A Seleção da Beauxbatons
2 A Preparação
Diretora: Madame Olímpia Maxime
(Ordem de Merlin Primeira Classe, Membro da Confederação Internacional de Bruxos)
Temos o prazer de lhe informar que tens uma vaga na Academia de Magia de Beauxbatons. Estamos anexando uma lista dos livros e equipamentos que serão necessários para o seu ano letivo, que começará no dia 1° de setembro. Aguardamos sua coruja até o dia 31 de julho, no mais tardar.
Atenciosamente,
Agnès Tellier,
V.D.
Lista de Materiais:
Livros:
—Livro Padrão de Feitiços (1ª Série), Autora: Miranda Goshwak
—História da Magia, Autora: Batilda Bagshot
—Não Ande... Voe, Autor: Janice Waffling
—Guia de Transfiguração para Iniciantes, Autor: Emerico Switch
—Mil Ervas e Fungos Mágicos, Autora: Fílida Spore
—Bebidas e Poções Mágicas, Autor: Arsênio Jigger
—As forças das Trevas: Um Guia de Auto-Proteção, Autor: Quintino Trimble
—L'étiquette est la beauté, Autora: Olímpia Maxime
Uniforme:
— Três conjuntos de vestes de seda (azul)
— Um chapéu de veludo (azul) para uso apenas feminino
— Um par de luvas protetoras (couro de dragão ou similar)
— Uma capa de inverno (azul com fechos brancos)
— As roupas do aluno devem ter etiquetas com seu nome.
Outros equipamentos:
— 1 varinha mágica
— 1 caldeirão (estanho, tamanho número 2)
— 1 conjunto de frascos
— 1 telescópio
— 1 balança de latão
— Os alunos podem ainda trazer uma coruja, um gato ou um sapo."
A carta de aceitação de Hydra escrita em Francês estava aberta em sua cama, ele se preparava guardando dentro de um malão encantado o que iria querer levar consigo daquela casa para a nova escola.
— Nós vamos para o Beco Diagonal hoje comprar a sua varinha, eu fiz reservas em um hotel bruxo de qualidade em Paris, vamos amanhã, dia 31, para comprar seus livros e demais materiais, uniforme, etc. Lá compramos os livros em francês e você começa a se ambientar. – Disse Narcisa, ainda muito chorosa quando falava sobre a Beauxbatons.
— E como vamos para lá, mamãe? – Perguntou Hydra animada.
— Chave de portal no Ministério, vamos nós duas, de Paris aparentemente você pega uma das carruagens mágicas até o castelo, elas ficam em um campo vazio, longe dos trouxas...
— Que interessante, mal posso esperar! – Hydra mal aguentava de tanta excitação. – Você já viu os uniformes? São lindos!
— Sim, sim, são bonitos realmente pelas fotos nos livros... – Narcisa saiu do quarto ainda parecendo nervosa.
— Hydra, amanhã você vai embora? – Perguntou o pequeno menino louro entrando correndo em seu quarto.
— Vou Draco, mas a gente pode se escrever, você já lê e escreve muito bem, não? – Disse Hydra sorrindo.
— Sim, mas eu vou sentir a sua falta... – Disse o rapazinho quase chorando.
— Eu também de você meu pequeno,.promete que vai me esperar voltar? – Perguntou Hydra que agora o abraçava.
— Prometo... Agora me larga, vamos brincar comigo? – Perguntou Draco animadamente, com os olhinhos cinzas brilhando.
— Vamos, o que você quer fazer? – Perguntou Hydra, já saudosa do irmão.
— Correr com os avestruzes do jardim! – Disse ele.
— Vamos então...
Draco era no geral uma criança muito triste, era quieto, não fazia quase nada que pudesse incomodar os pais, era meio solitário, exceto quando estava com Hydra, eram os momentos que Draco era verdadeiramente uma criança, isso quando seu pai não parava os dois porque não queria a influência de Hydra no filho querido dele ou porque estavam fazendo muito barulho.
Hydra brincou com Draco e os pavões por algumas horas no jardim, não ficava mais tão entretida quanto ele com a brincadeira, mas gostava de deixar o irmão feliz. Ela reclamava de Draco ser solitário, mas ela era igualmente solitária, não tinha amigos da sua idade, não mais... Não saia muito de casa a não ser para eventos com os pais e vivia sob constante pânico de ser machucada pelo seu pai, não teve uma infância feliz, nem Draco, a dela só foi mais dolorosa já que Lúcio nunca maltratara o filho, Hydra agora esperava que a segunda etapa de sua vida fosse melhor do que a primeira e que seu irmão também pudesse ter essa oportunidade mais tarde.
— Mestre Hydra, a Mestre Narcisa ordena que entre para se arrumar. – Disse o pequeno elfo, se alguém vivia mais amedrontado naquela casa do que ela, aquele era Dobby.
— Dobby, eu vou sentir a sua falta. – Disse Hydra de forma espontânea antes de entrar, fazendo o pequeno elfo sorrir de forma como ela nunca tinha visto antes.
— Dobby também sentira falta da Mestra Hydra. – Disse ele ainda sorridente.
