sue se encarregou de cuidar de Luca quando chegamos, e eu pedi a ela, em um sussurro, que o alimenta-se, visto que não tínhamos ido almoçar.

Todos perceberam que algo estava errado. Rose veio para meu lado e olhou para Edward de forma interrogativa.

- Tanya.

Foi o que bastou para que as expressões de todos se transformassem em pesar. Todo mundo parecia saber sobre ela ainda estar viva, eu era a única que não sabia de nada, mas eu entendia, eles eram uma família, moravam todos juntos e, tirando a base do meu relacionamento com Edward, eles não pareciam ter segredos.

Carlisle levantou, olhou pra mim com mil desculpas estampadas nos olhos e então pegou o telefone enquanto avisava:

- Vou ligar pra policia.

- Não! – nem eu no segundo seguinte acreditei que tinha dito mesmo aquilo, mas eu não queria policia nem nada do tipo dias antes do meu casamento. – Por favor, vamos lidar com isso depois do casamento. Podemos dobrar a segurança. Não vou nem mais sair de casa, não me importo, mas não quero esse estresse no meu casamento.

Não percebi que estava chorando até Edward me abraçar, pedindo que eu me acalmasse. Porém eu não podia suportar a ideia de que meu casamento de conto de fadas estava a um fio de virar um caso de FBI. As aparências podiam enganar, Edward e eu podíamos ainda não amar um ao outro de fato, mas era o casamento que eu ajudei a planejar, o casamento que eu cuidei de cada detalhe, o casamento que era meu, meu com o homem que estava me mostrando o mundo, com o homem que estava me mostrando que eu era muito mais do que uma mulher preparada pra ser uma esposa.

- Ela está certa, querido. – Esme se pronunciou, visivelmente emocionada. – É o momento deles meu amor. Além disso, faltam três dias. Podemos com certeza redobrar a segurança e contratar alguns agentes especiais para que tudo possa ser mais seguro. Eles não vão viajar agora, então podemos prestar queixas logo na segunda feira.

Edward e eu tínhamos decidido não viajar em lua-de-mel por enquanto. A empresa estava realizando grandes compras, Luca ainda precisava de atenção e, além disso, não havia muito que fazer na lua-de-mel. Ainda.

Carlisle suspirou, devolvendo o telefone a base e então olhou para Edward.

- Tem certeza?

Ele assentiu, beijando meus cabelos e então me pegou no colo, ignorando o resto da família e me levou para o quarto. Enquanto eu permaneci sentada na cama, onde Edward me colocara, ele desapareceu dentro do closet voltando minutos depois vestindo apenas uma calça de moletom preta. Não era um momento para aquilo, mas meus olhos nunca se cansavam de olhá-lo, ele era tão lindo, e eu me sentia a mais sortuda das mulheres nesses momentos, porque me lembrava de que ele era meu, ou pelo menos seria.

Quando sentou-se ao meu lado, Edward suspirou.

- Não queria ter que contar tudo isso pra você agora, a dias do casamento. Na verdade não queria contar isso pra você até que isso não fosse um problema.

Suas palavras eram reconfortantes e eu fiquei feliz de saber que minha teoria do contar depois estava certa, porque era muito bom saber que ele tinha intenções de contar, mesmo que nada pudesse ser feito, mesmo que nada daquilo tivesse a ver comigo.

- Vocês eram o casal perfeito Edward! Eu me lembro das fotos oficiais de noivado. Os olhos dela brilhavam e você estava radiante também! Eu ganhei minha cicatriz na barriga aquele dia!

- Eu me sinto responsável sabia? – eu não respondi, porque não sabia sobre o que ele falava. – Suas cicatrizes. Me sinto responsável por cada uma delas.

- Mas você não é. Ninguém tem culpa por meus pais serem obcecados pela sociedade Edward. Eles não conseguiram entrar e transferiram esse desejo pra mim. A culpa é só deles. Você não é o único por aí que decidiu casar por conveniência, Reneé poderia ter escolhido qualquer outro, mas ela escolheu você. Algo que eu nunca entendi na verdade. – dei de ombros. – Ela nunca disse o porquê.

Algo cruzou os olhos de Edward naquele momento, mas foi muito rápido e eu não soube dizer o que era.

- Nós parecíamos o casal perfeito Bella. – ele desviou o olhar, pousando-o no chão. — Eu sempre soube que um dia teria que assumir a família, mas naquela época, recém formado na faculdade com honras e tudo que o status pode comprar, eu não pensava nisso. Eu era pior do que Emmett que com vinte um já namorava sério com Rosalie, já pensava em sua carreira. Nós só temos dois anos de diferença, mas naquela época parecia muito mais já que eu não me importava com nada. Então semanas depois do meu aniversário, Jonh me procurou, com um ar até festivo e vários papéis na mão. Eu soube naquele momento que minha boa vida tinha terminado.

