A República do Chope

16 Capítulo 16 - A dor de uma paixão


Notas iniciais
Desculpem o portunhol rs!

– Eu acho que tem alguma coisa a mais nessa história... Algo que agente não está sabendo... E precisamos descobrir.

– Mas como? – Dite perguntou. Shaka olhou para ele e afirmou categoricamente.

– Você precisa procurar por ele. – Dite arregalou os olhos.

– O que? Eu não vou fazer isso! E depois, eu juro que vou matá-lo se o encontrar de novo...

– Mas Dite, só ele mesmo tem a resposta... e depois como você pretende se vingar se não consegue nem ficar perto dele mantendo a calma? – Shaka argumentou e Dite fez beicinho.

Mas... mas...

Dite, relaxa... – Milo incentivou. – Tenho certeza que você vai dar conta do recado. – O pisciano suspirou, concordando.

– Qual é o plano? – Entregou-se as idéias de Shaka.

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– Namorando???– Aioria e Mu perguntaram ao mesmo tempo, muito surpresos com a notícia dada pela simpática senhora Gertrudes. De pé em frente ao balcão do bar, eles olhavam com olhos arregalados uma sorridente senhora narrando aquela estranha história.

– Sim, meus filhos! Namorando!! Até que enfim meu filho tomou jeito nessa vida. E a moça é realmente muito bonita! Meu filho tem muito bom gosto. — Ela dizia muito feliz pelo desencalhar do filho, sem perceber que os garotos ficaram perplexos por motivos muito diferentes.

Aioria não sabia muito bem o que pensar. Ele tinha como certo o fato de Aldebaran estar interessado em seu namorado, inclusive tinha pensado em ele mesmo falar com o grandão para que ficasse longe de Mu, mas agora com essa notícia tudo mudava. Então o grandão não estava interessado nele? Ele estava interessado em outra pessoa, e uma garota por sinal!!!! Sorriu para si mesmo, mesmo que ainda desconfiado, mas ao mesmo tempo feliz e aliviado, porque afinal era uma garota. Mesmo que ele fosse bi, ainda assim ele estaria longe de seu namorado. E ainda havia a possibilidade dele ser hétero, já que ele nunca deixou muito claro a sua sexualidade, pensamento que deixava o leonino ainda mais exultante.

O ariano, por outro lado, ficou completamente atônito, sem reação. Não que se importasse realmente no relacionamento do amigo, mas era estranho pensar que ele estava com outra sendo que há muito pouco tempo ele estava pedindo por um beijo. Não, ele não prometera amor, mas não combinava com o jeito dele. Quer dizer, será que ele já estava com a tal quando pediu o tal beijo?

– E eles estão namorando há muito tempo? - Mu se viu perguntando e acabou corando de leve, receoso da reação do namorado, o olhando de soslaio, mas se surpreendeu com a atitude de pouco caso de Aioria. Sim, provavelmente ele está achando que não corre mais perigo. Bom, pelo menos isso indicava menos cenas de ciúmes protagonizadas por ele.

– Ah não! Eu acho que deve ter umas duas semanas... A senhora parou para pensar e depois confirmou. Sim, tem umas duas semanas. E hoje resolvi ficar aqui no lugar dele para que ele pudesse sair um pouco com a menina.– Ela disse devolvendo o sorriso amigável de Aioria. Ele teve que se sentar, não sabia ao certo o que estava sentindo, mas não gostava disso. Deba o conhecia bem para saber que não gostava desse tipo de coisa. Então ele só queria um beijo e nada mais? Só estava interessado em seu corpo? E desde quando isso o interessava? Céus!

– Você está se sentindo bem, meu filho? - A senhora perguntou vendo Mu sentar com uma expressão cansada.

– Ahn? Ahh... nada não, estou bem. Só estou um pouco cansado.– Deu um sorriso amarelo. Aceitou o copo d’água que o namorado ofereceu e bebeu tudo de uma vez.

– Nós ficamos andando o dia inteiro procurando emprego.– Aioria justificou.

– Ah! Isso é ótimo!! E conseguiram alguma coisa?– A senhora se animou mais ainda.

– Na verdade não, eu consegui um estágio com uma bolsa auxílio na faculdade, com um professor que é amigo de um tio meu, mas ele não.– Aioria contou.

– Eu não consegui nem uma entrevista sequer. Mas amanha eu coloco novos currículos na rua.– Disse tentando se animar.

