A Saga De Câncer

1 Infância de Sangue


Notas iniciais
Nesse primeiro capítulo, aparece a nova geração dos defensores de Atena, e mostro como que acontecerá a narrativa...
Aproveitem!

Capítulo 1 – A Infância de Sangue

Guerra Santa de Hades — 12 anos depois...

Um grupo de pré-adolescentes brincava sob a aura protetora das Casas de Ouro; estavam de folga até segunda ordem, quando então seriam mandados aos seus respectivos mestres — os poucos sobreviventes da guerra santa contra Hades — para se tornarem a nova geração de Cavaleiros que ainda protegeriam Athena nessa era, até que a deusa completasse seus 200 anos ou morresse antes.

Um grupo brincava nas escadarias entre as casas de Gêmeos e Câncer, que estavam vazias. Até pouco tempo, acreditava-se que nenhum dos cavaleiros tinha deixado herdeiros na Terra. Isso até pouco tempo atrás, quando um grupo de soldados descobrira os filhos de alguns deles.

Logicamente, as crianças não conheciam seus pais, pois eles morreram enquanto elas ainda estavam nos ventres de suas mães, ou eram demasiadamente jovens para se lembrarem dos rostos deles. Alguns sabiam apenas do posto de Cavaleiro deles, por causa das mães que os disseram.

O grupo da escadaria era composto por oito crianças: Hera, uma menininha ruiva, de pele bem branquinha e olhos verdes — era filha de Kanon de Gêmeos, portanto sobrinha de Saga de Gêmeos, Victor, um garotinho moreno de olhos negros — era filho de Shura de Capricórnio, Samuel e Davi, os gêmeos de cabelos violetas e olhos castanhos — eram os filhos de Miro de Escorpião -, Madri, uma recatada garota de cabelos negros e olhos azuis, esbranquiçados por sua cegueira de nascença — era, por incrível que pareça, a filhinha de Shaka -, Zahara, morena dos olhos negros e cabelos castanhos — era a filha do amável Aldebaran de Touro -, Christian, de olhos e cabelos de cor azul bem clarinha — era o filho de Afrodite de Peixes, à semelhança de sua imagem; e, por fim, Matteo, o mais tímido dos oito apresentava cabelos de cor cinza e olhos violetas. Diferentemente dos outros, ele não sabia quem era seu pai, e seus amiguinhos estavam empenhados em descobrir a paternidade de Matteo.

Hera, contudo, era a mais malvada, dizendo sempre que Matteo era filho de Seiya de Pégasus, falando que ele herdara do pai a dependência natural dos outros. Matteo rebatia, dizendo que Kanon teve que apelar para o suicídio para se tornar herói. Geralmente nessa parte Hera desabava em lágrimas, cabendo aos cavaleiros de Bronzes menores acalmarem os ânimos da meninada.

Naquele dia, porém, Matteo se afastara do grupinho, por ter brigado com Hera outra vez. Era uma criança muito sensível, e chorava com facilidade. Era manteiga derretida demais para ser Cavaleiro. Ele sequer sabia por que estava lá; queria apenas viver uma vida normal, ter amigos, estudo, um curso que valesse o estudo e um trabalho que o agradasse. Mas, como a vida não era feita de rosas — por mais que Christian insistisse nisso — e também injusta, o fardo de ser o filho de um Cavaleiro era estar destinado a treinar para se tornar um.

Correndo e chorando, Matteo adentrou na Casa de Câncer, tão silenciosa quanto a de Gêmeos; por vezes o pequenino sentia um vento gélido percorrer-lhe o corpo, dando-lhe mais calafrios. E ele também podia jurar que ouvia as vozes dos mortos, como se eles ainda estivessem no mundo dos vivos.

Estranhamente, aquele lugar soturno deixava Matteo... Em paz consigo mesmo. Decidiu que iria explorar o local. Após horas andando acabou tropeçando em algo no chão.

(Matteo) Porco zio...!Mà che..?!

Ele deu de cara com um baú de tamanho considerável e, embaixo dele, estava a chave. Com o coração batendo forte, ele introduziu a chave na fechadura e, lentamente, rodou-a até ouvir o som do trinco abrindo. Imediatamente, ele viu um considerável número de cartas, escritas todas pela mesma pessoa, sendo que jamais foram enviadas, talvez até de propósito.

Curioso, Matteo pegou a primeira carta; estavam todas amareladas, e pareciam frágeis.Com cuidado, o menino abriu o envelope, disposto a descobrir os mistérios acerca de sua vida...E da vida do autor das cartas.




"Caro leitor,

Seja lá quem você for, se estiver lendo isso, saiba que você está na Casa de Câncer, que me pertenceu até o dia de minha morte. Fato triste e irônico, por ser eu o intermediário do mundo dos vivos e dos mortos, através de uma técnica... Ah, não vou dizer!

