A Seleção - Versão Schreave
8 Capítulo 16.
Notas iniciais
Abri a porta do quarto de America e estranhei ao ver nenhuma criada, isso não era confiável. Não que eu não confiasse em America, mas não confiava na situação em que vivíamos, e principalmente com os rebeldes sulistas a solta.
— Seria muito bom você ter uma criada aqui durante a noite.
— Maxon! Sinto muito mesmo. Não queria chamar você pelo nome na frente de todos. Fui tão idiota. – disse ela levantando-se da cama, com uma expressão de desespero, aquilo fez com que eu me afeiçoasse mais ainda à ela.
— Você acha que estou bravo por isso? America, você me chama pelo nome o tempo todo. Uma hora ia escapar. Gostaria que tivesse sido em um ambiente mais reservado — sorri de modo que America pudesse ver como eu queria tê-la mais próxima a mim —, mas não vou pegar no seu pé por isso.
— De verdade?
— Claro, de verdade.
— Ai, eu me senti tão idiota hoje à noite. Não acredito que você me fez contar aquela história! – havia sido foi o ápice do programa e os jornalistas amaram.
— Mas foi o melhor momento da noite! Minha mãe ficou muito impressionada. No tempo dela, as garotas eram mais reservadas que Tiny, e aí você vem e diz que me achava superficial... Ela não se conformava. – fomos até a sacada, e nos apoiamos de costas para o jardim. Sentei-me no parapeito de modo quase que teatral tudo parecia tão certo naquele momento.
— Bem, fico feliz que você esteja tão impressionado.
— Você é sempre impressionante. Acostume-se a isso. – as palavras escaparam antes que eu pudesse detê-las. Mas precisava tirar outra dúvida antes de tomar a decisão que eu tanto ansiava. — Então... o que você disse...
— Que parte? Quando chamei você pelo nome, quando disse que brigava com minha mãe ou quando sugeri que a comida era minha motivação? — ri, e continuei, não poderia me distrair, aquilo era sério.
— A parte sobre eu ser uma boa pessoa...
— Ah, o que tem? – ela corou olhando fixamente para o chão.
— Admiro que você queira soar sincera, mas não precisava ir tão longe.
— Maxon, não fiz aquilo pelo programa. Se você tivesse perguntado um mês atrás qual era minha opinião sincera sobre a sua pessoa, minha resposta teria sido bem diferente. Mas agora conheço você de verdade. Você é tudo o que eu disse. E mais. – seus olhos azuis, desta vez mais claros pelo brilho da lua, mostravam convicção e verdade, como uma onda de energia senti meu nervosismo aumentar consideravelmente.
Foi quando pensei em toda aquela situação, como as coisas estavam sendo a correria do dia-a-dia, como eu tinha que me relacionar com as outras selecionadas. O receio de America ser a única que eu confiava e mesmo assim eu ter que “traí-la” por ter a obrigação de conhecer as outras. E pelo o próprio medo que sentia de perder America a qualquer minuto. Eu queria esquecer aquilo, ser eu mesmo por um momento. Esquecer meu pai, esquecer os relatórios, esquecer os testes. E ela era a pessoa que sem intenção alguma fazia aquilo melhor que qualquer um...
— Obrigado — disse por fim.
— Ao seu dispor.
... mas ao mesmo tempo, seu ex, sua vida, a forma que ela se sentia no palácio. Eu não podia usa-la e dispensa-la, não queria fazê-lo.
— Ele também será um homem de sorte — desci da sacada e aproximei-me. Era incrível como a lua deixava seus lábios convidativos, e eu antes que conseguia apenas olhar nos olhos dela tinha que dividir minha atenção com seus olhos e boca. Ela virou quando me ouviu e percebeu que estávamos próximos.
— Hein?
— Seu namorado. Quando ele cair em si e implorar seu perdão.
— Ele não é mais meu namorado. E deixou bem claro que terminou comigo — senti um leve voz de esperança, mas eu a compreendi.
— Impossível. Ele deve ter visto você na TV e se apaixonado mais uma vez. Embora, na minha opinião, você continue a ser areia demais para o caminhãozinho dele. Maxon falava quase como se estivesse aborrecido, como se tivesse visto a cena um milhão de vezes. – aquilo me enfurecia, era um ciúmes contido com a inveja de ele tê-la tido de uma forma que não posso ter. — A propósito, se você não quiser que eu me apaixone, não pode ficar assim tão linda. A primeira coisa que farei amanhã será mandar suas criadas costurarem uns sacos de batata para você usar. – resolvi brincar para tentar aliviar a tensão em meus ombros.
— Cale a boca, Maxon. – disse rindo. Seu pescoço parecia tão delicado e quente naquele momento.
— Não é brincadeira. Você é bonita demais para o seu próprio bem. Quando sair, vamos ter que mandar alguns guardas para acompanhá-la. Nunca sobreviverá sozinha, coitada — disse fingindo pena.
— Não posso fazer nada. Não pedi para nascer perfeita — abanou-se de forma teatral. Sua clavícula, era marcada, mas não de forma doentia, mas bela. Que guiavam a seus seios que naquele vestido pareciam ser uma escultura perfeccionista.
— É, não acho que seja possível evitar. – disse mais sério do que pretendia, sua cintura fina dava de encontro aos quadris completamente proporcionais. Concentre-se Maxon. Voltei ao seu rosto e me aproximei seu cabelo agora não tinha cor de fogo, mas ela era quente quando toquei seu pescoço como imaginei. Eu não sabia como fazer aquilo, mas fechei os olhos e encostei meus lábios nos de America, ela não esboçou nenhuma reação e se afastou, assim como eu.
