Notas iniciais
Olá!! Demorei demais, não é? Desculpem! Eu me enrolei! Mas cá está! Dividirei em duas partes porque caso contrário iria ficar enorme! Talvez o próximo fique maior, mas pelo menos não ficar aquela coisa desproporcional.
Então é isso, para matarmos a saudade dos meninos da República!! ^^

Um ano depois...

O amanhecer surgiu no horizonte silencioso, o calor ateniense aquecendo a cidade e se despedindo das férias de verão. O novo ano letivo se iniciava, apesar de todos os meninos da república do chope ainda estarem de ressaca. Inclusive Shaka, que não era adepto das bebidas em festas, acabou se deixando levar pelos amigos tomando o seu primeiro e memorável porre na festa promovida por Afrodite.

Uma dentre muitas, a última festa foi sem nenhuma dúvida a mais divertida que teve na república. Regada a álcool e muita música, pôde se vê quase de tudo! De caras gays pegando garotas a machões desmunhecando, Dite vibrava pelo estrondoso sucesso de sua festa e a conseqüente alavancada em sua já estratosférica popularidade. Agora era oficial: Afrodite era a biba mais badalada e poderosa de toda a universidade!

Mas naquele momento, o pisciano só pensava em se enroscar no peito aconchegante do seu namorado, Carlo. A casa devia estar um caos, uma bagunça sem tamanho, proporcional ao sucesso do evento. A julgar por tudo o que viu, eles iriam precisar de um mutirão de empregadas para dar conta do recado.

Pensaria nisso depois. Ainda estava de ressaca, com dor de cabeça e uma sede incrível. Seria capaz de beber o rio amazonas se fosse possível. Ah desgraça! Porque inventaram a ressaca? Perguntou mentalmente ao se forçar a se levantar da cama. Seu namorado reclamou um pouco, mas se virou de lado, sem mais, continuou dormindo. Foi andando pelo quarto, cambaleante, cuidando para não tropeçar nas garrafas e todo tipo de lixo no chão.

Antes de chegar à sala, passou pelo outro quarto e viu Shaka. Parou para olhar e tentou abrir mais os olhos. Riu. Milo estava na cama dormindo e o indiano loiro estava dormindo no chão, só de cueca, todo torto. Quem visse pensaria bobagem, certeza. Pelo menos estavam sozinhos. Olhou mais atentamente para Shaka e riu novamente. Adorava o amigo, mas estava doido para vê-lo bêbado. Devia ser uma cena impagável o tão certinho caindo de tão bêbado. Daria tudo para ter visto, pena que estava tão bêbado quanto ele que, se viu, não se lembra.

Meneou a cabeça e seguiu seu caminho, a festa foi estrondosa porque a casa estava lamentável, pensava ele, quando chegou à sala e se surpreendeu com o flagra: Os amigos Aioria e Mu, no maior amasso, no sofá da sala.

– Mas o quê...? Que porra é essa? — Reclamou indo direto para a cozinha. – Porra, já é a terceira vez! Não tenho vocação para voyeur, não!! – Continuou a reclamação. Já era a terceira vez que pegava os dois na hora H e isso já estava ficando chato. O casal se recompôs rapidamente, desculpando-se.

Desculpa, Dite... – O ariano pediu, sem graça. Aioria se levantou rápido e a bebida agiu, deixando-o tonto, caindo no sofá novamente.

– Merda! Estou tonto... – Reclamou.

Está se sentindo bem? — O namorado se preocupou.

Para quem estava fodendo agora pouco, deve estar em perfeito estado. – Dite ironizou, enquanto bebia sua água, apoiado no balcão da cozinha.

– Dite, não fale assim!

– Uhum... Falo mesmo! E vocês podiam pelo menos usar o motel, de vez em quando, né não?! – Disse ignorando a vergonha do amigo.

– Cara! O Shaka está muito mal! – Milo entrou na sala com cara de poucos amigos sem dar conta do que tinha acontecido, apoiando-se perto de Dite. – Ficou gemendo a noite toda! Não falou coisa com coisa, queria tirar a roupa a todo custo. Completamente irreconhecível!

