A República do Chope

14 Capítulo 14 - Sentimentos aflorados


Notas iniciais
Capítulo dedicado a Kamy_Jaganshi, leitora fiel e fã de Camus e Milo (assim como eu! ^^)

- Você sabe bem o que quero dizer. – Disse e se virou para encarar o ex-amante. – Se o quiser realmente, terá que ter outra abordagem, pois esse não parece ser do tipo que se leva para a cama apenas pelo tesão. – Saga suspirou.

- Estou vendo. Alguma sugestão? – Camus riu e negou com a cabeça.

- Boa sorte amigo. Tenho um loirinho para cuidar. – Dizendo isso entrou no restaurante, deixando Saga para trás, pensativo.

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Milo continuou na mesa esperando a volta de Camus. A saída repentina de Shaka e Saga causaram estranhamento nos dois, principalmente no escorpião, que conhece bem o temperamento pacífico do indiano, então a saída do loiro da forma que foi espantou Milo.

- Provavelmente aquele professor Saga deve ter dito alguma coisa que o Shaka não gostou. – Milo pensou enquanto esperava Camus voltar.

- Está tudo bem. – Saiu de seus pensamentos quando ouviu a voz do ruivo. – O seu amigo foi embora. – Concluiu sentando-se novamente a mesa.

- Eu duvido, para o Shaka ter saído com aquela cara alguma coisa aconteceu... – O loiro falou com ar pensativo, mirando um ponto imaginário. Camus pensou que não deveria contar sobre o beijo que viu, não faria fofocas da vida alheia. Se Shaka quisesse que contasse por conta própria.

- Depois você pergunta para ele... – Limitou-se a dizer terminando de comer a sua comida. Milo voltou a olhar para o aquariano.

- Sim, depois pergunto para ele. – Disse enquanto admirava a beleza do ruivo. Seu coração acelerou um pouco e sentiu suas mãos ficarem frias e um pouco úmidas enquanto tentava achar um jeito de demonstrar o que sentia. Sim, estava ansioso, nervoso e tímido. Sorriu com o pensamento mordendo o lábio inferior levemente, voltando a olhar para o prato, já vazio, com uma expressão um pouco perdido.

- O que foi? – Perguntou sem olhar diretamente para ele. É claro que Camus, muito atento as reações do loiro, percebeu o rubor estampado na face e o seu olhar perdido. O escorpião voltou a olhar imediatamente para Camus, piscando algumas vezes, confuso.

- O.. o que? – Não pensou que poderia ser descoberto. Será que ele era tão transparente assim? Camus finalmente direcionou seu olhar para ele e limpando a boca com um guardanapo, perguntou.

- Eu sou muito observador. Tenho uma facilidade em especial em decifrar os sinais que o corpo dá e o seu está gritando no momento, dizendo que quer falar alguma coisa, mas não sabe como. Acertei? – Sorriu charmoso. Milo engoliu em seco, mas tentou sorrir, parecendo sem graça.

- Errr... você é bom nisso... – Disse quase num tom aliviado. Foi difícil dizer tais palavras, mas agora que saíram se sentia até mais leve. Massageou a nuca e suspirou.Camus percebeu todos esses movimentos e riu.

- Não se preocupe. – Disse e colocou sua mão sobre a de Milo que estava sob a mesa. – Você pode me contar o que quiser. – Sussurrou.O loiro imediatamente voltou seus olhos para a mão do ruivo sob a sua e ficou atordoado. Seu coração acelerou ainda mais e sua respiração ficou um pouco ofegante, enquanto sua mente fervilhava diante das ações do professor. O que ele está fazendo? Que sinais são esses? Será que ele... ele está afim? Pensava atordoado sem perceber que era detalhadamente analisado por Camus, que se divertia com as reações que causava no loiro. Em seu intimo, estava se sentindo muito bem e muito poderoso. Milo voltou a olhar para Camus e riu um pouco descontroladamente, nervoso.

- Você tem certeza? – Perguntou e deixou sua mão ali, sentindo a textura e o calor que vinha de suas mãos.

- Claro... – Camus confirmou e começou a fazer carícias discretas na mão dele, fazendo Milo voltar a olhar sua mão, incrédulo, provocando risos discretos em Camus. Milo ouviu aquele riso e arrepiou-se. Não estava conseguindo processar que de repente o frio professor estava começando a jogar charme. Camus percebendo o estado do mais novo retirou sua mão, ignorando a expressão frustrada do loiro, que de tão atordoado nem percebeu direito quando Camus pediu a conta e saiu, chamando-o sem saber para aonde iriam.