Ele aguardou, talvez para que eu absorvesse os fatos, mas uma dúvida, que vinha me incomodando desde que botara os pés na mansão, passou por minha mente e não me contive antes de verbalizá-la.

- Porque você aceitou? – ele olhou pra mim, visivelmente confuso. – Esse casamento arranjado. Porque você aceitou?!

Edward suspirou, voltando a olhar para o chão.

- Eu sou adotado. – deu de ombros, quase com desdém. – Sempre pensei que não conseguiria ser um Cullen de verdade. Ele me disse o que eu deveria ser e fazer, eu simplesmente segui suas vontades. Papai e mamãe nem sonham com isso.

- Você queria deixá-lo orgulhoso. – eu o entendia, já que por vezes me esforcei para realmente gostar de tudo que era obrigada a fazer, para que meus pais se orgulhassem de mim, gostassem de mim, ou pelo menos demonstrassem isso. – Você queria que ele te visse como um Cullen, um verdadeiro Cullen.

- Sim. Só que quando percebi que não tinha que fazer isso, que eu não precisava fazer isso, me vi noivo de Tanya, saindo em mais colunas sociais do que eu achava possível e com uma data de casamento marcada! – ele me olhou novamente, uma ponta de sorriso em seus lábios. – Eu preferi você. Não havia fotos na lista de Jonh, ele dizia que nenhuma candidata da sua lista poderia ser feia, beleza era o primeiro requisito. Mas o que eu quero dizer é que eu sempre preferi seu perfil ao invés do de Tanya.

- Mas vocês já se conheciam, as famílias eram amigas. Era mais fácil. – concluí, olhando para seu rosto transtornado. – Você não teve escolha naquele momento não é?

- Não. – sua voz aqui era um sussurro sofrido. – Na verdade não sei por que ele se deu ao trabalho de mostrar aquela lista pra mim. Ele já tinha escolhido Tanya.

Desde que eu conhecera Edward, há um mês, eu não o tinha visto tão pra baixo, tão arrependido, tão perdido. Tinha quase certeza de que as cenas da sua vida passavam novamente diante dos seus olhos e ele nada podia fazer pra mudá-las.

- Eu tentei. No começo não foi difícil, sabe, Tanya estava feliz. Começou a planejar o casamento, foi bem acolhida pela minha família, se mostrou receptiva a um envolvimento físico... – ele desviou o olhar, um pouco envergonhado. – Mas depois de um mês as coisas começaram a mudar. Ataques de ciúmes constantes, surtos onde ela exigia que nos mudássemos para um lugar só nosso, gastos e mais gastos e então...

- Ela engravidou.

Edward assentiu, voltando a olhar pra mim.

- Eu era o homem mais feliz do mundo no momento em que soube. Nenhum erro dela importava mais. Jonh ficou furioso, é claro, e arrumou tudo para que fossemos para a fazenda da família. O plano era ficarmos afastados da sociedade e da mídia, casarmos logo depois do nascimento do bebê e então voltar a aparecer aos poucos, como se nada tivesse mudado. Mas Tanya enlouqueceu. Por várias vezes eu achei que Luca não nasceria, ou nasceria com seqüelas.

- Ela tentou...

- Sim. Tivemos que vigiá-la por vinte e quatro horas. Em algumas noites foi preciso amarrá-la na cama. Ela dizia que aquele bebê só estragaria a harmonia perfeita que nós dois tínhamos. – ele balançou a cabeça, tomado de lembranças. Seus olhos estavam marejados, mas as lágrimas não caiam, diferente de mim que estava quase soluçando ao saber tudo que Edward e meu bebê tiveram que enfrentar. – Depois do parto ela melhorou, ou achávamos que tinha melhorado. Na verdade ela não fazia nada, não dizia nada. E então, um mês depois do primeiro aninho de Luca, ela o seqüestrou.

Minhas mãos agarraram o edredom da cama com força ao imaginar o desespero que meu bebê, tão pequeno, tinha passado.

- O que ela fez?

- Nós demoramos três dias para encontrá-lo. Tanya se refugiou em um prédio abandonado na cidade mais próxima a fazenda, mas os elevadores ainda funcionavam. Não sei dizer ao certo, porque não estava lá, mas imagino que ela tenha feito ele subir e descer várias vezes. Ele estava machucado e a perícia concluiu que Tanya bateu nele. – ele fez uma pausa abrupta, parecendo envergonhado, o que era um cúmulo, já que ele não tinha culpa de nada. – Você deve entender agora porque ele é tão traumatizado.

