A Seleção-Novo Mundo
17 Capítulo 17
Notas iniciais
– Mas você e o Forrest estão tentando? – Kendra perguntou. Beberiquei um pouco do chá que estava pelando e queimei minha língua.
– Bom, não que tivéssemos escolhas, mas sim, eu diria que queremos ter um filho. – Kyla disse.
Estávamos tomando nosso costumeiro chá da tarde nos jardins, e Kendra finalmente havia se juntado a nos, mais pelos apelos de Elijah do que por outra coisa, mas nós estamos nos dando bem até agora, pelo menos. As duas começaram a falar sobre como os casamentos ia indo então de repente o tal “vocês querem filhos” chegou.
Desde a ultima carta que eu havia recebido eu estive muito aflita, tão absorta em pensamentos que as pessoas vinham chamando muito a minha atenção, inclusive Damien. Loras não me ligou desde aquele dia, e também não retornou nenhuma das minhas ligações. Eu também tinha me dado a liberdade de perguntar sobre de quem eram as cartas, mas as cartas não continham um remetente, e todo o pessoal da administração dos correios levou uma bronca, pois era inadmissível uma princesa receber cartas desse tipo. Eu também pensei que as cartas iriam parar de vir, mas um bilhete, tão discreto que eu quase não havia percebido com os dizeres “você ainda não foi esquecida” me fez perceber que eles não iriam me deixar em paz tão cedo.
– Lauren!- Kendra disse alto. Sacudi a cabeça. Elas estavam falando comigo?
– Me desculpe você pode repetir a pergunta? – eu murmurei, pegando alguns docinhos, de modo que eu não olhasse nos olhos delas.
– Você e Damien querem filhos? – Kyla disse. Aproveitei os instantes em que estava mastigando para pensar em uma boa resposta.
– Mas é claro que sim, o quanto antes eles virem melhor, certo? Mas eu quero viver um pouco afastada do palácio, só enquanto meus filhos forem jovens. – disse. Kendra franziu o cenho e olhou para Kyla, que estava de queixo caído.
– Mas por que você iria querer viver afastado do palácio? E, aliás, eu acho que você não pode fazer isso. – Kendra disse, elevando um pouco a voz. Notei que Kendra tinha uma voz de soprano, parecia que ela cantava enquanto falava. Uma voz doce de se ouvir.
– Ca entre nós, esse lugar é serio demais para crianças. – me levantei da cadeira e alisei a saia – Agora se vocês me dêem licença eu vou ver o que Damien está fazendo. – Girei nos calcanhares e sai dali antes que elas pudessem dizer alguma coisa.
Entrei no palácio e logo estava procurando Damien. Eu sabia que ele deveria estar no escritório à uma hora dessas, mas sabia que ele deixaria o escritório para ficar comigo. Segui pelos corredores até o grande salão do pequeno conselho e encontrei a secretaria de Damien.
– Mande chamar Vossa Alteza, o príncipe Damien. Diga que sua esposa o aguarda. – disse com plena convicção. Ela assentiu – meio desajeitada – então se retirou. Soltei um suspiro então me sentei no sofá, pegando uma revista que estava sobre a mesinha de centro. Abri a primeira pagina e lá estava um bilhete branco, o mesmo tipo de papel das cartas.
Odeio ser insistente, mas você está sendo impertinente.
Quero ter resulto minha cara Lauren, e você não o está me dando.
Peça um filho e ele o dará, você sabe disso.
Mais um bilhete, ótimo. A secretaria voltou, com certo Damien atrás dela que estava todo descabelado. Ele parecia exausto, e quando me viu sentada no sofá simplesmente se jogou no sofá, deitando a cabeça em meu colo.
– Há meu deus, você está bem? – perguntei preocupada.
– Lauren, tudo começou com o que eu deveria fazer com um cara que estuprou uma prostituta. Agora eles querem colocar guardas das cidades em frente aos puteros, que ALIÁS, são ilegais. – ele disse. Segurei-me para não rir.
– E por que você está assim?
– Porque o meu pai disse que se o Audrey estivesse aqui ele iria concordar, e também porque ele não pode mais impor leis se eu não concordar com elas. – ele disse com os olhos baixos. Voltamos a este mesmo assunto delicado, que eu ainda pretendia adiar.