– Você não está muito melhor, parece um zumbi! Essas crianças que não sabem beber, fala sério! – Dite disse e riu.

– E você fala como se estivesse uma diva... Você também está horrorosa, biba! – Milo ironizou imitando o jeito de falar de Dite. O pisciano fez uma careta como criança, dando-lhe a língua e virando de lado, mas não falou nada.

Eu nunca vi o Shaka beber tanto... – O ariano comentou, preocupado.

Correção: Você nunca viu o Shaka beber! – O escorpião o corrigiu. – Mas que ele vai ficar com ressaca de uma semana, ah vai! – Riu.

– Vocês não deviam tê-lo feito beber tanto...

– Ah pára Mu! Sermão não, já estava mais do que na hora dele aprender a beber! – Dite disse.

– Eu só estou dizendo que...

– Ele bebeu porque quis, não é nenhuma criança! – Milo interrompeu e olhou o primo. – O que você tem?

– To meio enjoado. – Aioriagemeu baixinho, ganhando cafuné do namorado.

Pois é... Aprende mais essa bebê, foder quando está de ressaca não é uma boa idéia! – Dite disse levando Milo aos risos. Já não era novidade para ninguém que o casal vinte sempre era pego em momentos indiscretos.

Outra vez, primo?! Assim não dá! – Brincou.

– Vocês querem parar! – Mu reclamou sem graça enquanto os amigos riam. Entretidos como estavam, não perceberam certa confusão na rua. Quando os gritos de dona Gertrudes, porém, ecoaram pelas janelas da casa, notaram que algo estava errado naquela manha. Curiosos, os quatro foram até a porta para ver o que era aquele escândalo.

– Mas o que é isso? – Dite balbuciou ao ver o grandalhão Aldebaran completamente pelado na rua, segurando em suas partes íntimas uma pequena toalhinha e um rapaz franzino logo atrás de si, também pelado. Correndo atrás deles, dona Gertrudes gritava enfurecida com um rolo de macarrão em punho.

– Ai espera mamãe!! Eu posso explicar! – O grandão choramingava, escapando dos objetos que eram lançados e fugindo de sua mãe, sem notar que já estava no meio da rua.

Desgraça, falei para não trazer suas safadezas pra cá! Agora com homem! Eu vou matar você! – Lançou o rolo de macarrão, acertando de leve a cabeça do jovem atrás de Deba.

– Pára com isso, mamãe! Me deixa entrar, estou pelado! – Implorou.

– Quem será aquele que está com ele? – Milo murmurou a pergunta, olhando o amigo de Deba, mas não teve resposta.

– Até que Deba tem uma bundinha bem gostosinha, olha lá... – Dite comentou fazendo Milo e Aioria rir.

– Dite! – Mu ralhou.

– Não tem como não ver e... minha nossa! Como não reparar tudo aquilo?! Quanta saúde!– Justificou-se divertido enquanto o ariano entrava para pegar algo para ajudar o amigo.

Deixa o Carlo ouvir isso... – Milo riu e Dite deu de ombros.

– E não me apareça mais aqui, seu pervertido, cachorro, tarado, filho de uma égua!! — Dona Gertrudes gritava descontrolada.

Mas mamãe, eu sou seu filho!

Cala a boca, desgraça! Filho de avestruz! Não quero mais você aqui! O que eu fiz para merecer isso! Céus, meu filho, meu único filho de safadeza com outro rapaz dentro da minha própria casa! – Lamentava chorosa sem se importar com as pessoas que se amontoavam para ver o escândalo e o grandalhão sendo expulso de casa sem nem a roupa do corpo.

– Mamãe, por favor! Ta todo mundo olhando... – Envergonhou-se, cobrindo como podia sua intimidade.

– Que olhem, que saibam todos o tarado que é o meu filho! Da vergonha que você me fez passar! Suma daqui! – Disse aos prantos e entrou em casa soltando fogo pelas ventas. Sem jeito e sem saber o que fazer, Deba e o amigo olharam para os lados, em busca de ajuda. E encontrou.

