A Secret ...

4 Parte Final ...


Notas iniciais
Celine, após refletir até o final do dia, sobre seus próprios sentimentos e por tudo que ambas sempre compartilharam, compreendeu que a amava, acima de tudo.E, em um momento especial, Celine a beijou, declarando, também, o que sente.E agora, acompanharemos o desfecho dessa história.

Celine, aos poucos, afastava os seus lábios dos de Lucie e, quando o fez, percebera que ela estava acordada, ao vê-la de olhos abertos e quase a brilharem. Sorrindo e meio sem jeito, Celine coçou sua nuca, extremamente corada, afastando-se.

“Ahh... m-mana...” Disse Celine, porém o sorriso que Lucie fez a impediu de prosseguir com o comentário. Em seguida, Lucie levantou-se parcialmente, sentando, de pernas cruzadas na cama, olhando para Celine ainda emocionada.

“Celine... você...?” Começou a perguntar Lucie, com o rosto corado, mas levemente curiosa. Celine, no entanto, sabia o que ela queria perguntar e, apesar de ainda sem jeito, mas ainda bem tocada com o sentimento que queimava em seu peito, apenas conseguiu concordar com a cabeça, lentamente. Lucie pareceu quase exultar em felicidade, aproximando-se de tal maneira de sua irmã e a abraçando. Um abraço forte e apaixonado.

“Obrigada... Celine... eu te amo... Eu te amo!” Disse sussurrando, Lucie, no ouvido de Celine que corou, também a envolvendo em um abraço.

“Só que... tem uma coisa...” Começou a dizer Celine e Lucie afastou-se parcialmente, observando-a. Exibia certa preocupação, enquanto a aguardava completar sua frase. Sem jeito e ainda com um sorriso no rosto, Celine a observou.

“... Permita que... eu continue a te chamar de... ‘mana’?... É que... eu estou mais... acostumada...” Questionou, rindo meio sem jeito, Celine e Lucie sorriram, de olhos fechados. Em seguida, esta concordou com a cabeça.

“Sim... ‘mana’... Se preferes assim, não serei eu que vou objetar...” Respondeu Lucie, ainda sorrindo, compreendendo-a. Celine também sorriu, exibindo uma expressão de satisfação e ainda muito emocionada. Sentia até algumas lágrimas a quererem escorrer pelo seu rosto.

“Sei que... deve ser novo... e complicado para você, no momento, ‘mana’... E sei que... teremos muitos problemas se nosso pai descobrir... então... faremos que seja o nosso segredo. Combinadas?” Perguntou Lucie, um pouco entristecida, mas sabia que era a única solução. Sabia perfeitamente bem que o seu pai seria contra. Celine suspirou, porém concordou. Tão logo o fez, no entanto, ambas não mais se seguraram, voltando a beijarem-se.

Porém, diferente dos anteriores, dessa vez beijavam-se de uma maneira mais apaixonada. Lucie acariciava o rosto de Celine, enquanto que esta a envolvia em seus braços. Ambas, no entanto, entregavam-se ao desejo que uma tinha pela outra. Desejo e paixão.

Não souberam dizer, no entanto, quanto tempo elas permaneceram a se beijarem, mas momentos depois, Celine deitava-se de barriga para cima, próximo do canto recostado à parede e observava o teto, porém sua mente estava bem longe dali. Encontrava-se ainda naquele beijo que perdurara todo aquele tempo, ao mesmo tempo em que se sentia mais leve e satisfeita. Enquanto isso, Lucie comia da sopa, agora fria, saciando a sua fome. Não falavam nada uma para a outra, porém não havia necessidade: estavam extremamente felizes e seus pensamentos quase se encontravam compartilhados. Porém Celine inspirou fundo.

“Mana... o que... a gente vai fazer agora?” Perguntou Celine, ainda distraída. Observando-a, após uma colherada da sopa, Lucie suspirou.

“Eu... não sei, mana...” Disse Lucie, com uma expressão pensativa, enquanto sorvia mais uma colher de sopa. Porém suspirou, em seguida. “... mas não quero pensar no futuro. Não agora... quero me contentar com o que, finalmente, eu tenho...” Respondeu, concluindo sua fala, sorrindo emocionada, observando Celine deitada de tal forma, ainda com uma expressão levemente abobada.

Sorrindo, Lucie estendeu o prato com ainda um pouco de sopa para Celine, que a observou, sem compreender.

“Coma...” Disse Lucie, com um leve sorriso, mas ao mesmo tempo, de uma forma taxativa. Celine começava a negar, mas Lucie negou com a cabeça. “... Eu já disse... eu estou bem. Você não pode ficar sem comer, mana...” Replicou.