– Você será rei, ele tem que se acostumar com isso. – sussurrei, pois sabia que os ouvidos atentos da secretaria estavam sobre nós dois. Damien assentiu e então se levantou, se sentando ao meu lado. Ele ergueu os olhos cor do céu para mim, meio confuso.
– Mas você ainda não me disse o que está fazendo aqui. Aconteceu alguma coisa?
– Eu preciso de motivos para ver o meu marido? – arquei uma das sobrancelhas – Mas não aconteceu nada, só queria conversar sobre um assunto.
– Que assunto? – ele indagou. Reprimi os lábios e olhei para a secretaria, que tirou os olhos de nós no exato momento em que olhei para ela.
– Podemos ir para outro lugar? – pedi em quase suplica. Ele engoliu em seco, preocupado. Olhou para a secretaria e afrouxou um pouco a gravata vermelha.
– Avise ao meu pai que tenho que resolver certos assuntos, e que se precisar de mim estarei nos jardins da frente. – Damien disse para a secretaria. Ela assentiu e anotou o recado em um papel amarelo. Jardins da frente?
Damien e eu nos levantamos e seguimos em direção para a saída, e logo estávamos nos corredores principais, mas ao invés de descermos as escadas para a entrada dos jardins, subimos para o corredor dos príncipes e então chegamos ao seu quarto. Ele abriu a porta, me dando passagem. Entrei e logo me sentei em sua poltrona, me aquecendo com a lareira, que só agora havia percebido que tínhamos se esquecido de apagá-la de manha e que ninguém a apagou depois.
– Por que você disse que estaríamos nos jardins da frente? – perguntei, franzindo o cenho. Damien passou pela porta e a fechou, logo se sentando na poltrona ao meu lado.
– Porque eu não quero que eles saibam onde estamos e os jardins da frente são maiores, nos dariam mais tempo. Mas voltando ao motivo principal, sobre o que você quer conversar? – ele disse de uma forma... Estranha, não de um jeito maníaco, mas preocupado, um tom que ele nunca usara comigo antes.
Damien havia mudado muitos de uns tempos para cá. Comparado com o Damien que me expulsou do estábulo, tocou em meus seios quando ainda não éramos casados, que poupo minha honra até ser necessário, que me fez promessas de amor... Que me amava e queria que eu o amasse... Damien tinha evoluído, ele aprendeu a ouvir e sentir pelos outros. Agora eu tinha certeza que Damien não era um maníaco como eu pensava, ele só estava assustado, assim como eu estava. Agora eu sei que ele vai passar por tudo... Ou quase junto a mim. Agora é o momento.
– Damien o que você acha sobre filhos? – eu disse. Damien olhou fixo para o chão, apoiando os cotovelos nos joelhos e passando a mãos nos fios de cabelo, como se ele fosse arrancá-los. Tive a impressão que seus lábios formaram um palavrão.
– Você está grávida? – ele perguntou, ainda olhando fixo para o chão. Engoli em seco, não sabia como pedir isso a ele.
– Não, mas... – pigarreei – Mas eu... Eu... – eu estava perdida. Ele olhou aos poucos para mim, com os cotovelos ainda apoiados nos joelhos. Sua franja caia um pouco sobre os olhos.
– Basta pedir Lauren, e eu lhe darei o que quiser. – ele disse em derrota. Não gostei como soou, estava dando para trás quando a carta rebelde surgiu no fundo da minha mente, ameaçando sair caso eu não falasse as palavras necessárias.
– Eu quero ter um filho Damien. – sussurrei, pois a vergonha falhava minha voz. Olhei de soslaio para ele, que tinha o rosto entre as mãos. Ele então puxou o cabelo para trás e se levantou. Eu me levantei logo em seguida e ele foi para trás de mim, abrindo o zíper do vestido. Perdi o ar.
– O que está fazendo?
– Não é como se você fosse virgem, acalme-se. – ele murmurou.
– Mas por que agora... – eu disse, mas Damien interrompeu minha fala me beijando. Seu beijo me deixava tonta, me fazia delirar. Ele era minha droga, minha heroína. Mas drogas -como minha sabia mãe sempre dizia- fazem mal.
