A Saga De Câncer
2 A Origem do Mal
Notas iniciais
Comentários, como sempre, são bem-vindo e muito apreciados!
Capítulo 2 – A Origem do Mal
Santuário — Casa de Câncer: 17h e 15min
Matteo prendeu o fôlego com os fatos que se seguiram à cada linha lida da carta em suas pequeninas mãos. Eram fatos muito sofridos para ele, que chorava. Não por medo ou terror, mas eram lágrimas de compreensão; mesmo sabendo que seus “companheirinhos” também sofreram muito em suas vidas, Matteo, estranhamente, via no tal cavaleiro de Câncer certa afinidade... E pesar que ele soubesse bem como era carregar.
Sua vista estava muito embaçada, o que o impossibilitava de ler o que estava escrito na outra página.
(Matteo ,limpando as lágrimas): Mas, Carlo, como você conseguiu?(Mãos tremendo) Como você conseguiu lidar com tudo isso, sem ao menos fraquejar?
"Eu fraquejei, caro leitor"
O menino arregala os olhos; o verso da carta, antes totalmente escrito, teve suas palavras originais substituídas por essa única frase. Seriam apenas seus olhos comovidos pregando-lhe peças? Só poderia ser...
(Matteo, confuso): F- fraquejou? Como...?
De repente, para sua surpresa, as palavras da carta se reorganizaram... Como se o cavaleiro de câncer estivesse falando diretamente com o pequeno Matteo.
"Você ainda está aí? Fico feliz que tenha aguentado a história. Até aqui, eu ouso dizer... Minha vida era perfeita. Tinha família, tinha irmãos que me amavam... Um pai que, apesar de suas falhas ,era um bom pai. Infelizmente, não me lembro de minha mãe; ela morreu em sossego ,jovem demais ,quando me trouxe ao mundo .Até hoje, eu não me perdoo por isso.
Já que toquei nesse assunto...Como vai a sua mãe ?A menos que você não a tenha mais, é claro...Continuemos ,por favor."
Matteo estava estupefato; como esse cavaleiro poderia ter pensado nisso? Sentia muita pena dele, por ter perdido a mãe no dia em que sua vida começou. O que realmente o surpreendera foi o fato de Máscara da Morte ter-lhe perguntado a respeito da mãe dele! Agora, Matteo não queria mais saber: tinha que ler as cartas. TODAS elas.
Veneza, Itália — Continuando de onde parou...
E o tal funesto dia chegou. Como Carlo não tinha idade para trabalhar junto aos irmãos, coube a Estella ,a única prima que ele tinha, levá-lo à escola. Estella tinha 17 anos, e era muito bonita; tinha cabelos castanhos lisos até as pontas,onde terminavam em lindos anéis largos.Tinha os olhos verdes,e era tão gentil quanto exigente.Adorava aquele priminho que sempre andava com ela.Dividiam tudo: comida,restinho de refrigerante,notícias,novidades,segredos...E até sonhos.
–Sabe,Carlo — Disse Estella naquele dia,sorrindo -, conversar com você é tão fácil!Sabe...Queria muito que você só um pouquinho mais velho...
–...Pra você me namorar? — Respondeu Carlo, com um sorriso esperançoso.
–Não,seu bobo!Pra gente poder estudar junto! — Disse ela, rindo e acariciando a juba do menino -Você sabe que eu estou noiva!
– Eu sei... — Ele disse,botando as mãozinhas no bolso — Mas bem que você poderia me dar uma chance,né?
–Quem sabe... Vale em uma próxima vida? — Disse ela, dando um beijinho nas bochechas de Carlo, antes de deixá-lo na porta da escola.
–O. K.... Mas eu vou cobrar, hein? — Ele respondeu e,com um aceno,entrou na escola.
Estella suspirou.Como ela amava esse primo...E sabia que,se continuasse dessa forma,e somasse a ele uma inteligência e facilidade de aprendizado que tinha,ele seria o homem que toda a mulher quereria para si. Era uma pena...
Pois,depois daquele dia,Carlo jamais a veria de novo.Nem ela,nem seus irmãos.Ninguém.
***
A escola de Carlo era integral, portanto ele só voltaria para casa ao fim da tarde, sendo que ou Estella ou Cesário, seu irmão mais velho, apareceriam lá para pegá-lo. Enquanto isso, porém, Emanuel enfrentava outros problemas.
–Porco dio!– Esbrevejou o chefe da família no telefone — Vocês não podem simplesmente...
–Podemos sim,Emanuel — Respondeu o homem — Aliás,você tem até hoje para nos pagar.Caso contrário...Bem,você já conhece nossos métodos,e sabe o que lhe aguarda.Ciao.
O homem desliga o telefone na cara de Emanuel.Estático,Emanuel interpelou Cesário,que passava por ele cheio de mercadorias na mão.
–Largue isso,filho — Ordenou Emanuel,ainda parado -,e peça a seu irmão Silas que pegue para você.
–Tá certo,pai. — Respondeu Cesário,já chamando Silas. — Silas,leve isso para o cliente que está designado nesse papel aqui — Dispensando o irmão,Cesário entrega-lhe um papelzinho,que Silas põe no bolso.
Agora,estavam lá apenas Emanuel e seu primogênito.
– Escute-me bem — Começou Emanuel — A Máfia não vai nos dar trégua,e temo que irão matar a todos nós se não entregarmos nosso negócio como pagamento...