Aliás, vou começar isso direito... Caralho, escrever é uma droga, principalmente por que sei que tem pessoas que até hoje esperam por mim... Bem, muito bem, já comecei a falar de mim, vou continuar a falar de mim. Favor abrir o segundo envelope, e começaremos as minhas memórias.

Saudações,
Máscara da Morte de Câncer"

Matteo iluminou seu rosto com um sorriso confiante; pegou o segundo envelope, e abriu-o, com cuidado e alegria. Quem seria esse misterioso cavaleiro que decidira escrever sobre ele? Seria esnobe? Intrépido? Descabido? Ou alguma outra qualidade que ele não sabia ainda?

“Ótimo, você achou minha outra carta. Vamos começar, então...”.





Veneza, Itália — 28 anos atrás

Na bela cidade de comerciantes, nascera, morara e vivera, até certa idade, o homem que hoje conhecemos pela alcunha de Máscara da Morte. Seu semblante era, de certa forma, diferente; sorria mais, era educado, alegre e feliz. Vivia com o pai, comerciante, e os irmãos, todos já assegurados no ramo comercial. Ele era o oitavo e mais novo dos irmãos. Hoje, ninguém mais da família dele está vivo.

O pai de Máscara da Morte, Emanuel, tinha planos diferentes para o Cavaleiro de Câncer; queria que o filho saísse daquele mundinho; Veneza era pouco para ele, coisa que o pai sabia e incentivava, visto que seus outros irmãos possuíam uma mente mais fechada às novidades do mundo.

–Filho — Dizia Emanuel, segurando o filho pelos ombros -,quero que você me prometa que, quando crescer, não morará em Veneza...

–Por quê, pai? — Indagava o menininho, fitando o pai com seus olhos violetas.

–Por que Veneza, meu filho, é pouco para você — Respondia o amável italiano, sem soltar o filhinho -,assim como era pouco para mim...Mas ,hoje, me acomodei. Não permita que isso aconteça a você, esmagando seus sonhos. Não permita jamais, ouviu bem, Carlo?

–Sim, pai — Respondia o amável garoto -Se você quer assim, não morarei em Veneza quando terminar meus estudos.

O velho sorria para o filho menor, que tinha muito futuro, sem falar que, tão prósperos como eram os negócios de Emanuel, era bem capaz que somente um dos filhos, o mais velho Nicolas, tivesse que ficar em Veneza para administrar os negócios. Um dia, porém, a prosperidade da família de Emanuel parecia estar com os dias contados.

Pelo menos uma vez a cada semana, Máscara da Morte — agora podemos chamá-lo de Carlo — via o pai receber estranhas visitas na alta madrugada, sempre homens em ternos chiques, mas com jeitão de mala gente. E isso se estendia por semanas, e o negócio de seu pai cada vez mais via a ruína.

Um dia, porém, Emanuel percebeu que Carlo ainda estava de pé. E o pequenino notara que o pai desenvolvera o hábito que arrastara a mãe, anos antes, para a morte: o alcoolismo. Temeroso, o menininho franzino se aproxima da figura paterna, que estava prestes a terminar a terceira garrafa de Tequila. O ar da sala cheirava à álcool, fazendo o pobre Carlo sentir náuseas.

–Isso, meu filho, é anestesia de classe média... — Disse o homem, já fora de si de tão bêbado — A propósito, há quanto tempo tem estado acordado até tão tarde?

–Desde que você passou a receber esses homens, papai — Disse Carlo em resposta, sentindo-se intimidado -Esses homens...

–...São amigos, bambino– Retrucou o pai, depois de um grande gole de tequila — Não se preocupe...

–Amigos não trazem notícias ruins em pouco tempo...Muito menos dinheiro.

Essa última resposta atraiu a ira do pai que, em um acesso incontrolável de raiva, deu uma forte pancada no rosto do pequeno que, naquele tempo, não tinha poder para se defender. O som da queda de Carlo no chão acabou acordando a casa inteira, sendo necessários três dos irmãos mais velhos para conterem o patriarca bêbado e irado.

O pequenino Carlo tremia e chorava nos braços dos dois irmãos que o amparavam. Com raiva do pai, que descera nele o sarrafo apenas por ter dito a verdade, o pequeno não conseguiu se contiver:

–Tomara que você morra velho arrogante e egoísta. Tomara que essa bebida te mate!

Mal sabia ele que suas palavras acabariam se cumprindo. Mas, diferentemente do que dissera a bebida não seria a culpada.

Continua...


Notas finais
Carlo é um dos nomes mais clássicos dado ao MdM, e quis fazê-lo veneziano por achar uma cidade linda e para mostrar a vida que ele poderia ter levado...
A todos que leram, por favor comentem. Adorarei ler suas opiniões!