– Você pediu um filho, e eu estou dando um a você. – ele sussurrou em meus lábios.
Ele então tirou todo o meu vestido, então minha roupa intima e logo eu estava nua. Ajudei a tirar seu terno e sua roupa, e rapidamente nossas roupas estavam jogadas no chão.
Ele pegou minha mão e me levou gentilmente para a cama. Deitei-me na cama e ele subiu em cima de mim, ainda me beijando. Separou minhas pernas e colocou seu membro dentro de mim, com o movimento continuo de “para frente e para trás”.
Suspirava em sua orelha, e penso que isso só o deixava mais excitado, pois ele ia mais rápido, com mais força... Ah!
– PELOS CEUS! EU VOU GOZAR! – ele gritou em minha orelha, enquanto nossos gemidos ficavam altos e mais altos. Meus joelhos já chegavam até o meu queixo do jeito que ele fazia força, e minhas mãos se descontrolavam em seus cabelos, até que desci uma mão e arranhei suas costas, e nesse exato momento, atingimos nosso auge.
Ele ficou em cima de mim por um estante, enquanto recuperávamos o fôlego, então ele se deitou ao meu lado, fazendo desenhos com os dedos em meus seios. Eu estava à vontade, a vergonha que eu tinha antes já passara há algum tempo, não que o instinto de me cobrir todas as vezes que ele me olhava tivesse passado, mas pelo menos eu não ficava mais ruborizada todas as vezes que ele olhava para mim.
Ele então me puxou para os seus braços e me beijou novamente. Experimentei passar a ponta da língua em seus lábios, sentir seu sabor, sua maciez... E logo ele estava em cima de mim novamente.
– Mas que energia! – eu disse, enquanto mordiscava a ponta de sua orelha. Ele ficou todo arrepiado com as mordidas, mas riu do mesmo jeito.
– Não estava pensando em mim, para falar a verdade. – ele disse ainda rindo. Franzi o cenho.
– Como assim? – perguntei, parando de beijar sua clavícula. Ele me olhou com olhos intensos, e então beijou minha clavícula,e foi descendo, beijando meus seios, minha barriga, minha cintura... Até que chegou entre minhas pernas.
– Ah! – suspirei, fazendo nós em seu cabelo. Ele então colocou dois dedos dentro de mim, enquanto continuava com a língua em meu clitóris.
Suspirava, gemia, me descontrolava. Aquilo era uma tortura, mas a melhor delas, e por fim, cheguei ao meu auge, arfando, meu corpo todo tremendo.
– Acho que descobri seu fraco. – Damien murmurou, se deitando ao meu lado novamente.
– Isso foi maldade.
– Você adorou! – ele disse, rindo consigo mesmo. Bufei, mas logo lhe dei um beijo seco nos lábios.
Se bebês são feitos assim, quero ter um monte deles.
ﻼ
– Vossa Alteza? Vossa Alteza está bem? – disse uma voz grossa de mulher, senti suas mãos sacudindo meus ombros levemente. Estiquei os braços preguiçosamente, bocejando alto. Quando foi que eu dormi?
Abri os olhos e lá estavam minhas criadas, me olhando preocupadamente. Olhei para baixo e vi que estava nua, só com os lençóis para me proteger da nudez absoluta. Eu devo ter adormecido e Damien deve ter voltado para a reunião.
– O que houve? – perguntei com a voz fraca, ainda sonolenta. A mulher que estava me acordando deu um sorriso amarelo, me entregando uma carta. Prendi a respiração, o choque provavelmente evidente. Será mais uma carta rebelde?
– De... De... – pigarreei – Quem mando está carta? – gaguejei, segurando a carta entre os dedos, com medo de abrir e seja uma bomba.
– É de sua mãe! O mensageiro diz que é com urgência que você receba a carta... – ela disse, ruborizando um pouco ao olhar para o meu peito nu. Peguei os lençóis e os apertei junto a mim, abrindo a carta com um sorriso besta no rosto.
Minha querida filha, como está?
Sinto muito não termos te escrito nada em todo esse tempo, mas você também não nos deu sinal de vida, e... MIL DESCULPAS POR NÃO TERmos COMPARECIDO AO SEU CASAMENTO!