– Bom, então deixe um aqui. Eles a olharam confusos. Eu estou pensando em contratar um garçom para ajudar o meu filho que fica aqui sozinho. Seria muito bom ter você por aqui Mu.– Os namorados se entreolharam sem saber o que dizer.

– Ahh... bem... – Mu pensou em negar, mas qual justificativa daria sem ter que mencionar o fato de Deba ter flertado com ele?

– Olha, nós oferecemos um salário fixo e as gorjetas são suas, e você ainda pode ganhar um desconto lá na república já que morando aqui perto não vai precisar do auxílio transporte... Não é muita coisa, mas vai te ajudar. – A proposta era tentadora e não tinha motivos para recusar, mas mesmo assim...

– Bom, eu vou pensar...– O ariano tentou desconversar.

– Deixe aqui seu currículo menino! A senhora riu. Até parece que não quer trabalhar conosco!– Mu riu sem graça, se vendo obrigado a entregar um de seu currículo.

– Imagina! Não é nada disso, é só que... eu... err... — Olhou para o namorado para que o ajudasse e este veio a seu socorro.

– Sabe o que é? O Mu estava pensando num trabalho... especifico na área dele.

– Ah, entendi. Mas olha, eu já trabalho com universitários há muito tempo e esses estágios de primeiro semestre não costumam oferecer bolsas não. Você vai trabalhar de graça...– Ela tentou argumentar, usando de sua experiência. Eles pararam para pensar e chegaram à conclusão de que ela estava certa. Era pouco provável que Mu, estando ainda no primeiro período, conseguisse um estágio com uma bolsa legal. Então, financeiramente, a proposta de trabalhar no bar, pelo menos por enquanto, era muito mais vantajosa.

– É... você tem razão.– Mu teve que dar o braço a torcer, mas ainda tinha dúvidas. Olhou para Aioria e percebeu que ele, apesar de incomodado, não pareceu ficar tão enciumado, mas teria que conversar com ele primeiro.

– Bom, amanha você vem e faz uma entrevista. Eu vou ficar muito feliz em contratá-lo.– Ela disse estendendo a mão para ele, que aceitou.

Mas a amigável conversa fora interrompida por uma repentina briga no bar, ao som de quebra-quebra e gritos de porrada. Uma pequena multidão se formou em volta dos garotos brigões, impedindo assim que fossem visto por Mu e Aioria que estavam mais afastados. Assim que Dona Gertrudes ouviu a confusão, foi até os garotos que brigavam feio.

– Eeiii!! Parem com isso!! Não quero brigas aqui!!!– Mas os garotos ignoravam completamente a dona do estabelecimento e continuavam com a briga. Mesas e cadeiras quebravam indo ao chão sendo levados pelos golpes dos rapazes, estimulados pelos gritos de briga que vinha da galera.

– Ahh, me ajudem aqui! Pelo amor de Deus! Parem!!– Desesperou-se a frágil senhora, se vendo impossibilitada de apartar a briga. Aioria correu para ajudá-la, e com muito esforço e ajuda de um rapaz, conseguiu segurar um dos brigões. Surpreendeu-se ao perceber quem estava brigando.

– Carlo!! Pára!!– Gritou para ele enquanto o segurava firme nos braços. Outro rapaz que saiu da multidão ajudou segurando o outro enquanto Mu e dona Gertrudes tentavam conter e afastar a multidão que ainda estavam com o sangue quente ao ver as expressões de puro ódio nos rostos deles. Com muito custo eles conseguiram conter a confusão afastando o outro rapaz e deixando que o veterano problemático permanecesse para cuidar dos ferimentos. Mu, ao observar aquilo, resolveu voltar para a república e avisar Dite da confusão, talvez tivesse algo a ver com ele.

No bar, a agora não tão simpática dona Gertrudes reclamava da confusão, gritando para todos os cantos que ela não iria pagar por aquele prejuízo sozinha, não só pelas mesas e cadeiras quebradas, como também pela perda dos clientes, que assustados saíram do bar.

– No se preocupe señora! Puedo pagar por los daños!– Carlo disse enquanto segurava uma compressa de gelo na cabeça.

– Ah, mas você e aquele outro lá vão pagar mesmo! Não tenha dúvida disso!!!– A senhora estava tão revoltada que sequer percebia o tom ameno do espanhol, mas isso não passou despercebido por Aioria, que estranhou esse comportamento vindo de um bad boy que não se importa com nada e nem ninguém.

– Porque vocês brigaram desse jeito hein?– Perguntou de uma vez, mas recebeu um olhar torto do veterano.

– Que te importa? No es de su conta!

