Notas iniciais
Demorou, mas saiu =)!

Capítulo 5 -Reencontro.

O celular parou de tocar nas mãos de Sesshoumaru. E quando finalmente se aquietou, ele pode ver no visor que haviam três chamadas não atendidas. E as três eram de uma certa pessoa com nome Kohaku.

Ele não atendeu a nenhum toque. Seria invasivo demais se o fizesse. Não queria se intrometer na vida da menina. Já havia lhe causado problemas suficientes, deixara com que sua vida fosse exposta para aqueles jornalistas, não iria ser mais inconveniente com quem lhe fora tão gentil.

Assim que repousou o aparelho em sua mesa, ouviu passos no corredor. Só pelo andar, ele já sabia muito bem que vinha. Suspirou cansado e sentou-se na cadeira confortável. O corpo ainda lhe era dolorido. O simples fato de respirar lhe era tortuoso.

Shinji adentrou o escritório com um sorriso incrédulo na face. Seu médico particular tinha um senso de humor tão abominável como Inuyasha. E era essa semelhança com o meio-irmão que deixava Sesshoumaru tão irritado. Aquele mesmo sorriso, as mesmas palavras em momentos inconvenientes... Mas ainda assim não conseguia deixar de ter simpatia pelo médio que lhe ajudara tantas vezes.

-Shinji... –ele suspirou e lhe deu o olhar seco de sempre. –Se veio fazer alguma piada de mau gosto é melhor ir embora.

-Olá pra você também, Sesshoumaru. –ele riu brevemente. –Não vim fazer piada nenhuma. Queria saber como está se sentindo.

-Melhor do que ontem, mas não tão bem como pensei que estaria. –admitiu um pouco cansado. –Parece que um caminhão passou por cima de mim umas duas vezes.

-É você ainda está meio abatido. Está mais pálido do que o normal. –ele o fitou com olhos mais analíticos. –Tem febre?

-Não. –balançou a cabeça negativamente.

Shinji se aproximou do empresário, colocou a mão direita em sua testa de mármore e por fim acreditou na palavra do amigo. Abriu-lhe a camisa suavemente, ainda desconfiado, para verificar se os curativos estavam bem feitos ou se ele havia os feito como tinha sido solicitado. O médico sorriu satisfeito ao notar que finalmente ele atendera as suas recomendações.

-Não acredito que fez tudo o que eu pedi! Isso é realmente um milagre. Deveria estar se sentindo realmente mal para ter atendido as minhas recomendações.

-Agora acredita em mim? –Sesshoumaru o fitou irônico com um sorriso no canto dos lábios. –Me senti um mentiroso patético agora.

-Ah, mas você cansou de me enganar nos últimos anos. Quantas vezes eu passei remédio e você não os tomou? Eu já perdi a conta. –ele girou os olhos. –Precisa confirmar, você sabe.

-Tudo bem. Eu reconheço a minha teimosia.

Shinji sentou-se na cadeira à frente enquanto Sesshoumaru tratava de abotoar a camisa que lhe fora aberta. O médico fitou um lindo arranjo dentro de um vaso preto e sorriu tocando levemente em algumas pétalas.

-Que flores lindas. Seu jardineiro é uma pessoa muito cuidadosa mesmo.

-Não são flores do meu jardim. –Sesshoumaru o interceptou sem vontade nenhuma de começar com aquela história, sabia bem que o amigo iria caçoar.

-Como? Ganhou essas flores? –Shinji sorriu malicioso. –E de quem foi?

-Ora, por favor! –ele grunhiu nervoso. –Não se faça de idiota, Shinji! Sei muito bem que você nos viu na TV. Sabe muito bem que foi ela que me trouxe.

-Eu sei. –ele riu admitindo. –Estava só lhe provocando um pouco. Eu vi vocês dois na televisão sim. Parecia o tio e a sobrinha.

-Não se esqueça que você tem a minha idade. –ele cruzou os braços e deu-lhe um sorriso sarcástico.

-Infelizmente eu sei. –ele sorriu balançando a cabeça negativamente. –Mas, mudando o rumo, o que ela quis de você?

-Nada. –ele falou como se aquilo ainda lhe soasse extraordinário. –Você acredita nisso?

