A República do Chope
4 Capítulo 4 - Preparando-se para a festa
Notas iniciais
“- Shaka, o Aldebaran falou que mal conhece o tal professor. O que ele poderia fazer? — Quase telepaticamente, Mu desconfiou no que o loiro estava pensando e manifestou sua dúvida.
- Verdade Mu, mas talvez ele possa nos ajudar de outro jeito. — Todos ficaram observando o loiro, que parecia mais inteligente e astuto a cada momento que passava e, sem demorar, Milo fez a pergunta que já estava ficando entalada na garganta.
- Mas que jeito? Pára de fazer suspense e diz logo! — Mas Shaka não se importou e com um movimento rápido, chamou Aldebaran que estava passando por ali.”
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- Você sabe se o professor Saga ou Camus está na faculdade agora? – Shaka perguntou baixo para Aldebaran.
- Provavelmente. – Respondeu.
- E você sabe se eles dão aula a noite hoje?
- Sim, dão aulas a noite, mas não sei se eles dão hoje.
- Está bem, obrigado Aldebaran. – O brasileiro então se retirou para atender as outras mesas.
- E então, não vai nos contar seu plano? – Perguntou Afrodite, curioso.
- Pelo que diz o panfleto, a festa vai seguir as ruas e vai passar pela faculdade.
- Como num bloco de carnaval*. – Complementou Milo.
- Sim. – Emendou Shaka. – E então, se os professores estiverem lá ou por perto, podemos achá-los quando o bloco estiver passando por lá.
- Ahnn.. ta! Mas e aí? O que faço depois de encontrá-lo? – Milo perguntou temeroso, mas se arrependeu quando viu o olhar malicioso de Shaka.
- Tem certeza que quer que eu diga? – Shaka perguntou.
- Não! Não precisa! – Se envergonhou Milo. – Mas vocês são muito tarados mesmo!
- Que? Desde quando você é tão moralista hein Milo? – Perguntou Aioria, estranhando a recente timidez do primo.
- Não é nada disso! É só que.... ah eu mal o conheço! Ou melhor, eu não o conheço! – Milo tentou explicar seu nervosismo.
- Tudo bem Milo, você não precisa dar em cima dele. Mas sei lá. É uma boa hora pra se conhecerem... quem sabe ele aceita sua proposta de acompanhar a festa... – Comentou Shaka.
- Ahh ta, mas como vamos saber se ele vai estar lá? – Milo perguntou, tentando ignorar seu nervosismo crescente.
- Eu vou até a faculdade. – Shaka disse tranqüilo. – Vou lá ver se ele estará dando aulas por lá ou saber se ele estará por lá... – Milo suspirou, eles certamente levariam até o fim. Mas na verdade, era até bom, assim ele desencanava de vez e tirava essa idéia da cabeça logo.
- Eu vou com você! – Afrodite se animou.
- Não, não vai! – Shaka disse sério.
- Mas você nem sabe quem ele é. Eu o vi, sei reconhecê-lo. – Argumentou Afrodite.
- Não, fique aqui. O Mu pode vir comigo.
- O que? Mas porque você quer que o Mu vá com você? – Perguntou um enciumado Aioria. E pra piorar, Afrodite complementa:
- Ah ta... se você faz questão da presença do Muzinho...
- Eu só quero evitar escândalos! – Shaka explicou calmamente.
- Escândalos? Quem vai fazer escândalo? – Afrodite se indignou, já falando um pouco mais alto, chamando atenção de alguns. Ao perceber isso, e ver as expressões dos amigos, se encolheu, tendo que concordar.
- Você vem comigo Mu? – Shaka perguntou ignorando o olhar feio que Aioria lhe lançava.
- Ah... é claro Shaka! – Mu concordou, meio sem graça pelo olhar de Aioria.
- Então vamos! – Shaka levantou-se e, pegando o mais novo pelo pulso, o arrastou para fora do bar sob os olhares curiosos dos que permaneceram na mesa.
- Que estranho, não? – Afrodite comentou, ardilosamente.
- O que? – Perguntou Aioria, ainda encarando na direção que eles tinham partido.
- Essa... vontade do Shaka de levar o Mu.
- Como assim? – Aioria ia ficando cada vez mais nervoso. – O que quer dizer?
- Ah... somos quatro aqui e ele rapidamente pensou justo no Mu para acompanhá-lo. Fez questão DE-LE.- Afrodite arqueou a sobrancelha enquanto olhava para Aioria e frisava bem o fato de Mu ter sido escolhido. — Eu acho que isso diz muita coisa...
- Sim, diz que ele queria alguém discreto. – Argumentou Milo. Afrodite o encarou e com um sorriso sacana, acenou positivamente com a cabeça antes de bebericar seu chope.