Sem ter como argumentar, Celine sentou-se a cama, pegando o prato e comendo o que restara. Não era muito, mas aceitara de bom grado. Sentia fome, mas queria fazer este ‘sacrifício’ em prol de sua irmã. Como se percebesse o que ela pensava, Lucie sorriu delicadamente.

“Não se preocupe. Eu sei o meu limite... Não irei deixar de me cuidar. Especialmente...” Disse Lucie e lançou um olhar satisfeito para Celine. “... Especialmente, agora...” Concluiu, segurando a mão livre de sua irmã. Ambas riram, levemente coradas.

Os dias se passaram. Celine e Lucie tentavam, ao máximo, evitar de demonstrarem suas animações e atração uma pela outra durante o trabalho do dia a dia. A única coisa que mudara, aparentemente, é que Celine passou a ajudar mais a irmã, cuidando das necessidades de Jason e cuidando da limpeza da casa, como o podia. Enquanto que Lucie permanecia a cuidar de lavar as roupas, cuidar da vaca e da plantação e, também, do preparo das refeições.

À noite, no entanto, quando ambas encontravam-se sozinhas no quarto, ambas aproveitavam o tempo juntas. Não se limitavam apenas a se beijarem, mas também a conversarem animadamente sobre trivialidades e de sonhos que ambas compartilhavam. Estavam felizes e, tal sentimento só aumentava com o passar dos dias, mesmo que fosse apenas por poucas horas de cada um deles.

Também faziam planos, porém sabiam das limitações que tinham.

“Mana...” Falou Celine, quando ambas encontravam-se deitadas, prestes a dormirem. Lucie sorriu, virando-se para ela.

“Hm? O que foi?” Perguntou Lucie.

“... Eu ouvi um boato... que é possível que nós possamos nos casar, segundo a religião Cerysista.” Disse Celine, com uma expressão animada.

“... Heh... nosso pai nos mataria se soubesse...” Disse Lucie e Celine exibiu uma triste expressão. Percebendo, no entanto, Lucie segurou a mão dela, carinhosamente. “... Mas veremos... mais para frente... Sei que é o seu sonho, mas precisamos ir com cautela.” Disse novamente Lucie e Celine concordou com a cabeça. Lucie acariciou carinhosamente os cabelos de sua irmã, como se dissesse para não se preocupar. Esta sorriu e, em questão de minutos, ambas adormeciam. Teriam muita coisa para elas fazerem no dia seguinte.

Uma semana depois.

Jason exibia certa melhora, porém ainda andava com certa dificuldade, mas suas filhas continuavam a ajudá-lo para locomover-se e a se banhar, ao mesmo tempo em que permaneciam nas tarefas diárias.

Porém, tão logo se recolheram para o aposento delas, Lucie começava a trocar para sua roupa de dormir, enquanto que Celine fazia o mesmo. Sorria e ansiava para estar nos braços de Lucie que, em pouco tempo, o realizava, beijando-a demoradamente.

Animadas, mal puderam ouvir quando a porta do quarto delas foi aberta. Assustadas e surpresas quando a mesma fez um barulho ao chocar-se contra a estante, puderam ver a figura do pai delas, ali, a observarem.

Jason, chocado, exibia uma respiração ofegante, com os olhos arregalados e suas mãos a tremerem. De uma forma lenta e vagarosa, erguia o braço, apontando o dedo indicador em direção de suas filhas.

Celine, em pânico, sentia o seu corpo completamente paralisado, movendo apenas seus olhos de seu pai, quando Lucie ficou a sua frente, como se preparasse para protegê-la. Porém, ela mesma estava apavorada e com medo. Muito medo.

“O que.... O QUE.... O QUE É ISSO?!?” Esbravejou Jason, ainda a apontar o dedo em direção delas. Celine colocava-se a chorar, segurando-se em um dos braços de Lucie, enquanto que esta permanecia a frente dela. Tentava responder, mas o pai a interrompeu novamente.

“COMO OUSAM!?! COMO OUSAM DESRESPEITAR TUDO O QUE ENSINEI A VOCÊS?! DENEGRINDO E ENVERGONHANDO O NOME DA NOSSA FAMÍLIA... ASSIM COMO A MORAL?!” Esbravejara novamente, Jason.

“Pai... eu...” Começou a dizer Lucie, mas sua voz saía em um tom bem baixo e sentia quase a gaguejar. O pai, no entanto, a acertou no rosto com as costas das mãos, fazendo-as mover-se para trás, recuando, com o impacto. Lucie sentia o seu rosto arder de uma forma pulsante, firmando a palma da mão direita no local magoado.

