A Second Change For Us
16 Ela voltou do Inferno
Notas iniciais
A raiva estava me invadindo por completo e eu queria jogá-la em cima de Jason. Eu estava suada, fedida e cansada, mas se ele acha que eu me jogarei nos braços dele só porque ele supostamente é apaixonado por mim e está arrependido, então era melhor ele voltar de ré!
Estava praticamente correndo pelo campus ás 10:30 da manhã em direção ao dormitório masculino planejando mentalmente como eu iria dar um tapa na cara do Grace quando tombo com alguém.
– Ai! – uma menina de cabelos ruivos com as roupas totalmente sujas de tinta e canetinha reclama caída no chão e massageando a cabeça.
– Foi mal. Eu tô meio apressada. – falei me desculpando e estendendo a mão para ajuda-la e ela aceita – Sou Piper.
– Rachel Elizabeth Dare. – ela fala sorrindo – Eu realmente gostaria de falar com você, mas eu também estou atrasada para a minha aula de pintura.
– Ahn... Tudo bem, eu acho.
– Ok. Tchau.
Eu apenas aceno com a mão pra ela. Tem cada gente doida solta pelo mundo.
Foco, Piper! Você tem que ir dar um tapa no Grace!
Continuo correndo/andando em direção ao dormitório masculino, um prédio laranja e preto.
Entro no quarto e encontro Leo. Automaticamente lembro de Jason ter citado na carta que ele e Leo eram amigos.
– Cadê o Grace? – eu rosno.
Leo vira assustado pra mim.
– No anfiteatro. As aulas de literatura foram transferidas pra lá até o próximo semestre. – ele diz. Eu continuo a encarar ele que bufa – O que eu fiz dessa vez?
Toda a raiva que era pra Jason explodiu em Leo.
– QUANDO VOCÊ IA ME CONTAR QUE ERA AMIGO DO JASON FILHO-DA-MÃE DESGRAÇADO GRACE?! COMO VOCÊ PÔDE DIZER PRA ELE QUEM EU ERA E QUE ESTAVA AQUI?
Ele me olhou confuso e eu tirei as cartas da bolsa movimentando-as pra cima e pra baixo.
– Eu não sabia que ele tinha te magoado. Ele só disse que era apaixonado por uma Piper que estava estudando aqui. – ele confessou – Eu só queria ajudar o cara, ele foi gente boa comigo, Beauty Queen.
Eu bufei.
– Então se um ladrão for gente boa com você ele pode te roubar? – perguntei ironicamente.
Ele sorriu. O mesmo sorriso que eu sei que lá no fundo havia conquistado Reyna.
– Isso só funciona com a Reyna. – avisei e ele olhou pro lado. Algo já estava errado entre os dois em menos de dez horas? – Desembucha Repair boy.
Ele suspirou.
– Eu tinha uma namorada ano passado. O nome dela era Calipso, ela era bem legal, não lembro muito bem porque a gente terminou, só sei que ela saiu da escola logo depois.
– E o que isso tem a ver entre você e a Reyna?
– Ela voltou e trouxe uma amiga, Drew alguma coisa. Reyna está me congelando com aquele olhar e não deixa explicar que é dela que eu gosto.
– Da Calipso?
– Não. Da Reyna. Acho que talvez... Ela nunca fale comigo, e eu nunca vou poder pedir ela em namoro.
Então ele ia pedir Reyna em namoro? E essa tal de Calipso estragou tudo? E quem é essa Drew? Seria... Drew Tanaka?
– Ok, eu resolvo isso depois que der um tapa em Jason, mas me diz uma coisa... O sobrenome dessa tal de Drew seria Tanaka? – eu pergunto.
Ah, qual é? Por favor, não deixe que seja essa Drew. Eu fui uma boa menina. Só roubei, sei lá, umas 15 vezes em toda a minha vida quando tem gente que rouba três vezes ao dia. Eu nunca bati em nenhuma menina, só na Lacy depois que ela quase rasgou o trabalho de ciências que eu demorei duas semanas pra fazer. São justificáveis.
Ele me analisou.
– Como você sabe que o sobrenome dela é Tanaka?- ele perguntou.
– Nada não. Longa história.
– Tenho tempo.
– Mas eu não. Tchau!
Voltei a sair correndo pelo campus procurando pelas placas que me levariam até o anfiteatro. Eu não raciocinava, era impossível, tudo dentro do meu subconsciente gritava “Ela voltou do inferno” e coisas como “vaca maldita”, “recalcada”, “desgraça não pode voltar de ré”.
Quando finalmente cheguei ao anfiteatro, a classe já estava saindo. Jason e Reyna estavam lado a lado conversando alegremente. Até ela? Como o Grace conseguia fazer todos os meus melhores amigos se voltarem para o lado dele? Idiota dos infernos.
Corri em direção deles e olhei nos olhos azuis claros de Jason que por incrível que pareça ainda me tirava o fôlego.
– Quero falar com você. É urgente. E particular também. — avisei me referindo á Reyna.
– Beleza. Bora sentar ali. – ele apontou pra um banquinho embaixo de uma árvore.
Assenti com a cabeça. Sentamos no banquinho e pude perceber Reyna analisando a cena.
– Pode falar agora, Pipes. –ele disse.
– Não me chame assim, pra você é McLean. – eu reclamei.
– Você é a minha Pipes. Você sabe que é.
– Errado. Eu fui sua. O pior erro da minha vida. – falei ríspida.
– Sobre o que você quer falar? Eu não tenho todo o tempo do mundo e estou com fome.- ele falou mudando o assunto.
Tirei novamente as cartas da minha bolsa e as mostrei para Jason. A raiva havia voltado, pois cada vez que me lembrava de uma palavra citada por ele uma parte minha o odiava mais.
– Como você conseguiu isso?
– Estava na minha bolsa hoje de manhã – respondi ceticamente.
Ele puxou as cartas da minha mão e as escondeu entre os cadernos que carregava.
– Você leu elas, não foi? Esqueça ok? – ele falou.
– Me esquecer por qual o motivo? Pelo motivo de você ter me usado e culpado Octavian por inventar essa aposta?
Ele olhou pra baixo. Eu sabia que seus olhos azuis estariam uma tempestade que sempre começava quando ele estava ou confuso ou com raiva.
– Esqueça ok? – ele falou baixinho e foi saindo.
– Grace! – eu o chamei e ele se virou pra me olhar. Eu sabia que seus olhos estavam entre a tempestade e a bonanza.
Ele sorriu pra mim, seu sorriso de bad boy.
– A Drew Travada¹ voltou! – gritei pra ele ouvir, já que estava longe de mim.
– A Drew o quê?!
– Ela voltou do inferno!
Ele estava estático na minha frente. Eu sabia que ele iria gostar de reviver o passado comigo, mas talvez com uma vadia feito a Drew seja mais fácil.
Eu esperava ver mais um de seus sorrisos eu-sou-um-bad-boy-e-a-mina-atirada-tá-chegando, mas a última coisa que vi antes de virar as costas e ir para o meu quarto, foi sua expressão tensa e uma faísca saindo de seu olhar.
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¹ : Esse foi o apelido podre que eu consegui fazer pra Drew. Eu pensei em traveco, mas por algum motivo não coloquei. Travada seria no sentido de encalhada.
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