- Como é venenoso! – Pensou Milo, mas preferiu não falar nada, percebendo o nervosismo do primo.
- Vocês acham que Shaka.... que ele está afim do Mu? – Perguntou Aioria.
- Olha... – Afrodite começou a falar, marotamente. – Eu não sei, mas que foi estranho, isso foi.
- Quando você pretende agir? – Milo perguntou para o primo, cortando o veneno do outro.
- Hoje, na festa. – Aioria respondeu, com um meio sorriso.
- Hunnnn... então essa festa vai ser melhor do que imaginei!!! – Disse Afrodite, animado.
- Só espero que peguem leve com os trotes. – Comentou Milo.
- Só espero me dar muuuuiiittoooo bem essa noite! – Afrodite comentou gargalhando fazendo os colegas rirem junto.
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Enquanto isso, Shaka e Mu foram à faculdade para tentar encontrar os professores. O campus ficava perto da república, então só tiveram que pegar o metrô, e duas estações depois lá estavam eles. O lugar era enorme e arejado, com muitas árvores, alguns bancos de concreto onde alguns alunos conversavam e um conjunto de quatro prédios grandes que deviam ter um 20 andares, pensou Mu. Eles andaram na direção do primeiro prédio e entraram na recepção.
- Oi, aqui é o prédio do curso de francês? – Perguntou Shaka para a atendente.
- É sim.
- Ahh, eu queria falar com o professor Camus.
- A segunda porta a esquerda, na sala dos professores. Pode ser que ele esteja lá.
- Ah está bem. Me diz uma coisa, como eu posso ver o horário?
- No mural ali. – A atendente gentilmente indicou o local onde estava a grade de horário do curso de francês.
-Ok, muito obrigado. – Shaka agradeceu a atendente e pediu para Mu olhar o mural e tentar achar o nome de Camus enquanto ele procurava o tal professor. Não demorou muito até achar a porta com uma pequena indicação de que se tratava mesmo da sala dos professores. A sala estava em silêncio, ficou na dúvida se poderia entra, então deu alguns toques na porta. Ouviu um barulho que identificou como sendo de algum objetivo caindo no chão.
- Só um minuto! – Alguém gritou do outro lado. Esperou um pouco, acertando no fato de não entrar de supetão. Lembrou-se de Afrodite, pois afobado como era, certamente teria entrado de supetão. Mas ao ouvir um barulho de chaves, identificou que a porta estava trancada, o que era estranho, mas não se importou. Esperou para que a pessoa abrisse a porta e então....
O mundo tinha parado junto com o seu coração ao ver a figura que apareceu a sua frente. Um homem alto, com cabelos levemente longos e desalinhados presos num rabo de cavalo. Muito elegante numa roupa jovial e ao mesmo tempo impecável, apesar de um tanto desalinhado. Um certo calor estranho vindo do ambiente despertou Shaka de seu sonho, levando a balançar levemente a cabeça.
- Sim, o que deseja? – E ainda por cima, tinha uma voz de arrepiar qualquer um!
- Err... eu estou procurando o professor Camus. – Shaka disse, por fim.
- Camus!! – O homem mais lindo que já viu se virou para trás e gritou o nome de Camus, chamando-o. Shaka, que até agora estava um tanto atordoado, ao ver Camus levemente desalinhado, começou a juntar as peças.
- O que foi Saga? – O ruivo apareceu olhando para o indiano.
- Saga... então este é o professor que Aldebaran me falou, o professor de filosofia! – Pensou Shaka.
- O que deseja? – O ruivo perguntou, tirando o indiano de seus pensamentos. Ele voltou seu olhar para Camus enquanto Saga entrava novamente na sala.
- Oi, meu nome é Shaka. – Disse seguindo Saga com os olhos. Camus percebeu e olhou também, rindo.
- Você é meu aluno? – Camus perguntou.
- Não, não! – Corou ao perceber que foi flagrado.
- Hun... e então? Em que posso ajudá-lo?
- Bem... eu vim saber se vocês ... – Antes mesmo que Shaka pudesse completar, Saga voltou pra perto de Camus, tirando novamente sua concentração.
- Desculpa garoto, mas Camus, sabe aquele email que eu estava vendo?- Saga olhou diretamente para Camus, perto demais para o indiano. E definitivamente ser chamado de garoto por ele não foi a situação mais agradável por qual já passou.
- Sei, o que tem? – Camus perguntou para Saga.
- Parece que vai ter uma festa, aquela que os alunos veteranos fazem.
- Será que é a mesma da república? – Pensou Shaka.
- Dos veteranos? Deve ser coisa do Carlo... – Disse Camus.