-Ela não quis nada? –arqueou as sobrancelhas surpreso. –É realmente inacreditável, mas ainda existe gente boa por aí, você deu sorte, meu amigo.

-Gente boa? Sorte? –Sesshoumaru caçoou daquelas palavras. –Está falando sério? Eu me senti humilhado por ela não querer o dinheiro que a ofereci.

-Não seja tão orgulhoso. –ele rebateu. –Foi incrível o que ela fez por você. Se ela achou suficiente o seu agradecimento, então não deve nada a ela. Não seja tão cabeça dura. Céus! Como você é complicado.

-Nem Inuyasha acreditou que ela negou tantas vezes o meu dinheiro. –ele enfatizou o caso tentando deixar Shinji tão impressionado como ele estava.

-Inuyasha esteve aqui?

-Infelizmente. –assentiu apático. –Ele veio aqui para me aborrecer como sempre.

-Por que não acaba logo com essa rixa entre vocês, Sesshoumaru? Vocês são irmãos.

-Meio-irmãos! –ele o corrigiu irritado. –MEIO-IRMÃOS!

-E qual é a grande diferença? Ora, por favor... Não pode culpá-lo a vida inteira.

-Claro que posso. –ele deu de ombros com indiferença.

-Às vezes me pergunto quem é mais infantil, se é você ou Inuyasha. –ele riu balançando a cabeça negativamente. –Não precisa crucificar Inuyasha só porque ele decidiu ser músico ao invés de ficar responsável pelos negócios da família. Foi uma escolha dele.

-Ora, Shinji, por favor! E você acha isso uma escolha maravilhosa? –ele irritou-se de vez. –Meu pai deu o sangue dele pela a empresa! Deu o sangue dele para deixar todo esse império para os filhos! E o que aquele imbecil faz em agradecimento? Ele virou as costas para o esforço que nosso pai teve para correr atrás de um sonho imbecil de virar músico! MÚSICO! Isso é possível? Não me peça para entender uma coisa dessas, Shinji. Eu nunca vou entender.

-Sesshoumaru, você...

E antes que Shinji pudesse falar alguma coisa, o celular encima da mesa voltou a tocar. Uma melodia agradável, algo como jazz. Shinji parou subitamente ao escutar aquele tipo de música soando livremente pelo cômodo. Os dois olharam para o celular que mostrava inocentemente o nome insistente no visor. Kohaku.

-Não vai atender? –Shinji indagou sem entender.

-Esse telefone não é meu.

-E de quem é? –Sesshoumaru não precisou responder, um estalo veio na mente de Shinji mais rápido do que as palavras nos lábios do empresário. –É dela?

-É.

-Por que não atende? Vai ver que ela pediu pra alguém ligar pra saber onde deixou o celular.

-Eu não sei, não quero bancar o enxerido. Não vou atender.

-E o que pensa em fazer? –ele indagou incrédulo. –Vai guardar o celular como um suvenir no seu escritório?

-Não. –ele girou os olhos sabendo que a próxima frase seria utilizada como piada. –Eu vou levar para ela.

-O quê?

Shinji por um momento ficou estático, completamente sem palavras. Não conseguiu acreditar nos próprios ouvidos. Era como ouvir uma piada dos lábios de Sesshoumaru, o que é algo praticamente impossível de acontecer, tanto quanto aquelas palavras que lhe eram surreais e nada características.

Mas por um segundo, Shinji acabou tendo uma enorme crise de riso. O silêncio de segundos foi quebrado por risadas altas e descompassadas.

-Do quê que está rindo? –Sesshoumaru indagou irritado.

-Inacreditável! Inacreditável! –ele mal conseguia pronunciar as palavras.

-Cala essa boca.

...

Rin parou na frente da porta do apartamento. Seus braços estavam abarrotados com cartolinas enroladas como um rocambole, pastas coloridas também batalhavam por um remoto espaço e uma bolsa pendia pelos ombros. Havia tudo para dar errado. Mas milagrosamente, ela conseguiu pegar o molho de chaves do bolso e adentrar o apartamento que se encontrava num negrume profundo.