–Mas isso nunca! — Esbravejou Cesário,chutando a mesinha ao seu lado — Não podemos deixar esses safados se darem bem!Pai...
–Quieto,Cesário! — Gritou Emanuel — Já basta terem envenenado sua mãe horas antes de Carlo nascer,para que ela morresse sem poder ver o rosto do caçula!Preste atenção,Cesário — Agora,Emanuel segurava os ombros do filho — Já prometemos Estella em casamento ao filho do chefe da Máfia...Só nos resta agora salvar Carlo!Você entende,não é?
–Sim,pai — Assentiu Cesário,de cabeça baixa — O que quer que eu faça?
–Busque Carlo hoje na escola,filho — Instruiu Emanuel -,e leve-o até as docas.Um amigo meu trabalha com um...Projeto.Esse projeto vai salvar a vida dele. — Emanuel entrega um pequeno papel ao Cesário — É so procurar por esse barco,dizer o nome de Carlo a ele,que será salvo.
–Pode deixar comigo,pai.
***
Enquanto isso...
Carlo não aguentava mais.As horas passavam lentamente,e tudo o que ele queria era sair da aula,correr para os braços de Estella,e ser recebeido pelos irmãos e pelo pai.Apesar de ter uma vida relativamente simples,ele era muito feliz.
–Vamos,sinal... — Sussurrou ele,ao ver os ponteiros posicionados próximos ao número seis. — Toca... Toca...
O sinal toca,com um som estridente e contínuo,competindo com as vozes e passos das crianças,que se dirigiam rapidamente à saída.Carlo conversava alegremente com seu amigo,sendo ele intercambista: Shura.
–Então,você veio da Espanha? — Indagou Carlo,curioso.
–Sí– Retrucou Shura,com um sorriso — Acaso conoces algo de España?
–Não — Respondeu Carlo,que entendia perfeitamente espanhol,só não conseguia verbalizar tão bem — Ah,meu irmão veio hoje...Que pena,queria tanto te apresentar à minha prima...
–Entonces,va a ficar para otra vez,supongo yo– Retrucou Shura,sorrindo -Mi tia ya llegó! Tengo que ir! Hasta pronto!
–Hasta pronto!– Retrucou Carlo,acenando — Cesário!!! — Gritou Carlo alegre,pulando nos braços do irmão,que tinha feições sérias. — Ué,o que foi?
–Não diga nada,Carlo — Retrucou Cesário,sem olhar para o irmão. — Apenas me siga.
Carlo assentiu,mas sabia que havia algo de errado.Cesário não era um cara sério,nem mesmo quando trabalhava.Sempre sorria,ou estava bravo;com ele,era 8 ou 80.Ele tentava acompanhar o passo rápido de seu irmão,mas suas pernas curtas não o deixavam.
De repente,ele ouve uma explosão e,com ela,uma salva de tiros.Aterrorizado,o menino cobre seus ouvidos,mas seus olhos estava muito abertos.
Ele vê uma Lamborghini passar...E,dentro dela,estavam os membros da Máfia.O carro estava todo coberto de sangue e,para seu terror,Carlo vira os cadáveres de seus familiares destroçados.Nesse instante,ele ouve outra saraivada de tiros ainda mais próxima.Quando ele olha,vê seu irmão Cesário morto,cheio de furos,sangrando.
O carro da Máfia virou a esquina.Que sorte,não notaram Carlo,que estava ajoelhado sobre o irmão,aterrorizado e chorando.Ele sabia o que tinha que fazer.Saiu de lá correndo.Sua vista estava péssima,mas sabia para onde ir.Tirou do bolso de Cesário o papel que seu pai havia lhe dado e,mais do que depressa,se dirigiu à doca da cidade.
Ele estava perto,quando ouviu o ronco do motor da Lamborghini.Como suspeitava,a Máfia percebeu que o garotinho ao lado do rapaz que mataram era o úiltimo filho de Emanuel,que não morrera ao nascer.Ele ouviu os tiros,que acabavam acertando o chão ao seus pés.O navio estava perto,e cheio de crianças que não teriam menos idade que ele.As crianças se dirigiam para dois navios.E arlo se dirigiu para o primeiro navio que viu.
Para sua sorte,o navio desatracara no instante que o carro da Máfia chegou ao cais.Agora,não havia mais nada que eles pudessem fazer;o filho de Emanuel se salvou e,com ele,estavam as provas dos atos da Máfia.
Mas Carlo não tinha interesse nenhum nisso.Não voltaria a Veneza.Seu novo lar estava à quilômetros dali.Agora,não lhe restava nada senão a Ilha de Sicília...
(Hera): Gente, o Matteo tá aqui!
Matteo levantou a cabeça sobressaltada, fechou o baú rapidamente e o guardou dentro de sua mochila, que trouxera consigo.
(Samuel): Você matou a gente de preocupação, cara!
(Davi, pegando o braço de Matteo): Vem, Jabu tá chamando a gente! Temos que ir para os dormitórios e. Que cara é essa?
Matteo estava pálido, e chorando. Lera coisas terríveis demais para sua idade. Mas,ele sinalizou que estava bem,e seguiu os amiguinhos.
(Hera): Humpf.(Pensando) É chorão que nem o pai...
Continua...
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