A Second Change For Us
10 Esquece
Notas iniciais
P.O.V Reyna
Eu queria poder dizer que o beijo daquela noite não havia significado absolutamente NADA, mas isso era uma completa mentira. Assim que beijei ele, eu senti algo por trás daquela brincadeira, eu senti paixão emanando dele, e por mais estranho que pareça, de mim também, eu sentia que seus lábios haviam sido feitos para se encaixar aos dele. Confusa. Isso me deixou confusa, e por mais que eu tentasse sempre voltava à minha cabeça a sensação de beijar Leo Valdez. Ele era literalmente quente, mas eu não iria admitir isso em voz alta nem que fosse expulsa do universo.
— Reyna Avila Ramirez-Arellano?- perguntou o professor de teatro chamado Baco, eu simplesmente levantei a mão. — A senhorita vai apresentar para nós a cena de Julieta na sacada na próxima aula. Ensaie e pegue o roteiro em cima da minha mesa, ok?
Assenti com a cabeça.
— A aula já acabou, não se esqueçam de que esse trabalho vale um quarto da nota desse trimestre e que não tolero desculpas de quaisquer situações.
Todos os alunos se levantaram das suas respectivas carteiras e foram saindo com seus roteiros em mãos. Eu levantei e fui até a mesa do professor.
— Aqui está o seu roteiro e se me permite dizer, eu notei que você deixou a desejar nessa aula, aconteceu alguma coisa?- perguntou Baco. Baco, era um professor de teatro odiado por quase todos os estudantes, mas por eu ter teatro e literatura como um dom ele achava que eu era uma de suas melhores alunas.
— Apenas um livro que estou lendo. — abri um sorriso mentindo descaradamente — Acabei sem querer lendo até tarde e como sempre acordei cedo demais, ainda estou um pouco cansada, só isso.
Ele me encarou desconfiado.
— Está bem, espero ansiosamente por sua apresentação na próxima aula. Romeu e Julieta é uma obra que deve ser apreciada da maneira certa e eu confio esta tarefa a você.
Abri um sorriso nervoso, peguei o roteiro enfiando na minha bolsa e saí da sala. Eu pensava na cena escolhida para mim lembrando daquela noite. A cena da sacada era uma em que Julieta declarava para Romeu, dizendo que renegaria o próprio nome se fosse realmente necessário.
As próximas aulas seguiram uma após a outra e eu só pensava na cena e em Leo Valdez. Seria coincidência Baco me pedir para apresentar uma cena que lembrava a minha situação atual? Seria Leo Valdez o homem pela qual eu iria um dia me declarar após uma festa?
Finalmente chegou a hora do almoço, eu simplesmente fui até a cantina e peguei uma maçã. Poderia ter ido até a mesa onde estava meus amigos, mas preferi ir para o bosque atrás da biblioteca, assim poderia ensaiar a vontade e tomar uma decisão sobre ele.
— Oh, Deus! Romeu, onde está, meu amor? Renegue o seu nome ou diga que me quer como eu o quero que o meu nome renego eu. Apenas seu nome é meu inimigo. Por que tinhas que ser um Monteccio e eu uma Capuleto? Mas se quiseres, renegarei meu nome para ficar ao teu lado, apenas diga-me que me amas. Meu nome o odeia como inimigo, mas meu ser te ama como meu amor. Que destino mais cruel fui ter eu! Amo meu inimigo tão certo como o sol se põe ao entardecer. Deus tenha pena de mim que sempre acreditei no amor! — eu falei lendo o texto. Era apenas uma leitura branca, sem emoções, porém acabei por me entregar ao momento.
A cena deveria ser composta por dois, não apenas eu. Eu o queria, queria um Romeu assim como Julieta.
— Se me chamar de amor, mudo meu nome.Não serei mais Romeu. — falou uma voz por entre as árvores ainda irreconhecível. Ele havia continuado a cena?
— Quem está aí? — falei. Isso seria o que Julieta falaria pra Romeu e irônicamente se encaixava na situação.
— Meu nome é odioso por você, pois é seu inimigo. — Agora a voz era um pouco mais próxima, mas continuava incógnita.
