A Second Chance
16 Don't wanna lose you
Notas iniciais
Santana piscou os olhos devagar, recobrando a consciência lentamente. Não tinha sido sua intenção dormir, mas as sensações que experimentara com Emily tinham sido tão fortes e os últimos dias compondo tão intensos que a necessidade de seu corpo falou mais alto.
Quando já se encontrava completamente desperta, percebeu que a cama estava vazia. Virou-se para ter certeza. Olhou para o mostrador do despertador que morava em sua mesa de cabeceira: 2h15. Teria sido aquilo um sonho? Agarrou o travesseiro que Emily tinha usado e inalou o cheiro doce dos cabelos da jornalista; tinha sido bastante real.
A luz que entrava pela fresta da porta indicou para a cantora onde procurar por Emily. Vestiu uma camiseta antiga, colocou os pés no piso frio do apartamento e deixou que a luz da sala invadisse o quarto. Demorou um pouco para se acostumar com a claridade, mas quando conseguiu enxergar com clareza, gostou do que viu.
Emily estava de pé, no extremo oposto da sala, observando a cidade pela janela. Os cabelos caíam bagunçados em seus ombros e vestia apenas uma camiseta que Santana tinha deixado largada no quarto. Como a cantora era uns bons centímetros mais baixa, a peça revelava bastante das pernas que mantinham a forma da época de natação.
Ela ouviu a porta do quarto se abrir e os passos de Santana pelo chão. Olhou por cima do ombro e limitou-se a sorrir para a cantora que caminhava até ela. Sentiu os braços da latina ao redor de sua cintura e relaxou o corpo contra as formas dela. Não havia lugar no mundo em que preferisse estar. Permaneceram em silêncio por um tempo, admirando as luzes da cidade que nunca dorme.
- Eu sempre gostei da vista do seu apartamento.
- É? Por quê?
- Ela me lembra você. – E virou-se para encarar Santana. – Linda, sensual, imperfeita, honesta. É uma cidade que batalhou e sofreu muito, mas que tem orgulho de si mesma. Como você.
Erguendo o queixo da cantora, depositou um beijo suave em seus lábios. Santana abriu os olhos marejados. Nunca tinham tido a capacidade de enxergar sua alma tão bem quanto Emily, mas aquilo não a assustava. Não mais. E as palavras seguintes brotaram com naturalidade de seus lábios.
- Eu te amo, Emily.
Fosse qualquer outro casal, a frase soaria precipitada, mas não para elas. Na verdade, a declaração vinha com uma década de atraso. Tinham se apaixonado na noite em que se conheceram, mas nunca conseguiram assumir isso completamente. Emily abraçou forte a cantora e sussurrou em seu ouvido:
- Eu também te amo, Santana. Eu sempre te amei.
Lentamente, o abraço apertado foi se transformando em um beijo cheio de ternura. Mas esse sentimento não era páreo para a paixão que já se instalara em seus corações. E, agora, Santana tinha uma missão a cumprir: fazer Emily perder o controle como ela própria tinha perdido horas antes.
Assumindo o controle da brincadeira, levou Emily até a mesa da cozinha – o quarto parecia longe demais. Com a mulher presa contra a peça de madeira e entregue a seus carinhos, começou a explorar aquele corpo que desejava há tanto tempo. Desceu as mãos pela lateral do torso e, quando subiu, trouxe a camiseta junto.
A altura da mesa era perfeita e Emily sentou-se nela, prendendo o corpo de Santana entre suas pernas. A maior proximidade fez com que aprofundassem o beijo, enquanto Emily apertava a própria virilha contra a latina.
Percebendo o estado em que a jornalista se encontrava, Santana começou a trilhar um caminho por seu colo e o vale entre os seios. Demorou-se ali, sugando avidamente as auréolas e brincando com os mamilos rígidos. A trilha continuou até a altura do umbigo da jornalista, um ponto que a cantora sabia, por experiência própria, ser extremamente sensível naquela geografia.
A memória de Santana estava certa e quando Emily sentiu a língua da latina invadir aquela depressão, deixou todo o controle cair por terra. Emaranhou os dedos nos cabelos castanhos e entregou-se ao prazer que sentia.
Ela mesma não agüentando mais aquela demora, Santana ajoelhou-se e continuou trilhando o caminho que tinha iniciado. Apoiou as pernas da jornalista em seus ombros e provou seu sabor com a ponta da língua. Aquele toque suave levou ondas elétricas pelo corpo de Emily, fazendo com que ela arqueasse as costas e tentasse fechar as pernas que Santana habilmente mantinha abertas.
- SAN! Não me tortura. Por favor!