Vem Deba...– Mesmo com Aioria sendo contra, o ariano foi até eles levando um lençol, cobrindo-os e levando-os para dentro da república.

Calados e meio constrangidos, o grupo deu passagem para Mu e os enrolados no lençol e para entrar logo atrás deles. Afrodite mal conseguia esconder o riso, enquanto o ariano colocava os amigos no sofá.

Hoje não vai prestar! Estou vendo! – O pisciano murmurou e voltou a apoiar-se no balcão da cozinha. Próximo a ele estava Milo, que acabou escutando o que ele murmurou.

– O que está dizendo? O que não vai prestar? – Perguntou baixinho, para que não os ouvissem.

– Isso... – Apontou com seu copo de água para Deba e seu amigo. –Shakinha bêbado lá no quarto e dois flagras numa mesma manha? Não, não! Só pode ser um aviso dos astros, Miluxo, as estrelas, os cosmos, os Deuses, sei lá! Mas é um aviso de que hoje o dia vai ser daqueles! O dia promete! Se prepara!

– Flagra? – Milo não entendeu.

– É lógico! Ta na cara que ela pegou o filhinho dela com o rapaz ali na cama! Por isso estão nesse estado! E pelo visto foi bem naquela horinha mesmo... – Dite sorriu debochado.

– Será que ela não sabia que ele era do babado?

– Aposto que não! Não se lembra que ela ficava toda boba quando ele aparecia com um namorado? Então... aposto que foi isso! – Desafiou. É claro que Milo resolveu não entrar na aposta, pois parecia mesmo que ele estava certo.

– Acho que a roupa do Aioria vai servir... – O ariano sugeriu, alheio a conversa entre Milo e Dite. Aioria olhou torto para o namorado.

Acho que não... ele é maior que eu! – Mirou o físico de Deba e depois para o namorado.

– Não dá pra pelo menos ver alguma coisa? – O ariano insistiu, fazendo o namorado bufar contrariado.

Vou ver se tem alguma coisa... – Rendeu-se e foi para o quarto ver algo para vestir os peladões. – Acho que o Carlo tem mais o porte dele! – Gritou.

– Sí tocar mis cosas, yo no respondo por mi! – Respondeu enfezado enquanto trazia o ser mais branco que Aioria já tinha visto.

Shaka? – Perguntou chamando a atenção dos outros. Ele estava péssimo, só de cueca, pálido, com olheiras profundas, cabeleira enorme toda descabelada e um bafo terrível.

– Lo encontré en el banhero, y está muy mal.– Carlo disse levando o loiro para o sofá e indo até o namorado.

Aioria, estamos mortos? – Perguntou com a voz baixa. Estava se sentindo acabado. O leonino riu.

– Eu não, mas você está quase lá.... – Falou e se virou para Mu. – Mais um para cuidar.

– Ele precisa de água... – O ariano falou preocupado. – Você está bem? Quer vomitar? – Perguntou ao notar a expressão enojada de Shaka.

– Ele precisa é de um suco de cenoura, laranja e couve para desintoxicar! É uma beleza pra ressaca! Vou fazer pra você Shakinha! – Dite disse enquanto Milo levava a água.

– Estou me sentindo como se tivesse sido atropelado por um trem! Como é que vocês gostam disso!? – Shaka comentou, sentindo ânsia e tontura. O escorpião riu.

– Nós gostamos de beber e não ficar de ressaca! – Comentou aos risos.

– Mas uma coisa implica na outra... – Shaka argumentou sentindo sua tontura ficar mais intensa e levando as mãos ao cabelo ignorando o riso do outro.

– Nem sempre. Relaxa, é bom que você acostuma e fica mais resistente... – Milo comentou.

– Não, eu nunca mais vou beber! – Sentenciou depois de beber a água e recostando no sofá. Só então se deu conta de quem estava ao seu lado.

Que frescura Shaka! Un hombre num morre con ressaca! – Carlo reclamou lá da cozinha.

Shaka ignorou o comentário mal educado e olhou de soslaio e percebeu que era Deba quem estava ao seu lado... e ele estava pelado! – Céus, eu estou muito mal! Estou delirando... Estou vendo Deba pelado aqui do meu lado. – Comentou um tanto impressionado com seu próprio estado, levando todos aos risos.

