A Salvadora do Olimpo: O Inimigo
3 Conheço o pônei falante
Notas iniciais
Todos os campistas presentes estavam olhando. O que Quíron queria dizer com que eu não devia existir?
Eu sei que fiquei afastada um tempo do mundo e fui atingida por um espinho (que devia ser mortal), mas acho que não era isso que Quíron se referia.
–Se você não se incomodar, Sarah, vou levá-la até a Casa Grande.
Olhei para Quíron depois para Thalia
–Não, senhor. Não me incomodo.
Segui Quíron até uma casa grande (é óbvio), com dois andares. Tinha um telhado azul, janelas baixas e algumas grades na varanda. Entramos na casa.
A sala parecia uma selva. Havia cachos de uvas espalhados, várias vinhas e estátuas de um animal. Seria uma pantera?
–Sente-se. — disse Quíron.
Sentei em uma cadeira à mesa.
–Quíron, onde estou? Que lugar é esse? — perguntei.
Quíron me fitou por alguns instantes.
–Você está no Acampamento Meio-Sangue.
Acampamento Meio-Sangue?, pensei, O que é isso?
–Bem — começou Quíron -, o Acampamento Meio-Sangue é o único lugar seguro para os meios-sangues, ou seja, semideuses.
Semideuses...
–Quíron, quando você disse semideuses, você não se referiu à mim, não é? — perguntei.
Quíron me olhou e parecia pensar "sim, eu me referi à você".
–Sarah, você é uma semideusa e já foi determinada.
–Como assim? — perguntei.
–Bem, quando os semideuses são encaminhados para cá, eles são reclamados por sua mãe ou seu pai, deuses do Olimpo. Você não precisa ser reclamada, é filha de Zeus.
Encarei Quíron por alguns segundos antes de perguntar:
–O que você quis dizer com que eu não devia existir?
Quíron me olhou com desdém.
–Você vai descobrir logo. Agora, vamos. Está na hora do jantar.
Ele assoprou uma concha quando saímos e me acompanhou até o Pavilhão.
O Pavilhão era quase igual a um refeitório. Tinha várias mesas, mas uma para cada deus. Eu me sentei na mesa de Zeus, é claro.
Thalia chegou e sentou ao meu lado no momento em que umas meninas-plantas apareceram com uma bandeja com cachos de uvas e queijos, indo em direção onde estava Quíron e um homem com barba escura e cabelos da mesma cor, encaracolados. Ele usava uma camisa com estampa de leopardo.
–São ninfas. — disse Thalia. — E aquele homem barbudo é o diretor do acampamento, o sr. D. Ele é o deus do vinho.
–Pensei que ele morasse no Olimpo. — falei.
–Não o sr. D. Ele foi tipo, expulso do Olimpo. Ele tem que ficar aqui por cem anos, como punição. — explicou Thalia.
Eu queria saber o que ele fez, mas não estava com vontade de perguntar a Thalia sobre isso.
Eu estava com fome, queria poder comer uma fatia de pizza.
De repente uma fatia de pizza apareceu no meu prato.
–É assim mesmo. — disse Thalia. — A comida aparece no seu prato, você leva até o brasão a comida mais saborosa. Se quiser, faça um pedido.
Havia um brasão, bem no centro do Pavilhão. Peguei meu prato e andei até ele.
Enquanto eu andava, olhos me seguiam. Algumas mesas olhavam estranho para mim, mas não liguei.
Joguei a fatia de pizza no brasão e fiz um pedido.
"Queria conhecer você, pai."
Voltei para a minha mesa. Outro pedaço de pizza apareceu no meu prato e comi junto com Thalia.
Depois do jantar, Quíron me apresentou à alguns campistas. Dionísio, o sr. D também estava lá e disse meu nome errado. Ele disse que meu nome era Sarita Graça.
Após da apresentação teve a canção da fogueira (eu acho que era isso), liderada pelos filhos de Apolo, no Anfiteatro.
Mais tarde, todos foram para seus chalés, menos eu. Fui até a praia observar o luar. Quando percebi, Nico estava sentado ao meu lado.
–O que foi, Nico? — perguntei.
Ele me olhou. Seus olhos eram profundos como um buraco negro.
–Eu não me sinto aceito aqui. — ele respondeu. — Às vezes eu venho aqui, para olhar a lua.
Ele mexeu no bolso do casaco e pegou uma foto de uma garota de cabelos negros e olhos verdes.
–É a sua irmã, não é? — perguntei. — Ela morreu dentro de um autômato para salvar os outros que estavam com ela. Ela era muito corajosa.
Nico me olhou, impressionado.
–Como você sabe disso?
Foi ai que eu percebi o que tinha dito.
–Eu não sei. — respondi.
Olhei para a lua e fiquei com sono. Me despedi de Nico e fui para o meu chalé.
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