A Solidão me deu Asas.
1 Capítulo Único - A Solidão me deu Asas
Notas iniciais
Antes de ler, espero que saiba que eu fiz esse capítulo em algumas horas, quando eu tive a ideia do nada.
Eu fiz enquanto escutava Mili, não sei se deve ter influenciado em alguma coisa, se sim, aqui está:
1 - https://www.youtube.com/watch?v=pJDRv9Pn-Gc
2 - https://www.youtube.com/watch?v=p7sNIyP14X8
3 - https://www.youtube.com/watch?v=S77Dfzzyf-c
4 - https://www.youtube.com/watch?v=oHQUUAcB0io
Tanto faz a música, pode escolher qualquer um pra ler :D
Espero que gostem do capítulo.
- Hey, qual que pode ser meu nome? – Perguntou a garota para sua única amiga desde que nasceu: Boneca Melody. Logo se sentou ao seu lado e uma ventania breve, porém forte aconteceu.
Ultimamente estava acontecendo bastante isso, ventos fortes, alguns frios. Aquele pedestal em que viviam era bem mais forte do que parecia, todos os dias a garota agradecia por isto.
- Acho que um nome legal seria.... Melanie? – Perguntou para si e para a boneca ao mesmo tempo. – Isso! Um nome legal e que combina com o seu! O que acha?-
O silêncio aconteceu. O silêncio que era inevitável, novamente aconteceu. Melanie estava cansada disso, nunca tinha ouvido outra voz a não ser a sua. Quer dizer, tem a voz que ela força para ser da Boneca Melody, que é fina demais.
- Acho que você não pode responder, não é?- Perguntou, desanimada.
Estava começando a escurecer. Mais um dia que estava chegando ao fim. Ainda tinha esperanças de que sua mãe apareceria, para poder falar com ela, e também conhecê-la.
Não sabia como era sua mãe, e até pouco tempo nem sabia que tinha uma. Quer dizer, Melanie leu num livro que, para nascer, precisam de duas pessoas, e uma dessas duas é sua mãe, certo?
Logo após sentir outra rajada de vento, percebeu que já estava com sono. Pegou a Boneca Melody e a levou para seu “quarto”, que consistia em uma espécie de estante com alguns livros que havia achado no lixão, um colchão, cobertor e travesseiro. O colchão já estava em mal-estado, um pouco rasgado na parte dos pés, o cobertor tinha alguns remendos xadrez no meio do tecido rosado, e seu travesseiro, que um dia poderia ter sido branco, agora era meio marrom e meio cinza.
As paredes de uma antiga construção que agora estava em pedaços serviam de abrigo para chuva e para o frio. Tinha um furo que Melanie considerava uma janela e outro que poderia ser uma espécie de porta, que, às vezes é coberta por um papelão por causa do forte vento.
Mesmo sendo um lugar abandonado, tinha várias coisas ali. Parecia que algum ser superior colocava alguma coisa nova a cada dia ou semana, o que deixava a solitária garota mais do que contente.
Antes de se deitar, colocou Boneca Melody em cima da cama e pegou um pente (que já estava sem metade dos dentes) e penteou os curtos e alaranjados cabelos, se olhando numa parte de espelho que já estava quebrado. Depois que terminou, olhou seus olhos. Grandes e esperançosos olhos cor verde. Podia ver de longe pela janela o céu, que estava em tons de amarelo, laranja e rosa, sinalizando que o sol já havia se posto.
De novo.
Se deitou e se cobriu, logo após. Olhava para a janela, o sono já havia chegado, mas não era suficiente. Pôde ver uma estrela solitária surgir no meio do céu repleto de nuvens.
“Brilha, brilha estrelinha... Quero ver você brilhar... Faz de conta que é só minha... Só pra ti irei cantar...” Cantava a garota.
Nunca soube de onde aprendeu cantar essa e muitas outras músicas, nem de onde aprendeu a ler, só.. Sabia.
Ficava cantarolando o ritmo da música até sua voz não sair mais, pois adormeceu.
...
Melanie acordou no meio de um campo, podia sentir a grama fazer cócegas nas pernas, pois estava usando um vestido de alcinha branco. O vento refrescava o ensolarado lugar, junto com a sombra de uma árvore, que parecia ser a única alma viva além dela. O céu azul estava enfeitado com algumas nuvens brancas como leite. Se levantou e foi mais para perto do tronco da árvore que dava a sombra em que acordou. “P&A” era o que estava escrito nela, provavelmente com algum objeto pontudo. O que aquilo significava? Não fazia ideia.
Conseguiu ouvir uma voz. Uma voz que não era sua, que nunca ouviu em toda sua vida, mas que era familiar. A voz disse algo que não conseguiu compreender. Continuava persistentemente a falar algo incompreensível, por causa da distância. Melanie, curiosa, decidiu seguir a voz. Cada vez que chegava mais perto, mais alta ficava. Nunca tinha tido esta experiência antes, de ouvir alguém que não seja ela mesma, ou personagens imaginários que insistia em criar para tentar ficar menos solitária. Chegou em um momento que pôde entender que aquilo que estava sendo falado, na verdade estava sendo cantado.
“Brilha, brilha estrelinha... Quero ver você brilhar.... Faz de conta que é só minha.... Só pra ti irei cantar.....”
Melanie arregalou os olhos com a imagem que estava diante dela. Uma mulher, quase idosa, com olhos brilhantes e verdes, com algumas rugas ao redor. Seus cabelos estavam divididos entre rosa e grisalho.