– Não, Shaka. Ele está do seu lado mesmo. Você não está delirando. – O ariano disse, se rendendo aos risos. O indiano piscou os olhos sem acreditar, vendo o grandão sorrir sem graça para ele.

– O que você está fazendo aqui? E ainda por cima pelado? – Perguntou curioso.

– É que... Eu também bebi demais, sabe?! – Deba comentou sem graça. Só então Shaka reparou no garoto calado ao lado do amigo, mas resolveu não perguntar nada, estava com dor de cabeça, não queria entender nada agora.

– Olha só, acho que esse blusão deve servir! – Aioria voltou com um blusão velho. – Mas ainda acho que ele deve ter algo melhor que sirva. – Disse apontando para Carlo.

Yo que? – Perguntou confuso.

– Leva os dois lá e vê se tem uma roupinha sua para eles, amor? – Afrodite pediu dando um selinho no namorado e levando o suco para Shaka.

Ora, ora! Está bien, pero no sé se tengo!Vamos! – Carlo disse arrastando Aioria, Deba e o amigo mudo consigo para o quarto.

– Ei gente, vocês não acharam esse cara muito do estranho? – Milo perguntou baixinho.

Quem? O amigo do Deba? – Dite perguntou.

É! Até agora não abriu a boca pra nada! – Milo justificou sua desconfiança. – Quem será?

– Ah ele deve estar morto de vergonha, né? Não deve ta sabendo onde enfiar a cara! – Dite respondeu.

Sabe que eu acho que conheço? Eu acho que já o vi lá no bar! Mas não sei quem é... – Mu comentou por alto.

– Sério? Eu nunca vi mais mudo! – Milo comentou. – Nossa, Shaka! Melhora essa cara! Até parece que vai morrer!

– Eu... estou enjoado! Essa merda está me dando... – Entregou o copo para Dite. Do lado de fora da casa, eles ouviram uma buzina, mas não se importaram.

– Ai pára Shaka! Você não bebeu nada! Sei que não é gostoso, mas vai fazer você melhorar! – Dite argumentou, enquanto o loiro indiano levava as mãos à boca, as vias de colocar as tripas para fora.

Ai, to passando mal! – Levantou-se correndo para o banheiro, sendo seguido por Dite e Mu. Milo também iria, mas irritou-se com a buzina insistente.

– Mas que merda que está acontecendo agora? – Resolveu ir até a janela ver quem era o imbecil. Arregalou os olhos, contudo, sem conseguir acreditar quem estava lá, com uma moto incrivelmente linda! Não era possível, devia estar enganado, mas precisava ir lá fora conferir com seus próprios olhos. E sim, era exatamente ele quem estava montado naquela beleza preta metalizada da Kawasaki!

Camus? Que... moto linda!– Balbuciou maravilhado.

– Gostou né?! – Camus riu. – É muito linda mesmo! Uma das mais potentes e rápidas do mundo! Minha nova namorada! – Disse sem maldade e sem perceber a cara enfezada do ciumento escorpiano.

Como é? Ah legal, valeu então! Aproveita e se pega com a sua nova namorada! – Reclamou armando a maior tromba. Camus, que já conhecia bem o namorado, não falou nada, só desmontou da moto e agarrou o loiro pela nuca e cintura e o atacou num beijo de tirar o fôlego.

– Só você mesmo pra ter ciúme de uma moto! – Murmurou rente a boca dele ao apartar o beijo e riu baixinho do muxoxo que Milo soltou. Beijou-o novamente e com beijinhos foi até a orelha dele para sussurrar: – Até parece que não sabe que sou completamente louco por você. – Disse ao apertar vigorosamente a bunda do loiro. – Sabe o que eu pensei em fazer com ela? Acho que nada vai ser mais sexy do que você nela, sem nenhuma peça de roupa... – Sussurrou no ouvido do arrepiado loiro, que o afastou, sem graça.

Pára Camus, estamos no meio da rua! Não esquece que o adolescente com os hormônios à flor da pele aqui sou eu! Reclamou rindo. O ruivo riu também e voltou a montar a moto.

