A República do Chope
24 Capítulo 24 - Agora sim, minha primeira vez!
Notas iniciais
– Eu não me tornei um libertino, apenas dei o troco... – Ele disse um tanto magoado, mas depois relaxou. — Mas depois ela sumiu e eu sofri pra caralho, demorei pra esquecer aquela vadia. Camus me ajudou muito nessa. Ele foi um grande amigo e foi na mesma época que ele ficou viúvo, então nossa amizade se estreitou ainda mais. Pouco tempo depois descobri que ele também gostava de homens. Daí para uma amizade colorida foi um pulo... - Shaka ouvia atentamente, enquanto Saga sem perceber revelava a maioria dos seus segredos.
–-----------------------------------------*----------------------------------*---------------------------------------
No quarto, o clima entre Aioria e Mu esquentava aos poucos. Completamente sem reservas, o ariano estava deitado em cima do namorado enquanto o beijava deleitosamente, enquanto o leonino aproveitava sua posição para acariciá-lo nas costas e cintura, passando as mãos por dentro da camisa, sentindo com gosto a pele se arrepiar com seus toques. Aqueles curtos dias pareceram intermináveis e sufocantes para os dois e agora Aioria sentia quase que uma necessidade de sentir Mu de todas as formas possíveis.
Com o ariano não era diferente. Ele também estava com uma enorme saudade do namorado tornando aquele momento ainda mais gostoso. As carícias se alternavam entre mais carinhosas e outras mais sensuais, até que Mu descobriu o motivo do forte gosto de menta na boca do namorado.
– Hunn... você bebeu cerveja demais.– Disse separando suas bocas apenas o suficiente para falar. Aioria lambeu os lábios em resposta e mordeu sedutoramente o lábio inferior do outro, fazendo-o o rir.
– Porque diz isso?– Perguntou abraçando ainda mais forte a cintura dele.
– Porque estou sentindo o gosto em você, o cheiro, apesar do gostinho delicioso de menta... – Ele riu passando com o nariz pela pele, cheirando, mordendo e beijando o rosto do namorado.
– Ah droga! Pensei que a pasta fosse esconder o gosto da cerveja!– Gracejou rindo. Mu fingiu indignação.
– Ah quer dizer que você já fez tudo planejado, não é?– Riu.
– É claro! Foi tudo meticulosamente planejado com o único propósito de beijar a sua boca gostosa a noite toda.– Sorriu sedutoramente voltando a beijá-lo apaixonadamente, deixando-o sem fôlego.
– Hunn... tão gostoso ficar assim com você... — Mu sussurrou deliciado quando separaram suas bocas, fazendo Aioria sorrir.
– É? Você gosta? — Perguntou cheio de malícia, agarrando os cabelos sedosos dele e puxando de leve.
– Gosto muito... – Respondeu com igual malícia, mordendo o lábio inferior ao sentir as mãos passeando atrevidamente por seu corpo. Gemeu baixinho contra a boca dele ao sentir quando elas alcançaram suas nádegas e apertaram com vigor.
– Eu te quero tanto... – Sussurrou no ouvido do ariano, mordiscando sua orelha, arrepiando-o completamente. Mu sorriu timidamente, agarrando os cabelos escuros do namorado, puxou levemente para cima para ter acesso ao seu pescoço, beijando e mordendo de leve até ele gemer e suspirar. Seu coração estava acelerado e sua barriga formigava, eles estavam excitados e ele sabia bem até onde tudo aquilo chegaria, mas não recusaria, não dessa vez. Desejava-o muito e queria que sua primeira vez fosse com Aioria.
– Eu também quero você, agora. — Revelou ao pé do ouvido, fazendo-o estremecer. Eles trocaram olhares por alguns expressivos segundos onde Aioria deixou transparecer toda a sua felicidade e ansiedade pelo momento enquanto Mu sorria numa tensão revelada pelo olhar tímido. Logo depois o leonino rolou na cama com ele nos braços ficando por cima ainda encarando encantado a face corada de Mu. Sorriu e acariciou delicadamente o rosto alvo enquanto o mais novo fechava os olhos e se entregava completamente.