“Mana!!” Disse, em um tom de voz alto, Celine, preocupada com a irmã, mas esta, em seguida, baixou sua mão, como se indicasse que estava bem.

“Minhas filhas... MINHAS PRÓPRIAS FILHAS. IMPURAS E DESGRAÇADAS. EU AS EDUQUEI TANTO. TANTO... PARA ISSO?! COMO OUSAM!?! SUAS... SUAS...” Continuava a esbravejar Jason.

“Pai... perdoe-nos...” Disse novamente Lucie, porém agora um pouco mais afastada do alcance de sua mão, mas sabia que se ele avançasse mais para dentro do quarto, elas não teriam para onde fugirem. Fez-se de forte, no entanto: não queria assustar mais a sua irmã, e amada, do que como ela se encontrava.

“Perdoar? PERDOAR??! VOCÊS SE PERVERTERAM!!! VOCÊS ESTÃO DESGRAÇADAS!!!!! ENTREGARAM-SE AO PECADO!!” Disse aos berros, Jason, ainda a bufar e a respirar daquela forma ofegante.

Preparava-se para acertar sua filha Lucie novamente, porém esta fechou os olhos, preparando-se para o golpe e ele parou a sua mão, bem próximo do rosto dela. Parecia como se o tempo houvesse parado, ali, naquele momento. Porém, ele inspirou fundo, furiosamente.

“Não... Não vou sujar minha mão acertando-a, pecadoras!!! Eu... Eu... EU EXIJO QUE SUMAM DAQUI. NÃO SÃO MAIS MINHAS FILHAS!!! VOCÊS SE ENTREGARAM AO PECADO E SUJARAM O NOME DESSA FAMÍLIA DE BEM! SUMAM! SUMAM DE MINHA FRENTE. IREI PURIFICAR ESTA CASA DO PECADO QUE TROUXERAM!!!!” Esbravejou, furiosamente.

Celine e Lucie arregalaram os seus olhos, não acreditando no que ouviam.

“Pai... Pai!!” Disse Lucie, mas ele lançou um olhar violento e furioso para ela.

“SAIAAMMM!!!!! NUNCA MAIS OUSEM CHAMAR-ME DE ‘PAI’!!!! EU NÃO TENHO FILHAS PECADORAS!! PEGUEM SUAS COISAS E SUMAM!” Berrou Jason, ainda a bufar violentamente.

Celine pôs-se a chorar, enquanto que Lucie abaixara a cabeça, tentando assimilar tudo aquilo que estava acontecendo, porém engoliu em seco e virou-se parcialmente de lado, com seus longos cabelos a cobrirem os seus olhos.

“Mana...” Começou a dizer Lucie, em um tom de voz tão baixo e ainda cabisbaixa. “... arrume suas coisas... nós... vamos embora...” Concluiu e Celine a observou, ainda não acreditando.

“M-mas... mana...” Tentou argumentar Celine, mas Lucie permanecia imóvel, porém a interrompeu.

“Por... favor...” Disse Lucie.

Em instantes, de uma forma lenta e entristecida, ambas pegaram algumas roupas e as envolveram no lençol da cama. Celine, em contidos prantos, pegou um livro. O mesmo livro que ela queria que sua irmã lesse na noite que tudo aconteceu. O mesmo livro que fora presente da mãe delas. O único item de valor sentimental que sempre fazia com que Celine se lembrasse dela, e o colocou junto com as roupas.

Envolvendo-as e amarrando as pontas do lençol, assumindo a forma de uma trouxa, saíram em silêncio e cabisbaixas pelo quarto, tão logo o pai as deixara passarem. Caminhavam e pararam apenas na cozinha, pegando um pão para que elas pudessem se alimentar.

Tanto Celine, quanto Lucie caminhavam cabisbaixas, com contidos choros, especialmente por parte de Celine que, apesar de tentar conter suas lágrimas, estas teimavam em cair. Antes que saíssem, no entanto, ambas se vestiram com agasalhos que haviam separado, para que protegessem do frio que fazia naqueles dias.

Tão logo terminaram de se vestir, podiam perceber que o pai delas as observava, com ódio e desprezo em seus olhos. Era como que o amor pelas próprias filhas, o amor pelo próprio sangue, havia cessado de uma forma mágica e, agora parecia como se expulsasse cães doentes. Lucie sentiu tamanho peso naquelas palavras tão frias, que a dor física, o tapa que havia levado no rosto, era nada comparado ao que ouvira. Tamanha a dor que sentia fazia com que desejasse expor seu sofrimento. Porém ao ver que sua irmã, sendo bem mais frágil emocionalmente, naquele estado em que se encontrava, fez com que Lucie se contivesse.