– Olha só o certinho mostrando a cara e dando uma de arruaceiro...! Que estado deplorável você ficou hein? O rapaz pelo visto não caiu na tua lábia e mandou ver... - A voz fina e ao mesmo tempo altiva de Afrodite soou por todo o bar agora vazio. Ao encarar Carlo naquele estado, sentiu-se até bem com aquilo, era como se alguém tivesse dado a ele o que o próprio tinha muita vontade de fazer com as próprias mãos. Afrodite riu ao ver os hematomas no rosto de Carlo. – Ahh e justo no rostinho do bonitão... ops! Agora não tão bonito... – Riu afetado com desdém e um pouco de sarcasmo, cruzando os braços e o olhando de cima a baixo.

El no dejó eso contento, sabes? Yo tambien bati nele...– Disse com um meio sorriso sacana. Apesar das alfinetadas, Dite ainda se importava com ele.

– Se meu filho estivesse aqui isso não aconteceria! - Eles ouviram Dona Gertrudes dizer, mas estavam perdidos demais nos olhos um do outro para se dar conta do que ouviam de fato. Mas Afrodite cantava como um mantra em sua mente a forma escrota que ele o tratou e desviou do olhar arrepiante do espanhol.

– Você teve bem menos do que mereceu, Carlo... Mas é bom, mostra que não dá pra mentir pra sempre! Uma hora as pessoas vão descobrir o quanto você é falso e o seu mundinho vazio vai cair... - Ele disse se afastando e virando de costas. Droga! Queria humilhá-lo, insultá-lo, vingar-se de modo que ele se sentisse o lixo que ele era. Mas não conseguia, simplesmente não conseguia! Fechou os olhos com força recriminando-se por ser um grande idiota! Ouviu Carlo suspirar e perguntar.

– Has venido solo para decirme eso? – Carlo perguntou secamente. Afrodite se virou e sorrindo respondeu:

Sim, eu vim para dizer tudo isso, mas não somente. Eu vim aqui para ver a sua cara amassada também. É que eu não teria coragem de sujar as minhas mãos com você, mas fico feliz em saber que alguém se prontificou a te dar o que merecia... – Sorriu satisfeito pela cara amarrada dele.

Yo te entiendo, pero... nos es tan simple...

– Aí é que você se engana! É muito simples, muito simples mesmo! Como diria meu avô: Aqui se faz, aqui se paga! – E dizendo isso saiu do bar deixando Carlo por lá mesmo, mas o veterano não se deu por vencido e foi atrás dele o segurando no meio da rua. O puxou pelo braço e o virou fazendo com que o pisciano ficasse muito perto. Sorriu discretamente ao senti-lo estremecer.

– Pensei que queria saber la verdad de lo que nos paso. – Carlo sussurrou a pergunta indireta ignorando os olhares que vinham do bar. Afrodite riu nervoso e tentando mostrar um desdém que não sentia.

A verdade? Impossível! Isso não é possível de sair da sua boca! Agora me solta! – Mandou tentando se soltar, mas o canceriano o segurou ainda mais firme, o olhando bem firme nos olhos.

– Yo no soy esa persona que pensas. Voy a explicar-te...

– E que verdade você vai me dizer? Hein? Que não foi você que ficou me seduzindo pra me levar aquele lugar horroroso? Que não foi você quem mandou tirar aquelas fotos e colocá-las numa facha aqui na porta da minha, me fazendo passar pela maior vergonha da minha vida? Ou será que você vai dizer que você não é o pilantra que vive fazendo essas piadinhas de mau gosto com os outros gays...

– Yo no hizo tal cosa!! – Carlo interrompeu Afrodite seriamente. – Cuantas veces tengo que repetir? Yo soy uma víctima tanto como usted! Es certo que yo... Me ha metido com otras personas gays, hice las cosas mal con eles... pero yo cambiado! Yo no soy mais asi!

– Eu não acredito em você!! Não acredito! Não acredito!! – Afrodite gritou com os olhos marejados.

Entonces mira mis ojos y veja si estoy mintiendo!! – Carlo pediu tentando encará-lo nos olhos.

Não! Seus olhos só têm mentiras e sofrimento! Você é um falso Carlo! Um falso!! – Afrodite não conseguia mais segurar as lágrimas e se debate para ser solto empurrando Carlo, que acaba soltando-o e ele sai correndo para dentro da república.

O veterano fica no meio da rua mesmo, encarando Dite sair correndo pra dentro de sua casa, com uma imensa vontade de ir até lá e mostrar a ele a verdade, mas não faria. Se ele não queria acreditar, problema dele.

