Três anos depois:

Treze anos. O número maldito que destruiu o clã, que apagou nossas memórias e nos forçou a caminhar por um caminho de sombras.

O mesmo número que me transformou na melhor ninja das sombras, que me fez entender que, para sobreviver, eu precisava ser mais do que apenas forte — precisava ser imbatível.

Agora, aos treze, minha mentalidade era completamente diferente da de antes.

Não era mais a garota que acreditava não poder salvar ninguém, que via os amigos e a família como tragédias a serem assistidas de longe.

Eu sabia, com uma certeza inabalável, que poderia enfrentar qualquer coisa. Qualquer coisa, até mesmo o próprio Itachi Uchiha, que, como uma sombra sobre a aldeia, estava prestes a receber a ordem para massacrar o clã.

Não podia permitir que isso acontecesse. Não enquanto houvesse algo dentro de mim que ainda acreditasse no impossível.

Itachi não sabia, mas eu o observava com cada vez mais atenção.

Cada passo, cada palavra, cada movimento, tudo era analisado, como um quebra-cabeça que eu precisava montar antes que fosse tarde demais.

Ele, meu quase-noivo, o homem que eu amava, estava prestes a cometer o ato mais cruel de sua vida, e eu faria de tudo para impedir isso.

A dor de perder minha família, de ver a destruição que ele causaria, era algo que eu não estava disposta a enfrentar novamente.

Era uma luta silenciosa, uma batalha travada nas sombras e nas entrelinhas.

Mas, por mais que a dor e a dúvida se infiltrassem nas minhas decisões, a minha determinação nunca foi tão clara: eu não deixaria que o massacre acontecesse.

Se precisasse, lutaria até o fim para mudar o destino de todos nós, até mesmo o de Itachi.

Eu seria sua salvação, salvaria Itachi Uchiha até que meu último suspiro definhasse no ar.

Porém, isso poderia esperar, afinal, estava em uma luta acirrada com um homem que tentou matar o Hokage.

Estava ali, no meio de uma rua sombria, o vento frio cortando minha pele enquanto a adrenalina tomava conta de cada fibra do meu corpo.

O assassino estava à minha frente, um homem alto e encapuzado, o rosto oculto nas sombras, mas sua presença era palpável.

Seu olhar era frio, sem emoção, e o brilho da lâmina que ele carregava parecia refletir a morte iminente que ele trazia consigo.

_ Você não vai impedir o destino do Hokage. — Falou com uma voz baixa e ameaçadora, sua lâmina pronta para atacar.

Mas o que ele não sabia era que eu já tinha decidido que meu destino estava atrelado ao de Konoha.

Não importava o que acontecesse, o Hokage não morreria hoje. Não enquanto estivesse respirando. E muito menos enquanto Itachi ainda tivesse uma chance de ser salvo.

O assassino fez o primeiro movimento, avançando com uma velocidade impressionante.

Sua lâmina cortou o ar, indo em direção ao meu pescoço. Aquele ataque era certeiro, letal.

Mas eu já esperava.

Com um movimento ágil, desviei para o lado, sentindo o fio da lâmina passar perto o suficiente para tocar minha pele, mas sem me ferir.

Minha mente estava clara, meus movimentos fluíam sem hesitação. Cada ataque dele parecia mais previsível do que o anterior.

Mas não podia me dar ao luxo de subestimar o assassino, então o ataquei de volta, saltando para a frente com um golpe certeiro que ele bloqueou, desviando com uma leveza surpreendente.

O som do impacto entre minha espada e a dele ecoou na rua deserta, mas não era suficiente para desestabilizá-lo.

O homem era bom, mas eu era melhor.

"Preciso ser mais rápida."

Cada segundo que passava me aproximava mais do momento em que ele conseguiria completar sua missão.

E sabia o que isso significava para todos nós.

Ele fez um movimento mais agressivo, tentando me pegar desprevenida, mas eu já estava no controle da luta.

Usando a técnica de transformação, me fundi com as sombras ao meu redor, tornando-me invisível por um instante.

O assassino não esperava, e foi o suficiente para eu aparecer atrás dele. Antes que pudesse reagir, minha espada estava em sua garganta, parada apenas a centímetros da sua pele.

_ Não vou deixar que você mate o Hokage. E, mais importante, não vou deixar que você destrua o futuro que estou lutando para proteger.

O assassino congelou, seu olhar agora tomado por uma mistura de raiva e respeito, mas também de medo.

Ele sabia que, se tentasse mais uma vez, seria a última.

Antes que pudesse se mover novamente, dei o golpe final, um movimento rápido e preciso, mais rápido do que ele jamais poderia imaginar.

Ele caiu no chão sem um som, derrotado.

A luta terminou tão rapidamente quanto começou, mas a tensão não se dissipava.

Olhei para o assassino caído, e, ao sentir a frieza da vitória, uma sensação de vazio tomou conta de mim.

