A Seleção-Novo Mundo
5 Capitulo 5
CAPITULO 4
– Você ainda não é a princesinha, então trate de pegar uma pá e vir me ajudar- Loras ordenou o mais irritado possível. Fazia um dia de verão, talvez o primeiro do ano que não tínhamos neve na cidade, e Loras estava construindo um novo canteiro para a nova horta. Peguei uma pá e caminhei para o seu lado, pisando o mais duro possível no chão a espera que alguma gotícula de lama o atingisse.
– Você pode me passar àqueles sacos pretos bem no canto?- Loras apontou para dois sacos pretos que estavam do lado da nossa casa, uma casa feita de pedras e cimento, típicas do norte. Peguei os sacos petros e os coloquei ao lado de Loras. – O que você está pretendendo plantar?- perguntei. Dava para ver muito bem os esforços de Loras em sua testa toda suada. Ele limpou o suor com o braço e continuou o trabalho.
– Vou plantar batatas e vagens. Consegui dos quilos de cada semente em troca daquele alce que eu consegui caçar hoje de manha, bem legal, não acha?- ele tirou uma pequena bolota bege do saco preto e estendeu a mão para mim – Isso aqui é tipo uma semente de batata, é só colocar no buraco, passar um pouco de terra em cima e pronto – ele fez o que acabara de dizer com as batatas e virou se para mim – você pode me ajudar aqui? Há muitas delas.
Concordei com a cabeça e me pus ao trabalho, me agachando ao seu lado. Era legal passar um tempo com Loras, quando ele não tentava ser o protetor da família ou algo parecido, eu gostava quando ele era somente o Loras, meu irmão desengonçado e ardiloso. Quando éramos menores, Loras me falava que se trabalhássemos seriamos alguém grandioso como nossos pais, mas hoje em dia, ele só diz que se não trabalharmos, morreremos de fome. Acho que suas reflexões sobre a vida mudaram muito de uns tempos para cá, principalmente quando fomos considerados desertores, então ele apenas enxergar nosso pai como um terrível mentiroso e minha mãe como uma fraca mulher. Às vezes em seus momentos de raiva ele me diz que se não fosse por mim e por Zuzete, ele já estaria bem longe de casa, mas o que mais me assusta, é que esse mesmo pensamento, também passa pela minha cabeça, e com mais freqüência do que eu gostaria.
– Acho melhor você estar certo sobre plantar batatas, nós nunca comemos uma sequer!- meu pai disse, se aproximando. Meu irmão o olho com indignação – Se você não gosta, então acho melhor você ir procurar novas coisas para comermos, o que me faz lembrar, por que você não esta trabalho, seu porco? – Loras se levantou, já com a pá em mãos. Levantei-me em um salto e coloquei as mãos e seu peito, o afastando de meu pai.
– Loras, o que você acha que vai fazer com essa pá? Abaixe isso já! Não vai ganhar nada mais alem do que a visita de um inspetor de segurança aqui em casa!- tentei focalizar em seus olhos e quando nossos olhares se cruzaram, ele pode entender que eu tinha toda a razão. – Só saia daqui logo, David. Sua cara de cínico me enoja...
– Sabe o que mais me enoja filho? Suas mãos cobertas de lamba, ainda bem que as minhas estão limp... – e então Loras saltou em cima de meu pai, me tirando gritos de horror.
Loras deu um soco no meu pai, quase o nocauteando, mas quase. Meu pai deu uma joelhada em sua virilha fazendo Loras cair e gemer de dor, e logo em seguida lhe deu um soco no queixo.
– PAREM, PAREM! EU VOU CHAMAR A POLICIA!- eu gritei o mais forte que meus pulmões permitiam, mas isso não os parou. A briga ficava mais violenta, e o nariz de meu pai parecia mais como uma cachoeira de sangue.
Mamãe ouvindo meus berros correu para ver o que estava acontecendo, já em prantos, por que claro, ela já sabia a resposta. Ela correu até Loras e o puxou pelas costas da camisa- agora toda rasgada- e o afastou o máximo de papai.
– Loras, preste bastante atenção! – mamãe falou com a voz tão dura, um tom de voz que não achei que ela possuísse- Se você machucar um de nós, um inspetor da segurança será chamado, e então eles iram checar sua ficha nortista, e sabe o que tem em nossa ficha nortista? Nada! Por que apagamos tudo da nossa ficha quando viramos membros do exercito, e sabe o que acontece quando não se tem nada em sua ficha nortista? VOCÊ É PRESO, ENTÃO PARE COM TODA ESSA BESTEIRA!