O silêncio entre eles, diferente de outras vezes, não era incômodo, mas gerava sensações diferentes em ambos. Milo sentia-se ansioso ao extremo, como se estivesse prestes a transar pela primeira vez. Camus por outro lado sentia que estava prestes a viver uma grande aventura. Aquilo tudo era muito instigante, não podia negar, e também perigoso, pois aquilo poderia manchar sua imagem na faculdade. Mas talvez por isso mesmo sentia-se cada vez mais atraído pelo loiro. Estava vivendo um período muito monótono na sua vida, mesmo o relacionamento vazio com Saga não o estava mais satisfazendo, e a vindo deste garoto mudou isso completamente.

- Aonde nós vamos? – Milo perguntou finalmente, dentro do carro.

- Eu vou te levar em casa. – Disse tranquilamente. Milo ficou olhando para o professor, visivelmente confuso e entristecido. – O que foi? – Camus perguntou depois de um tempo, percebendo o olhar do jovem.

- Você. Eu não entendo você. – Talvez fosse a revolta, mas se não falasse naquele momento iria acabar explodindo de tanta decepçãoe raiva.

- Como assim?

- Porque ficou me jogando charme lá no restaurante se não queria nada? – Perguntou virando de lado e cruzando os braços, com uma expressão nada amigável.Camus olhou de soslaio para ele e sorriu de canto.

- E quem disse que não quero nada? – Disse naturalmente e se segurou para não rir da cara que o outro fez. – Não pensou que eu te agarraria lá no meio do restaurante, não é? – Disse e lançou o olhar mais sedutor que pôde para Milo, de um jeito que o loiro nunca tinha visto no ruivo, tanto que até o arrepiou, corando. Camus percebeu e na esquina perto da república parou o carro, retirou o cinto e se virou ficando de frente para o loiro, que apenas o encarava com olhos arregalados e face corada. Camus suspirou.

- Você é ainda muito novo e inexperiente. – Disse e mirou a rua, num olhar perdido.

- Eu não sou tão inexperiente assim... – Milo disse sem tirar os olhos do ruivo. Camus sorriu.

- Você está corado, sem graça em dizer que me quer... você tem um comportamento normal de um garoto de 18 anos que acabou de transar pela primeira vez, ainda afobado pela explosão de hormônios, sem saber muito bem como fazer para chegar em alguém que deseja como nunca tinha desejado... – Milo piscou algumas vezes, como era possível que ele soubesse tanto?

- É... é por isso que não me quer? – Milo perguntou olhando para baixo, entristecido. Camus tocou no seu queixo erguendo sua cabeça. Olhou para o ruivo e num piscar de olhos teve a boca tomada num beijo profundo, quente, deleitoso. Surpreendido, Milo ficou seu reação com os olhos arregalados, mas isso não durou muito tempo, logo levou suas mãos ao cabelo ruivo e o puxou ainda mais faminto daquela boca deliciosa. Suas línguas se exploravam ávidas em dar vazão a todo aquele desejo descontrolado. As mãos tocavam na pele ardente, apertando e trazendo para junto deles, aproximando os corpos enquanto a sede de um pelo outro só fazia aumentar.

Camus separou suas bocas ofegantes e distribuindo beijos naquela pele gostosa, foi até a orelha do loiro, que estava totalmente entregue e trêmulo, e sussurrou rouco.

- Ahh como eu te quero! – Sussurrou enquanto o apertava e mordia o lóbulo da orelha, ouvindo o arfar do loiro. – Você é uma tentação perigosa e muito gostosa, por isso mesmo eu tenho que ter cuidado com você... – Disse enquanto mordia e chupava o pescoço do loiro que riu. – Você é apenas um garoto... além de ser aluno da faculdade.

- Eu não sou seu aluno. – Milo complementou rapidamente, passeando as mãos pelo corpo do professor, arfando com as carícias do ruivo.

- Mesmo assim... – Disse enquanto cheirava, mordia, lambia e chupava a pele exposta. – Você pode me causar muitos problemas... – Milo abriu os olhos que até então estavam fechados e puxou o ruivo um pouco pelo cabelo, só o suficiente para poder encará-lo.

- Não quero trazer problemas... – Disse sincero.

