A Saga das Lendas - Prólogo
11 O Chamado do Dragão
Um lugar estranho, completamente novo para Yukki. Como chegou ali? Depois de tudo ficar escuro, ela se viu naquele lugar. Coincidente ao seu elemento natural, eles estavam em um campo aberto coberto do mais puro e brilhante gelo. O sol do aparente amanhecer fazia a superfície que pisava brilhar com intensidade. Ali, aquele que aparece em sua frente era familiar. Foi aquele que a caçava quando recém chegara naquele estranho mundo. Sua feição estava pior que antes, sua raiva era evidente, ao ponto de dar uma leve intimidação. Ele retira um enorme machado de suas costas. De dois gumes, era uma arma que tinha o dobro da largura do corpo de seu usuário, e em cada lâmina haviam três pedras da cor roxa, posicionadas em cada canto e no meio.
— Agora você não vai me surpreender. Estou muito mais forte que antes, e você não parece ter mudado nada. Prometo que vou cortar sua cabeça sem você ao menos sentir. Mas antes vou fazer questão de apertar o seu pescoço até ouvir alguns estalos.
— É isso? Ameaças vazias? — Yukki realmente estava diferente de antes. Seu rosto demonstrava indiferença e desdém de seu oponente, que estava bastante confiante de sua força.
— O que? Vazias? Você vai entender do que estou falando. Como cortesia, lhe forneço meu nome : Vesadar! — Ele estende o machado na vertical em linha reta e corre contra Yukki, que se desvia deslizando debaixo do ataque e congelando os pés do seu inimigo e o chutando no lado direito do tronco, mas o pé de Yukki doeu. No combate anterior, ela o venceu mas não o tocou para isso, então nunca teve noção do quão rígido era seu corpo. Ele facilmente se livra do congelamento com passos normais, e bate o machado no chão, criando uma grande rachadura que a seguiu enquanto saltava para trás. Quando dá o último salto, Vesadar tenta acertá-la de cima com um salto acima de sua cabeça, o que a força a criar um escudo grosso de gelo em seu antebraço, que assim que atingido, é gravemente rachado. Com isso, ela se afasta mais um pouco. Sente uma leve dor no local atingido, e percebe que se fosse por mais um pouco, teria perdido seu braço naquele ataque. O ferimento se cura imediatamente, mas a preocupação é constante. Qualquer dano em um lugar vital poderia significaria sua morte, sua regeneração não daria conta de um ataque fatal. Yukki reproduz sua primeira técnica :
— Ryozickt Vandare Galenik! — A grande rajada chega até Vesadar, que usa a lâmina de seu machado para separar o ataque e avança com facilidade. Quase acerta o tronco de Yukki, que seria partida ao meio se não tivesse interrompido a rajada a tempo. O cara está difícil e aparentemente mais forte do que antes. Não seria fácil derrubá-lo. De repente a cabeça de Yukki começa a doer. Ela sente as batidas de seu coração ficarem pesadas e rápidas. Vesadar vê como uma oportunidade e tenta atacá-la, mas uma sensação o impede. A sensação de que ele era pequeno em frente a uma garota indefesa. Os cabelos da jovem se colorem de um branco-azulado familiar. Ela abre os olhos que antes havia fechado, revelando os olhos da mesma cor. Vesadar se desvencilha daquela sensação e avança rapidamente, mas Yukki cria uma espada de gelo fina em sua mão e defende o ataque do machado com a mesma. O gelo não estava quebrando como o escudo de antes, e então foi quando ele percebeu. Não era mais gelo ; e sim, puro cristal. Yukki contra-ataca retirando o machado de sua direção e soca o rosto do homem, que é arremessado até uma base de espinhos de gelo, aonde é perfurado no lado esquerdo do tórax, no braço e perna direitos. Ele cospe uma quantidade considerável de sangue, embora não demonstrasse sinais de dor, e consegue quebrar os espinhos que o atingiram, deixando os pedaços nos lugares perfurados. Ali, ele mostra estar fazendo um esforço enquanto parece estar rugindo. Seu corpo começa a tremer enquanto seu peitoral sofre um inchamento repentino, seus braços e pernas começam a crescer e seus ferimentos se curam gradativamente. Seu tamanho dobrou, assim como todos os outros atributos.