Delicadamente Aioria retirou a camisa do ariano, aproveitando-se para acariciar e descobrir todos os pontos de prazer dele. Mu gemeu timidamente quando sentiu os dedos passearem por seus mamilos, mas logo depois teve a boca tomada por um beijo terno e carinhoso, enquanto o sentia se posicionar entre suas pernas, friccionando seus membros, causando um arrepio e um gemido mais rouco em ambos. Ainda extasiado pelos toques das mãos habilidosas do namorado, Mu tentou retribuir beijando o pescoço e acariciando as costas do namorado. Mas parou quando o sentiu abocanhar seu mamilo.
– Ahh... – O gemido foi mais de surpresa causando risos no namorado. Eles se olharam e como se pedisse permissão, o moreno se aproximou para um rápido beijo e depois voltou aos mamilos, saboreando o gosto da sua pele. Depois voltou o caminho em direção ao pescoço sensível, mordendo, lambendo e beijando, depositando um chupão que fez Mu rir e gemer baixinho, agarrando-se os cabelos dele.
Mas as reações de Mu ainda eram muito tímidas. A forma graciosa como se contorcia e se controlava fizeram com que Aioria avançasse um pouco mais, desejando obter mais do namorado. Aproveitando da distração que seus beijos lhe causavam, levou uma de suas mãos agilmente para dentro do short dele, causando rapidamente um gemido mais intenso dentro do beijo. O ariano teve seu membro já duro agarrado pelo namorado causando uma prazerosa sensação. Depois relaxou, abraçando-o e gemendo entre o beijo sem pudor, deixando-se masturbar pelo namorado.
Aioria sorriu ao perceber que ele não estava assim tão entregue, mas sabia bem o que fazer para isso acontecer. Então, um tanto de repente e meio bruscamente ele se levantou, sentando entre as pernas do namorado e arrancou o short e a cueca dele de uma vez, sorrindo maroto para o olhar surpreso de Mu. Logo depois se levantou, ficando de pé e retirando sensualmente a própria bermuda, permitindo ao mais novo que pudesse ver detalhadamente todo o seu corpo.
– Eu quero ouvir você, Mu... – Pediu enquanto voltava a se deitar em cima dele.
– Me ouvir? Hunn... – Gemeu baixo e deleitosamente ao sentir seu membro roçar no dele, agora sem o empecilho das roupas. Aioria sorriu.
– Isso... Geme mais pra mim. — Pediu sensualmente enquanto ondulava ainda mais o quadril e beijava seu pescoço, o estimulando a gemer mais alto. O mais novo sorriu e atendendo ao pedido, gemeu mais uma vez.
Sentindo-se cada vez mais quente e excitado, o ariano sentiu vontade de tocar Aioria. Suas mãos tímidas foram vagando pelo corpo sarado, sentindo a textura e a firmeza dos músculos até recaírem no membro túrgido, arrancando um gemido alto e rouco do namorado. Mu segurou o pênis dele, massageando-o um pouco desajeitado, e imaginando como seria tê-lo dentro de si, ansioso e temeroso, tanto pela inevitável dor quanto pelo indescritível prazer que sentiria.
Um beijo intenso foi trocado entre os dois, enquanto Aioria procurava pela entrada do namorado. Foi com extremo cuidado e pouca lubrificação que o leonino começou a preparação, sem largar da boca do outro. Mu fez uma careta pelo incômodo estranho que sentiu com a invasão, mas não reclamou. Com o tempo, a massagem íntima ganhou intensidade e ele começou a sentir mais prazer com as estocadas gradativas, aumentando também os gemidos que se tornavam mais difíceis de controlar. A respiração de ambos tornou-se mais acelerada e Aioria intensificou as carícias e, masturbando-o, introduziu mais um dedo ao esfíncter, murmurando palavras carinhosas para tranquilizá-lo.