Loras me contou que você estava linda, que seu vestido era o mais lindo de todos, que todos invejaram você naquela noite, homens e mulheres.
Eu o repreendi, pois você SEMPRE está linda, minha bênção.
Não vou negar que foram tempos difíceis esses sem você, eu e sua irmã adoecemos, e seu pai... Bom, prefiro não comentar. Ainda bem que tenho meu Loras para tomar conta de mim e de Zuzette, mesmo que ele tenha roubado para conseguir nossos remédios.
Mas agora vamos falar sobre você. Como você está minha filha? Como é o meu genro? Ele é bom para você? Conte-me sobre seus sogros, seus cunhados e cunhadas, sobre a vida no palácio...
Zuzette está te mandando um beijo, e diz que está morrendo de saudades, e que espera te ver logo. Aliás, todas nós esperamos te ver logo, e bem!
Bom querida, vou parar por aqui, se não vou escrever um livro inteiro! Saiba que eu te amo muito minha preciosa, que você e seus irmãos são tudo para mim, que por vocês eu morria, matava, mentia... Eu venderia minha alma só para ver vocês bem.
Me escreve logo!
Com amor, Mamãe.
Deixei cair a carta entre minhas mãos, que tremiam. As lagrimas rolavam pelas minhas bochechas. Mamãe! Como sinto sua falta! Sinto falta de seu abraço, de seu carinho, no cafuné que fazia em meu cabelo...
– Oh minha princesa, não chore! O que houve? – disse uma criada, que secava minhas lagrimas com um lencinho que havia tirado do bolso. Afastei sua mão e passei as costas de minha mão em meus olhos, secando as lagrimas.
– Não é nada, só sinto a falta que minha mãe faz! – eu balbuciei em lagrimas, deixando a criado me envolver em seus braços, enquanto ela fazia cafunés na minha cabeça.
– Se acalme minha princesa, tenho certeza de que vocês se encontraram logo! – ela disse, tentando soar a voz grossa calma, mas sem sucesso.
A porta então se abriu, e Damien entrou no quarto, carregando um monte de livros nos braços. Sua expressão alegre e relaxada logo se alterou quando me viu no estado em que me encontrava, chorando no colo de uma serviçal. Largou os livros na mesinha de canto e veio correndo até mim, pegando minha mão.
– O que houve Lauren? – quis saber, afagando minha mão com o polegar. Dei a carta a ele, e me sentei, limpando as lagrimas.
– Eu quero a minha mãe, Damien! – eu choraminguei me atirando em seus braços. Ele me segurou com força, afagando meu cabelo, e com um gesto pediu para que as criadas se retirassem. Quando ouviu a porta bater ele olhou para mim.
– Você pode visitar sua mãe, Lauren, é só me dizer quando que agendamos um horário no jato.
Sacudi a cabeça. Não é isso o que quero.
– Eu a quero vivendo aqui comigo, na corte. Alguns familiares das outras princesas também moram na corte. Eu também quero a minha família aqui. Quero minha mãe, Zuzette e Loras aqui, comigo!
Damien assentiu, mas então olhou para o chão, procurando palavras. Ele se levantou e começou a caminhar de um lado para outro, passando as mãos no cabelo com tanta força que pensei que fosse arrancá-los. Levantei-me da cama e vesti meu robe, dando um nó apertado. Caminhei até ele e o parei, encostando gentilmente em seus braços.
– Damien, qual o problema? – perguntei, olhando em seus olhos seriamente. Ele olhou para minha mãe em seu braço e deu um longo suspiro, então voltou o olhar para o meu.
– Lauren, seus familiares não podem fazer parte da corte.
– Como assim, Damien?! – falei mais alto. Pensei que ele fosse se retrair com o meu tom de voz, mas isso só o deixou mais confiante no que dizia. Agarrei o seu braço e o sacudi, esperando por uma resposta. Ele puxou o braço para si, quase me derrubando.
– Hei! – gritei. Ele pegou meu queixo entre as mãos, segurando firme e me fazendo olhar dolorosamente para ele.
– Nunca mais faça isso, Lauren, ou então as coisas ficaram feias. – ele disse ameaçadoramente, me fazendo recuar um passo. Damien maníaco deu as caras. Tentei soltar suas mãos de mim, mas isso só o fez apertar ainda mais meu maxilar.
