A Seleção de Bella Miller
29 A garotinha está com saudades do papai?
Notas iniciais

Aquela era minha mãe?
Ashley. Alguma coisa estava errada. Minha mãe se chamava Anna Milton Miller.
Não. Não, não, não.
A mulher que aparecia na foto não era minha mãe. Não podia ser. Meu pai me disse, ele disse...aquela não era minha mãe. Ele não mentiu. Ele não mentiu. Não pode ser...
― Não pode ser. ― espantei-me com a voz fraca, angustiada.
― Deve haver algo de errado, Charlie. Esta não é a mãe de Bella.
― Sinto muito, Austin, mas tudo está certo. Esta é a mulher da foto. ― disse Charlie, certamente espantado.
― Droga.
Um barulho forte soou na sala, mas não me importei. Estava em choque. Não podia ser, não podia...
― Estou procurando seu parentesc...
Charlie se calou. Austin arregalou os olhos ao analisar a tela. Me direcionei a mesma, tentando ler as palavras em vermelho estalico que a tela fornecia.
Duas fichas a preenchiam, a primeira com as coisas fundamentais: Nome; cidade; sexo... Mas não foi isso que mais me chamou a atenção e sim a segunda ficha:
Ficha de Notificação de óbito.
Nome: Ashley Hayles.
Residência: Não encontrado.
Sexo: Feminino.
Data do óbito: 27/11/2000
Deus! O mesmo dia do meu nascimento.
Local do óbito: Não encontrado.
Qual a causa da morte: Após ter um parto precário.
― Austin o que está acontecendo? ― perguntei, sentindo minha voz fraquejar.
Seja forte, Bella. Seja forte...Você consegue, você consegue...
― Procure informações, deve haver alguma coisa, Charlie. ― Gritou Austin.
― Não há nada, nada. Essa mulher está morta, ela morreu. Não tem nada aqui.
― E a criança? Deve haver alguma coisa! ― protestei.
― Não há nada. Nenhuma informação.
Senti uma lagrima escorrer, não era possível. Como não havia nada. Tem que haver, eu preciso, eu preciso saber...
― Droga ― esbravejou Austin, ele estava irritado ― Temos que ir, os guardas vão acordar.
A cena a seguir passou em câmera lenta. Meus olhos se focavam na mulher de aparência jovem, uns dezenove anos. Havia semelhanças entre nós. Muita.
Senti Austin me chacoalhando e gritando comigo. Não prestava atenção em nada, apenas na mulher. Ela era a minha mãe? Quem era aquela mulher? Ela estava morta? Ela me abandonou.
Não. Não, não, não.
Ela não poderia ser minha mãe, ela está morta. Sua filha está morta, não? E, e, eu estou viva, certo? Eu não conseguia. Não conseguia, não conseguia.
Tudo estava desmoronando. Meu mundo estava se partindo...Minha mãe havia morrido no meu parto, eu a matei, eu a matei... Eu não poderia ter matado aquela mulher, certo? Ela era tão bonita, como alguém pode ter á matado. Porque a matariam. Eu a matei? Eu matei uma pessoa. Deus, eu sou uma assassina. Eu matei. Eu matei minha mamãe...
Porque fiz isso? Eu sou má. Pessoas más devem ser punidas. Talvez, a vida esteja me punindo, certo?
Não conseguia, não conseguia. Não aguentava mais... O certo e o errado, a Terra e o Céu, o Sol e a Lua não faziam mas sentindo. Não para mim.
― Ela está em choque.
― Meu Deus, Bella. Fala comigo. Bella.
― Austin, precisamos ir.
― Ela não está respirando, precisamos de ajuda.
― Precisamos sair daqui.
As vozes iam e se tornando distantes, assim como o ar que respirava. Minha cabeça girava, girava e girava. A única coisa que enxergava era os cabelos claros, os olhos azulados e a face de anjo da moça. Ela era minha mãe? Sim ou não? Eu a matei. Sim ou não?
Sim.
Sim.
Sim.
Você a matou. Você deveria morrer. Morrer como a mulher inocente constada na ficha. Morrer, sim ou não?
Sim ou não?
Sim ou não?