Foi entrando cambaleante. Procurou o interruptor ao lado da porta e assim que o achou tratou de acender com o cotovelo. As luzes dominaram o ambiente de maneira confortável e sem demora ela fechou a porta com o pé direito e jogou todas aquelas coisas encima da poltrona macia. E, sem mais delongas, jogou-se ao lado extremamente cansada.

-Não acredito que cheguei em casa...

Instantes depois a porta abriu-se de leve. Rin suspirou não acreditando que havia passado aquele sufoco todo à toa. Kagome estava bem atrás dela, poucos minutos as tinham separado.

Kagome entrou com um sorriso nos lábios, embora aparentasse cansaço. Trancou a porta atrás de si e encaminhou-se para o lado da prima que elevou o rosto como se estivesse preste a cair ao chão de tanta exaustão.

-Nossa, você parece mal! –Kagome franziu a testa.

-Estou morta. –ela suspirou. –Não imagina o quanto estou cansada.

-Ah, imagino sim.

-Além do dia cheio que tive, os professores quase me mataram de tanto trabalho. Ainda tenho muita coisa pra fazer. Você nem imagina, Kagome. Tenho inúmeros projetos para entregar.

-Eu vi você na televisão. Nem acreditei quando a vi ao lado do Sesshoumaru.

-Nem eu acreditei que fui parar no meio daquela confusão! –ela falou ainda abismada. –A imprensa cercou a casa dele, Kagome!

-Eu sei. Eu soube de tudo. Tanaka escreveu a matéria sobre vocês dois, mas não se preocupe. Eu o auxiliei em segredo. –ela lhe deu uma piscadela. –Não tem mentira nenhuma na matéria que o jornal vai publicar amanhã.

-Obrigada, Kagome! –ela sorriu satisfeita, mas logo fechou o semblante. –Fiquei pensando hoje o dia inteiro no que iriam escrever sobre mim e sobre o senhor Sesshoumaru. Não foi justo o que falaram dele... Ele foi vítima de um golpe muito cruel.

-O dinheiro atrai essas coisas, você sabe. –deu de ombros e logo lhe abriu um sorriso. –Mas agora tudo isso acabou!

-É isso que eu espero. Muita gente ficou me olhando de um jeito esquisito na faculdade. Não gosto disso... Mas acho que vão esquecer logo de tudo isso.

-Claro que sim. –assentiu de leve. –Você vai ver. Logo, logo vai estar dando muitas risadas de tudo isso.

-Eu não tenho tanta certeza quanto a rir dessa história. –ela falou descrente balançando a cabeça negativamente.

-Mas, me conta. –ela a pressionou, o ponto da conversa ainda não havia chegado onde queria. –O que sentiu quando o viu de novo? Ele é mesmo um homem muito bonito, mesmo todo machucado.

-É... –ela engoliu a seco, não estava preparada para tocar naquele assunto, talvez nunca estivesse. –Eu não sei, Kagome... Eu só sei que sinto algo muito forte em relação a ele. Algo esquisito... Disso tenho certeza. Eu só não sei identificar. Não sei o que é realmente esse sentimento, Kagome. Mas é algo que me assusta, faz com que eu me sinta vulnerável. Algo que nunca senti.

-Ah, Rin... Isso não parece ser nada bom.

-Eu sei, eu sei... Estou me sentindo aliviada por essa história ter terminado, não faz ideia. Não iria ser bom me encontrar com ele de novo.

-Acha que se apaixonou?

-Não. Não é tão simples assim. –ela falou com os olhos confusos, abarrotados de alguma coisa diferente que Kagome não conseguiu identificar. –É algo mais forte, mais intenso.

-Isso me dá arrepios. –ela se retesou.

-Imagina a mim. Você acredita Kagome, que ele ia me dar duzentos mil dólares?

-O QUÊ? –ela pulou do sofá com os olhos arregalados e quase não conseguiu falar as palavras, balbuciou todas as sílabas em estado de choque. –DUZENTOS MIL DÓLARES? CADÊ? ONDE?

-Você não escutou não? –ela girou os olhos. –Eu disse que ele IA me dar... Eu não quis.

-Por que não? –ela choramingou incrédula. –Como alguém nega um dinheiro desses, Rin? Ficou louca?

