A Sublime Decadência
1 Capitulo 1
Notas iniciais
A sublime decadência
Inglaterra caminhava calma e silenciosamente para mais uma reunião mundial. Na mesma altura, caminhava America, porém, mais despojado e descontraído que o inglês. Conversavam entre si sobre assuntos corriqueiros do cotidiano de cada país, outrora é claro, não poderiam faltar algumas reclamações por parte do Inglaterra.
O inglês acreditava realmente que o americano muitas das vezes falava algumas coisas apenas para que ele ficasse irritado, mas logo desistia da ideia e via que os Estados Unidos era apenas um gigante sem classe.
Ao chegarem à sala, grande parte dos países já estavam presentes, apenas uns dois ou três que ainda estavam atrasados. Mas estes apareceram logo depois das nações irmãs se sentarem, pedindo desculpas. E durante toda a tarde ocorreu mais um debate mundial, sem soluções eficazes para os problemas do mundo.
Com a reunião em um intervalo, cada um seguiu seu caminho pelo lugar. Os Estados Unidos foi até uma loja de conveniência, o França e o Canadá voltaram a conversar e a caminhar pelos corredores. Irônica e estranhamente, o Inglaterra e o França não haviam brigado naquele dia; mais por parte do francês que percebeu seu irmão estava muito mais calado que o normal. Enquanto caminhavam, juntos, perceberam que Seychelles e Inglaterra conversavam sobre alguma coisa.
– Você virá passar um tempo comigo? – perguntou a morena de fitas vermelhas nas chiquinhas.
–Sim, ando muito cansado. E é sempre bom visitar a família...
– Yay! – exclamou saltitante, abraçando o protetor.
Enquanto isso, Canadá e França escutavam a conversa escondidos, era uma sala reservada, ninguém entraria tão cedo ali.
– Não deveríamos espionar a Ultimo Paraíso e o Inglaterra não vão gostar, irmão França... – cochichou receoso, o Canadá.
– O papai França virá também? – Seychelles perguntou encostando-se na parede.
– Se quiseres convidar, por mim tudo bem... – disse em um suspiro.
– E quanto ao América? – ela disse mesmo sabendo que o americano acompanharia seu pai como de costume em todas as viagens.
– Ele não virá comigo. – disse em mais um suspiro
Tanto a ilhazinha quando as outras duas nações que estavam escutando tudo escondidas pareceram surpresas. Seychelles chegou a abrir a boca, mas como seu pai inglês estava de costas não pode ver a cara surpresa da garota.
– Aconteceu algo com ele?
– Não... Não aconteceu nada.
– Está acontecendo, então, algo contigo? – disse aproximando-se dele.
– Seychelles... – o inglês se virou para a filha, sendo abraçado pela mesma.
– Não esconda seus sentimentos de mim, papai... – sussurrou em seu ouvido.
Sem poderem mais escutar nada, França e Canadá saíram da sala, mas a intenção de França era apenas encenar. Puxou Canadá pelo braço e sussurrou em seu ouvido.
– Me siga.
O canadense estava tão assustado que sequer entendeu o sentido daquela frase. Ele foi jogado contra a porta e quase beijado. No instante a porta se abriu ante o peso deles e eles caíram um em cima do outro; o Canadá com o rosto mais vermelho que tudo e o França com a expressão de safadeza estampada em seu rosto. Os dois países que se encontravam dentro do recinto vieram correndo, olhando só depois para o estado dos dois.
– Canadá? Papai França?
– O que diabos vocês estavam fazendo? – disse o Inglês irritado.
– Seychelles, mon amour. England...
– Fra — França…! – o Canadá chamou-o baixo para que saísse de cima de si.
O Francês se levantou e pegando na mão do Canadá, ajudou-o a levantar. Enquanto o canadense pegava seu urso, o Frances se virou para sua família.
– O que estavam os dois fazendo ai?
– Não lhe interessa! – respondeu ríspido, o inglês.
– Vocês vão começar a brigar de novo, não é? — a filha disse, suspirando.
– Não, Seychelles... America já deve ter acabado de comer, vou procurá-lo. – disse para a filha, dando-lhe um beijo na testa e saindo da sala, despedindo-se do Canadá e ignorando o França.
Os três ficaram olhando o inglês sair pela porta como uma nação imponente. Seychelles tinha um condolente sorriso no rosto encarando o pai inglês, ele estava com a mesma cara de muito tempo.
– Seychelles, o que está havendo com o Inglaterra? – perguntou França, sério.
– Não precisa me perguntar, papai França. Mais do que ninguém você conhece aquela nação...
De repente, Canadá sentiu o clima ficar muito tenso entre os dois.
– Qual é o problema? – perguntou o Canadá.
– Vamos tomar sorvete? Eu soube que é uma especiaria muito comum no seu país. — disse o França, mudando o rumo da conversa.
– Eu sou o Canadá, não o America! – disse abraçando forte Kumajirou.
– Eu sei, Canadá. Vamos então. – Seychelles disse apontando para caminhar.
Canadá também deu alguns passos, mas percebeu que França ficara ali parado.