Eu comprei semana passada e só hoje consegui retirar da loja. Sempre quis ter uma, você sabe... – Disse com os olhos brilhando, fazendo Milo sorrir.

Eu sei... Fico feliz por você, meu amor. – Aproximou-se para um beijo carinhoso.

Mas e então? O gato não quer dar uma voltinha? – Gracejou piscando um olho para Milo, que riu da brincadeira.

Adoraria, mas essa manha ta foda! Deba está pelado lá em casa e ainda tem o Shaka...

– Pelado? O que ele está fazendo pelado na sua casa, senhor Milo? – Imitou o tom enciumado do loiro.

Deixa de palhaçada! – Riu. – Teve o maior escândalo agora a pouco, parece que a Dona Gertrudes colocou o Deba pra fora de casa, e o pior, fez isso mesmo com ele sem a roupa do corpo. Resultado? Ficou completamente pelado no meio da rua! Aí o trouxemos pra casa...

– Que história! – Camus riu.

– Pois é, maior bafão!

– E o que tem Shaka?

– Esse ai bebeu demais ontem e está morrendo de ressaca! – Riu. — Está acabado, parecendo fantasma de zumbi!

– Bom, então vou ter que ligar pro Saga avisando para ele não vir hoje... – Comentou pegando o celular.

– Por quê? Vai ser bom pra ele ter o namorado cuidando dele.

– Só que o Saga pretende vir para apresentar os pais para o Shaka.

– Ah, que legal!

– Legal seria se o Shaka estivesse bem. Você não conhece os pais do Saga, são umas malas! Se virem Shaka nesse estado, acabou a paz do relacionamento deles!

– Hunn... é verdade! Mas não é melhor na casa dele?

– Está desligado. Ele quer mostrar que o Shaka é um garoto responsável mesmo sendo jovem e morando numa república.

– Nossa! Isso não vai prestar! Bem que o Dite falou... – Disse e depois arqueou a sobrancelha. - Por falar nisso, você até hoje nada né... – Armou novamente a tromba.

– Pode desarmar a tromba! Eu não vim aqui só para te mostrar a moto. Vim também pra te levar pro almoço que vai ter lá em casa, com toda a minha família. – Milo arregalou os olhos e o sorriso.

Sério?

Sim, mas tem que ser agora. Meu filho vai ter que morar em outra cidade e não sei quando teremos outra oportunidade como essa.

– Ah, mas o pessoal...

– Tem um monte de gente na casa, não se preocupa não! Vamos! – Milo mordeu o lábio e depois sorriu.

– Vou trocar de roupa então. – Disse dando um beijo no namorado e correndo para dentro vestir-se.

Passou como um furacão pela sala e foi até o quarto onde estava Aioria.

Eii... o que aconteceu? Onde você estava?

– Lá fora, o Camus está ai e quer me apresentar para a família dele hoje! – Disse empolgado enquanto arrancava as próprias roupas e escolhia umas mais bonitas.

– Até que enfim! Mas o que deu nele para fazer isso agora?

– Eu não sei, mas não vou ficar perguntando. Acha essa camisa boa?

– Sim, claro. – Disse rindo.

– Esse Shaka es muy fresco mesmo! – Carlo entrou enfezado.

– É o primeiro porre dele, então relaxa! – Aioria argumentou defendendo o amigo.

Si, pero somos nós que estamos aqui, solos. Dite e Mu están con ele! – Disse ao deitar na cama, frustrado. — Y tu, Milo, donde vás?

– Vou sair com meu namorado!

– Oh, suerte sua!

– Estou bem? – Milo perguntou arrumando o cabelo.

– Está ótimo, primo!

– Valeu gente, depois ligo perguntando do Shaka e do Deba! – Milo saiu às pressas deixando Carlo e Aioria sozinhos no quarto. Eles se entreolharam e resmungaram um para o outro.

Alguns minutos depois, quando Shaka já tinha alcançado o nirvana no auge de sua ressaca, Dite resolveu deixá-lo com Mu no quarto e foi para a sala. Encontrou o namorado sentado na poltrona em silêncio olhando para Aioria, Deba e o amigo misterioso, que estavam sentados lado a lado no sofá.

