A Sombra Da Lâmina
17 A luz misteriosa
Notas iniciais
Termino aceitando o convite da garota, afinal não tinha muitas opções. Ela se despede da amiga, que vai em direção á sua suposta casa, e anda comigo em direção ao dormitório, lado a lado.
- E então... – Ela tenta puxar assunto – quais são seus planos para o futuro como soldado?
- Não tenho nenhum plano ainda, e também não estou com paciência para pensar em algum.
- Hm... Então tá! Ainda tem muito tempo no treinamento para pensar nisso, não é mesmo?
- Sei lá!
- Talvez pudesse trabalhar comigo e com Val. Formaríamos uma ótima dupla!
No caminho até o dormitório, a garota me pergunta várias vezes sobre os meus planos para o futuro como soldado e sugere táticas e missões. Estava prestes a explodir e contar para ela que não dou a mínima pra nada disso, quando, por sorte chegamos ao dormitório.
- Obrigada por me acompanhar! Foi legal conversar com você! Se precisar de ajuda na sua carreira como soldado, pode contar comigo.
- Ok...
Subo as escadas, indo em direção ao segundo andar, enquanto a garota anda em direção á uma porta á direita e abre-a, acenando para mim com um sorriso, entrando no quarto logo em seguida. Após a desafiadora e cansativa missão de chegar até o segundo andar com o pouco resto de paciência e disposição que eu tinha, entro no meu quarto e me jogo na cama. Aperto o travesseiro com força para descontar toda a raiva que eu tenho desse lugar e de seus residentes. Resmungo em voz alta, sem nem perceber que todos poderiam estar ouvindo. Após alguns segundos, a minha antiga parceira abre a porta, com uma expressão de dúvida em seu rosto.
- Está tudo bem com você? Ouvi alguns gritos e rangidos.
-... Está tudo ótimo, não tem como ficar melhor. – Respondo, revirando os olhos e largando o travesseiro, me sentando na cama.
- Hm... Você não parece tão bem assim!
-... Ah, legal! Sarcasmo, Riven. Riven, sarcasmo! Espero que sejam grandes amigos!- Digo, olhando pela janela.
- Olha, eu já sei o que é sarcasmo, tá?! Eu só quero saber o que está te perturbando.
-... Não te interessa, você não tem nada a ver com isso!
-...Nossa, parece que sua antiga personalidade veio a tona. Enfim, se não quer falar sobre isso, tudo bem. Eu vou afiar minha espada. Até mais tarde!
Ela me lança um olhar tenebroso, e sai logo em seguida, fechando a porta. Eu sinto que deveria achar tudo isso um pouco estranho, mas minha paciência acaba de chegar a zero. Minha vontade é de sair dessa cidade e seguir minha vida, posso mudar meu nome, ninguém além de Lux e, talvez, da Katarina vai se lembrar de “Talon” mesmo. Posso realmente virar um andarilho e sair por aí livremente, sem ter ninguém pra me dizer o que fazer. Acabo caindo no sono, pensando que talvez dormindo o tempo passe mais rápido.
Acordo, parecem ser dez horas da noite, perdi a segunda parte do treinamento, que acontece á tarde, mas não ligo para isso. Me sento na cama e olho pela janela. Como sempre, a mesma cidade adormecida. Só que hoje, há algo diferente no horizonte. Uma forte luz brilha há vários metros de distância daqui. A mistura de curiosidade e desocupação me força a pegar minha mochila e ir ver o que está acontecendo. Desço lentamente as escadas, já que a janela do meu quarto era muito pequena para eu pular. Ao chegar do lado de fora, pego dentro da mochila minha lanterna e minha antiga lâmina. Coloco a lâmina no pulso, ligo a lanterna e sigo em direção á luz. Por algum motivo, me sinto observado enquanto ando ao meu destino, mas tudo que vejo são pássaros voando entre as árvores.
Já estava suando e cansando quando chego ao lado do que parece ser uma antiga indústria. A luz vem de dentro da mesma. Escalo a parede e olho pela pequena janela, vejo uma segunda porta, que parece seguir para um corredor. Estava bolando um plano de entrada quando sinto algo me acertar nas costas, me fazendo cair. Vejo que o que havia me acertado era uma flecha dourada, consideravelmente maior do que uma flecha comum, capaz de causar muito mais danos. Também vejo um vulto parado em cima de uma árvore ao lado de minha localização antes da queda, onde eu era um alvo fácil. A pessoa pula da árvore, caindo á minha frente, de cabeça baixa.
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