Aproximou-se dele, pegando na manga de sua blusa e puxando-a.
– Vamos, irmão França. – disse sorrindo.
Enquanto Seychelles, França e Canadá caminhavam rumo à sorveteria. Inglaterra ia de encontro as Nações Unidas da América. Apesar de já saber onde o americano encontrava-se, deixou-se perder em meio aos seus passos incertos. Sua cabeça estava cheia de problemas, sem contar agora “aquele” problema em especial. Seus pensamentos o levavam rumo ha um passado que o perseguia em todos os dias da sua vida. Ao longo dos mais de cem anos de historia, ainda sim, “aquela historia” o perseguia.
Abandonando a sede da ONU sem demais explicações, voltou para a sua terra, sua nação. Caminhava por aquelas ruas como um notável inglês, mas caminhava sobre os ventos da lembrança. Caminhava sobre um rio de magoas, e apreciava, na sua paisagem, as marcas de uma nação caída.
– Você não tem forças para viver sozinho... – disse para si mesmo em um singelo sorriso.
Quem o visse diria que estava procurando algum endereço, mas ele conhecia bem a sua casa. Ele apenas procurava uma cura para a sua loucura.
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Enquanto isso, em uma banheira, hospedado em um hotel estava França. Ele tomava um delicioso vinho na banheira espumada apreciando da agradável companhia do canadense entre suas pernas. Apesar disso, sua mente estava focada no inglês. Aquela expressão séria e melancólica, aquela mesma expressão e anos atrás. Era como sua filha havia dito. Conhecia bem o inglês, bem até demais.
Uma hora ou outra sabia que o americano passaria em seu quarto de hotel a procurado Inglaterra. Ele sabia o que inglês queria com todo aquele jogo. Ele sabia de tudo o que se passava na cabeça daquele homem, já havia sido ‘casado’ com ele, tinha uma ‘filha’ com ele, e aquela mesma expressão já havia visto.
Canadá virou-se para o francês, vendo-o totalmente absorto em sua presença. Odiava quando ele ficava assim e era sempre pela mesma pessoa.
– Ele não pode deixar America e Inglaterra resolverem seus problemas sozinhos?! – pensava o canadiano emburrado.
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Enquanto isso, um americano encontrava-se em sua cama de hotel entediado. Não vira sua nação irmã desde muito tempo e já estava se preocupando com ele. Já havia tentado ligar para o inglês, mas ele esquecera o aparelho no quarto. Não sabia onde poderia encontrá-lo e estava preocupado. O inglês não havia dito aonde ia, apenas virou-se dizendo que precisaria resolver alguns problemas.
Ultimamente, o Inglaterra estava muito mais calado, cansativo e, outras vezes, estressado com tudo. America não sabia se era por causa os conflitos que estavam acontecendo em sua nação ou se era um problema com o próprio americano.
America se revirava na cama sem ter uma solução para os seus problemas, sem ter uma resposta para suas duvidas e sem saber onde poderia encontrar sua querida nação irmã, não sabia onde achar aquela pessoa que sempre estava em seus pensamentos. Seu pai, seu irmão, seu melhor amigo, sua Inglaterra.
De súbito, o Americano pulou da cama e saiu porta afora, ele pensava que talvez aquele francês soubesse onde poderia encontrar o inglês. E sem sequer pedir licença, escancarou a porta do quarto, vendo automaticamente o Frances cobrir o corpo que se encontrava ao seu lado na cama.
– America! Que falta de educação! – disse França.
America parou assim que olhou para ele. Não sabia como perguntar aquilo: você sabe onde o Inglaterra está? E sem perceber ficou um tempo bom parado, encarando o nada.
– Par Dieu! – disse França, indignado – Se veio aqui por causa do Inglaterra ele foi pra casa.
America ficou surpreso, olhando estático para o francês seminu na cama; ele tina lido seus pensamentos, só podia.
– America. Tu não és burro, apesar da aparência, apenas um pouco lerdo. – disse França, sentando-se na cama e ficando sério. – Burro mesmo é aquela nação inglesa, é muito orgulhoso para admitir a verdade. Ele não sabia como lidar com isso e ainda não sabe por isso se fecha se afasta, e o pior, não entende o que está acontecendo.
– Do que está falando? – America perguntou.
– Você sabe do que eu estou falando, Estados Unidos da America. Não é a toa que você está aqui, perguntando a mim sobre ele... Eu não posso dizer a você onde ele está, mas você tem que procurá-lo... Acredite... – disse se levantando e indo até o americano, parando em sua frente. – Se não parar de ser tão idiota pelo menos uma vez na vida, ele vai acabar desistindo de você... – disse diretamente em seu ouvido.
França virou-se para o lado esquerdo, pegando a roupa que estava jogada no chão, junto com um urso enorme que foi chutado para o canto do quarto.
– Se fosse eu no lugar dele já teria desistido ha muito tempo, você não leva nada a sério, e é sempre tão infantil que chegar a dar raiva. Você tem que crescer, não é por que eu sempre sou um canalha que sou um idiota completo.
– Hey...