Senti meus pés saírem do chão. Uma melodia calma e lenta tocava...apenas para mim... Eu a matei. Como pude?
Eu era uma criança, certo? Não sabia o que estava fazendo, não é? Então não a matei, não proporcionalmente. Não, não, você nunca faria isso, Bella.
Ou faria?
Confuso, confuso, confuso. Tudo era confuso demais.
― Austin, não temos tempo.
― Ela está morrendo, Thomas. Meu Deus.
― Charlie, corra. Não vire para trás apenas corra.
― Mas...Eu não posso, quero ajudar.
― Não, dude. Corra, não quero você metido nisto.
Era a voz de Austin e Thomas, certo? Os guardas. Eles estavam fugindo, certo? Eu estava morrendo.
Sim ou não?
Eu deveria morrer.
Sim ou não?
― Saia daqui, Thomas. Eu cuido de tudo.
― Não. Não vou te abandonar.
― Eu não vou deixa-lá morrer. Droga, garota. O que há de errado com você?
O que havia de errado comigo?
Eu era fraca?
Sim ou não? Sim ou não?
― Tem um abrigo, não fica muito longe daqui.
― Acha que ela aguenta?
― Ela tem que ser forte.
― Bella.
Austin?
― Me escuta, anjo. Eu sei que é difícil, seu mundo está desmoronando. Mais eu estou aqui, estou com você, você é forte.
Sou?
Sim ou não?
Sim ou não?
Sim ou nã...
P.O.V Austin
Meu Deus, aquela garota me deixava louco. De uma hora para outra, ela começa tremer, falar coisas sem sentindo. Céus!
Seus olhos azulados estavam fechados. Apenas seus lábios se movimentavam freneticamente.
Sim ou não. Sim ou não, sim ou não...
O que significava aquilo? Ela só podia ser maluca. Meu Deus estava ficando desesperado. Ela estava ficando gélida, sua respiração era pesada e a única evidencia dela ainda estar acordada era aquelas palavras. Sim ou não.
Virei-me para trás, certificando-me de que Charlie estivesse longe e seguro, peguei novamente Bella em meus braços, segui Thomas até o abrigo. Não era muito longe de forma que já estávamos no mesmo. Coloquei a loura em uma das poucas macas em que abrigavam o cômodo. Ela não sussurrava mais as palavras, o que me deixava preocupado. Ela não estava morta, certo? Meu Deus, ela estava bem, estávamos pesquisando por aquela mulher. Estava tudo indo bem. Mas depois que Bella viu que a mulher se encontrava morta com a filha que certamente teria, ela simplesmente surtou.
Começou a falar coisas sem sentido como: Eu a matei. Eu a matei. Deveria ter morrido. Sim ou não.
Havia alguma coisa...Bella me escondia um grande segredo.
E iria descobrir...
P.O.V Anônimo
Servi-me com a quinta garrafa de licor. O gosto era ruim, mas não me importava. A única coisa que conseguia pensar era naquela maldita. Deveria tê-la matado enquanto tinha tempo, ela a matou e deveria ser punida. Se não fosse por aquela promessa idiota...
Olhei novamente para o porta-retrato que se encontrava há minha mesa. Lembrava perfeitamente dela. Do seu sorriso, da sua voz, da sua pele...
Nós éramos felizes. Tudo estava perfeito. Mas aquele serzinho tinha que nascer, tinha que a levar de mim. Eu iria acabar com ela, com todos...
― Pai? ― ouvi aquela voz irritante. Desgraça, outra para me atazanar.
― O que foi? ― não me importei em ser rude.
― Tenho novidades.
Virei-me, encarando a mulher lígnea a minha frente. Ela havia crescido, estava bonita... Talvez, mais tarde ela sirva para alguma coisa.
― Daqui alguns dias será o carnaval.
Franzi a testa. Aquela garota só podia ser burra. Me incomodar para aquilo...Há...Mas ela receberia boas palmadas...
― E o que tenho a ver com isso? ― senti ela tremer, eu gostava daquilo. Que tivessem medo de mim.
― Err...Han...Os familiares serão convidados para passarem a ocasião junto as selecionadas.
Interessante...
― E deixa eu adivinhar: A garotinha está com saudades do papai?
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