Mamãe estava certa, e nem isso Loras ou meu pai podiam consternar. Uma vez que se entra para o exercito rebelde, sua ficha de nascença- ou seja, nortista- é apagada, assim, os rastreadores que estão em você param de funcionar, e então ninguém do exercito pode ser rastreado e pego. E o pior dessas fichas é que elas estão em seu próprio DNA, e uma vez que alguém o identifica pelo DNA, você está ferrado se for do exercito, ou desertor...
A idéia de que sua pior armadilha na verdade está dentro de você e corre por suas veias é aterrorizante. Há alguns anos, rebeldes criaram um meio de reativar todas as informações de sua ficha nortista a partir de um controle remoto, no caso de que fossem parados pela policia ou algo do gênero, e com o mesmo toque, desativaria o mesmo. Mas isso é claro, só estava disponível para os lideres rebeldes...
Já era noite desde a briga de meu irmão e papai. Mamãe já jazia há muito tempo em frente ao fogão, fazendo um cosido de carneiro que Loras abateu pela manhã. Eu e Zuzete estávamos descascando cenouras para o cosido já fazia meia hora, e nessa meia hora nenhuma de nós três trocamos uma sequer palavra. Seja o silencio pela briga ou por outro motivo, eu não tinha nenhuma vontade de falar.
– Então... – Zuzete começou, quebrando o silencio- Quando é que a Laur vai ser escolhida como uma princesa?
Mamãe parou de cozinhar e olhou para mim estonteante. Para ela, a idéia de eu me tornar uma princesa, significativa a chance de ela sair da miséria em que vive. Para mim, significava a chance de perde a minha alma.
– Eu não sei se vou ser uma princesa, Zuzete, então pare de fantasiar com isso. – olhei com raiva para a faca em minhas mãos. Prefiro perder minha alma ao suicídio ou a me tornar uma escrava com uma coroa?
– Eu só ia dizer que ia ser bem legal ver você com vestidos e coisa e tal. Um dia na escola deixaram a gente ler um livro muito velho do antigo mundo. Sabia que tem um livro chamado Cinderela, e que ela...
– Entra em uma abóbora que virou uma carruagem, do sapatinho de cristal, eu sei de tudo isso, Zuzete. E nada disso é real! Pare de imaginar que a fada madrinha vai aparecer para você, e que princesas vivem felizes, pois eu mal sou uma e já detesto a idéia de vir a ser uma!- gritei para ela, e logo me arrependi disso.
Zuzete começou a soluçar e logo as lagrimas vieram. Eu não deveria agir assim com minha doce irmãzinha, tão inocente que mal podia diferenciar o certo do errado, o real do falso. E tentei consolá-la, mas já era tarde demais, tinha conseguido magoá-la.
– Lauren, eu já tenho duas pessoas que não se falam nessa casa, preciso de mais duas?- mamãe perguntou com seus olhos sentidos em mim, era o tipo de olhar que valia mais que qualquer tapa, era o olhar da decepção, de desapontamento.
– Eu juro que vou baixar a bola até toda essa historia maluca acabar e... – uma campainha interrompeu minha fala. Olhei a hora do relógio, era sete e meia da noite, um horário padrão de se servir o jantar, então quem poderia ser a essa hora? Mamãe deixou o fogão em fogo baixo e limpou as mãos no avental, e se dirigiu para a porta. Eu estava bem atrás dela enquanto ela girava a chave na fechadura, e para nosso espanto, dois homens de ternos bem ajustado e — por mais que fosse noite- de óculos escuro, parados lado a lado em nossa porta. Eram loiros mais tinham a pele morena, queimada pelo sol. Pareciam ser do litoral. O mais alto então tirou os óculos escuros e deu um sorriso avassalador para minha mãe.
– Você é a Sra. Pierce? – o mais alto disse, se dirigindo para mamãe. Pela ruga em seus olhos azuis, pude julga que passava muito tempo franzindo os olhos.
– Sou eu mesma! O que os senhores desejam?
– Senhora, nós somos agentes da assistência de recolhimento das princesas do reino do Sul. Sua filha foi escolhida pelo nosso bondoso herdeiro, o príncipe Damien, a fim de desposar com sua filha.
Mamãe olhou maravilhada para mim, mais do que maravilhada, deslumbrada. Enquanto a mim, o choque e o desejo de sair correndo de lá só cresciam cada vez mais.
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