A Ruiva (o)
6 O Beijo Aconteceu...
Notas iniciais

O beijo aconteceu ...
Foi um erro e repetimos novamente.
Depois de Oliver achar um skate na mochila de um cadáver, ele encheu tanto o meu saco que acabei cedendo e avisei meu pai que eu e Oliver já íamos voltar para dentro dos muros de Alexandria.
E agora eu e ele estávamos ali lado a lado caminhando em silencio para o asfalto que levava diretamente para o portão de entrada de Alexandria.
—Por acaso você sabe andar?
Perguntei quando avistamos o asfalto a pouco metros de distancia.
—Andar de skate é como andar de bicicleta...
Revirei meus olhos.
Finamente sobre o asfalto Oliver colocou o skate no chão.
—Segura?
Oliver me estendeu sua faca e logo um pé dele estava sobre a madeira e outro no chão, com pequena pressão o skate deslizou.
Era como ele estivesse lembrando como andar, pois logo o maior sorriso que ele tinha dado estava presente em seu rosto.
—Meu irmão nunca me deixava usar o dele.
Apesar de estar falando de alguém que estava perdido por ai, o sorriso ainda estava ali, um sorriso que eu queria poder ver mais vezes.
—Quer tentar.
Oliver já parecia intimo do skate, como aquele pequeno pedaço de madeira pertencesse a ele a anos.
—Depois.
Sim depois, pois enquanto Oliver se divertia, eu estaria atento por nós dois.
Depois de alguns minutos, de conversas sobre coisas do passado, apenas ouvindo as risadas de Oliver, apenas ouvido ele reclamar de não saber mandar manobras, dele me perturbando para tentar a subir no skate.
Enfim o portão de Alexandria tinha o seu tamanho natural, estamos poucos metros da entrada.
E o sol estava parecendo ainda mais quente.
—Vem Carl.. Sua vez.
—Não quero.
Reconheci em seus olhos aquele olhar que ele me dava sempre que ria pegar no meu pé.
—Medinho de cair na minha frente... Qual é eu nem vou rir.
Claro que ele não iria rir, ele já estava rindo.
Acelerei meus passos para fugir daquele que estava sobre quatro rodinhas, mas logo pude sentir minha mão sendo pega e ele rindo ao meu lado.
—Corre carl es... Tive uma ideia.
Com uma mão ainda segurando a minha, a outra mão dele vou para minha cintura, tirando minha faca e logo a outra.
—Senta.. Eu vou te empurrar.
Após ouvir isso tentei fugir, acabei quase fazendo Oliver se machucar com as facas que ele segurava apenas com uma mão.
—Me larga.
Depois de me livrar da mão dele que me segurava por algum motivo, me senti sobre o skate e estendia minha mão para Oliver que entendeu sem nem uma palavra.
Logo as facas estavam entre meus tênis e a madeira do skate e as mãos dele e meus ombros.
—Se segura.
—Se eu cair vou te bater..
No inicio foi lento e eu não achei graça nem uma, mas logo estávamos correndo e eu estava tendo um ataque de riso junto de Oliver.
Não senti mais as mãos dele em mim e o skate ai perdendo a velocidade, meus cabelos não balançavam mais com o vento.
Coloquei meus pés no chão, parando assim de vez o skate.
—Eu pensava você não sorria.
Oliver se agachou em minha frente, ele tinha um sorriso estranho em sua boca, seu coque estava quase caído, suas bochechas estavam avermelhada por ter corrido.
—Oliver.
Lambi meus lábios, enquanto minhas pernas fizeram força para movimentar o skate, escutei as facas caindo.
Meu braço esquerdo se estendeu, logo na palma da minha mão estavam os fios ruivos de Oliver e as pontas dos meus dedos entraram entre os fios.
Oliver levou as mãos no chão para seu corpo não cair sobre o meu.
Logo meus olhos se fecharam, mas pude ver que os dele permaneceram aberto, enquanto minha boca fazia movimentos mínimo sobre a dele.
Afastei minha boca pouco centímetro, para logo retomar o beijo que teve um mínimo movimento do outro participante.
Nossas bocas mal se abriam, mas entre o pouco espaço eu pude sentir a língua dele ali tentando e tocando um pouco a minha.
Com minha mão esquerda puxei Oliver para mais perto, assim pressionando ainda mais nossos lábios que enfim se abriram ainda mais.
Agora era um beijo de verdade.
Oliver começou a virar um pouco a cabeça, tentando fugir dos meus lábios, nas primeiras tentativas eu não o deixei fugir, mas quando ele conseguiu, percebi que ele respirou com a boca.
Afastei meu rosto do dele e ambo respiramos rapidamente enquanto nos encarávamos.
Oliver abriu e fechou a boca duas vezes antes de avançar sobre mim.
Há.. Ele também queria aquele beijo e bem mais que eu pelo jeito que a língua dele invadiu minha boca.
—Não tenh... Mais um casal de viados.
Claro que escutamos essa frase vez nos dois se afastamos rapidamente.
Meus olhos não demoraram muito a localizar a dono da frase, era um homem que eu já tinha visto algumas vezes circulando por Alexandria, junto dele tinha um outro cara que eu nem sequer lembrava se já tinha visto.
—Pelo menos mais mulher sobra.
Os dois homem apenas riram enquanto se voltamos na direção do portão, conversando sobre algo que eu não tinha nem um pingo de interesse.