– A corte no Reino do Sul foi feita especialmente para pessoas de alto padrão do Sul. Nem como hospedes seus familiares poderiam ficar aqui. O que falam sobre os nortenhos serem selvagens é pura verdade, e seu irmão é o perfeito exemplo disso! Você acha mesmo que vou trazer o seu irmão, um ex-presidiário, para a minha corte? Ou a sua mãe e sua irmã, que já foram contaminadas pela peste do porco, você acha que elas seriam aceitas na corte? Sem falar no péssimo exemplo de pai que você tem. Você acha que as pessoas não comentariam?
– Você não pode fazer isso.... – choraminguei – Você não pode fazer isso comigo!
Damien arqueou uma sobrancelha, parecendo perplexo.
– Eu não posso fazer o que com você? Eu estou te poupando de toda a humilhação que você causou para si mesma, e de toda a humilhação que isso a causaria. Todos os seus atos impertinentes são comentados em todo o castelo, tanto que a palavra divórcio já passou na boca de muitos que aqui moram, pessoas importantes! Eu não posso te apresentar a eles por causa de sua reputação por ser irmã de um ex-presidiário. Você deveria me agradecer tudo o que eu faço é por você. – ele disse, beijando minha boca contra a minha vontade. Eu agarrava seus pulsos e tentava o afastar de mim, mas minha força comparada a dele era inigualável
– Me larga! – gritei, ainda chorando – Olhe o que você acaba de me dizer. Se você faz tudo por mim, então por que me deixa tão triste?! Você tem vergonha de mim! Eu ainda não tenho a mínima idéia do por que você me escolheu, já que você nunca iria me aceitar, e nem aceitar a minha família! EU SOU UMA SELVAGEM COMO VOCE DISSE! – gritei para ele, agora mais forte, olhando mais fundo em seus olhos. Ele finalmente soltou meu queixo, se afastando um pouco de mim. Estava arfando, meu rosto manchado por lagrimas.
A agonia só crescia dentro de mim, e ela parecia só aumentar. Damien deu um passo em minha direção, então levantei a minha mão e lhe dei um tapa em seu rosto que fez um estalo enorme, que preencheu todo o silencio do quarto, com certeza o mais forte que já tinha dado em toda a minha vida. Mais forte que todos os tapas que tinha recebido ou dado durante o exercito. E foi só quando Damien me olhou, com sua mão pressionando o lado do rosto onde eu havia batido, com os olhos cheios de fúria, que me toquei no que tinha acabado de fazer... De novo.
– Me desculpa! – eu chorei, mas já era tarde. Damien levantou a mão e deu um tapa em minha face tão forte que me fez cair no chão, arfando e berrando de tanto chorar.
– VOCÊ ULTRAPASSOU DE TODOS OS LIMITES, LAUREN! – ele berrou, me fazendo me encolher ainda mais. Ele caminhou a passos duros até a porta, quando abriu a porta parou entre a soleira, me olhando, esperando que eu dissesse algo. Aos poucos fui levantando a cabeça até conseguir olhar em seus olhos.
– Eu odeio você. E esse é o único sentimento verdadeiro, puro e real que eu sempre terei por você. Você conseguiu. – sussurrei quase doentiamente. Ele olhou para mim e depois olhou para as mãos, engolindo em seco.
– Nunca mais me desrespeite, Lauren. Nunca mais. Isso o que acabei de lhe dar se chama piedade, e é melhor você aprender a usufruir dela, pois tudo o que você receberá de mim será piedade para não fazer pior do que eu acabei de fazer. Boa noite. – disse e fechou a porta, então ele se foi, e eu estava sozinha. Olhei para as minhas mãos, ainda tremendo, meu rosto banhado pelas lagrimas.
Agachei-me até ficar com a testa no chão, e depois voltei à cabeça para a porta.
– EU AMO VOCE SEU IMBECIL! – solucei – EU SEMPRE TE AMAREI! – berrei, e logo cai em choro, deixando que cada pedaço de mim fosse absorvido pela desgraça... Até que por fim o sono me atingiu.
Céus levem minha alma, meu corpo já não agüenta mais o peso dela
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