-Ah, Kagome! Com que cara eu ia aceitar uma coisa dessas? Eu não fiz nada por dinheiro...

-Com que cara? –ela gritou estupefata. –Ah, se eu pudesse trocar a minha cara com a sua... Ah! Não acredito!

-Para com isso. –ela riu se divertindo com o ataque da prima.

-Você é completamente louca!

-Ah, relaxa, Kagome. Você ainda vai rir disso depois. –ela falou de forma irônica.

-Não, não vou!

-Sabe, além de ter tido um dia cheio como esse ainda perdi o meu celular.

-Se estivesse com o dinheiro poderia comprar outro. –Kagome ainda choramingava.

Rin somente riu com a birra de sua prima que desfez o bico e a acompanhou na risada.

-Ai, Rin, você é inacreditável, sabia disso?

-É o que dizem! –ela deu de ombros.

-Não se lembra da última vez que viu seu celular?

-Acho que estava na...

E por um momento ela deu um salto. Teve a certeza absoluta de onde deixara o aparelho. Sua face ficou pálida, a cor abandonou sua tez numa velocidade incrível. Como se todo o sangue tivesse descido.

Kagome balançou a prima ao perceber sua morbidez. Não entendeu o motivo de tanta apreensão.

-O que houve? Rin?

-Eu... Eu deixe lá, Kagome. –balbuciou as palavras ainda assustada com o fato.

-Deixou onde?

-Na mansão Taishou.

-Ah, não... –suspirou. –E agora?

-Eu vou ter que ir buscar. –ela falou atônita.

-Por que não liga para o seu celular? Talvez ele atenda.

-É. Boa ideia.

Rin correu até o telefone de casa. Discou o número com uma ansiedade avassaladora que rasgava o peito de forma incomum. Sentiu a taquicardia que odiava, as mãos suando seguravam firmemente o telefone contra a orelha direita. As batidas do coração martelavam contra o peito a cada chamada. Até que finalmente uma voz soou, a dela mesma. Estava entrando na caixa postal.

-Ninguém atende. –ela suspirou pondo o telefone no gancho.

-Vai ver que ele não quer atender o seu celular ou não está perto.

-Ah, meu Deus... Por que logo comigo?

-Essa frase já está ficando um pouco clichê pra você, Rin. –Kagome riu zombando da sorte da prima.

-Nem me fale.

-Ah, antes que eu esqueça! –Kagome deu um salto lembrando-se de algo importante. –Encontrei com Ayame hoje por acaso, ela disse que vai estar te esperando pra tirar as fotos no aniversário do Shippou.

-Ah! Eu tinha esquecido completamente! –arregalou os olhos ao lembrar-se do compromisso. –Quando é mesmo?

-Amanhã, Rin. –falou incrédula. –Está em que mundo?

-Nem eu sei. –ela suspirou cansada. –Vou preparar as coisas para amanhã então. Não acredito que tenho mais isso para fazer. Eu não tenho tempo nem pra respirar...

-Isso é só uma fase, daqui a pouco tudo se ajeita.

-Ah, tomara que você tenha razão.

-Se você não fosse, Ayame iria te matar.

-E com toda razão. –assentiu. –Ainda bem que você me falou.

-Vai tomar um banho e relaxar, você está precisando. Suas olheiras estão enormes! Está acabada! –ela sorriu zombeteira.

-Obrigada pela parte que me toca. –ela retribuiu a ironia com um sorriso no canto dos lábios.

...

Rin dormia tranquilamente no aconchego de seu quarto. O sono pesado havia lhe pegado rápido. Os olhos cerrados pareciam colados.

-Rin! Acorda! Rin!

Uma mão a sacudia com urgência. Ela mal conseguiu descolar os olhos. Achou que pudesse estar sonhando. Mas os gestos persistiram até que por fim desligou-se de sua inconsciência. Abriu os olhos lentamente e a primeira coisa que viu, foi uma silhueta feminina surgindo pouco a pouco na sua visão embaçada.

-Kagome?

-Rin, a festa do Shippou! Anda, levanta!

-Que horas tem? –ela sentou-se lentamente.

-Dez horas!

-O QUÊ?