Depois, quando o achou pronto, se afastou um pouco pegando lubrificante e camisinha. Mu olhava tudo atentamente, com sua ansiedade alcançando níveis alarmantes. Sua cabeça estava a mil, imaginando mil e uma situações que poderiam dar errado naquela hora, mas sorrindo ao namorado para que ele não percebesse. Mas o corpo retesado o denunciou. Aioria sabia e apesar de se esforçar para deixá-lo excitado e calmo, imaginava que ele ainda assim continuaria nervoso. Então pôs o preservativo e com cuidado o penetrou. O ariano fechou bem os olhos e os lábios para não gritar enquanto ele entrava lentamente, numa única estocada, enquanto o masturbava para aliviar a dor. Mu tentou segurar o grito, a dor era bem forte e mesmo ele sendo carinhoso e estimulando-o, o ariano não aguentou e quando Aioria chegou ao fundo, ele gritou bem alto.
O grito foi tão forte e alto que foi escutado por Saga e Shaka, que estavam na sala, assustando-os. Eles se entreolharam desconfiados, mas não disseram nada quanto ao grito que interrompeu a conversa. Shaka iria voltar ao assunto ignorando o grito, porém novamente se pôde ouvir outro e outro, cada vez mais altos e roucos. Até que Saga não aguentou mais e, notando do que se tratavam aqueles gritos, caiu na gargalhada.
– Eu não acredito nisso! — Shaka, que também já havia descoberto o que eram aqueles gritos, estava vermelho que nem um pimentão.
– Relaxa! — Por mais que tentasse não conseguia parar de rir.– Esse tipo de coisa acontece nas melhores famílias... — Tentou ser solidário, tentando evitar o riso.
– Aham... sei! — Shaka estava constrangido e irritado. Percebendo isso, ele achou melhor ir embora. É claro que o fato de estar ali ouvindo aquilo deixava o loiro ainda mais encabulado e não tinha nada que ele pudesse dizer para impedir isso.
– Bom, eu acho melhor ir embora então... – Comentou já se levantando.
– Ah... tudo bem então. Eu te acompanho até a porta. E... me desculpa, por isso.– Pediu apontando para cima, em referencia aos gritos.
– Sem problemas... – Tranquilizou-o, rindo. Quando chegaram até a porta, Saga se virou para se despedir, mas antes o indiano achou que deveria pedir desculpas pelo comentário anterior.
– Saga, eu queria te pedir desculpas. O comentário que eu fiz... sobre você ser libertino. Não era exatamente isso o que eu queria dizer. Eu só analisei a situação como um todo, você disse que experiências amorosas afetam o nosso comportamento e eu achei que o que você me contou influenciou o seu, mas eu não quis te ofender e nem nada. Me desculpe.
– Tudo bem. Acho até que você tem razão, de certa forma. Porque realmente o meu comportamento de hoje foi muito influenciado pelo que eu vivi com ela. Assim como eu acho que esse seu jeito difícil foi herança do seu ex. — Shaka riu.
– Não... isso eu ganhei dos genes. Nasci assim. — Dessa vez foi Saga quem riu.
– Bom, alguma coisa você tem que ter de herança dele. — Shaka pensou um pouco e depois respondeu:
– É... eu acho que sim. Aprendi que não podemos mudar as pessoas. — Saga fez uma expressão de agrado.