Eu levantei, me sentindo atordoada. Era horrível imaginar Luca passando por todas aquelas atrocidades. É claro que ele tinha que ser traumatizado! Quem no mundo não seria se tivesse uma mãe daquelas, que ainda por cima era louca?

- Nó a pegamos, mas é claro que Jonh não permitiu que prestássemos queixas de fato. Tanya foi internada em uma clínica, os pais não quiseram saber mais dela, então ele decidiu que ela estava morta. – ele balançou a cabeça, claramente discordando da decisão do avô. – Fiquei muito surpreso quando soube que Luca estava vivo. Do jeito que ela parecia estar, era provável que fosse matá-lo. Ela disse, quando a internamos, que queria que ele não fosse mais perfeito, porque assim eu o deixaria de lado e nós passaríamos a ser o casal perfeito que éramos antes. Ela não foi capaz de matá-lo, mas acho que não vai hesitar agora. Nem com ele e nem com você.

Eu não soube o que dizer. Ainda estava atordoada com todas aquelas informações, ainda imaginava o que Luca devia ter sofrido nas mãos da mãe biológica totalmente louca, mas agora também imaginava como devia ter sido para Edward, todo o sofrimento, toda a dor, toda a culpa. Ele se culpava, por tudo, eu podia ver isso em seu rosto. Estava estampado ali pra quem quisesse ver, e por fim, aquilo foi o que me veio à mente naquele momento.

- Não é sua culpa. – me aproximei, segurando seu rosto com ambas as mãos. – Edward não é sua culpa. Não havia como prever, imaginar, não havia sequer como fantasiar com isso. Você fez seu melhor diante da situação, e está agora batendo de frente com seu avô, exigindo os seus direitos de cidadão, pouco se importando se isso vai trazer um escândalo pra sua família. Eu sinto orgulho de você por isso.

- Eu me sinto culpado Bella. Por Deus, ela está tentando machucar você, porque você está comigo! Se eu tivesse parado de me importar com o que Jonh pensa antes, você não estaria em perigo, você...

- Eu não estaria aqui. – era tão doloroso imaginar estar em qualquer outro lugar. Eu já me sentia parte daquele quarto, daquela casa, daquela família. Eu já me sentia de Edward. – Nós não teríamos nos conhecido, porque minha mãe já estava pesquisando outros possíveis pretendentes. Eu ainda estaria sendo machucada. Luca não faria parte da minha vida, sua família não faria parte da minha vida. Eu não teria você. Então não posso deixar de me sentir feliz por você ter demorado um pouquinho mais pra se rebelar contra seu avô.

- Não tinha pensado por esse lado. – suas mãos pousaram sobre as minhas, apertando-as de leve, me passando conforto, quando na verdade era eu quem tentava confortá-lo. – Fiquei muito feliz por Luca ter te escolhido como mãe. Ele ama você.

- Eu o amo também. Ele é meu bebê.

Edward me encarou, me prendendo em seu olhar quente, quase palpável, de um verde mais escuro. Eu sabia o que ele sentia quando me olhava daquele jeito, sabia que Edward me desejava, e naquele momento eu não queria nada mais do que senti-lo perto de mim.

- Me beije. – ele arregalou os olhos, chegando a abrir a boca, provavelmente para retrucar, mas eu não queria palavras, não naquele minuto. – Me beije Edward.

E então com uma profunda respiração de rendição, seus lábios estavam nos meus.

Notas finais
Olá pessoas!
Felizes porque começamos a desvendar os mistérios?! Sei que já tinha gente arrancando os cabelos..
uasauhuhshuashasas
Como sempre, quero agradecer pelos lindos comentários (inclusive os de AAA!Quando eu acho que a fic vai entrar pro esquecimento, chega uma chuva de comentários.. muito obrigada!)Gente, eu me fino com o que vocês dizem.. sério, dou gargalhadas!Continuem assim, vocês fazem o meu dia!
Beijos especiais para SANDRA_N_S_PENA que recomendou AAA e para liliswan que fez a decima primeira recomendação de AS.
Respondendo a pergunta da bella_patt, não flor, eu não posto em nenhum outro lugar... postava também no TBF, mas desde que deu problema, estou só por aqui.
Outra questão apontada por várias pessoas (e já respondida aqui) é sobre a foto do Luca. Gente, eu imagino, na minha mente, os personagens que são meus, então não consigo postar foto nenhuma porque ele é uma criação da minha mente. Tem uma forma pra mim, mas o único jeito que eu posso passar pra vocês é pela discrição.
Outra perguntinha... não tem dia certo para post!
As leitoras novas (que não param de chegar) sejam bem vindas! o
Vou me indo porque se não não vou parar mais de falar!
hsauhsahuahuhusa
beeijoooooos.
Inté.
Lidih.