Anos antes, quando Hydra viveu seu pior pesadelo dentro daquela casa, quando ficou sozinha e com medo, era Dobby quem ia até ela com uma ou outra palavra de conforto que podia dar sem trair seus mestres, ela nunca esquecera disso.
Hydra entrou em casa junto com Draco, deixando o menino em seu quarto e foi tomar um banho e se arrumar para sair com sua mãe.
Dobby voltou enquanto Hydra se arrumava para anunciar que Narcisa esperava na sala.
— Dobby, o que você acha, com essas vestes dá para ver alguma marca? – Perguntou Hydra sobre a veste rosa de um tecido tipo seda que usava.
— Não, Mestre Hydra, nenhuma... – Disse o elfo.
— Ótimo, melhor assim... – Pensou ela em voz alta – Obrigada Dobby, eu já estou indo.
— Talvez seja melhor assim, Mestre Hydra. – Disse o elfo com dificuldade.
— Talvez o que seja melhor? – Perguntou Hydra.
— Que a Mestre Hydra fique longe desse lugar e dele... – Disse ele correndo, Hydra queria correr atrás dele, sabia que ele provavelmente iria se machucar por ter "falado mal" de sua família, mas ele foi bem mais rápido do que ela, escapando sem que ela o achasse depois, Hydra procurou até não poder mais.
— Hydra, aí está você, vamos logo antes que escureça – Reclamou Narcisa, vindo ao seu encontro no corredor.
— Vamos mamãe, estou pronta... – Disse Hydra.
As duas foram até uma das salas da casa, aonde Hydra estava na noite anterior para fazer a viagem por pó de flu até o Beco Diagonal.
— Tome Hydra; – Disse ela entregando o pó para a filha. – Deixe cair quando estiver dentro da lareira e diga "beco diagonal".
— Ok... – Disse Hydra, fazendo o que Narcisa pediu e depois de ser rodeada por um fogo verde brilhante, se sentiu girando e enjoada até ver que estava na lareira aonde deveria sair.
— Senhorita Malfoy. – Disse um bruxo com a aparência meio assustadora e cabelos brancos.
— Ah, oi senhor Alfredo, mamãe está vindo comigo. – Disse Hydra para o bruxo que já conhecia, um dos colegas de seu pai.
Em pouco tempo, Narcisa surgiu ao seu lado, saindo da lareira.
— Alfredo, como vai? – Perguntou Narcisa pomposa ajeitando e tirando o pó da sua veste preta com detalhes em prata.
— Bem senhora Malfoy e a senhora? – Perguntou o bruxo também pomposo.
— Muito bem também, vamos Hydra? Precisamos ir no Olivaras...
— A clara, a jovem senhorita Malfoy fez 11 anos, hora de ir para Hogwarts sem dúvidas. – Disse o bruxo simpaticamente.
— Vamos Hydra? – Interrompeu Narcisa e Hydra se despediu do bruxo e deixou a loja com Narcisa.
O Beco Diagonal estava cheio de alunos de Hogwarts e seus pais, a todo tempo, Hydra só pensava o quanto estava feliz de ir para longe e de não ter nenhuma daquelas pessoas a julgando por ser uma Malfoy.
Hydra e Narcisa passaram pela multidão, sua mãe sempre parando para cumprimentar uma pessoa ou outra e foram direto até a loja "Olivaras", para que Hydra comprasse a sua primeira varinha, ela estava feliz com a novidade.
A loja era estreita e meio feia. Letras de ouro descascadas sobre a porta diziam "Olivaras Artesãos de Varinhas de Qualidade desde 382 A.C." Havia uma única varinha sobre uma almofada púrpura desbotada, na vitrine. Um sininho tocou no fundo da loja quando eles entraram. A loja era muito pequena e vazia, exceto por uma única cadeira alta, a loja no entanto parecia ter um ar mágico e encantado que arrepiava Hydra.
— Boa tarde. — disse a voz de um homem – Senhorita Malfoy, não?
— Sim, senhor Olivaras, essa é minha filha mais velha. – Disse Narcisa orgulhosa exibindo a menina.
— Bem, bem, veio escolher sua varinha, certo? Está na hora, sim, está, imaginei que pudesse talvez usar uma varinha antiga da família Malfoy como seu pai, bela varinha, feita a mais de mil anos atrás, núcleo de fibra de coração de dragão, cerca de 33 centímetros, madeira de castanheira, inflexível, uma bela varinha sim.
— Infelizmente não tínhamos nenhuma dessas sobrando, mas Lúcio pretende deixar a sua com os filhos dela ou de Draco um dia. – Disse Narcisa mentindo, já que Hydra duvidava muito que um dia seu pai fosse dar a sua varinha para um filho dela, já de Draco, realmente talvez acontecesse.
— Talvez puxe a senhora Malfoy, madeira de pinheiro, cerca de 30 centímetros, madeira de macieira, núcleo de pelo de unicórnio, flexível, muito boa e bela.
— Poxa, o senhor se lembra de tudo isso? – Perguntou Hydra surpresa para o senhorzinho que sorriu.
