A República do Chope

18 Capítulo 18 - A lição tantrica de Shaka


Pode ser... – Shaka deu de ombros.

– Ok. Bom, eu vou indo então. Boa tarde Shaka.

– Boa tarde, professor. – Disse acompanhando-o até a porta.

– Por favor, me chame só de Saga. – Disse sorrindo.

– Está bem, Saga. – Disse um tanto sem jeito. O geminiano sorriu e então se aproximou para lhe dar um beijo, mas o loiro virou o rosto e o outro se contentou em beijar-lhe a bochecha.

– Até amanhã. – Sussurrou no ouvido do indiano e sorriu, saindo e deixando um Shaka sem saber o que fazer com aquilo.

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Naquele mesmo dia, já à noite, Mu não conseguia dormir. Todos na casa já deviam estar nos seus décimos sonos, mas o ariano simplesmente não conseguia deixar de lembrar-se de Aldebaran e em como aquela situação era complicada. Ele olhou para o lado, especificamente para o beliche na outra parede, onde dormiam Milo na cama de cima e seu namorado na de baixo. Com certeza seu namorado Oria, ciumento como era, iria dar o maior escândalo se descobrisse as indiretas, olhadas, e flertadas que lhe eram lançadas pelo chefe.

Queria conversar com Shaka, o indiano loiro era sábio, calmo, poderia ajudá-lo a entender tudo aquilo. Porque ele sozinho não estava dando conta de tudo o que estava lhe acontecendo. Mas o dia fora muito movimentado. O problema de morar numa casa com tanta gente é que nem pra conversar em particular se consegue!

Rolou de um lado para o outro da cama, mas cansado de tentar dormir, levantou-se e foi até a sala e sentou para ver televisão sem acender a luz, não queria acordar ninguém. Como previsto, nada de bom na TV. Passou por vários canais, mas nada lhe interessava. Acabou colocando numa entrevista enfadonha com algum economista gordo e de cabelos brancos, que falava algo provavelmente em mandarim, de tão confuso e ininteligível que era, para assim ver se a chatice do programa o fazia dormir. Dez minutos depois e nada.

Levantou-se e foi até a geladeira assaltá-la. Mas não tinha nada de bom. Resolveu pegar o resto do leite que tinha ali. Sua mãe sempre disse que leite quente fazia ter noites tranqüilas de sono. Pôs a esquentá-lo e foi até o armário e pegou o pote de um achocolatado genérico, pois odiava leite puro. Depois procurou um pacote de biscoitos salgados. Já estava aberto, deve ter sido Milo que deixou aquele saquinho aberto dentro do armário. Cheirou e, apesar do odor estranho que aquele biscoito exalava, resolveu comer. Preparou o pequeno lanche e antes que pudesse voltar para a sala, Shaka apareceu de pijama e esfregando os olhos.

Mu? O que faz acordado há essa hora? – Perguntou dando um bocejo e entrando na cozinha. Encarou o lanche dele e sorriu. – Não sabia que você era de atacar geladeira à noite. – O ariano riu.

Não sou. Mas não estou com sono e minha mãe diz que leite acalma e faz dormir. – Explicou olhando o loiro pegar sua água.

E biscoitos entram na dica da sua mãe? – Shaka continuou sorrindo.

Não... – Mu sorriu e olhou para o lanche. – Eu estou com fome também... — Disse e foi até a sala. Shaka se apoiou na bancada da cozinha e ficou encarando o amigo.

– Você quer conversar? – O loiro ofereceu. O amigo o encarou e sorrindo disse:

Não está com sono?

– Mais ou menos. – Ele disse e depois foi até o sofá e abaixou o volume da televisão no mínimo e voltou a falar:– Não tem problema, você disse que queria falar comigo, mas até agora nada...

– É... aqui tem muita gente e muito confuso e eu queria falar com você em particular. – Justificou-se.

– Eu sei... – O indiano massageou a própria nuca. – Mas então, essa é a melhor hora mesmo. – Disse e sorriu. – O que você queria me falar? – Perguntou e o ouviu suspirar desviando o olhar.