Rin levantou-se num solavanco com um espasmo. Os olhos arregalados e o coração acelerado. Estava realmente atrasada.

-Por que não me acordou antes?

-Porque eu só acordei agora. –admitiu. –Desculpe, eu esqueci de colocar o relógio pra despertar.

-Ah, e agora? –ela saiu correndo pelo quarto.

-Agora é pra nós duas corrermos antes que Ayame coma nosso fígado.

...

Sesshoumaru já havia acordado há muito tempo. Era uma manhã agradável de sábado. O sol brilhava num céu azul livre de nuvens. Um dia quente com ventos amenos.

O empresário fitava aquele dia lindo pela varanda de seu quarto. Ele se encontrava sentado numa cadeira confortável, queria respirar ar puro. Arurun estava ao seu lado deitado ao chão com os olhos bem abertos.

Sesshoumaru passou a mão no pelo macio do cachorro que não se moveu, só balançou o rabo contente por receber atenção.

-Hei, você anda preguiçoso ultimamente. –ele lhe falou. –Precisa correr. Esse jardim não é grande o suficiente pra você?

Sesshoumaru riu de leve ao lembrar da cena desconcertante de seu cachorro avançando para cima de Rin. Ele não acostumava a ter aquela reação, era um cachorro muito dócil e adestrado. Aquela atitude deixou o homem completamente pasmo e sem jeito.

Por um momento esqueceu-se de Arurun ao seu lado. Ficou pensando na menina dos olhos castanhos que invadira sua vida na hora mais turbulenta. Era algo estranho de lidar. Não estava acostumado a falar com pessoas fora de sua rotina. Pessoas como Rin.

Ela com certeza era diferente de todos que conhecera. E aquilo sem dúvidas o deixava sem saber o que fazer. Não sabia lhe dar com aquele tipo. Era uma situação atípica com uma pessoa mais atípica ainda. Teve vontade de rir da mesma maneira que Shinji fizera. Talvez ele estivesse certo, pensou. Talvez pudesse ser realmente uma piada. Ou quem sabe ter se tornado uma piada.

O empresário levantou os olhos e fixou seu olhar para dentro do quarto. Um celular preto repousava silencioso numa escrivaninha. Ele suspirou cansado ao ver aquele objeto de novo.

Não demorou muito a se levantar e tomar uma atitude.

...

Rin saiu de dentro do banheiro correndo com uma toalha rosa presa ao corpo e uma touca de plástico azul clara protegendo os cabelos. E assim que saiu, a prima adentrou o banheiro para fazer o mesmo.

Rin entrou no quarto vestindo a roupa que por sorte havia separado de noite. Vestiu-se tão rápido que parecia estar participando de alguma maratona.

Colocou um short jeans verde escuro e uma blusa branca folgada, bem fresca. A blusa possuía uma estampa bastante peculiar, nada menos do que a Torre Eiffel. Passou um lápis preto ao redor dos olhos, um pouco de Rímel e um batom claro.

Assim que acabou de se maquiar partiu as pressas do quarto, carregando uma enorme bolsa marrom escuro que pendia pela maçaneta da porta.

Antes de sair, colocou um all star branco nos pés e gritou para prima.

-JÁ ESTOU INDO! NOS ENCONTRAMOS LÁ.

-TUDO BEM! –Kagome gritou de dentro do banheiro.

...

Na frente de um enorme salão de festa infantil havia uma mulher que sorria satisfeita por ter se atrasado somente quinze minutos.

Tivera sorte com o taxista, ele fora rápido e o trânsito fluiu de forma amena numa das cidades mais turbulentas do mundo.

Rin adentrou o salão de festas que ainda se encontrava vazio. Quer dizer, quase vazio. Ao fundo, dava para se notar um casal e uma criança de pelo menos oito anos, sentados numa das mesas conversando baixo.

O Buffet do salão já havia começado a trabalhar, a arrumar os últimos preparativos para receber os convidados que já deveriam estar a caminho.

A mulher sentada à mesa notou a presença de Rin. Levantou-se suavemente e foi caminhando até ela.