Eu não deveria ter feito aquilo, eu me sentia humilhado e rejeitado, mas a culpa era exclusivamente minha.
— Desculpe — disse em voz baixa e afastei-me saindo da sacada e entrando no quarto, queria apagar aquele erro.
— O que você está fazendo?
— Desculpe. – repeti novamente, e agora evitando seu olhar.
— Por que você fez isso? — perguntou ainda choque e encostando a ponta dos dedos no lábio, havia sido tão ruim?
— É que... o que você disse no programa... E ontem você me procurou... Seu modo de agir... Pensei que seus sentimentos tinham mudado. E eu gosto de você. Achei que já tivesse notado. E... Ah, o que fiz foi terrível? Você não parece nem um pouco feliz. – se não tivesse autocontrole estaria igual ao meu pai quebrando tudo ao redor levado pela culpa e raiva de mim mesmo. — Sinto muito, demais. Nunca beijei ninguém antes. Não sei o que estou fazendo. Eu só... desculpe, America. – me sentiria envergonhado por dizer isso a minutos atrás,mas agora na tentativa de uma explicação, isso era o de menos.
— O que você está fazendo? – perguntei quando ela se aproximou e passou a mão em minha testa, após um tempo que ela passou olhando para o horizonte pensando.
— Apagando essa lembrança. Acho que podemos fazer melhor.
— America, acho que não podemos mudar a história. – sorri tentando não demonstrar esperança, mas vi que falhei.
— Claro que podemos. Afinal, quem vai saber disso além de nós dois? Ninguém pede para nascer perfeito — falou tão perto que podia sentia sua respiração quente.
Abracei-a pela cintura, sentindo-a perto de mim, nossos narizes se tocaram, e ambos fechamos os olhos, falei de modo que ela só escutou por estar tão próxima.
— É, não acho que seja possível evitar — sussurrei.
Eu estava completamente, profundamente, apaixonado pela America. Parecíamos estar uma bolha própria, quando nos beijamos, a sensação de que eu era completo e que era feliz, era maravilhosa. Apertei-a mais um pouco contra a mim e pude sentir um sorriso em ambos, sua boca era tão quente quanto eu havia imaginado, suas mãos estavam em meus cabelos e quando o beijo foi aprofundado ela apertou levemente meu cabelo em suas mãos, eu estava em êxtase por em um momento tê-la ali, como minha. Quando me afastei para olha-la, percebi que queria ficar ali por um longo tempo.
– Melhorou? – sussurrei, ela afirmou com a cabeça me abraçando, tinha plena convicção de que tinha um sorriso estampado no rosto. Mas lembrei de tudo que ela havia passado e meu sorriso esmaeceu. Precisava ser verdadeiro com ela. – Posso dizer algo?
— Não sou burro o bastante para crer que você esqueceu seu antigo namorado. Sei pelo que vocês passaram e que as circunstâncias aqui não são exatamente normais. Sei que você acha que há moças aqui mais adequadas para mim e para a vida no palácio. Não quero me apressar e tentar ser feliz com qualquer uma. Eu só... só quero saber se é possível... – a única coisa que me importava no momento. Ela pareceu pensar e quando seu olhar voltou a mim, seu rosto suavizou-se.
— Sim, Maxon — sussurrei. — É possível.
Ela levou-me a porta, segurei sua mão e a beijei. Parti com um sorriso no rosto.
Cheguei no quarto, mais que alegre e me deparei com meu pai sentado na minha escrivaninha junto a minha mãe. Senti os músculos das costas contraírem.
– Visto que você a seleção já tem algumas semanas, você precisa sair com outras meninas. Acho que passa muito tempo com aquela Cinco...
– America.
– Como? – vi sulco em sua testa ao ver que eu o interrompi.
– O nome dela é America, e ela não apenas uma casta.
– Eu não ligo para o nome dela. Inclusive isso em sua boca é... são resquícios de batom? – senti-me enrubescer, obvio que ficou um pouco de batom. – Foi com ela?
– E isso lhe importa? – encarei-o fuzilando, talvez pela dose de adrenalina que ainda sentia, não estava mais com tanto medo.
– Olha como você fala comigo. – disse pondo o dedo no meu rosto, e minha mãe se levantou prevendo que deveria tirar meu pai dali antes de uma discussão mais severa.
– Porque eu deveria? Você não me criou como seu filho, me criou como herdeiro do trono. Não tente cuidar de mim.
– Maxon, basta. – disse minha mãe se metendo entre nós, mas nós dois ainda nos fuzilávamos.
– É melhor você marcar outros encontros e logo.
– E eu vou. Mas não porque você pediu. – ao ouvir isso minha mãe puxou-o para fora do quarto e ele fechou a porta com tanta força que o andar toda poderia tremer.
Fui até a sacada na esperança de ver America ao longe no andar abaixo, mas não, a porta estava aberta e as luzes acesas e se eu me concentrasse bem poderia ouvir uma musica suave tocada no piano. Queria ir lá e contempla-la tocando, mas era o suficiente de discussão com meu pai por um dia. Fui até o quadro de anotações, e coloquei em pauta sair com Olivia, Bariel,e comprar presentes para uma delas.
Deitei-me pensando nos meus encontros seguintes, mas quando adormeci sonhei apenas com o beijo angelical meu e de America.
.
Fale com o autor