A Salvadora do Olimpo: O Inimigo
1 O campo de futebol rosa
Notas iniciais
Ah! Mais um dia. Eu mal me lembro da noite anterior, só sei que eu estava em uma casa grande, bem, muito maior que o normal. Tinha janelas cor-de-rosa com cortinas vermelhas. As paredes tinham um tom amarelado, como se tivessem pintado uma cor por cima da outra e o piso era de mármore branco com bolinhas pretas. O chão estava cheio de livros espalhados, o tapete estava cheio de manchas de vinho e café, tinha uma pilha de roupas no sofá e o ventilador de teto estava cheio de restos de comida.
Ouvi ruídos vindo de uma escadaria ali perto, decidi seguir o ruído escada acima.
Quando cheguei ao topo da escada, vi uma silhueta de uma pessoa entrando por uma porta aberta, segui a silhueta até uma sala menor do que a outra. Tinha embalagens de batatinha e chocolate no chão. Não havia móveis, mas tinha uma geladeira na minha frente. Tinha esquecido de como eu estava com fome. Corri até ela, mas aquela silhueta apareceu no fim de um corredor (que eu nem tinha reparado!). Não sabia se eu escolhia a silhueta ou comer. Depois de alguns segundos de dúvida, decidi ignorar a minha fome e seguir a silhueta. O corredor era muito mais escuro do que do lado de fora. A silhueta se distanciava mais ainda, mas eu corri o máximo que eu podia. Quando me aproximei da silhueta cai em um buraco e depois ficou tudo escuro.
Acordei em um sofá bem macio, estava muito cansada mas consegui me levantar.
Eu estava numa sala azul com janelas do chão até o teto, as cortinas eram rosas com listras brancas. Não consegui reparar em mais nada quando senti um cheiro muito bom vindo de fora do quarto. Parecia cheiro de amoras.
Abri a porta que dava para um corredor aberto, no fim do corredor havia uma escada que dava para a mesma sala que eu estava a pouco.
Desci as escadas. Ainda sentindo o cheiro de amoras que vinha da cozinha.
Quando cheguei na porta da cozinha, havia uma garota de cabelos negros arrepiados, jaqueta preta, jeans preto rasgado e botas pretas. Ela estava sentada a mesa. Tinha olhos intensos azuis e pequenas sardas que não dava para reparar em sua pela branca.
–Quando será que ela vai acordar? — perguntou.
A menina não estava sozinha. Tinha uma menina de cabelos loiros e olhos cinzentos ao seu lado.
–Eu não sei. Talvez ela seja uma de nós...
–Ou uma mortal.- interrompeu a menina dos olhos azuis.
–Thalia, isso não é possível! Ela é uma de nós. Pode ser até a sua irmã.
Thalia encarou a menina.
–Eu já lhe falei Annabeth, eu tinha um irmão. Jason, lembra?
Thalia pareceu meio triste ao falar o nome desse tal Jason. O que será que aconteceu?
Annabeth olhou séria para Thalia depois para a janela.
–Thalia eu sei que...
–Não, Annabeth. Depois nós conversamos sobre isso.- Elas ficaram em silêncio por algum tempo.
Essa era a hora de eu entrar na cozinha e dizer "Cheguei! Quem são vocês?", mas fiz a coisa certa; entrei na cozinha e disse:
–Eu não queria escutar, desculpe.
Elas se levantaram e me encararam.
–Não sabíamos que estava escutando.- disse Annabeth.
Ficamos em silêncio.
–Você deve estar com fome.- disse Thalia, quebrando o silêncio.- Sente-se conosco.
Havia uma cadeira vazia na ponta da mesa. Fui até ela e me sentei, confusa.
–Onde estou? — perguntei — Que lugar é esse? Quem são vocês?
Elas me fitaram por um momento.
–Eu sou Thalia, filha de Zeus e caçadora de Ártemis.
Eu já ouvi esses nomes em algum lugar.
–E eu sou Annabeth, filha de Atena.
Tá agora isso está ficando meio estranho! Eu já ouvi esses nomes em algum lugar...
–Bem, meu nome é Sarah e sou filha dos meus pais.- eu não gosto muito de me apresentar, mas meu nome é Sarah, tenho 14 anos e adoro ler.
–Sarah, você por acaso conheceu seu pai?- perguntou Thalia.
–Bem, não conheci meu pai biológico. Mas eu morava com uma mulher muito boa quando eu era menor.
Annabeth murmurou algo baixinho, mas eu consegui ouvir. Acho que ela disse "Ela não sabe". O que eu não sei?
–Sarah você é...- Thalia foi interrompida por um barulho vindo do lado de fora.
–A ambrósia e o néctar chegaram!- disse Annabeth saindo da cozinha.
Ambrósia e néctar? O que é isso?
–Thalia, por que eu estou aqui?- perguntei. Thalia me fitou.
–Sarah, venha ver.
Ela me levou até a porta.
Annabeth estava na porta recebendo a encomenda da ambrósia e do néctar e o entregador era normal. Não, espere. O rosto dele, os olhos, não, o olho. Ele tinha um olho só!
–O que é isso?- perguntei a Thalia.
–Isso é um ciclope, uma criatura do nosso mundo.- ela respondeu.
Fiquei boquiaberta.
–Nosso mundo? Como assim nosso mundo? Esse é o nosso mundo, a Terra!
–Não, Sarah. O nosso mundo é...Eu te explico na cozinha.
Não sei o que aconteceu, mas tudo escureceu.
Eu estava novamente no corredor de onde eu havia caído. A silhueta ainda estava fugindo de mim. Eu a segui, apressada.
Cheguei ao fim do corredor, e saí em um lugar ao ar livre. Tinha várias pessoas. Foi ai que eu entendi. Eu saí em um campo de futebol, mas não era um campo de futebol qualquer. Era um campo de futebol rosa. Nossa! Eu nunca tinha visto um desses.
De repente, alguma coisa me atingiu bem na minha cabeça e eu desmaiei.
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