Você não acha que já causou problemas demais pra ele não? – Ouviu Aioria perguntar logo atrás de si, mas não se deu ao trabalho de encará-lo.

– Yo já disse que no es de su conta! – Praticamente rosnou irritado.

– Bom, dependendo dos seus motivos, é da minha conta sim! – Disse indo até ele e o forçando a encará-lo. – Diga! Você fez aquela brincadeira estúpida porque achou divertido ser um babaca ou fez por ele ser gay, para afrontá-lo? – Perguntou sustentando o olhar agressivo. Carlo o encarou e deu um sorriso de escárnio.

– Y si digo que los dos? Que vas a hacer?

– Eu? Vou terminar o trabalho do cara e acabar com essa sua cara imunda! – Disse soltando-o e adotando uma postura ainda mais agressiva.

– Eii você!! – Se não fosse o grito da dona do bar, muito provavelmente os dois já estariam em uma nova briga. – Eu liguei para o meu filho! Ele está vindo aqui e falou pra você esperar para ver como vai ser pra pagar os prejuízos! – Ela se colocou ao lado de Aioria como se quisesse proteção e ficou encarando Carlo. Ele olhou para a senhora e se aprumou, adquirindo um ar solicito, fazendo Aioria arquear a sobrancelha.

– Yo já disse que eso nos es un problema. – Ele disse e pôs a mão no bolso e retirando de lá sua carteira. Todos arregalaram os olhos ao ver a quantidade de dinheiro do rapaz. – Yo disse que puedo pagar.– Emendou retirando uma boa quantidade de dinheiro e entregando para a senhora que assustada, não sabia se aceitava ou não.

– Mas... é muito! – Ela constatou.

No tiene problema. – Ele disse colocando a carteira de volta no bolso. – Digale a tu amigo que el esta a lejos de la verdad.

– E qual é a verdade então? – Aioria afrontou novamente.

– La verdad es que yo no soy tu inimigo. No yo... No soy um santo, pero no soy demonio tambien. – Ele disse e saiu sob os olhares atentos dos dois.

Enquanto isso, dentro da casa, Shaka estava conversando com o ariano quando viu Afrodite passar correndo como um furacão e entrar no quanto.

– Afrodite? – Shaka chamou indo atrás do amigo dentro do quarto junto de Mu.

– É muito mentiroso! Muito! Aquele desgraçado!! – Dite brigava sozinho, remoendo as palavras do veterano.

Pelo visto a conversa com Carlo não foi produtiva de novo... – Shaka observou ao notar o estado do amigo e as suas palavras.

– Você sabe o que aquele patife teve a coragem de me dizer?? Que ele é uma vitima tanto quanto eu... que ele não planejou aquela brincadeira comigo, que ele até já fez piada de mau gosto com os outros, mas não que faz mais... – Riu afetado. – Ahh que vontade de matar aquele idiota! – Dite andava de um lado por outro do quarto extremamente irritado, enquanto Mu observava calado sentado na cama e Shaka em pé apoiado numa parede.

– Tenta manter a calma Afrodite... – Mu pediu vendo a irritação do amigo, mas foi sumariamente ignorado.

– E qual foi o motivo da briga? – Shaka perguntou e conseguiu prender a atenção do amigo que sem graça respondeu:

– Eu.. eu não sei, eu... não perguntei... Ah mas ele não iria me dizer a verdade mesmo! Ele só sabe mentir aquele desgraçado! – O pisciano gesticulava bastante irritado.

– Bom, mas se você não se controlar nosso plano não vai dar certo... – O indiano comentou.

Plano? Que plano? – O ariano perguntou confuso, mas novamente foi ignorado pelo nervosismo de Dite.

Eu sei! Mas eu não consigo Shaka! Eu olho pra ele e me dá uma vontade de matá-lo! E quando ele vem com aquele papinho meloso dele, de ser vitima também, ai é que eu fico possesso de raiva!! Eu não consigo me controlar, me sobe uma raiva que você não faz idéia! – Dizia com os olhos marejados, fazendo Shaka ficar extremamente surpreso.

– Afrodite... não me diga... não me diga que.... – Shaka olhava-o assustado, estava pasmo com a descoberta, mas não conseguiu concluir a pergunta, pois Dite gritou bem alto, como se quisesse convencer a si mesmo.

– Não! Não! Eu não estou apaixonado por ele!! Não estou!! – Gritava ensandecido enquanto as lágrimas corriam por sua face.


Continua...