— Eu nunca esqueço minha filha, cada varinha é única e eu lembro de cada uma que vendi. – Disse o bruxo.
— Que legal! – Exclamou Hydra.
— Bom agora, Srta. Malfoy, vamos ver qual será a sua. — E tirou uma longa fita métrica com números prateados do bolso. — Qual é o braço da varinha?
— O direito. – Disse Hydra esticando o braço.
Ele mediu Hydra do ombro ao dedo, depois do pulso ao cotovelo, do ombro ao chão, do joelho à axila e ao redor da cabeça. Enquanto media, falava:
— Toda varinha fabricada em nossa loja tem o miolo feito de uma poderosa substância mágica, como a senhorita deve bem saber. Usamos pelos de unicórnio, penas de cauda de fênix e cordas de coração de dragão. Não há duas varinhas Olivaras como não há unicórnios, dragões nem fênix iguais. E é claro, com outra varinha os resultados não serão tão bons quanto com a sua.
Depois de ser medida pela fita que se mexia sozinha, O Sr. Olivaras andava rapidamente em volta das prateleiras, descendo caixas.
— Já está bom. — falou, e a fita métrica afrouxou e caiu formando um montinho no chão. — Certo, então, senhorita Malfoy. Experimente esta. Nogueira e corda de coração de dragão. Vinte e oito centímetros. Boa e flexível. Apanhe e experimente, senhorita.
Hydra apanhou a varinha e fez alguns movimentos com ela, mas o Sr. Olivaras não pareceu satisfeito e tirou de sua mão.
— Não, não, essa não. – Disse ele procurando outras caixas – Talvez essa, macieira como a de sua mãe, trinta e dois centímetros, inflexível, núcleo de pelo de unicórnio.
Hydra pegou a varinha, mas mais uma vez o Sr. Olivaras balançou a cabeça em negativa.
Hydra experimentou mais dez varinhas e já estava ficando cansada, achando que talvez não existisse uma varinha feita para ela.
— Não se preocupe, vamos achar a sua. – Disse o Sr. Olivaras pegando mais uma varinha de uma das caixas. – Vamos ver se é essa, bordo, aproximadamente trinta e três centímetros, corda de coração de dragão, flexível.
Hydra mais uma vez apanhou a varinha. Sentiu um repentino calor nos dedos. Ela mexeu nas varinhas e sentiu uma torrente de faíscas douradas e vermelhas saíram da ponta como um fogo de artifício que dançavam nas paredes.
— Pois aí está! – Disse o Sr. Olivaras animado – O mesmo núcleo que a de seu pai, porém com características bem distintas, meus parabéns Srta. Malfoy, achamos a sua varinha.
Hydra se sentia feliz e Narcisa dava pequenos aplausos, não gostou de saber que tinha algo em comum com seu pai (mais isso, além dos cabelos e olhos), mas amou a sua varinha, sentia como se ela fizesse parte do seu corpo.
— Lembre-se, Srta. Malfoy, a varinha escolhe o bruxo, ou a bruxa nesse caso. – Disse o Sr. Olivaras, enquanto Narcisa pagava ao bruxo sete galeões pela varinha.
— Para onde agora mamãe? – Perguntou Hydra enquanto saia da loja se sentindo extremamente satisfeita com a sua nova varinha.
— Pensei em lhe comprar uma coruja, assim você pode enviar cartas para mim com mais facilidade. – Disse Narcisa.
— Oba! Eu sempre quis uma coruja! – Disse Hydra sorrindo.
— Pensei em comprar a coruja na loja na França, mas acho que preferia que você levasse algo vivo daqui para lembrar de mim... – Disse Narcisa chorosa.
— Eu vou sempre lembrar de você mamãe... – Disse Hydra segurando em sua mão.
Hydra e Narcisa entraram na loja Empório de Corujas, que era escuro e cheio de ruídos, brilhos e olhos que cintilavam como jóias.
— Olá, Boa tarde, em que posso ajudar as jovens senhoras? – Perguntou um senhor ruivo e de aparência simpática.
— Uma coruja, minha filha está indo para a escola depois de amanhã e nós precisamos de uma coruja para ela. – Disse Narcisa em um tom decidido e triste.
— Bem, temos de tudo aqui. – Disse o senhor apontando para as diversas corujas que piavam alegres dentro de suas gaiolas – Alguma preferência?
— Eu posso escolher? – Perguntou Hydra para a mãe.
— Pode, claro, será sua companheira, pode andar pela loja e fazer sua escolha... – Disse Narcisa.
Hydra andou então sozinha pela loja, em meio de muitas corujas, olhava alegre para uma branca como a neve que a olhava, uma negra e marrom também chamou a sua atenção, mas foi quando viu uma coruja marrom que tinha um olhar animado e assustado que teve certeza de que aquela era a certa para ela.
— Essa mamãe. – Disse ela apontando para a coruja enquanto o vendedor pegava sua gaiola e entregava para Hydra.
— Excelente escolha! – Disse ele – Qual vai ser o nome?
— Lydra, – Respondeu Hydra decidida – eu sempre quis ter um bichinho com esse nome...
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