Ambas abriram, em silêncio, a porta de saída da casa e colocaram os pés para o lado de fora e sentiram o frio a dominá-las. Penalizada ao ver Celine cruzar os braços a frente de seu corpo, Lucie passou um de seus braços envolta dos ombros dela e, com a outra mão que carregava a trouxa, a colocou a frente do corpo da irmã, aquecendo-a com o contato do seu próprio corpo. Celine a observou e sentiu vontade de agradecer, mas a dor que sentia pelo que acontecera a elas a queimava. Sentia culpa. Sentia uma terrível culpa.

“M-Mana... m-me perdoa...” Disse Celine, enquanto que caminhavam, sem destino. Não tinham nenhum parente vivo, ou ao menos não conheciam. Lucie a observou e forçou um sorriso consolador.

“Mana... você... não teve culpa alguma...” Disse Lucie, acalentando e esfregando suas mãos nela, tentando aquecê-la. Sentia frio também, porém Celine era a pessoa que tinha por dever proteger e cuidar. Não apenas por ser sua única irmã: mas também por ser a pessoa que ela amava.

Celine, no entanto, preocupava-se com Lucie. Apesar das palavras dela apaziguarem um pouco, ainda sentia-se culpada. “Devia ter tido mais cautela... Devia ter mais cuidado...” Eram as frases que ecoavam em sua mente e, sem mais se conter, as lágrimas caíam de seus olhos. Percebendo as lágrimas, no entanto, Lucie moveu sua mão para mais perto das mãos de Celine e suspirou.

“Mana...” Começou a dizer Lucie, com um tom de voz firme. “... Não... importa o que aconteça: nunca... nunca solte minha mão...”

“Mesmo que... mereçamos morrer... e ir para Tenebrae... eu não vou lhe abandonar, jamais... eu lhe prometo, pois eu te amo...”

As palavras de Lucie ecoaram não apenas no coração de Celine, que se sentiu aquecida com o peso e o carinho consolador de tais. Porém ecoaram-se pelos ventos daquela fria e branca noite de neve. Com um sorriso entristecido, porém emocionado, Celine concordou diversas vezes com a cabeça e segurou firmemente a mão de sua irmã. Assim como ela havia dito, Celine também não a deixaria jamais.

“Mana... eu também irei te amar, para sempre...” Disse Celine, fazendo com que Lucie a observasse, com o rosto levemente ruborizado.

Emocionadas, ambas as irmãs caminharam por um longo percurso, ainda abraçadas, desaparecendo pela noite adentro.

Algumas pessoas contam que elas nunca mais foram vistas e acreditam que elas tenham falecido, de frio e de fome.

Outras, no entanto, alegam que elas foram vistas, em outro país, juntas e felizes, mesmo que vivendo em uma simples e bem pobre morada.

Há, também, quem diga que elas encontraram pessoas que as apoiaram e a ajudaram...

Porém, uma única coisa era certa: ambas sempre enfrentaram tudo que obstruíam seus caminhos, juntas, sem jamais se afastarem uma da outra.

Notas finais
Juro... eu juro para vocês, leitores, que, pela primeira vez, eu fiquei penalizado por uma história minha. Não pelo seu conteúdo, mas pelas personagens. Pois tudo, tudo que elas passaram, mereciam um reconhecimento melhor. Eu planejara esse final, com a briga do pai e a expulsão da casa em que viviam, quando comecei a escrever, porém não sabia que teria problemas...Eu tentei. Eu tentei escrever alguns finais diferentes para a história, porém ficariam bastante defasados, com o clima da história.Sem ter mais o que fazer e sem conseguir fechar com um final feliz, resolvi, então, colocar este final dúbio. Dando a oportunidade de que, cada um de vocês, pensem no final que desejarem para elas. Enquanto que eu, tanto como autor, quanto como leitor também, darei um final que ficará reservado, em nome do que sinto por essas duas personagens, que me marcaram bastante, tanto quanto Miana e Lucca, duas outras personagens que dedico boa parte do meu tempo para estudá-las e me divirto nas inúmeras situações que elas passam, mas permanecem sempre juntas.Foi algo mágico e especial ter escrito essa história. Senti vontade de fazer uma continuação, ou algo que explicasse mais sobre elas, nem que fosse em uma outra história, mas não ficaria tão especial como foi esta.E, para quem desconhece, Tenebrae é, para Tharan, o que o Inferno é para nós.Obrigado a todos, que leram e amaram essas duas personagens, tanto quanto eu. Agradeço a todos os reviews recebidos, críticas positivas e declarações para as personagens. Graças aos seus reviews que me inspira a continuar a escrever histórias assim e, então... mais uma vez, um grande obrigado a vocês!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!