—E-eu vou entrar...
—Oliver... Ei espera.
Me abaixei para pegar as facas e o skate e também meu chapéu que tinha caído em algum momento e eu nem tinha percebido, mas Oliver não me esperou.
[...]
O clima estava estranho demais.
Oliver me encarrava e depois olhava na outra direção e eu estava fazendo o mesmo.
Desde mais cedo estávamos nos ignorando e nos evitando.
—O que aconteceu ?
Perguntou Michonne que estava sentada ao meu lado no sofá hoje.
—Com ?
Levei o garfo cheio de arroz a boca, mastiguei um pouco sem vontade.
—Você e o garoto não estão colados hoje.
É mesmo... Des que Oliver havia chegado, ele estava sempre comigo ou sozinho, Oliver parecia um carrapato.
—Ele quer ficar sozinho.
—é impressão minha ou ele tá olhando pra cá a cada 5 segundos.
Dei um sorriso sabendo que ele estava me olhando.
—Eu acho que o Oliver é meio retardado.
Michonne riu e eu acompanhei.
—Qual é a piada.. Também quero rir.
Eu e ela rimo ainda mais logo depois da ceninha do meu pai.
[...]
Demorei a dormi naquela noite, mas na manhã seguinte, quando acordei só estava eu no quarto.
Passei a manhã cuidando de Judith, que enfim estava dando seus passinhos sozinha.
Quando dei por mim já estava perto de meio-dia, deixei Judith na sala brincando sozinha enquanto eu ai a cozinha pegar uma faca e uma das maças que ainda estavam boas para comer.
Me sentei no chão enfrente do sofá e ao lado de Judith que tinha um giz de cerra em sua mãozinha e riscava um folha de um velho caderno.
Descasquei a maça e cortei uma goma, e pus na boca dela, logo a mesmo segurava o pedaço de maça enquanto ria e mastigava.
—Judith...
A chamei, ela olhou pra mim, mas logo voltou a brincar.
—Acha que tenho que contar aquilo ao pai ?
Claro que Judith não respondeu, mas meu próprio pensamento me gritou um grande Não.
Se fosse uma garota, tudo se resolveria com o tempo, mas Oliver era um garoto e talvez eu tivesse de contar antes de Rick vir a descobrir e ter um choque.
Mas eu não tinha nada para contar, tinha sido apenas um beijo e eu nem sabia que teria outro, mas eu queria outro.
—Mas que porra do caralho...
—Palavrão perto da criança.. Que coisa feia Sr.Carl.
Oliver estava ali escorado no sofá e parecia que estava ali a um bom tempo.
—há você.. eai.
Nosso olhares se encontraram por poucos segundos, pois logo Judith deu uns gritinhos e bateu as mãozinhas chamando minha atenção.
—Pronto.
Entreguei a ela outro pedaço, pelo conto dos olhos observei Oliver se sentar no braço do sofá e logo depois se jogar para trás, assim se deitando.
—Daryl me disse que foi você que escolheu o nome dela.
A mão dele pousou na cabeça de Judith, que não ligou nem um pouco com o carinho dele.
—há sim verdade.
Sorri lembrando do porque, enquanto cortava mais um pedaço e dessa vez levava com meus lábios.
—Ele disse que sua professora algo assim.. Ele não sabe direito.
—Ela era uma professora muito legal.. Sempre cuidando de mim...
—Você gostava dela... Gostar de professoras é bem clichê.
Dei os ombro enquanto escutava a risadinha debochada de Oliver, afinal agora aquilo era um coisa sem importância alguma.
—Oque você estava fazendo com Daryl ?
Perguntei quando me dei conta que ele havia citado o nome de Daryl.
—Fui ver se ele tinha uma chave... Quero apertar as rodinhas do skate... Acabei ficando vendo ele arrumar a moto.
Cortei mais um pedaço da maça, mas dessa vez levei a minha boca, deitei minha cabeça para trás, no sofá.
Não demorou muito para a dele encostar na minha.
—hmm sobre ontem...
Oliver iniciou, mas não terminou de falar, pois quando palavra ontem saiu da sua boca, eu virei rapidamente meu corpo para o lado.
Meus olhos logo estavam na boca entre aberta do garoto.
—her foi estranho.
Enfim ele completou a frase com o rosto corado e encarrando o teto da sala.
—Muito estranho... Mas bom.
Falei dando uma risadinha e olhando novamente para Judith enquanto meu coração batia forte em meu peito.
—é foi Bom shsh...
Não demorou muito para mim sentir o dedos dele brincando com meu cabelo e demorou muito menos para meu rosto esta virado na direção do dele.
Oliver me olhava, era como se esperava algo de mim, assim como eu estava esperando algo dele.
Eu como sempre, fui impulsivo e não pensei muito nas consequências que veriam depois.
Aproximei meu rosto do dele, nossos narizes se tocaram e logo nossos lábios secos se tocaram em um pequeno selar.
Dessa vez nem um de nós dois fechou os olhos.
A cada pequeno e simples toque, meus lábios foram ganhando umidade, eu ganhei vontade de tocar ainda mais.
Mas não fui eu que agi, foi Oliver que levou a sua mão aos meus cabelos e me aproximou com força de si.
Naquela altura meus olhos já estavam fechados e eu já não pensava em nada.
Beijar era Bom.Beijar Oliver era Bom.
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