– Onde está Milo? – O pisciano perguntou ao se sentar no colo de Carlo.

– Saiu com o namorado. – Aioria respondeu.

– Bela hora de sair... – Dite murmurou.

Shaka melhorou? – Perguntou o leonino.

Sim, o enjôo passou. Agora só dor de cabeça mesmo...

– Olha, eu não queria atrapalhar vocês... Eu... – Deba começou a dizer, constrangido.

Não esquenta, não está atrapalhando nada! – Aioria o tranquilizou.

– E você não vai nos apresentar o seu amigo? – Já sem conseguir conter sua curiosidade, Dite finalmente perguntou ao amigo sobre o rapaz misterioso. Nessa hora, todos se viraram para eles, ansiosos pela resposta.

– Ah, ele é um amigo que está passando uns dias lá em casa. Veio do interior, assim como vocês.

– Yo nunca te vi, y mira que yo conheço mucha gente... – Carlo comentou.

– É que ele chegou agora, tem poucos dias... – E já foi parar na sua cama?! Dite pensou, mas resolveu se calar a esse respeito, afinal não foi assim tão diferente do seu caso com Carlo.

Ah muito prazer! – Dite cumprimentou educado. O rapaz, porém, visivelmente tímido, respondeu com um sorrisinho sem graça.

– E porque Dona Gertrudes te expulsou daquele jeito? O que você fez? – Aioria perguntou, arqueando a sobrancelha, desconfiado.

– Ah... é porque nós estamos juntos e... bem, mamãe não sabia disso. – Respondeu sem graça. Aioria, Carlo e Dite se entreolharam, entendendo a situação.

– Ah, não aguento mais o Shaka! Ta pior que meu pai, cara! – Mu chegou reclamando e foi sentar perto de Aioria.

– O que houve? – Dite perguntou.

– Está lá reclamando de dor de cabeça, como ele fica chato de ressaca! – Respondeu mal humorado.

– E ele dormiu? – O pisciano perguntou.

– Finalmente! – O ariano confirmou num tom aliviado. — Descobri que não tenho vocação para enfermeiro!

– Nossa! Se você que é tão calmo não tem, imagina nós! – Aioria comentou, aos risos, fazendo carinho no namorado.

– E o Milo?

– Saiu com o Camus... — Dite respondeu.

– Ah que ótimo! Ele sai, se diverte e nós ficamos aqui?! – Comentoumeio revoltado.

– Amor, também não adianta ficarmos todos aqui... Shaka já é bem grandinho e sabe se cuidar... – Aioria defendeu o primo.O ariano bufou contrariado, ele realmente estava sem paciência.

Estoy de acuerdo con Mu. Mi vida, vamos también? – Carlo pediu manhoso, fazendo carinho na cintura de Dite.

De jeito nenhum, eu e Mu tínhamos combinado de sairmos juntos... – Aioria reclamou.

– Calma, vocês podem sair! Eu fico aqui olhando o Shaka, qualquer coisa. Eu não vou poder voltar para casa por agora, mesmo. Fico aqui numa boa... – Deba propôs. Os meninos olharam-no desconfiados.

Vocês dois, aqui em casa? – O ariano perguntou, surpreso.

– Não me olha com essa cara, Mu... – Deba reclamou, constrangido. – Estou só querendo ajudar! Nós ficamos com o Shaka, assim vocês não precisam ficar de babá dele... Afinal eu não vou poder voltar para casa mesmo! Eu posso ficar aqui hoje, não?

– Yo apoyo lo Deba! (eu apoio o Deba)

– Pode, é claro, mas ficar sozinho aqui... – Mu ponderou desconfiado.

– Espera! Só um minutinho, Deba, precisamos de uma reuniãozinha. – O pisciano pediu puxando Aioria, Mu e Carlo para a cozinha.

– Já vou logo avisando que não concordo! Não vai ser nada legal aparecer e dar de cara com aqueles dois transando no meio da sala! Ele pode até ficar, mas que fique claro que não pode fazer essas coisas! – Mu já começou argumentando.