Tem tanta coisa... É o Oria, é o Deba... sei lá, acho que no fundo sou eu mesmo! – Mu deu um sorriso amarelo enquanto comia sem lanche.

– Eu percebi que você ficou estranho depois que começou a trabalhar no bar. O que está acontecendo? – Mu ficou um pouco constrangido, mas forçou-se a falar:

– O Deba... ele tá dando em cima de mim. – Disse e Shaka arqueou a sobrancelha.

– Sério? Mas ele não é hétero? Não tem uma namorada e tudo?!

– Ele tem namorada sim, mas sei lá, isso não está o impedindo de ficar dando em cima de mim, ficar me comendo com os olhos.

– Hunn que chato! Mas você já falou com ele que você não quer nada com ele? Que você gosta do Aioria...

– Já. Falei tudo isso e sabe o que ele me disse? Que ele não é ciumento, que ele só quer um beijo meu! Acredita nisso?!

– Nossa! – Shaka não conteve um riso. – Ele está se saindo um belo cafa*!

– E pior é que ele agora é meu chefe. Na verdade quando ele falou isso foi antes de começar a trabalhar lá, mas como ele tava namorando com uma garota e o trabalho era legal, dava uma boa grana, eu acabei aceitando. Mas ele não parou mesmo com namorada!

– Mas isso não quer dizer nada Mu, ele pode ser bi não é?

– É, pode. – Disse baixando a cabeça.

– Bom, o que você tem que fazer é deixar claro que não quer esse tipo de flerte. Te quem falar de novo e se não adiantar, você tem até que brigar. Eu sei que é complicado, que ele é seu chefe, mas ainda assim você tem que colocá-lo no lugar dele, afinal isso é assédio. – Shaka aconselhou.

Mas... tem outro problema. – Disse corando.

Qual?

– Hoje, quando eu tava lá no bar, o Deba tava me ajudando a servir as mesas e aí... – Corou ainda mais. – Ele chegou muito perto de mim e falou comigo assim pertinho eu fiquei todo arrepiado. Eu quase tive uma ereção ali! Não aconteceu nada, quero deixar claro, mas...

– Mas você queria que tivesse rolado?

– Não! – Gritou, mas depois baixou o tom de voz. – Quer dizer, mais ou menos... – Corou violentamente. Shaka riu.

– Como assim mais ou menos? Queria ou não queria?

– Eu não sei direito Shaka! Eu gosto muito do Oria... Muito mesmo!

– Mas se sente atraído pelo Deba?

– Não sei... – Suspirou. – Eu não vou negar que... ele é lindo... mas, eu não quero fazer isso com o Oria. É horrível e eu vou me sentir péssimo!

– Porque você não dá o beijo no Deba?

– O que? Shaka! – Assustou-se.

– Assim você pega, sente como é e se for só pele vai acabar com o tempo.

– Mas eu não quero trair o Oria!

– Não pense desse jeito. Até porque dependendo do ponto de vista, você já está o traindo já que assume que sente ou sentiu alguma coisa por ele.

– Eu não sinto nada pelo Deba! Eu só... fico mexido quando ele fica falando aquelas coisas! Eu... estou me sentindo um depravado! O Oria não merece isso. – Disse entristecido.

– Não fique assim. – Shaka disse compreensivo fazendo carinho nos cabelos dele. – Olha, é normal você se sentir assim, você ainda está se descobrindo. Descobrindo o que te deixa excitado, o que você gosta, as palavras... é normal que você não se contenha de início.

– Isso não justifica! Estou me sentindo um depravado!

– Não, você não é. Você está aí, todo cheio de crise. Quem é depravado mesmo não tem essas crises de consciência. Relaxa!

– Mas o que eu faço? – Perguntou aflito enquanto levava as mãos à cabeça.

– Não tem muito que fazer Mu. Ou você esquece, ou você vai lá e experimenta. – O ariano revirou os olhos.

– Você fala como se isso fosse fácil.

– Não é questão de ser fácil ou não, é uma questão de poder fazer isso ou aquilo. Nesse caso não tem muito que fazer. – Shaka disse e o ariano não falou nada, apenas ficou sentado olhando para a TV. Shaka suspirou e também sentou virado para a televisão e nada falou. Devem ter passado uns 10 minutos com eles ali, sentados lado a lado, sem dizer nada. Até que Mu interrompeu o silêncio.