Ayame sem dúvidas era uma mulher bonita, herdeira de uma beleza distinta, nada convencional. Isso porque seus pais eram de etnias bem diferentes. O pai de Ayame tinha descendência Romênia, enquanto que sua mãe era Japonesa pura.

Ayame possuía olhos verdes, tão verdes como as florestas. Os cabelos lisos cumpridos eram de um ruivo natural, alaranjado. A pele bem branca salpicada com sardas modestas que lhe davam um ar infantil e jovial. Era alta e esguia.

Ela estava usando um vestido veraneio sem alças da cor uva e uma sandália de salto alto preta.

O delineador preto lhe acentuava mais os olhos um pouco repuxados e bem verdes.

-Que bom que você veio, Rin! –ela começou abraçando a menina. –Estava preocupada.

-Desculpe pelo atraso, Ayame. –ela sorriu sem jeito. –Eu acabei perdendo a hora, eu sinto muito.

-Não precisa pedir desculpas. –ela sorriu. –Você só se atrasou um pouquinho. O salão ainda está vazio, pode começar a tirar as fotos dele agora. Aproveitar que não tem ninguém correndo e derrubando bebidas pelo chão.

-Claro, claro! Vou começar. –ela assentiu sorrindo.

-E Kagome? Não veio com você? –ela pareceu procurar a outra por sobre o ombro de Rin.

-Não. Ela vai chegar mais tarde.

-Ah, tudo bem, sem problemas.

O homem que estava sentado à mesa junto com Ayame levantou-se carregando a criança nos braços e caminhou em direção as duas.

Ele aparentava ser um pouco mais velho que Ayame, mas não muito. Seus olhos eram azuis não muito brilhosos, quase foscos. Os cabelos negros lisos bem pretos e as sobrancelhas grossas. Tinha um perfil bonito e um sorriso enorme e radiante. Só de olhar para ele, percebia-se que se tratava de um homem agradável.

Ele usava um bermuda cáqui, uma blusa de manga preta sem estampas e um tênis esportivo branco. Ele tinha um estilo bem despojado, atlético.

Kouga era o primo por parte de pai e o marido de Ayame. Eles pareciam se dar muito bem. Desde crianças eram muito ligados. Na adolescência começaram a namorar e não tardou para casarem e terem logo o filho, Shippou.

Diga-se de passagem, o menininho Shippou, era lindo. Parecia muito com Ayame. Na verdade se fosse menina, seria a cópia perfeita da mãe. Possuía os mesmos olhos verdes, o cabelo ruivo e as sardas pelo rosto. Ele parecia mais franzino e baixinho do que o normal com uma bermuda azul marinho, a blusa branca com a estampa de algum personagem masculino de Anime e um all star no pé.

-Hei, estávamos te esperando! –a voz de Kouga saiu grave, mas ao mesmo tempo brincalhona. –Como tem passado agora que virou artista de TV?

-Estou bem. –Rin respondeu com um sorriso sem jeito e logo voltou seus olhos para Shippou. –E você, rapazinho? Como se sente mais velho?

-Ótimo! –Shippou riu satisfeito. –Logo, logo vou ser que nem meu pai! Você vai ver só, Rin! Vou fazer tudo que ele faz.

-Vai mesmo! –Kouga o encorajou rindo.

-Eu posso com dois Kougas na minha vida? –Ayame riu girando os olhos.

-Hei, Shippou eu trouxe uma coisa pra você!

Rin lembrou-se num estalo. Procurou dentro da bolsa marrom um embrulho, fuxicou, remexeu e finalmente encontrou.

Assim que o papel de presente prateado reluziu, Shippou deu um salto do colo do pai e foi correndo na direção de Rin que lhe entregou satisfeita o presente. O menininho não demorou a rasgar o embrulho com voracidade e quando por fim viu o carrinho de controle remoto dentro de uma embalagem de plástico, seus olhos brilharam completamente fascinados.

-UOU! QUE MÁXIMO! –ele gritou. –Você é a melhor, Rin! Você sempre me dá presentes maneiros!

...

Kagome terminava de se arrumar. Fitava-se no espelho enquanto colocava os brincos de argolas nas orelhas. Ela usava um simples vestido laranja sem estampas e uma sandália de salto alto branca. Não utilizava muita maquiagem, só um blush rosado nas maçãs do rosto e um batom claro nos lábios.