– Oh... até que enfim alguma informação valiosa... Deixe-me ver: Você mostrou seus sentimentos e ele te magoou. Acertei? — Shaka olhou de lado, hesitante.– Ora vamos lá, Shaka. Eu te contei praticamente a minha vida inteira. Eu não mordo! Vamos! — Insistiu. Shaka voltou a olhar para seus olhos e, após alguns segundos, respondeu:
– Ele era festeiro, gostava de curtir a vida, beber, paquerar, ficava com um bando de gente, um para cada noite. Mas sempre dizia que me amava. O problema é que ele só me amava dentro de casa. Eu, inocentemente, achava que poderia mudá-lo, poderia fazer com que ele aquieta-se. Mas eu me enganei. Não dá pra mudar as pessoas, elas são o que são. Você só pode mudar a si mesmo e olhe lá... Foi isso o que aprendi e tirei como herança do meu ex. — Eles ficaram se olhando por um tempo, longos segundos que pareciam infindáveis.
– É uma bela lição... — Saga pensou por um minuto e depois complementou. -Mas é bom dar às pessoas a chance de querer mudar, porque às vezes elas podem não mostrar quem elas são de verdade. E aí você perde porque não foi corajoso o suficiente para ver quem essa pessoa realmente é.
– Porque elas não mostrariam quem são?
– Por medo de se machucar, assim como você preferiu ser mais cauteloso, tem gente que prefere simplesmente fingir que não se importa.– Shaka concordou.
– Tem razão.
– Eu acho que eu também te devo desculpas, Shaka. O meu comportamento do restaurante foi muito inadequado. Por muito tempo agi como um libertino como você disse, mais para me vingar do mundo. Só que eu não esperava que fosse encontrar alguém como você. Alguém que dá valor ao sentimento e ao ser humano em primeiro lugar. Acho até que foi por isso que fiquei tão mexido com você. De uma certa forma, você me faz ter esperanças no amor de novo, coisa que eu já tinha perdido completamente graças a... aquilo que passei. — Saga desviou o olhar marejado, não queria parecer piegas na frente dele.– Eu só espero que você possa me dar uma chance pra me conhecer e ver quem eu sou realmente. — Os olhares se encontraram mais uma vez, sem palavras. Shaka estava atordoado, não sabia o que dizer ou o que pensar. Apenas encarava aqueles olhos suplicantes percebendo o quanto ele estava se abrindo, vendo sinceridade, vendo sentimento, vendo que ele realmente não estava apenas querendo aparecer, ou comovê-lo para levá-lo para a cama. Não tinha segundas intenções naqueles olhos e isso o fez perder o fôlego.
– Saga... — Ele queria dizer algo, mas não sabia o que dizer. Na verdade, naquele momento não tinha muito que ser dito.
– Bom... eu acho que já falei demais.– Ofegou sorrindo, tentando controlar a vontade de chorar. — Boa noite, Shaka.– Cumprimentou e se aproximou, dando um demorado beijo na bochecha dele. Depois se virou, saindo.
– Saga?– O loiro o chamou de repente e então ele se virou.
– Sim?– Shaka sabia que não podia pensar, pois sabia que se pensasse poderia desistir e pôr tudo a perder. Por isso ele apenas sorriu e andando firme até onde ele estava, o segurou pela nuca e o beijou. Sem dizer nada, sem avisar. Apenas pôs pra fora o desejo absurdo de sentir novamente aquela boca carnuda e saborosa. Saga, mesmo surpreso, correspondeu avidamente, o abraçando forte e se entregando àquele beijo ainda em dúvida se aquilo estava mesmo acontecendo. Minutos depois eles se separaram e sorrindo, Shaka cumprimentou.
– Boa noite, professor Saga.– Sussurrou rente a boca e lentamente voltou para a república sem deixar de olhar um minuto sequer para o homem com olhos arregalados e completamente surpreso e ofegante que deixou no meio da rua. Ao vê-lo entrar, Saga respirou fundo e riu. Oh loirinho surpreendente esse! E foi com esse pensamento que se dirigiu até seu carro.