– Shaka...

Fala...

O que o professor Saga queria? – Shaka pensou um pouco e depois respondeu:

Pedir desculpas pelo beijo que me deu. – O ariano voltou a olhar para o indiano.

Só isso?

– Basicamente sim. – O ariano não se convenceu muito com a resposta, mas acabou deixando para lá. Mais uns 5 minutos se passaram em completo silêncio, até que o ariano novamente interrompeu o silêncio, mordendo o lábio inferior.

Shaka, você acabou não ensinando nada sobre o sexo tântrico que você falou naquele nosso jogo da verdade*. – Shaka riu.

– É verdade. Aconteceu tanta coisa que acabamos não voltando àquela brincadeira.

– Sim... primeiro foi o lance do Milo se apaixonar pelo professor Camus, depois o que aconteceu com Dite, o Carlo apareceu, meu namoro com Oria, seu lance com professor Saga... nossa! Muita coisa aconteceu em muito pouco tempo! – O ariano riu.

– É mesmo... – Eles voltaram a ficar em silêncio por alguns poucos segundos.

– Mas bem que podíamos voltar ao jogo da verdade. – Shaka riu.

– É melhor não, imagina se te perguntam sobre o Deba. – Ele disse olhando divertido para o ariano que corou, mas sorriu.

– Você tem razão. Mas quem perguntaria sobre ele?

– O Dite. Você sabe como ele é e como vê maldade em tudo. Não acho impossível de ele perguntar algo sobre seu chefe. – O ariano ficou pensativo por um tempo.

– Realmente. – Concluiu. – Mas bem que você podia nos ensinar sobre o sexo tântrico. – Disse e olhou para Shaka. O indiano voltou a olhá-lo e, depois de pensar um pouco, disse:

Não tem muito mistério. É basicamente uma questão de conhecer o próprio corpo e buscar conhecer o corpo do parceiro, tentando buscar os pontos mais sensíveis, procurando aproximar corpo e alma. Energia, sentimento, prazer. Essas coisas... – Disse e voltou a olhar para a TV.

Ah, mas teve aquele lance que você fez no Milo que deixou todo mundo de boca aberta.

– É verdade, mas são alguns pontos do corpo que são mais sensíveis que outros. Eu não quis dar prazer ao Milo, quis mostrar que não é preciso muito para sentir prazer, basta saber o que está fazendo. – Disse e voltou a olhá-lo.

– Você me ensina? – A verdade é que ele já queria pedir isso há muito tempo, mas não tinha coragem. Antes era por mera curiosidade. Mas agora, com a proximidade da sua primeira vez acontecer, ele realmente queria saber dar e receber prazer tanto quanto Shaka parecia que sabia, e não poderia demorar muito. Aquela era sem dúvida a hora perfeita. – Eu e o Oria... nós quase... chegamos naquele momento, mas eu amarelei na hora H. Ele foi fofo e compreensivo, mas ele não vai ser pra sempre, então... eu queria aprender.

– Você quer que eu te ensine a transar? – Shaka não escondeu a surpresa, deixando Mu ainda mais vermelho.

– Mais ou menos... – Desviou os olhos.

Lá vem você com esse “mais ou menos”. Ora, diga exatamente o que quer. – O loiro revirou os olhos. O ariano então voltou a olhá-lo.

Eu tenho medo... de doer muito. Bom, sei que você tinha dito que não pratica a penetração, mas eu imagino que você não seja virgem. Sei lá...

– Olha... eu já fiz sim. Mas eu evito. Na verdade, aprendemos com o sexo tântrico que a ejaculação propriamente é um desperdício muito grande de energia. E isso deve ser evitado, prolongando os carinhos e adiando a ejaculação. As carícias devem estimular ao máximo, buscando o ápice do prazer e não necessariamente precisa ter penetração. Não é uma regra, mas eu evito porque, segundo o tantra, o sexo anal pode distender os músculos gerando perda de energia. Sem falar nas questões psicológicas. Bom, o que eu quero dizer é que não considera o sexo anal errado, mas que a postura costuma induzir, principalmente nas mulheres, um modo de subjugação e humilhação, e assim é quando não há o desejo. Então, se for fazer, é preciso contrabalancear, desejando efetivamente a penetração e compensando a perda de energia. – Shaka olhou para Mu percebendo que tinha falado demais. – Desculpa, falei demais. – Sorriu.