Yo creo que no van hacer eso! Y Shaka está aqui, no están solo! No van hacer nada!

– Eu também acho que não vão fazer coisas desse tipo... – Aioria opinou.

– Ele fez na casa dele, com a mãe por perto! Porque não faria aqui?! – O ariano argumentou novamente.

Aqui é diferente, não é a casa dele, não acho que ele vá fazer nada não! – Dite opinou.

Feito! Três contra um! Deba fica de babá do Shaka! – Aioria sentenciou, animado. Vencido, Mu seguiu os amigos até a sala em silêncio.

Bom, Deba. Nós decidimos que não tem problema se você quiser ficar. Eu vou sair com o Mu. E o Dite vai sair com o Carlo, beleza? – Aioria perguntou.

Beleza, cara! Numa boa!– Disse, confirmando que ficaria ali até eles voltarem. Ainda em duvida se deveria deixá-lo lá, o ariano reafirmou:

– Mas que você fique numa boa mesmo, não quero flagrantes aqui, certo?

– Tipo os que eu dou em você? – Dite pensou, ironicamente, mas nada falou.

– Claro! Vocês podem ficar despreocupados quanto a isso.

– Amigo? Qual es su nombre? – Carlo perguntou ao amigo de Deba o que todos queriam saber, mas que por incrível que pareça ninguém tinha perguntado.

Álef... – O rapaz respondeu timidamente. Carlo ficou olhando para ele, e não foi o único. Os quatro ficaram olhando o rapazinho que cada vez se encolhia ainda mais no sofá, enquanto os amigos controlavam a vontade de rir. Aquilo era um homem com voz de mulher? Pensou Carlo, notando a voz feminina do garoto.

Ele é perfeito para o Deba... – Dite sussurrou para Aioria.

– Por quê? – O leonino perguntou num sussurro.

Ora, Deba não é bi? Então, agora ele tem alguém que é dois em um! Eu já desconfiava que o conhecia, mas agora eu tenho certeza! – Dite afirmou com sorriso safado nos lábios, ignorando o ar interrogativo de Aioria.

– Bueno... entonces vamos?! – Carlo saiu de perto, escondendo o risinho froxo, pegando Afrodite e saindo da casa. – Vamos que hoje é festa! – Puxou Dite pela cintura, que piscou para os amigos.

– E então? Vamos também? – O leonino sugeriu ao namorado.

Onde vai me levar? – Mu perguntou, inocente.

Kalabansas Motel! – Riu ao notar o rosto corado do namorado. – Achei que podíamos acatar a sugestão do Dite. Ele me disse que o lugar é ótimo! Muito confortável, discreto, gostoso... – Abraçou o namorado por trás, fazendo-o rir.Sem graça, mas tentado, o ariano olhou para Deba, que conversava tranqüilo com Álef. Mordeu o lábio inferior e o agarrou pelo braço, puxando-o para a rua. Teriam uma tarde romântica e inesquecível.

A República do Chope só contava com um dos seus moradores, Shaka, o mais sensato e sóbrio dentre eles. Mas o pobre estava acabado pela ressaca. Em seu quarto, ele descansava enquanto esperava a dor de cabeça passar, sem saber que estava sozinho com Deba e Álef, na sala, e sem imaginar que seu namorado, Saga, resolvera fazer uma visita surpresa, aproveitando para levar os pais para conhecê-lo. Justo naquele dia, onde Shaka parecia o fantasma de zumbi, Saga resolvera apresentá-lo aos seus pais...

Aquele dia prometia ser inesquecível na vida dos garotos, só que pelos motivos errados. Mas não era o que Milo pensava. Confiante e animado, o loiro não via a hora de conhecer a família de Camus. O convite era sinal de que o ruivo finalmente o estava levando a sério, depois de tanto tempo. O ruivo parecia feliz o que deixava o jovem ainda mais animado e ansioso. Era de se esperar que estivesse nervoso.