Os gritos continuavam agudos e cadenciados sem, contudo, incomodar Shaka. Neste momento, deitado no sofá da sala, ele apenas lembrava-se da tarde maravilhosa, das palavras sinceras e do beijo trocado, ouvindo seu coração bater mais forte no peito e sentindo o sorriso se desenhar em seu rosto sem que ele tivesse muita consciência do quanto já tinha sido fisgado pelo professor.
Alheios ao mundo e imersos no conforto e calor dos próprios corpos, Aioria e Mu se deliciavam e enlouqueciam com os toques, os beijos densos, e as arremetidas intensas e furiosas do leão sobre o carneiro. O coração de Mu batia tão forte que pensava que a qualquer momento ele sairia pela boca e o prazer inenarrável era tanto que o fazia esquecer a dor que sentiu no início. Agora, completamente dominado pelo prazer de ser preenchido pelo membro do outro, ele apenas gemia continuamente enlaçando as pernas na cintura do namorado.
As sensações em Aioria não eram muito diferentes. Ele se assustou com o grito, mas tentou ser o mais calmo e carinhoso possível até ele não sentir mais dor, sabia que era passageiro. Agora que o prazer os dominava totalmente, sentia-se tragado por seu amor daquela forma e era incrivelmente maravilhoso. Chegaram ao ápice juntos, quando o prazer foi tanto que não coube no próprio corpo, sendo expelido na forma de semente. Ofegantes, eles se beijaram novamente, sorrindo e brindando a primeira de muitas noites de amor.
Longe dali, Milo seguia indeciso quanto ao que faria a seguir. Agora não mais se importava com Cris, mas sim se devia mesmo ir até o encontro que marcou com Camus pelo telefone. Ele, racionalmente, desejava ser firme, decidido, até mesmo frio com o ruivo, mas também não se enganava. Tinha a exata noção de que quando o encontrava, quando seus olhos se cruzavam, seu coração pulava ensandecido e toda sua força de vontade em ser frio e calculista ia para o ralo junto com seu bom senso e amor próprio.
A tentação, porém, também era forte e foi por ela que Milo se viu caminhando em direção ao bar da dona Gertrudes. O fato de poder ficar escondido, espiando, e por poder fugir para sua casa a qualquer momento o deixou mais tranquilo, mais ainda assim sentia-se nervoso. Escondido numa parte mais afastada do bar viu quando Camus chegou sozinho, lindo, imponente, elegante. Falou alguma coisa com Aldebaran e depois sentou numa mesa, de costas para o loiro. Ele esperou alguns minutos, respirou fundo, tomando coragem, e recitando na mente que devia manter-se frio e distante, se dirigiu até a mesa.
– Boa noite.– Sua expressão era fechada e pela primeira vez Camus não reconheceu o seu menino, que se sentava a sua mesa formalmente como se estivesse num jantar de negócios, sem olhar em seus olhos.
– Boa noite Milo... – Camus suspirou negando com a cabeça. — Vai querer alguma coisa? — Perguntou e recebeu um não monossilábico como resposta. — O que está acontecendo?
– Nada... Acabei de chegar de uma choppada, a última coisa que quero é beber algo. — Disse friamente. Até ele estava impressionado com o quão friamente estava tratando-o.
– Ok. Você pode olhar nos meus olhos, por favor? – Pediu gentilmente. Milo, mesmo relutante, obedeceu e o encarou. - Ainda vai dizer que está tudo bem? Está me olhando como se quisesse me bater. — Milo desviou os olhos e sorriu cinicamente.
– É uma boa ideia... — Murmurou baixinho.
– O que está acontecendo?
– Nada demais... só não estou pra brinquedo sexual hoje. Aliás, hoje e nem nunca! — Bufou com raiva, olhando para a mesa. Não podia encará-lo ou sua máscara de frieza e indiferença ruiria. — Camus arqueou a sobrancelha, sem entender.
– Como?
– Olha Camus... foi você quem marcou esse encontro, não? O que você queria?
