A Seleção II
2 As Escolhidas
Notas iniciais
" Anica "
Acordei para mais um dia de trabalho, dei um beijo em Ana, como sempre faço, me arrumei e fui para a cozinha.
– Bom dia, mãe! o café está pronto sente aqui para tomar um pouco.
– Não posso, tô atrasada. — falei pegando uma maçã.
– Senta! quero conversar com você. — fiquei preocupada, o que ela queria me dizer?
– Pode falar. — falei sentando.
– Eu quero que você se inscreva na seleção.
– Ah, não mãe! você também! — não acredito nisso! até minha mãe!?
– Sei que parece uma maluquice, que você não gosta dele, mas seria uma chance de você mudar de vida, trabalhar menos, aproveitar a vida.
– Mãe, eu já aproveito minha vida.
– Como? trabalhando 24 horas por dia? eu vejo o quanto você se esforça para me ajudar. — ela falou triste.
– Mãe, não acho ruim te ajudar eu ... eu te amo, quero ver você e a Ana bem.
– Então, faça isso por ela. quando eu e seu pai nos separamos você já era grande, sabia o que estava acontecendo, mas ela era tão pequena, ela acredita em contos de fada, não acabe com o mundo de fantasias dela.
Ela sabe meu ponto fraco, que eu faço tudo para ver a Ana feliz, e mesmo odiando isso, ela tem razão. Me inscreverei na seleção, não por mim, mas pela Ana. Não quero que ela desacredite do amor como eu.
– Tá bom! você conseguiu, mas agora tenho que ir trabalhar.
Fui trabalhar e passei o resto do dia pensando nisso, e resolvi que não tenho porque ter medo, afinal, eu não seria escolhida mesmo. Voltei para casa mais cedo e fui terminar meu quadro, depois deitei um pouco para descansar, mas fui acordada com os gritos de Ana.
– Anica, Anica, Anica, acorda! — ela pulou em cima de mim.
– O que foi tampinha? — perguntei me levantando e vi o envelope.
– Chegou a carta, chegou, aí, eu nem acredito! por favor, por favor, você tem que se inscrever!
Ela pulava de tanta alegria, e avistei minha mãe na porta com aquele olhar de cachorro sem dono.
– Tá bom, tá bom! vocês me convenceram, eu faço a inscrição!
– Ebaaaaaaaaaa! você vai ser a melhor princesa que Illéa já viu. — Ana começou a me beijar e abraçar e passamos o resto do dia preenchendo o formulário.
No outro dia, Ana estava acordada bem cedo, o que realmente era um milagre, mas havia uma razão por traz disso. Ela queria ir bem cedo entregar a carta, estava muito animada, mesmo contra minha vontade, passou um pouco de maquiagem em mim e escolheu minha roupa.
A fila estava enorme, varias meninas arrumadas, umas até de mais, demoramos mais de uma hora, depois voltamos para casa e continuei minha vida normalmente, seria idiotice parar minha vida por algo quase impossível de acontecer.
O resto da semana se passou normalmente, arranjei um trabalho extra e isso me manteve ocupada, por um tempo.
Nove dias se passaram, e acabou o período de inscrição hoje a noite seriam reveladas as 35 meninas que iriam para o palácio, para tentar se tornar Princesa.
Ana não parava de falar, nem conseguiu se concentrar no piano, muito menos me deixar trabalhar. pegou um papel e pintou meu nome depois prendeu em um palito e começou a balançar como uma bandeira.
– É hoje Anica, nem acredito!
– Calma tampinha, quem te garante que mesmo que eu seja sorteada eu venha a ser princesa?
– Ele só precisa te conhecer, será amor a primeira vista!
– Claro Ana, só porque você quer.
O dia continuou normalmente e então chegou a noite. ligamos a tv, nossa mãe fez pipoca, quando o jornal começou Ana quase desmaiou de tanto nervosismo, após o hino como sempre, apareceu a familia real e depois Gravril que entrou todo entusiasmado.
– Boa noite Illéa, majestades, altezas! — falou reverenciando a familia. — Estou aqui hoje para saciar a curiosidade do príncipe Daniel e de todos vocês, tenho aqui nesse papel o nome das 35 escolhidas. Como se sente alteza?
– Boa noite Gravril, estou um pouco curioso, afinal uma delas será minha esposa.
– Então vamos acabar com essa curiosidade, e as escolhidas são ...
Ana apertou minha mão com força e fechou os olhos, e nesse momento não sei porque, mas fiquei um pouco nervosa também.
– Margarida Toledo, savana.
– Bianca fiore, angeles.
Todas eram muito bonitas, o príncipe se demonstrou bem animado, ele continuou ...
– Mayara Alcântara, indú.
– Laura Cardoso, marina.
– Anica Ávila, andes.
Nesse momento Ana deu um grito bem alto e nem eu pude acreditar, como meu nome estava alí? por que entre tantas meninas que queriam estar lá, tinha que ser eu?
– É você, é você! — ela gritava sem parar.
– Eu sei, tampinha, eu sei! — falei mesmo sem acreditar.
Depois, não consegui ouvir mais nada, o jornal acabou e Ana continuava eufórica, pessoas começaram a vir me visitar e dar os parabéns. fui deitar bem tarde, quando finalmente Ana conseguiu dormir, me arrumei e deitei na cama, minha cabeça estava cheia de coisas. Por que eu? eu me inscrevi só para deixar minha irmã feliz, por que tinha que ser escolhida? eu não quero ser princesa, muito menos Rainha, nem estou apaixonada por aquele idiota e metido do príncipe.
Depois de muito tempo consegui dormir, o resto da semana passou bem devagar, tive a visita de varias pessoas. Além do pessoal da seleção, me dando remédio, me dizendo as regras, tirando minhas medidas e um monte de coisas.
Ana como sempre, estava muito feliz com tudo, vivia sorrindo e dizendo a todo mundo que a irmã seria uma princesa, até minha mãe estava feliz, dias antes de partir, recebi a visita de meu pai, conversamos e ele me disse que estava orgulhoso e me deu um abraço.
E chegou o tão esperado dia, uma mulher chamada Leila veio me pegar de carro, minha cidade fez uma pequena comemoração e logo foi hora de partir.
– Aí, eu nem acredito que você vai mesmo pro castelo! — ela falou animada e me abraçou, depois começou a chorar. — Vou sentir sua falta!
– Eu também tampinha! — e como uma manteiga derretida que sou, comecei a chorar também.
– Se cuida filha, e faça seu melhor, sentirei sua falta.
– Obrigada mãe, eu te amo muito!
Quando ia entrando no carro, Ana correu e me entregou sua correntinha, ela nunca tirava do pescoço desde que eu dei a ela no aniversário de 5 anos, era um coração de ouro com a letra A gravada, trabalhei noites para conseguir comprar.
O carro saiu e comecei a chorar de verdade, cuidaria daquilo como minha vida, do nosso pequeno coração.
Cheguei no aeroporto, tinham varias pessoas, algumas gritavam meu nome, fiquei feliz com esse gesto, encontrei com mais 3 meninas, elas se chamavam: Joany, Karolainy, Britany. Todas fizeram cara feia quando entrei no avião, foi quando realmente percebi onde estava me metendo, elas estavam aqui para ganhar, e mesmo não querendo isso, eu sofreria as consequências dessa competição ridícula.
Fechei meus olhos e segurei a corrente de Ana, ela me daria forças para encarar o que viria.
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