— É você, Romeu Monteccio? Como chegou até aqui? Os muros do jardim são altos e você corre grande perigo, já que pertence á família inimiga.
— Há mais perigo em seus olhos do que em mil espadas. Mas se eles forem doces, estarei protegido. — por trás das folhagens aparece Leo e o meu coração dispara. Então ele recitara todos os versos da cena sem nem ao menos ter o roteiro em mãos?
— Valdez? O que faz aqui? Como me encontrou?
— Fui guiado pelo amor. — ele falou ainda recitando. Eu estava surpresa por ele saber toda a cena de cor e salteado.
— Co-como você sabe todas essas falas?
— Era a peça preferida da minha mãe, ela me colocava pra dormir com essa história.
Ele estava próximo demais, seus olhos castanhos me fitavam num misto de paixão e tristeza.
— Por que está aqui? — ele perguntou — Você deveria ter ido almoçar com a gente.
— Eu... Eu não estou com vontade de me socializar com as pessoas no momento.
Ele riu.
— Foi por ontem? — ele perguntou com o ridículo sorriso torto de sempre.
— Não. — esperava ainda conseguir mentir perto dele.
— Sabia. Reyna, aquilo que eu disse sobre eu querer um beijo seu é verdade.
Eu estremeci quando ele acariciou de leve minha bochecha.
— E o que te faz pensar que eu quera um beijo seu? — eu pergunto ríspida. Como eu queria fugir daquela situação, mas se saísse agora me tornaria fraca ao seu olhar.
—I used to think that I was better alone
Why did I ever want to let you go?
Under the moonlight as we stared at the sea
The words you whispered I will always believe
I want you to rock me, rock me, rock me, yeah
I want you to rock me, rock me, rock me yeah
I want you to hit the pedal heavy metal show me you care — ele começou a cantar um trecho da música de Rock Me do One Direction, uma das minhas favoritas. Como ele poderia saber sobre aquilo? Eu nunca comentei com ninguém.
Involuntariamente, abri um sorriso exatamente na mesma hora que ele acabava a música. A voz dele era semelhante ao da de Harry Styles, havia aquela esma rouquidão entre os tons.
— Como? — eu perguntei ainda sorrindo.
— Porque eu me importo com você.
— Leo, se isso for mas uma das suas brincadeiras...
Antes que eu pudesse falar algo mais, ele me calou com um beijo. Como era boa a sensação dos seus lábios pressionando contra os meus, como era bom sentir suas mãos prendendo minha cintura delicadamente e como era gostoso passar a minha mão entre seus cachos desarrumando-os do meu jeito. O ar se fez necessário e assim que ele se distanciou de mim eu fingi estar brava.
— Nunca mais faça isso. — eu falei. Por mais que aquilo fosse mentira, eu não suportava a ideia de ser fácil assim, de me dar por vencida e abaixar as fronteiras, eu tinha objetivos demais para tentar fazer com que uma pequena quedinha dê certo na melhor das opções.
— Sei que é mentira. — ele falou...desapontado?
— Não, não é. Por favor, esqueça o que aconteceu nesse momento. Foi um momento de fraqueza.
— Então é isso que eu sou? Um momento de fraqueza pra você? — ele falou. Seus olhos estavam quase deixando escapar lágrimas e eu queria gritar para ele que "não" e cair em seus braços, mas eu me contive e foi isso que acabou comigo.
— Sim. — eu falei segurando as lágrimas — Então esqueça.
Me virei pegando minhas coisas e saí correndo deixando que lágrimas manchassem minha visão enquanto o pior momento da minha vida repassa lentamente na minha cabeça, várias e várias vezes.
Esqueça. Esquecer Leo Valdez é impossível, mas é necessário.
Dor no coração. Era isso que eu sentia, como se meu coração tivesse se transformado em cacos de vidros que me esfaqueavam por dentro.
— Você tá legal? — peguntou alguém sentando-se ao meu lado no banco da praça. Minha visão estava turva e eu estava acabada, por impulso eu o abracei molhando sua jaqueta de couro e ele me abraçou de volta.
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