– America? Você ainda está aqui? – disse lhe encarando com um sorriso triste no rosto. – Vá embora logo... Se não conquistá-lo de vez, eu vou pegar de volta minha Elizabeth...
America cresceu o olho e depois de um tempo sorriu, pegou no ombro do francês e disse algo em seu ouvido saindo sorrindo logo depois.
França encostou-se na parede, descendo o corpo junto com as pernas. Pegou a garrafa de vinho e virou-a na boca, dando um riso alto. Isso, infelizmente, acordou o canadense que dormia na cama. França continuava a rir olhando para o teto.
– Irmão França? – chamou Canadá, coçando os olhos.
– Canadá... — O Canadá se levantou da cama, indo de encontro ao corpo caído do francês no chão.
– Não se preocupe, o America vai cuidar bem do Inglaterra... – disse, tirando a garrafa das mãos dele.
– Pardon... – disse levantando-se com a ajuda do canadense.
– Tudo bem. – disse sorridente – Vamos voltar para a cama... – disse de costas.
França abraçou-o por traz, jogando ambos na cama.
– Pardonnez-moi...
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Inglaterra havia adiantado sua viagem para a pequena ilha o Mediterrâneo. Depois de uma pequena viagem a sua terra, decidiu que o melhor a fazer era tirar alguns dias de férias. Curtir um tempo com sua filha seria o melhor a fazer, sem aquele americano, ou aquele francês por perto. Ele caminhava pela praia, pensativo, sem sequer ver por aonde ia. A água ia batendo em seus pés, dando-lhe uma sensação confortável e deliciosa. Queria se esquecer de todos os problemas e deixar tudo caminhar e entrar nos seus próprios eixos, como sempre fazia.
Enquanto isso, Seychelles ia de encontro à nação americana, que estava fugida ali em sua pequena ilha. Ela estava em sua sala, olhando pela janela seu pai aproveitando o clima temperado.
– Você nunca tira esse terno, papai... – comentou rindo de leve.
– Com licença... – disse o americano, abrindo a porta da sala.
– America! – ela disse animada, se virando para ele e sentando na janela. – Venha cá... – chamou-o com a mão.
– Olá...! – ele se aproximou olhando para o lugar que ela tanto encarava.
– Está vendo ai ao longe, aquela nação tão imponente e forte, tão orgulhosa de si... – ela disse nostálgica – Já percebeu o amor que ele tem por si mesmo?
– Ahn... Sim... — respondeu, meio confuso com o que ela dizia.
– Pois é você não acha que a essa nação está um tanto decadente? Acredita que essa nação entrou em guerra... Alguém fez com que ele entrasse em conflito...
America apenas observava a mulher e outrora olhava para o inglês lá fora.
– Sabe quem fez isso? – ela se virou para o americano.
– Ahn... Eu?
– É. Não é irônico, minha cara America... – ela ri baixinho. – O Herói acabou trazendo a guerra. Ele trouxe a desordem e o caos como sempre...
– Seychelles...
– Você não acha que já está na hora de salvar a nação, Estados Unidos da America. – ela pulou do batente da janela para dentro a sala – Seja o meu herói e o herói dele... – ela disse num singelo sorriso – Ele é quem na verdade, não pode viver sozinho... – voltou-se para a janela – Mas não sou eu ou o papai França que ele precisa America. Até você já percebeu isso... – ela sentou-se em sua cadeira.
– Me desculpe por isso...
– Não peça desculpas, pense em como resolver o problema, ou melhor, em como convencê-lo. – ela disse sorrindo abertamente. – Pode ir, não vou mais tomar o seu tempo. Seja bem vindo ao Ultimo Paraíso.
Ele se virou e saiu porta a fora, descendo as escadas. Chegou à praia e começou a caminhar, mas vendo que seu objetivo estava longe começou a correr.
Correu tanto que chegou onde queria. Estava perto o suficiente para poder ver completamente a face de sua nação irmã.
– England... – chamou-o.
– A – America!!! – deu um grito, olhando para o rosto dele.
Os cabelos estavam desalinhados, a roupa levemente suja da areia, a calça dobrada até os joelhos e as duas mãos no casaco marrom.
– Um dia... – ele começou a andar, passo por passo até o inglês – Há muito tempo atrás você disse: Você não tem forças para viver sozinho... Você estava certo...
– O – o que você quer com isso? – disse cruzando os braços e dando um passo para trás.
“- Você não tem forças para viver sozinho...” – ele disse assim que ficou de frente para o inglês.
– Há! Eu não preciso de você! – ele disse se virando – Você é apenas um porco, um idiota, um inútil comedor de sorvete.
– England, eu não estava falando de você... – ele sorriu.
Inglaterra se virou, descruzando os braços e olhando no rosto da America, mas ainda turrão.
– Então, do que está falando?
– Eu não tenho forças para viver sozinho, England. Não tenho mais forças... – America abraçou Inglaterra pela cintura, afundando seu rosto no pescoço dele – Não me abandone; não tenho mais forças para lutar contra você...
Notas finais
Um beijo grande, até mais!!
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