– Sim, marquei porque você está estranho, não atende minhas ligações, fica me olhando desse jeito. Quero entender o que está acontecendo... — Disse segurando a mão do loiro, que estava apoiada na mesa. Milo a olhou e depois olhou nos olhos do professor, queria tanto pular no pescoço dele, mas se controlou.
– O que você quer de mim? – Perguntou tristemente.
– Como assim?
– O que quer de mim, da gente? Ou você acha que vamos ficar só transando até você cansar de mim e me jogar fora como se eu fosse descartável?Eu não vou ser usado por você! — Dessa vez não conseguiu manter a pose fria e demonstrou sua insegurança e indignação, fazendo Camus finalmente compreender o que estava acontecendo. O ruivo arregalou os olhos. Não estava pensando nada em relação a eles... esperava mesmo que ficassem sem compromisso.
– Usado? Não quero te usar, Milo...
– Então?
– Na verdade, eu não pensei nisso... quer dizer...
– Você queria que ficássemos só transando sem nenhum compromisso! Eu percebi... – Milo foi irônico ao confirmar suas suspeitas. – Mas eu não quero desse jeito! – Foi enfático e já ia se levantando, mas Camus o segurou no lugar e depois colocou sua cadeira mais perto da do loiro. — Milo... me desculpa, eu realmente não estava pensando em compromisso agora. – Ele foi sincero, deixando Milo ainda mais triste
– Tudo bem, eu entendo. Eu acho melhor a gente parar por aqui, antes que alguém se machuque. — Ele iria se levantar novamente, mas foi impedido mais uma vez.
– Eu não quero parar por aqui, quero você. – Ele foi enfático, obrigando Milo a encará-lo.
– É, mas do jeito que está eu não quero mais! – Disse com lágrimas nos olhos. Camus suspirou e sorriu.
– Milo... do momento em que nos conhecemos até hoje, passou quanto tempo? Sei lá... um mês? – Milo confirmou incerto com a cabeça. — Então... quando você chegou à minha vida, eu estava muito tranquilo, com uma vida pacata, sem emoções, sem aventuras na minha vida. Mas depois você chegou passando como um furacão na minha vida, enchendo de jovialidade, de aventura, jogou brilho na minha vida.– Milo abriu a boca, surpreso.
– Quer dizer que sou só uma aventura? Algo legal e divertido que passou pela sua vida? — Camus riu.
– Não... o que eu quero dizer é que você trouxe brilho pra minha vida, e isso é muito bom, mas foi tudo muito rápido. Foi tudo tão rápido que eu não consegui nem raciocinar direito, quanto mais pensar no que estava acontecendo com a gente.– Ele sorriu sedutor. — Será que você pode ter um pouquinho de paciência com esse velho professor que não está acostumado a viver assim, tão intensamente, tão apaixonadamente?– Milo piscou os olhos, confuso.
– Apaixonadamente? Isso quer dizer que...?
– Não me cobre uma declaração agora Milo... vamos viver esse sentimento que nos une, sem importar por agora com o nome que ele tenha?
– Tudo bem... Mas... isso significa que nós estamos...? — Camus suspirou e depois sorriu, acariciando-lhe os cabelos loiros.
– Você quer um pedido formal, não é?– Milo sorriu mais amplamente. – Tudo bem. – Rendeu-se. – Onde está seu pai? – Brincou e o loiro deu um tapa no braço dele.
– É sério... – Riram.
– Ok. – Camus respirou fundo fazendo um pouco de suspense e depois olhando no fundo dos olhos dele, pediu:– Milo, você gostaria de namorar comigo? — O loiro sorriu contente e pulou no pescoço do ruivo, num abraço apertado, para logo depois beijá-lo apaixonada e escandalosamente, fazendo os clientes do bar assoviar e aplaudirem enquanto eles sorriam e se entregavam a essa nova e encantadora fase de suas vidas.
Continua...
Fale com o autor