Olhou a hora no relógio e presumiu que já estava na hora de sair. Pegou a bolsa bege que estava encima do sofá e quando giraria a chave na fechadura da porta, a campainha tocou a pegando completamente desprevenida.

Kagome franziu a testa confusa. Não estava esperando ninguém.

Olhou pelo olho mágico da porta e tudo que viu foi um homem bastante familiar. Ela prendeu a respiração por um segundo, estava abismada de mais com o que havia visto. Não podia estar enganada. Era mesmo ele.

Era mesmo o homem de cabelos grisalhos e olhos âmbar que estava parado na frente de sua porta com uma face tranquila, despreocupada. Não tinha dúvidas de que era Sesshoumaru, mesmo que só o tivesse visto pela televisão. Mas aquele rosto não se esquecia facilmente.

Foi então que ela abriu a porta quando ouviu o segundo toque da campainha.

O primeiro impacto foi estranho para ambos. Estranho para Sesshoumaru porque ele não esperava que outra pessoa atendesse a porta, pensou que Rin a abriria e tornaria aquele momento menos constrangedor. E para Kagome era completamente desconfortável, não sabia o que fazer. Ela tinha hora e não poderia fazer sala caso ele quisesse.

Ele usava uma roupa social como sempre. Uma blusa de botão branca com riscas de giz e uma calça social preta lisa. Nos pés sapatos sociais também pretos que pareciam novos de tão brilhosos.

-Sim? –ela indagou.

-A Rin... Ela está?

-Rin? Não. –ela respondeu balançando a cabeça de leve. –Ela saiu.

-Você sabe onde posso encontrá-la? –ele indagou um pouco frustrado por ter ido até lá à toa. –Ela esqueceu o celular comigo, queria entregar.

-Bem, eu estou indo encontrar com ela. Você gostaria de vir junto?

...

Rin tirava inúmeras fotos. A lente de sua câmera profissional era algo invejável.

Ela gostava de fazer aquilo, sentia-se bem em fotografar.

Não fazia ideia de quantas fotos submetera a Shippou, a sua família e convidados. O que sabia era que todos estavam satisfeitos de mais com sua agradável presença. Rin não sufocava ninguém, tirava fotos espontâneas e combinadas, mas deixava todos livres. Era por esse motivo que Ayame e tantos outros a haviam escolhido como fotógrafa oficial.

Rin recostou-se na parede um pouco cansada. Crianças corriam para todos os lados, garçons segurando bandejas de prata recheadas de guloseimas percorriam o salão lotado. Mulheres e homens se reuniam em diversas mesas, tagarelavam coisas divertidas e riam alto. Ayame e Kouga faziam sala para todos que chegavam. Estavam contentes com o oitavo ano do filho único.

E por um momento, Rin sentiu-se completamente deslocada naquela paisagem alegre. Ficou se sentindo distante, como se não fizesse parte daquela realidade. Um buraco imenso tomou conta de seu peito. Aquela sensação desagradável a invadiu de novo como tantas outras vezes. Era estranho sentir aquela sensação, não sabia como fazê-la passar. Como se curar daquele mal? Um mal que não tinha nome. E esse era o mais assustador.

Quando saiu de seu transe, ela suspirou um pouco cansada. Pegou novamente a câmera que pendia por uma fita grossa do seu pescoço e retomou o trabalho. Mas assim que se posicionou para recomeçar, uma voz grave soou nas suas costas a fazendo congelar totalmente.

Ele havia a chamado com leveza, como se estivesse ali o tempo todo a observando em silêncio e só naquele momento havia lhe chamado à atenção. Rin virou-se bruscamente ainda não compreendendo o que ele fazia ali. Por um momento achou que tivesse ficado louca.

Mas foi só se deparar com aqueles olhos para ter a certeza de que ele era real. De que realmente estava ali há passos de distância com o olhar vago e seco de sempre. Um olhar de quem não se importa.

-Senhor Sesshoumaru. –ela deixou escapar quase que num espasmo. –Mas o que...

-Eu o trouxe aqui. –Kagome sorriu surgindo logo atrás.