Yukki ainda não parecia surpresa, mas isso mudou quando viu o quão rápido Vesadar ficou. Por reflexo, cria uma dupla de asas grandes em suas costas, e tenta voar para fora do alcance rapidamente, mas seu inimigo dá um poderoso salto que o faz pegá-la pela perna esquerda e a lançar violentamente no chão. O impacto foi tão forte que o chão começou a se quebrar e desfazer, mostrando que eles estavam na superfície de algo. Yukki fugia para não cair, e assim que se colocou em segurança, percebeu na pequena cratera que se tratava de um vazio interminável. Tudo o que caía dali, depois de uma certa altura, era desfeito como pó. Uma morte certa. O cuidado precisava ser extremo. Ela se afasta, mas Vesadar a acerta com um chute nas costas, que por pouco não a joga no mesmo lugar que ele se feriu anteriormente. Mal dá tempo de levantar, e já é alvo de um soco vindo de cima. Yukki consegue se defender se envolvendo com uma esfera densa de cristal que, depois de insistência do homem, se quebra, a deixando perplexa e sem tempo de reação, sendo atingida por dois socos no rosto, um no estômago, uma joelhada no peito que tira todo seu fôlego e um gancho. Ali, também é criada uma cratera, em que ela consegue se segurar na rachadura para não cair no vazio. Agora ela se sentia fraca, e seu cabelo e olhos haviam voltado ao normal, mostrando que havia chego no seu limite de resistência. Ela já estava perdendo a consciência, quando Vesadar surge a olhando de cima e rindo.
— Pelo jeito minhas palavras não eram realmente vazias. Mas posso parabenizá-la, ninguém me deu tanto trabalho quanto você. Me assustou por um tempo, mas fui ingênuo em pensar, mesmo por um segundo, que você era tão forte quanto eu. Desperdício. — Ele pisa várias vezes na mão de Yukki, a forçando a se deixar cair para a morte. Cada dor era uma vontade de ceder. Até que ela não aguenta e solta. Ali, ela se entrega para a morte, começando a ficar inconsciente enquanto cai.
— Me perdoe... Kaiser... Não consegui... Não pude vencer... Apesar de tudo o que fez por mim até hoje... — Ela se vê na mais pura escuridão, ainda mais profunda que a anterior. Seu corpo estava imóvel, ele não respondia a vontade de Yukki. Então uma poderosa voz a chama. Uma voz que dava a sensação de algo antigo, forte e brando, como a voz de um pai lhe dando esperanças.
— Filha dos Grandes, vai entregar-se para a morte? Aquele que lhe deu uma razão ainda luta, ainda está de pé. Você não pode desistir.
— Já estou caindo para meu fim. Fui uma decepção.
— E se eu lhe oferecesse o poder para se salvar e derrotar seu inimigo?
— Isso é possível?
— Basta aceitar-me com você, e tudo será possível.
— Isso me fará voltar para Kaiser e os outros?
— E muito mais. Você só precisa dizer.
— Está bem. Então, eu aceito. Eu aceito!
Vesadar está a rir alto, considerando-se vitorioso. Mas aos poucos, percebe que ainda permanece naquele mundo. Ela foi derrotada, como não voltou para seu mestre? Foi então que sentiu um poder jamais visto por si. Yukki subiu lentamente de volta para o solo, e dessa vez, seu corpo estava extremamente pálido, além de seus lábios se tornarem um forte azul-escuro. De seus olhos saía um forte brilho. Sua energia era emanada a cada passo, que logo no primeiro fechou todos os lugares que antes foram danificados.
— Você não me caçará mais. Porque, aqui, a presa se tornou o caçador. Você será devorado e morto por quem você tanto queria matar. — Sua voz dupla lhe dava a impressão de ser duas pessoas ao mesmo tempo, mesmo que sua voz se sobreponha a mais grossa, uma vez que a sua é suave. Yukki libera um poderoso impulso, que faz Vesadar ser empurrado em uma boa distância. Ele consegue firmar seus pés no chão, usando seu machado para se empurrar para frente enquanto o crava no chão lhe dando suporte. Ao chegar perto de Yukki, a mesma fica parada. Vesadar dá um forte murro em seu rosto, mas ele sequer se mexe. Ao invés disso, ele sente uma dor imensa na mão e percebe que todos os ossos de seus dedos quebraram. Começa então a sentir seus braços e pernas endurecerem por dentro, resultando em uma forte paralisia. Eles foram congelados de dentro pra fora, devido a água de seu corpo no sangue. Yukki lança mais um impulso de energia redirecionado aos quatro membros, que se despedaçam em vários cacos. O frio ficou tão forte que o sangue que sairia das feridas foi congelado no momento que se expôs ao ar. Yukki então carrega o corpo ainda vivo de Vesadar pelo pescoço e cria uma abertura para o vazio abaixo de seus pés. Os dois cairiam, mas Yukki parecia estar voando, mesmo sem asas.O homem estava desesperado, mas não queria demonstrar. Yukki então diz suas últimas palavras para ele. — E é aqui que eu faço as suas palavras serem minhas. — O pescoço de Vesadar é apertado e quebra com facilidade, também se despedaçando, com seus corpo e cabeça caindo e se desfazendo em seu fim. E é neste momento que o lugar começa a se desfazer e Yukki sorri em sentir a energia de quem ela mais queria rever naquele momento.
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