Não, não falou demais. Então você já fez...?

Uma vez. – Antecipou-se a pergunta que já sabia qual era.

– Foi com aquele carinha que você disse que estava saindo?

– É, foi com ele mesmo.

– E vocês não estão mais juntos?

– Não... – Disse dando de ombros.

– E... como foi? Tipo...

– Doeu sim, se é o que quer saber. – É claro que ele entendia os receios do mais novo. – Mas eu estava certo do que eu queria, e eu quis muito. E foi muito bom, doeu porque você sabe... nenhuma primeira vez no sexo é lá uma maravilha. Não consegui ficar tão relaxado quanto deveria, mas acho que é normal porque você fica naturalmente nervoso com a expectativa, mas mesmo assim foi bom. — Disse olhando para ele, mas logo emendou. – Mas não é uma dor insuportável. Se você tiver afim de verdade, fizer uma preparação legal, estiver excitado e o cara for devagar, com calma, não dói tanto.

– Entendi... – O ariano disse e mordeu o lábio inferior, voltando a olhar para a TV.Mas dessa vez não demorou muito para perguntar de novo:– E tem alguma preparação especial? No tantra?

– Ahh... muito carinho, beijos, toques... não tem muito como explicar usando palavras.

– Sei... – O ariano voltou a olhar a TV e Shaka e o encarou pensativo.Depois voltou a olhar a TV, sabendo que não estava conseguindo se fazer entender pelo amigo. Mas também, esse tipo de coisa só se aprende na prática, pensou.

– Sabe o que é... é porque esse tipo de coisa não se explica, se faz. Entende? – Voltou a olhar o ariano e ele também voltou a encará-lo. Ficaram se encarando por um tempo e não podiam acreditar no que passava nas suas mentes naquele momento, então, sussurrando, o ariano confirmou:

– Eu sei... tudo bem. – Disse e continuou olhando para Shaka.Confessar a ele que queria que ele mostrasse seria demais, já estava se sentindo o mais depravado dos seres, mas... ele era um amigo de confiança e sabia que seria algo realmente... apenas para aprender, uma aula didática sobre como fazer... algumas coisas... sobre preparar, pensava Mu. Mas não tinha coragem para pedir algo assim ao amigo. Ou tinha? Mas ele nem precisava falar nada, porque seus olhos já diziam, apesar de Shaka achar aquilo... no mínimo estranho.

Eu... bem, eu posso te mostrar... se quiser. – Não acreditava que estava falando aquilo e logo se corrigiu. – Claro que apenas vou mostrar mais ou menos como fazer... sem muitos... muitas intimidades... – Tentou explicar e Mu sorriu timidamente.

Claro! Shaka, eu... você é meu amigo e... eu confio em você e sei que não tem... não estou traindo o Oria... é só uma... uma...

Lição. – Shaka ajudou.

– Isso, uma lição para me ajudar a... fazer isso. Com o Oria. – Conclui sem estar muito certo e voltou a encará-lo. Ficaram se encarando um tempo meio sem jeito e então o ariano, tomando coragem, respirou fundo e se ajeitou sentado de frente para Shaka e fechou os olhos, esperando. Shaka piscou algumas vezes, considerando tudo e reconsiderando um milhão de vezes, até enfim tomar a decisão. Tudo bem, era o Mu, e ele era um menino inocente e quase puro... e suas intenções eram apenas demonstrar como fazer a preparação, explicar como no tantra ele poderia aproveitar isso. E então, repetindo isso mil vezes para si mesmo, resolveu respirar fundo e se sentar de frente para ele e devagar colocou uma mão sobre a face do amigo e pediu:

– Abra os olhos.– O ariano mesmo sem entender abriu os olhos, obediente. – É que para o tantra, esse momento inicial é preciso ter muito contato visual. Para que o sexo seja bom e duradouro, é preciso que se use todos os seus sentidos, inclusive a visão. Entendeu?

