A Saga Crepúsculo Amanhecer - Para sempre
34 Capítulo 34 - Desaparecido
Preciso ficar calma. Não, eu não consigo. Sei que andar de um lado para o outro não vai me acalmar, mas é a única coisa que consigo fazer no momento. Já tentei cozinhar e quase quebrei a adorada cozinha da minha avó. Também já tentei dar uma busca pela cidade e pelos arredores dela, como têm feito à maioria dos lobos e alguns vampiros. Mas, acabei só atrapalhando, achando que todos os homens altos e morenos fossem Sam, fazendo a busca toda parar de imediato e tendo que começar tudo novamente. Ninguém me expulsou, mas, pelos olhares, pude perceber que a minha presença não era bem vinda.
Quando estou nervosa tenho que fazer algo, que não seja tentar ajudar, é claro, pois nunca da certo. Jacob tenta ficar o máximo possível ao meu lado, já que ele é um dos únicos a entender meu nervosismo. Entretanto, não tenho como esperar muito dele. Quando chega ao final do dia ele está muito cansado, dorme por algumas horas e sai novamente.
Sam está desaparecido por três dias e Emily está entrando em desespero. A polícia foi avisada, é claro, embora saibamos que a polícia não pode resolver algo se o mesmo for sobrenatural. Essa é a nossa única certeza: definitivamente é alguém sobrenatural. Todos – até os vampiros – acreditam que seja outro vampiro, talvez até mais de um. Ainda assim, não conseguimos concluir o que realmente aconteceu. Sam não tem inimigos, nem os outros lobos. Talvez os Volturi, mas o que eles iriam querer com Sam? Pelo que eu saiba o perigo para eles somos nós, a família Cullen.
Já Tiffany e Robert apareceram ontem, no final da tarde. Anna me ligou dizendo que não tinha acontecido nada de ruim. Apenas que a mãe deles estava doente e disse que queria ver os filhos, caso ela viesse a falecer. Tiffany não aguentou ficar só um dia ao lado da mãe, quis ficar mais ao seu lado e Robert concordou. Eles só voltaram por causa das aulas e da preocupação dos amigos. Perguntei à Anna porque ela nem ao menos ligou para nos avisar e ela me respondeu que Tiffany tinha deixado o celular na minha casa, por conta da pressa, e Robert simplesmente ficou sem bateria.
No minuto seguinte a ligação, encontrei o celular de Tiffany onde ela disse que deixou, na mesa que fica no quarto de hóspedes onde me troquei e as garotas fizeram a prova dos vestidos. Confesso que fiquei um pouco desconfiada, mas a história deles faz sentido, até o momento em que não tinham em como se comunicar. E o telefone do tal hospício? É realmente estranho.
Não tenho como tirar minhas dúvidas porque estou há dois dias sem comparecer ao colégio. Anna me ligou apenas uma vez, perguntando o que estava acontecendo, respondi que estava doente. Resposta simples e convincente. Tiffany me mandou uma mensagem de texto, dizendo que esperava que eu melhorasse, mas quando tentei telefonar ela não atendeu, tentei três vezes e desisti.
Minha família e os lobos estão apreensivos em relação aos Price, e com toda razão. Meus pais me proibiram de ter mais uma daquelas conversas com Robert, pedindo para me afastar dele, embora eu tenha vontade de coloca-lo contra a parede e força-lo a dizer-me a verdade, pois a história de sua mãe não me convenceu totalmente, ainda estou com um ar de desconfiança.
Continuo andando de um lado para o outro, até estou me sentindo um pouco tonta. Sento na cama frustrada por não poder fazer nada. Batidas na minha porta me fazem acordar da minha frustração.
– Quem é? – pergunto caminhando até a porta, de má vontade.
– Jacob. – responde ele.
Abro a porta e sinto minhas pernas tremerem ao ver Jacob... sem camisa. Nunca tinha me sentido assim, já o vi várias vezes sem camisa e nunca realmente me importei. Talvez seja só o meu nervosismo pelos acontecimentos dos últimos dias. É, talvez seja. Ou talvez eu esteja querendo arrumar respostas que não fazem sentido.
– Está tudo bem? – ele pergunta.