Cada luta, cada vida que eu tomava, me afastava mais da pessoa que eu costumava ser.

Mas não podia parar.

Não agora.

Não enquanto Itachi ainda estivesse a caminho de seu destino sombrio.

Eu não podia falhar. Não para ele, não para o clã, não para Konoha.

───※ ·❆· ※───

_ Você está no mundo da lua de novo. — Itachi disse, a voz calma, mas com aquele tom que sempre fazia com que eu me sentisse um pouco desajeitada.

Levantei os olhos, e ao perceber onde estava, me dei conta de que havia me perdido em meus próprios pensamentos.

O ambiente do esquadrão, a escuridão que me cercava, os corpos estirados no chão... tudo isso parecia distante agora.

Estávamos em um lugar mais tranquilo, mais seguro. O peso da realidade havia sido suavizado pela presença dele.

Eu não sabia o que dizer, então só respirei fundo e olhei para ele. Itachi, com sua expressão sempre serena, me observava.

_ Desculpe, eu... — Falei, tentando recuperar o foco. _ Estava apenas pensando.

Itachi arqueou uma sobrancelha, mas não comentou.

Ele sabia como eu era, como sempre me perdia nas minhas próprias memórias e medos.

Mas ele não me interrompia, sempre permitindo que eu tivesse meu tempo.

E isso, de alguma forma, me confortava. Ele me entendia de um jeito que ninguém mais entendia.

_ Sasuke quer te mostrar que consegue fazer o jutsu Bola de Fogo.

Itachi comentou de forma quase desinteressada, mas eu podia perceber o brilho em seus olhos.

Ele não estava falando apenas de um jutsu simples. Havia algo mais, uma leve preocupação misturada à paciência.

Olhei em direção a Sasuke, que estava um pouco afastado, tentando focar no jutsu que acabara de começar a executar.

A chama, tão intensa quanto a de um fogo selvagem, surgia de sua boca.

Ele estava determinado, mas ainda com aquele traço de insegurança, típico de quem busca algo além de sua capacidade.

Sasuke queria impressionar Itachi, queria que ele o visse como mais do que o irmão caçula, como algo mais do que uma sombra da grandeza que Itachi representava.

Mas, como sempre, ele estava sendo consumido por sua própria busca por poder, o que o tornava vulnerável.

Poderia intervir, guiá-lo, mas sabia que isso seria em vão. Ele precisava encontrar seu próprio caminho, mesmo que isso significasse que ele estivesse sozinho nesse processo.

_ Ele vai conseguir? — Perguntei baixinho, sentindo o peso das palavras.

Itachi sempre dizia que Sasuke precisaria aprender por conta própria, que ele deveria amadurecer de forma independente.

Itachi, por sua vez, não deu uma resposta imediata. Ele apenas observou Sasuke, o rosto impassível, os olhos profundos e silenciosos, como se estivesse antecipando o que viria.

_ Ele precisa aprender a controlar suas emoções primeiro. — Foi a única resposta que me deu, a verdade nua e crua, mas ainda assim, cheia de uma sabedoria que só ele possuía.

Senti um nó apertar no meu peito.

Sabia o que isso significava, e o quanto ele estava tentando proteger o irmão sem que o deixasse ver a verdade que se escondia atrás de suas palavras.

Enquanto Sasuke tentava mais uma vez lançar o jutsu com mais força, fechei os olhos, sentindo a calma de Itachi se espalhar por mim.

Sabia que, no final, os destinos de todos nós estavam interligados, e o que quer que acontecesse com Sasuke, com Itachi, ou comigo, o que nos unia era a busca pela verdade, mesmo que essa verdade fosse dolorosa.

A noite começava a cair, e as sombras se alongavam, como se o próprio tempo estivesse esperando para dar seu veredito.

Enquanto Sasuke insistia em repetir os movimentos, sabia que aquilo não era apenas um treino.

Era uma batalha interna, que refletia não só em sua habilidade, mas em tudo o que ele havia perdido, e ainda perderia.

Quando finalmente abri os olhos, vi o olhar de Itachi voltado para mim, calmo e distante.

Aquele olhar, carregado de segredos, de um futuro sombrio que ele já aceitava, mas que eu não poderia, e nem queria, entender completamente.

Os destinos de todos nós estavam entrelaçados de uma maneira que não podíamos mais mudar, mas também sabíamos que a busca pela verdade seria nossa única chance de encontrar algum tipo de redenção, não importa a quão dolorosa fosse.

Sasuke finalmente parou, exausto e frustrado.

_ Você foi bem, Sasuke. — Bateu os dois dedos em sua testa, me fazendo sorrir com o ato. _ Não concorda?

_ Ele está melhor que eu. — O vejo sorrir. _ Não conte para ninguém, mas sou péssima nesse jutsu.

_ Prometo. — Queria preservar essa cena para sempre.