– Sim. – Respondeu simplesmente e deixou que ele continuasse.

Muito bem. No início, quando você estiver com o Aioria, apenas peça para ele te olhar, te admirar. E você faça o mesmo com ele. A admiração do corpo, dos olhos, da pessoa como um todo é muito importante para aquecer o sentimento de vocês. – Disse e desviou o olhar para a blusa do pijama do ariano e depois voltou a olhá-lo nos olhos. – Vocês vão se despir e admirar os seus corpos. Mas não precisa fazer isso agora. – Riu sem graça.

– Tá... – O ariano estava sem graça também, mas estava gostando das instruções. Seriam muito úteis.

– Depois... quando estiverem nus e depois desse primeiro contato, vocês vão começar a se tocar.

– Depois de quanto tempo?

Ahh... depois de uns... err... bom, quando o desejo de tocar for maior do que o de olhar. – Mu fez que entendeu com a cabeça e Shaka continuou. – Bom, depois vocês vão se tocar e beijar. – Shaka ficou encarando a boca de Mu considerando se deveria fazer isso mesmo. – O beijo tem que ser calmo, devagar, sem muita afobação. – Shaka se aproximou sem largar a mão da face do ariano e então sussurrou: — Você quer que eu mostre? – O mais novo pareceu vacilar e então o indiano recuou um pouco até ouvir a resposta.

– Po-pode, pode sim. – Decidiu-se enfim, tentando convencer a si mesmo que não estava fazendo nada de errado. Então Shaka, sem jeito, prosseguiu e se aproximou lentamente, olhando-o nos olhos e lentamente cobriu os lábios dele, dando um breve selinho. Continuaram mantendo o contato visual e então Mu abriu um pouco a boca, permitindo que Shaka sugasse levemente seu o lábio inferior. – Muito calmo e com muito carinho. – Sussurrou e aprofundou um pouco mais o beijo. Fecharam os olhos, inconscientemente, e as mãos do indiano seguiram até os cabelos dele, fazendo leves carinhos.

Aquele beijo era diferente do beijo que recebia de Oria. Não tinha aquele fogo que tinha com Aioria, mas era igualmente gostoso. Os toques de Shaka eram ternos e ele sentia com clareza o carinho e o cuidado que o indiano colocava naquele beijo e isso aquecia seu coração. E talvez tenha sido esse calor que sentiu, ou talvez algum desejo escondido pelo amigo, ele não sabia, só sabia que sim, gostou do beijo e queria aproveitar.

E assim, o ariano abraçou Shaka, que se assustou um pouco, mas não recuou. Imaginou que aquilo fosse parte do aprendizado, já que nunca ensinou a beijar e muito menos na prática. Inconscientemente ou não, eles aprofundaram os beijos, a ponto de não ser aquele beijo calmo e com carinho dito por Shaka. Na verdade, quem passasse por ali pensaria estar interrompendo dois casais de namorados, pois eles, inebriados com a descoberta do toque o do gosto da boca do outro, se entregavam sem pudor ao beijo. Talvez o desejo despertado por aquele toque não passasse de uma química, de pele, de carinho, ou de qualquer outra coisa, mas eles não pensavam nisso. Não quando aqueles toques arrepiavam suas peles, pedindo por mais. E foi assim que Shaka acabou desajeitadamente em cima do ariano, não totalmente deitados, nem totalmente sentados, mas igualmente se atracando com uma fome que só poderia ter vindo do inferno.

Porém, um gritinho abafado e afinado assustou-os, separando-os de imediato.

– OH MEU DEUS! OH MINHA SANTA MÃEZINHA! O QUE É IS-TO? – Dite, que tinha se levantado para beber um copo de água, assim que entrou na sala viu Shaka e Mu se beijando, e o pior, NA BOCA, no meio da sala! Com as mãos erguidas na altura do ombro, ele ainda estava estatelado no meio da sala, encarando os assustados amigos no sofá.



Continua...

Notas finais
N/A:* Cafa = cafajeste