A Retribuição
33 Acaba Aqui
–Isso não é justo! – gritou Watson. O Duque lançou o pequeno revólver, que estava o tempo todo escondido em seu bolso, para um lado, enquanto tentava se levantar. – O senhor trapaceou!
–Sua Graça... Quantas vezes eu terei de corrigir? Ah, malditos ingleses... – resmungou o Duque, levantando-se sem a menor cerimônia. – Bom, ao menos um duelo com seu amigo foi mais divertido que julguei. Dei um pouco mais de quinze minutos para acabar com ele, e veja ao que tive de recorrer! Bom, eu poderia ter-lhe acertado a cabeça como eu costumo fazer, mas ao menos dei a ele a possibilidade de ter um velório digno, em respeito. Porquê o espanto, soldado? Não sabe que todos nós temos nossas armas secretas? – disse o Duque, deixando escapar uma risada.
–Realmente, todos nós a temos...
O Duque parou de rir, ao ver Holmes levantar-se, batendo a poeira de suas calças. Ele percebeu que não havia uma gota de sangue sequer em sua camisa.
–Mas que diabos...?
Holmes desabotoou seu colete e abriu a camisa com rispidez, mostrando um colete com um furo no tórax. Watson lembrou-se do colete que Holmes tinha inventado e ainda estava em etapa de testes. Parece que ele tinha funcionado.
Sem hesitar, Watson apontou seu revólver ao Duque. Holmes continuou.
–Dei-lhe um voto de confiança, Sua Graça, mas me desapontastes. Recorreu à um truque sujo de esconder um pequeno revólver engatilhado na manga da camisa.
–Eu precisava de garantias.
–Eu vejo. Da mesma forma que eu. Eu estava tentando desenvolver, nos últimos tempos, uma roupa que pudesse suportar disparos de armas de fogo, e pensei que esta noite seria a oportunidade perfeita para coloca-lo à prova. vejo que obtive sucesso. Mas como o senhor mostrou-se ser um adversário formidável, mas traiçoeiro, creio que nosso duelo termina aqui.
O Duque tentava ajeitar seus cabelos grisalhos, àquela altura desgrenhados. Com as mãos à vista, o Duque começou a caminhar até a beirada do telhado. Holmes sabia o que ele ia fazer.
–Não... Sem mortes hoje.
–O senhor não tem o poder de decisão sobre isto, Mr. Holmes. Só eu.
No mesmo instante, ouviram-se vozes de Lestrade e outros homens, exclamando “Polícia” a todo momento. Sem dúvida, o mandado já estava pronto.
–Eu sou um nobre. Não nasci para apodrecer em uma cadeia inglesa, nem para morrer balançando sobre uma corda. – ele disse, dando passos para trás. – Além disso, minha vingança estará, ao menos, parcialmente completa.
–Não ouse! – ameaçou Holmes, ao ver o Duque perigosamente à beira do telhado. – O senhor merece pagar pelo que fez! Morrer desta maneira é muito fácil.
O Duque trazia um sorriso.
-Tal como eu disse: O senhor não tem o poder de decisão sobre isto, Mr. Holmes. Só eu.
E de repente, um passo mais largo para trás, e o Duque desapareceu da vista de todos. Holmes correu para a beirada, e só o que ouviu foi o estampido do impacto do corpo, ao cair daquela altura considerável, e seu corpo estendido sobre o gramado.
–Acho que ele está morto, Holmes.
–Droga! – exclamou Holmes, aflito.
–O que foi, Holmes? Ele está morto, acabou! Sabemos que não há mais nenhum mal se erguendo contra Esther.
Holmes não parecia convencido disso. – Ouviu o que ele disse? “Minha vingança estará, ao menos, parcialmente completa”. Meus instintos me dizem que o Duque ainda pode ser ameaçador, mesmo morto.
–Mas como, Holmes?
–Ele não estava sozinho, Watson!
Um silêncio se fez. Até que Holmes exclamou imediatamente.
–Oh meu Deus! Esther!
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