- M... Mãe? – Perguntou, se levantando da cama num susto só. Seus olhos estavam marejados, parecia que algo que estava faltando nela voltou como um soco. Abraçou a Boneca Melody com todas as forças que tinha, que eram poucas, pois tinha acabado de acordar. Depois de uns 5 minutos tentando se dar conta do que acabou de acontecer, saiu de sua cama em um pulo só, e começou a procurar. Procurou por um caderno, um caderno em específico. Sabia que havia guardado em algum lugar, sempre tinha achado que aquele era o melhor presente que a força superior havia dado à ela, então havia guardado em um lugar protegido e especial. O único problema era que não lembrava que lugar que era!
Procurava que nem louca, o mais rápido possível, por todos os lugares possíveis.
Depois de algumas horas procurando, praticamente, pelo pedestal inteiro, desistiu. Pegou Boneca Melody no colo e se sentou lá fora, na esperança de se refrescar com o insistente vento que sinalizava que iria talvez, no futuro, chover. Abraçou-a carinhosamente, indignada e decepcionada com si mesma por não ter conseguido achar aquilo que esperava, até sentir algo diferente na B.M. Algo... Duro?
Começou a procurar ao redor da Boneca qualquer coisa que pudesse a abrir sem “machucá-la”. Pôde ver um zíper em baixo do braço esquerdo. O abriu rapidamente, tirando um caderno de fotografias de dentro da mesma.
“Achei...” pensou.
Colocou Boneca Melody de lado e abriu o caderno, vendo coisas que explicavam muitas coisas. Cada folha havia uma foto, e em cada foto havia uma legenda, sobre o que estava acontecendo no momento em que a foto foi tirada.
Primeira foto — Ensinando a Pô a ler, ela aprende rápido!
Segunda foto — Cantando sua música favorita: “Brilha estrelinha”!
Terceira foto — Seu primeiro presente, uma boneca! Ela disse que quer que a boneca se chame “Melody”. Belo nome, não?
Essas três fotos foram o suficiente para seus olhos se encherem d’água, quando passou a próxima página, conseguiu ver... Nenhuma foto dela, ou de sua mãe. Era uma árvore:
“Poliana & Anastasya! Espero que goste do nome Poliana, filha...”
O vento ficou mais forte de repente, Melanie ou Poliana ouviu, vagamente e de longe, “Eu te amo”, com a melhor voz do mundo, a voz de sua mãe.
A única coisa que conseguiu ver foi Boneca Melody sair quase que voando para o abismo do pedestal. Não pensou duas vezes, largou o livro de qualquer jeito e pulou, tentando cada vez ir mais e mais rápido, para conseguir alcançar sua única companhia hoje.
Depois de muito esforço, conseguiu encostar os dedos em sua nuca e em seus cabelos, os agarrando sem dó. Logo após isso, a abraçou com todas as forças impostas em seus braços e fechou fortemente os olhos, pensando que era o fim.
Não era o fim. Quando estava quase perto do chão, suas costas começaram a coçar loucamente e, de repente, pararam. Também conseguiu parar de sentir o vento forte no seu rosto, por causa da queda.
Abriu os olhos, assustada. Estava.... flutuando?
Olhou o chão, pela primeira vez, estava alguns palmos acima. Desceu lentamente e sentiu o frio do concreto. Sentiu um arrepio na espinha, logo olhando ao arredor e depois pra cima. Olhou para suas gigantes asas que pareciam de anjo.
Sacudiu-se levemente, e logo pulou, voando para cima, com certa dificuldade. Teria de se acostumar logo com isso. Foi subindo cada vez mais rápido, mas ainda sim, cambaleando para os lados. Depois de alguns segundos, chegou no pico do pedestal. Foi voando para frente para conseguir ficar em pé. Viu que o livro de fotografias parou em uma que havia uma foto dela e de sua mãe, voando dentro de casa.
“Ensinando minha filhinha a voar, tão pequena, tão ágil!”
Soltou um leve sorriso.
Ficou em pé na superfície do pedestal e começou a correr, encolheu suas asas para conseguir entrar na construção. Colocou Boneca Melody em cima da cama. Depois disso, saiu correndo novamente e pulou, desta vez, de propósito.
Enquanto caía, gargalhava como se fosse a melhor coisa do mundo, talvez seja. Abriu as asas e começou a planar. Quando chegou no chão, começou a procurar em todas as tralhas que haviam ao redor da base do pedestal. Era como se ali tivesse ocorrido uma guerra.
Primeiro achou um caderno, sem capa e sem todas as folhas, logo depois uma mesa, com a perna levemente quebrada. E depois de muito procurar, mesmo, conseguiu achar uma caneta com pouca tinta. Puxou uma cadeira que não tinha escoro, pois alguém ou alguma coisa o arrancou fora.
Começou a escrever loucamente, tudo o que havia acontecido, desde que se lembrasse. Falou sobre Boneca Melody, sobre os presentes do ser superior, tudo.
“Esta semana o Ser Superior me deu algo incrível! Muito mais incrível que as outras coisas. .... Acho que o Ser Superior é a única coisa que é viva além de mim aqui, certo? Então... Vou o apelidar de... Solidão. O que achou? Espero que tenha gostado!
Enfim.... Esta semana, como eu estava dizendo, Solidão me deu algo super legal e divertido!
A Solidão me deu Asas!”
Notas finais
Sério, por favor, comentem. Não faço ideia de como o cap está se não comentarem. Vocês podem me ajudar ♥
Espero que tenham gostado.
Se me derem licença, vou tentar dormir e descansar a dor do meu braço.
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