Santana não tinha a menor intenção de fazer isso e deu logo a Emily o que ela tanto queria. Penetrou a jornalista e logo estabeleceu um ritmo contínuo. Ainda se lembrava de como Emily gostava de ser tocada e logo levou a amante ao êxtase.
Lânguida, Emily deixou-se escorregar para fora da mesa e abraçou Santana. Tinha os joelhos trêmulos e precisou de ajuda para ficar de pé. Fixou os olhos baços na mulher que a levava para o quarto e se sentiu a pessoa mais feliz do mundo naquele momento.
Os corpos exaustos e satisfeitos foram jogados de qualquer maneira na cama, mas instintivamente procuraram o calor emanado pela outra. Permaneceram deitadas e abraçadas em silêncio por um longo tempo. Apesar do que tinha acontecido, ou por causa disso, tinham muitas dúvidas perambulando em suas cabeças, mas não iam estragar aquela noite mágica pensando no futuro. Aquele momento era apenas sobre o presente e como aproveitá-lo da melhor forma possível.
Alguns minutos depois – ou poderiam ser horas, não tinha certeza –, Emily sentiu que Santana adormecera em seus braços novamente. Ajeitou o corpo da cantora contra o seu e beijou-lhe os cabelos negros.
- Boa noite, estrelinha.
Dessa vez estaria ali quando ela acordasse.
***
O sol forte invadia o quarto de Santana quando ela acordou novamente. Depois do temporal da noite anterior, o céu estava claro e existia a promessa de um belo dia no ar. Principalmente para uma cantora em especial, que despertou nos braços da mulher amada. Podia sentir o braço de Emily pesando em sua cintura e a respiração quente em seu pescoço.
Com certo esforço, conseguiu escorregar para fora da cama sem acordar a companheira. Achou alguma coisa para vestir e ficou parada ao pé da cama, observando Emily dormir; o corpo largado, os cabelos negros bagunçados, o rosto completamente relaxado. Ela nunca lhe pareceu tão bonita.
Vencendo o desejo de acordar a morena e fazer amor mais uma vez, foi até a cozinha preparar o café da manhã. Cafeteira ligada e pães na torradeira, Santana sentia-se feliz com o clima familiar que começava a se instalar naquele lugar. E como não podia deixar de ser, transformou aquela felicidade em música, cantando e dançando enquanto terminava de preparar a refeição.
A visão que tinha naquele momento, enchia o coração de Emily de um calor gostoso. Aproximou-se da artista que fazia da cozinha o seu palco e a enlaçou pela cintura, descansando a cabeça em seu ombro.
- Uma garota pode ficar mal acostumada se acordar todos os dias vendo esse espetáculo.
- Esse é o objetivo – um sorriso atrevido brincava em seus lábios. – Mas esse showzinho é só para você.
- Promete?
- Prometo.
Levaram a comida para o sofá, onde comeram abraçadas e em silêncio. Não queriam quebrar a santidade do momento, mas era preciso.
- Você fica por quanto tempo, Em?
- Eu tirei folga por uma semana. Tenho que estar de volta na segunda.
- E depois? A gente faz o quê? – Emily pôde perceber uma ponta de hesitação na voz de Santana. Ela compreendia. Também estava com medo.
- O que você quer que a gente faça?
- Eu quero você! Comigo! Todos os dias! Quero continuar acordando do seu lado. Quero que você seja a primeira a ouvir minhas músicas. Quero olhar para você durante os meus shows. Quero você na minha vida. Por inteiro.
Um sorriso enorme brotou nos lábios de Emily ao ouvir aquela declaração. Queria as mesmas coisas que a latina e sabia que só ao seu lado seria feliz.
- E você me tem. Completamente!
- Não morando do outro lado do país.
- E se eu disser que estou pensando em vir para cá? De vez.
- Não brinca com isso, Em. Você está falando sério?
- Claro que sim! San, eu quero as mesmas coisas que você. E a simples idéia de voltar para San Francisco sem saber quando eu vou te ver de novo me deixa maluca.
- E o seu emprego? Eu sei que você ama o que faz.
- Eu posso fazer uma carreira aqui, existem muitas revistas na cidade. Eu posso ser jornalista lá ou aqui, o que eu não posso é viver longe de você, meu amor!
Já não havia mais nada a ser dito. O destino das duas estava traçado e permanentemente entrelaçado. Abraçaram-se e trocaram um beijo apaixonado, que prometia muitos mais como aquele.
No meio daquele enlevo, Emily lembrou-se de algo que tinha trazido na mala e levantou-se para buscar. Era o CD que havia recebido de Santana durante a despedida no aeroporto. Estendeu o disco para a cantora com um sorriso.
- Definitivamente, essa tem que entrar no próximo CD.
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