Eu vou apresentá-lo ao meu filho, pai e algumas tias. O Cris você já conhece. Mas vai ficar tudo bem, eles vão gostar de você. – Camus explicou assim que chegaram. Milo sorriu, tentando manter a calma. – Mas não esqueça, não importa se eles vão gostar ou não. O importante é que eu gosto de você. – Milo suspirou de leve, inconscientemente. Eram tão raros esses momentos em que ele falava assim que até ficava ofegante.

– Eu também gosto muito de você... – Declarou ao desmontar da moto e beijá-lo.

Vamos? – Pediu, sorrindo. Milo respirou fundo e esperou por Camus. Queria entrar na casa dele de mãos dadas. Podia parecer bobo, mas para ele era importante. Camus não se opôs, aceitando a mão e seguindo para dentro de casa.

A cena parecia em câmera lenta, assim que a porta se abriu, se deparou com quase toda a família. E, apesar de franceses, parecia uma família italiana, bem barulhenta e confusa. A primeira pessoa que veio até eles foi um garotinho loiro de uns quatro anos. O menino corria em círculos no meio da sala, brincando com um avião, e quando viu o ruivo correu gritando pelo pai.

Papai! Papai!– O menino pulou no colo de Camus, que o pegou e o abraçou forte.

Hyoga, meu filho! – O pai abraçou o filho carinhosamente, e Milo sorriu ante a bonita cena.

Ahhh até que enfim apareceu! Camus Verseau! Pensei que não fosse mais aparecer para o almoço! Estou fazendo pato!– Uma senhora chegou e o abraçou, afastando Hyoga que voltou a correr.

Adriene! Sabe que não sou muito chegado...

Ah eu sei! Por isso anda tão magrinho... – Interrompeu apertando o braço do ruivo. Milo não conteve um riso baixo. Aquela senhora tratava o fogoso namorado como criança. – Quem é o menino? – Perguntou olhando para Milo.

Ele é o Milo, meu namorado. – Camus apresentou.

Mas o que houve com Saga? – Perguntou, constrangendo o escorpião.

Adriene, eu e Saga nunca tivemos nada... – Comentou, sem graça.

Hunn... Milo! Parece um petit! Bonitinho! – Cumprimentou apertando forte as bochechas de Milo, como se ele fosse um garotinho. Camus o olhou constrangido, como se pedisse desculpas.

Adriene! Pare de tratar o namorado de Camus como se ele fosse criança! – Um senhor, já de idade, que permanecia sentado numa espécie de “cadeira do papai”, reclamou com a mulher.

Mas ele é um petit! Um petit um pouco maior que o petit Cris! – Comentou voltando para a cozinha. – Nem deve comer pato esse petit... – Murmurou.

Obrigado pai... – Camus agradeceu, aliviado.

Ah meu filho, sabe como é Adriene! Não ligue, rapaz! – Disse para o loiro que sorriu.

Ele parece com a mamãe! – Hyoga reapareceu, mexendo no cabelo de Milo, bagunçando.

Pare com isso, Hyoga. – Camus pediu, tentando tirar as mãos do menino dos cabelos de Milo.

– Esse menino não tem educação. Isso que dá deixá-lo ser criado por aquela dançarina...

– Bailarina, pai. Natássia é bailarina! E ela é tia dele...

– E bailarina não é dançarina? Diga-me rapaz?Não é? – Perguntou a Milo.

– Ah.. é! É sim... – Respondeu sem graça.

– Viu?! Até o seu namorado sabe! Isso de deixá-lo ser criado por aquela dançarina dá nisso! Esse menino não tem educação! – Hyoga, sabendo que o avô falava dele, deu a língua para o mais velho e saiu correndo. – É disso que estou falando!

– Papai, por favor! Eu não quero discutir isso novamente!

– Você que sabe... aliás, rapazinho! Eu sou o seu futuro sogro, viu?! – Perguntou para Milo. – Prazer rapaz...

– Muito prazer... – O loiro aceitou a mão estendida.

– Não parece, mas eu dei educação para esse aí... – Comentou olhando torto para Camus. – Nem me apresenta... – Murmurou. Camus suspirou. Não ia ser nada fácil...

Continua..

Notas finais
N/A: Petit é menino em francês.