-O quê? –ela franziu a testa ainda sem compreender.

-Eu fui até a sua casa. –por fim ele explicou. –Você esqueceu o seu celular.

-Ah! Meu celular! –ela sorriu descontraída. –Que bom que não o perdi! Obrigado, por trazer.

-Eu vou deixar vocês dois. –Kagome sorriu. –Vou cumprimentar Ayame.

E antes que Rin pudesse falar qualquer coisa, a prima já tinha saído correndo atrás de Ayame.

E lá estavam os dois novamente. Tentando não se encarar, buscando algum objeto para fitar a fim de fugir do impacto visual. Sesshoumaru sentiu-se ridículo por ir até lá. Ele podia muito bem ter dado o aparelho para Kagome entregar a Rin, mas por algum motivo ele quis entregá-lo pessoalmente.

O empresário pegou do bolso o celular e entregou nas mãos dela que sorriu com o rosto um pouco corado.

-Obrigado, senhor Sesshoumaru.

-Sabe, se você tivesse aceitado o dinheiro, –ele sorriu ao ver a estampa da blusa dela –poderia ter ido até a França ver de perto a Torre Eiffel.

-Esqueça isso. –ela sorriu achando graça daquela frase. –Estou bem com o que tenho... À propósito, como descobriu onde eu moro?

-Meu motorista me levou até a sua casa. Esqueceu que ele a levou naquele dia?

-Nossa que memória a dele. –mostrou-se surpresa.

-Você não me contou que era fotógrafa. –ele falou ao fitar a câmera pendurada em seu pescoço.

-Na verdade eu tento ser. –ela sorriu. –Fiz um curso há algum tempo atrás, mas é difícil trabalhar com isso. Ninguém quer mais um fotógrafo, todos querem ser fotógrafos hoje em dia.

-Tem razão. –ele riu brandamente. –Então deve odiar a minha empresa. Um dos produtos que mais vendo são câmeras digitais.

-Ah, sim! –ela riu. –Eu o odeio por vender câmeras digitais!

-Só espero não apanhar por isso também. –ele falou irônico fazendo alusão a sua última experiência.

-Não. –ela riu balançando a cabeça de leve. –Não faria isso com o senhor.

-E como tem passado? Quero dizer, depois da entrevista...

-Ah... –ela desanimou-se um pouco, mas tentou manter o sorriso. –Recebi muitas olhadelas, comentários, mas não estou dando muita atenção a isso. Logo vão esquecer...

-Vão sim. –ele assentiu.

-E o senhor? Se sente melhor?

-Aos poucos eu vou me recuperando... Não é nada tão terrível...

-O senhor tem ideia de quem lhe fez isso?

-Não. E é isso que me assombra. Não faço ideia de quem possa ter feito isso comigo.

-O senhor vai acabar descobrindo. –ela lhe deu um sorriso confiante. –Bem... Eu preciso continuar fotografando...

-Eu vou embora então. –ele a fitou seriamente. –Só vim mesmo para lhe devolver o celular.

-Estamos kits agora.

-Kits? –ele sorriu incrédulo. –Você é mesmo inacreditável.

-Inacreditável... –ela sorriu ao ouvir aquela palavra, era tão rotineira.

Sesshoumaru lhe deu um leve aceno de cabeça antes de partir. Virou-se de costas e começou a caminhar lentamente.

Rin, por um momento, sentiu uma pressão no peito. Algo esquisito, uma sensação de perda. Vê-lo partir de repente lhe soou tão desagradável. Aquela história seria só isso? Só um simples obrigado e talvez nos vemos algum dia?

Foi estranho pensar que todo aquele evento se resumiria a nada. Ele seria somente uma página na sua vida que fora lida e virada brevemente? Aquela ideia a aterrorizou e num impulso ela acabou o chamando.

-Senhor Sesshoumaru!

Ele parou subitamente e voltou-se para ela sem entender. O som alto da música não conseguiu o distrair.

-O quê foi? –ele indagou confuso.

-O senhor não gostaria de almoçar comigo por esses dias? –falou rápido demais, sem pestanejar.

-Almoçar... –ele sorriu incrédulo com aquela proposta. –Por que não?

...

CONTINUA...

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.