- Ah com licença. – Shaka se intrometeu, pois identificou o nome do aluno que deu o panfleto que Aioria recebeu. – Mas essa festa vai começar lá na república do chope. Hoje mesmo inclusive.
- Você sabe exatamente em que rua eles vão fazer? – Camus perguntou e Shaka estranhou o comportamento dele.
- Acho que na rua em frente a república do chope. – Se arrepiou levemente quando sentiu a mão de Saga pousar em seu ombro e o puxar levemente para dentro da sala.
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A noite já tinha caído na Grécia e nada de Shaka e Mu chegarem. O pessoal dentro da república já ouvia o burburinho do palco montado e já estavam ficando preocupados com eles.
- Mas o que será que aconteceu com eles? – Perguntou Milo.
- Pior que agente nem se lembrou de pegar o celular deles... – Comentou Aioria, preocupado.
- Será que se perderam? – Disse Afrodite, mas logo ouviram o barulho da porta se abrindo e avistaram os dois.
- Caralho! Onde se meteram? – Gritou Aioria, olhando com raiva para Mu que se assustou.
- Nós estávamos com os professores Camus e Saga. – Comentou Mu.
- A tarde toda?? – Cobrava Aioria, como se já fosse namorado do ariano.
- O que? Encontraram Camus? – Perguntou Milo, afoito.
- Hunn... Camus? Já está com toda essa intimidade, chamando pelo nome? – Alfinetou Afrodite.
- Cala a boca Afrodite! – Milo resmungou, contrariado.
- Sim, nós encontramos o professor Camus e também o colega dele, professor Saga. – Disse Shaka tranquilamente.
- Mas e ai.. como foi? – Milo perguntou ancioso.
- Bem, a história é bem longa... – Começou a dizer, sentando no sofá. – Senta aí Milo!
Enquanto Shaka conversava com Milo e Afrodite sobre o encontro com os professores, Aioria chamou Mu para conversar reservadamente no quarto.
- Escuta Mu, eu queria pedir desculpas por ter gritado com você quando chegou. Mas é que eu fiquei preocupado. – Começou a se justificar.
- Ah tudo bem Aoria... Não tem problema.
- Sabe Mu.. eu fiquei preocupado com você lá, com o Shaka...
- Com o Shaka? Porque?
- Ah, ele é meio estranho né... e depois, eu acho que ele está afim de você. – Aioria dizia enquanto massageava a própria nuca, tentando achar um jeito de falar o que queria sem assustá-lo, afinal ele era virgem e.... bem, não sabia bem como agir numa situação dessas e ele parecia tão.. inocente!
- Você está enganado Aioria...ele é só meu amigo!
— Eu acredito que você só o veja como amigo... mas ele...
- Não, não! Ele já tem outro...
- Co.. como? Como assim ele tem outro?
- É... – Mas antes que Mu pudesse concluir a sua fala, ouviram da sala Milo gritando por eles.
- Eii!! As moças vão ficar aí? Aioria, deixa o Mu se arrumar pra festa! Deixa de ser tão afoito!!! – A comentário deixou ambos corados de vergonha, mas mesmo assim Aioria concluiu.
- Bem... eu fico feliz que ele.... que ele não esteja interessado em você. – Disse de forma sedutora e rouca, se aproximando de Mu perigosamente.O mais novo apenas o olhava tentando entender o que ele queria enquanto se aproximava perigosamente em seus lábios.
- O que está fazendo? – Perguntou, mas sem se mover, seus lábios a milímetros de distância. Seus corações estavam acelerados e podiam sentir a respiração um do outro. Lambendo os próprio lábios e encarando aquela boca tão deliciosamente provocante, que formava um lindo biquinho, Aioria disse:
- Não estou fazendo nada, pelo menos ainda. A menos que você queira que eu faça alguma coisa.. – Disse, e voltou seus olhos aos dele, esperando uma resposta.
- Aioria... eu... – Um estrondo foi ouvida e eles logo se separaram rápido e desajeitadamente, levando Aioria a tropeçar na cama e cair em cima dela.
- O que estavam fazendo? – Perguntou maliciosamente Afrodite, se escorando na porta escancarada.
- Nada!!! – Gritou Aioria, respirando fundo. – Merda! – Pensou.
- Desculpa aí... – Afrodite riu, percebendo que estragara o momento de Aioria. – Mas estão chamando pra se arrumar logo... temos uma missão!
- Missão? – Perguntou Aioria.
- Sim, vamos acabar com a festa de uns e ajudar na festa de outros. – Riu, piscando para Mu.
- Vamos então... – Disse Aioria, irritado, levando Mu consigo sob os risos de peixes.
Continua...
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