– Sim. – respondo imediatamente, respirando fundo para me recompor. – Só estou chateada por não poder ajudar.
– É, você realmente não é nada boa nisso. Você sempre atrapalha! – ele disse rindo, em tom de brincadeira.
Reviro os olhos e me jogo na cama novamente, nos encaramos por alguns minutos até Jacob decidir falar.
– Não sabemos mais o que fazer. – começa ele. Por um momento esqueço tudo, do desaparecimento de Sam. Ficar ao lado de Jacob é como esquecer os problemas. Mas, minha felicidade não dura muito. – Não o achamos em lugar algum. Definitivamente alguém o pegou. Só isso que sabemos. A razão e o autor disso ainda é um mistério.
– Se Alice pudesse ver o futuro dos lobos... – digo vagamente.
– Na verdade, ela quase viu. – diz ele baixo demais, como se não fosse para eu ouvir, mas eu ouvi.
– O que? – pergunto e levanto bruscamente da cama, fazendo um alto ruído.
– Ontem, um pouco antes da sua festa, ela viu algo... estranho. Viu um homem moreno – um lobo – fraco, machucado, tentando fugir de algo. A visão era desfocada, mas a deixou muito perturbada, pensou que fosse comigo, já que nos vemos mais do que eu realmente queria. – Jacob tentou fazer uma brincadeira, mas desistiu ao ver minha preocupação. – Eu disse que a visão dela não fazia sentido. O que poderia me machucar? Um vampiro? Bem, se ele não for um recém-criado eu poderia me virar muito bem. Disse isso a ela e ao seu pai e eles concordaram comigo. Afinal, a visão parece ser de Sam. Alice tem visto isso o tempo todo, por isso está sempre longe de todos, ela não quer dizer algo que ainda não é concreto.
Demoro alguns segundos para processar o que Jacob acabou de me dizer. Alice está mesmo praticando seu poder com lobos e está evoluindo. Mesmo a visão não sendo tão perfeita como com pessoas e vampiros, já basta.
– Nossa. – suspiro. – Quanta... informação.
– É, eu sei. – concorda ele.
– Você está preocupado não é? – faço a pergunta óbvia.
– Sim. – Jake admite depois de um longo suspiro. – A matilha pode se descontrolar sem um alpha.
– Você é um alpha. – interrompo.
– Mas, é como se eu tivesse a minha própria matilha. – explica ele. – Alguns podem se recusar a me “seguir”. Se nós sentirmos que o primeiro líder ainda está vivo e não está conosco, nos sentimos livres e descontrolados, fazendo o que o instinto quer.
– Então, por que Leah e Seth seguiram você tão rapidamente? – pergunto.
– Porque eles realmente tinham uma razão para isso. Seth tem certo afeto por sua família e não achava justo o que Sam queria fazer com Bella. Já Leah, só queria proteger o irmão e, o mais óbvio, ficar longe de Sam e seus pensamentos.
Concordo com um sinal de cabeça e não digo mais nada. Essa coisa toda de lobo me deixa cada vez mais confusa, sempre tem algo novo. Ainda assim, o tal do imprinting é o que me esperta maior curiosidade. Não imagino Jacob amando alguém. Pode parecer estranho, mas é como se ele já fosse de alguém e eu soubesse e, ao mesmo tempo, não soubesse quem é. E minha intuição nunca falha, pelo menos nunca falhou.
Batidas na porta me interrompem novamente.
– Entre. – digo limpando a garganta.
Minha mãe aparece com um sorriso fraco. É o que ela faz quando não sabe o que dizer.
– Jake, vão fazer a última busca do dia, você irá? – ela pergunta hesitante.
Jacob me encara e faz que não com a cabeça.
– Estou cansado. E, bem, acho que amanhã teremos que ir à aula. – ele responde ainda me encarando.
– O que? – pergunto chocada. – Não! Sam está desaparecido!
– Não podemos arriscar, Nessie. – retruca ele. – Os humanos desconfiarão, isso não é nada bom para nenhum de nós. E quanto à Sam, vamos continuar procurando por ele, não vamos desistir, eu não vou.
– Vou estar do seu lado. – digo pegando sua mão e sorrindo.
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