- Tarde demais... – Camus disse antes de se apossar novamente daquela boca tão deliciosa. Milo tremia tão violentamente que achou que desfaleceria sob os beijos do outro, mas ainda havia muito pela frente. Não conseguiu segurar um gemido profundo quando o sentiu tocar-lhe o membro já duro por cima da calça. Ergueu a cabeça deixando-o que explorasse seu pescoço com a boca enquanto as mãos o tocavam habilidosamente. De repente Camus abre sua calça e começa a massagear o membro túrgido sensualmente.

- Ahhh Camus... – Gritou mordendo a própria mão para não gritar mais. Aquilo era tão bom, tão gostoso que perdia completamente a compostura. Mas logo Camus saiu e recostou o banco do motorista olhando sensualmente nos olhos no loiro. Quando achou uma posição confortável, abaixou a própria calça e começou a se masturbar, sem desviar os olhos de Milo uma única vez.

- Vem... – Camus não precisou pedir duas vezes para que Milo entendesse e acatasse o pedido. Ficando de quatro, com os joelhos apoiados no banco carona, começou a chupar avidamente o membro de Camus. O ruivo grunhiu quando sentiu a boca quente o tomando por inteiro, jogando a cabeça para trás, completamente arrepiado. Milo se dedicava com afinco, o lambuzando e chupando até arrancar-lhe o gozo. Sentiu as mãos de Camus acariciar seus cabelos loiros e sorriu feliz com o gesto carinhoso.

Camus mordia o lábio para controlar os gemidos enquanto se deleitava com o excelente trabalho de Milo em seu membro, soltando apenas alguns grunhidos. Num momento de pura satisfação virou a cabeça para o lado e viu as nádegas de Milo empinadas, coberta pela calça jeans. Sorriu e lambuzou três de seus dedos e os levou até a entradinha do loiro, enfiando um a um, preparando-o para si, provocando gemidos roucos e despudorados do mais novo.

- Ahhh... – Milo gemeu ao sentir os dedos de Camus o invadindo lenta e torturantemente. Largou o membro do outro e o encarou, arrepiando-se com a expressão safada dele. Lambeu os próprios lábios e sorrindo se ergueu retirando de uma vez as calças e sentando no colo do ruivo, com uma perna de cada lado.

O escorpião posicionou o pênis em sua entradinha em foi descendo devagar, olhando sempre nos olhos do outro. Sorriu feliz ao ver a expressão de prazer que se formava na expressão do professor. Arfou quando sentiu a dor misturada ao prazer de ser totalmente preenchido. Aproximou a boca do ouvido do professor e provocando, sussurrou a pergunta:

- Gostou professor? — Camus grunhiu em resposta, agarrando a bunda do loiro com as mãos bem espalmadas e começou o movimento de vai e vem dentro de Milo, ajudando-o a subir e descer em seu membro, cavalgando-o, gemendo e levando a ambos ao delírio.

- Ahh... hunnn... Milo... ahh como você... é apertadinho... hnnn.... – Balbuciou enquanto aumentava o ritmo da penetração. Milo o olhou nos olhos e sorriu enquanto rebolava no colo do ruivo, subindo e descendo com força, aumentando ainda mais os seus gemidos. O carro balançava em um movimento cadenciado e os vidros escurecidos embaçaram, mas não se importaram. Queria matar todo aquele desejo que estava reprimido até então. Gozaram juntos, num orgasmo tão arrebatador que fez Milo tombar no peito de Camus enquanto este respirava com dificuldade, tentando recompor a respiração, mas principalmente o coração.

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- Mas que coisa pavorosa é essa?? – Shaka perguntou assim que chegou a casa ao encontrar Afrodite esparramado no sofá da sala, com um pijama super velho e brega, com um pote enorme de sorvete de chocolate e assistindo a algum filme tosco na televisão.

- Oi amigo... – Dite resmungou sem se mover pegando com uma colher mais um pouco do sorvete e pondo na boca. Shaka suspirou e foi até a cozinha remexendo nervosamente as gavetas, procurando algo. Dite percebeu o inusitado estado de nervos do amigo e ergueu um pouco a cabeça para vê-lo melhor.

- Onde estão Aioria e Mu? – Perguntou ao perceber o olhar do amigo.

- Estão trancados lá dentro, namorando. – Disse enquanto observava-o inquieto. Resolveu perguntar. – O que aconteceu?

- Eu não consigo achar a droga da colher! – Disse colocando as mãos na cintura e olhando enfezado para as gavetas da cozinha. Afrodite arregalou os olhos, essa era uma cena raríssima e por isso mesmo digna de extrema atenção. Deixou o pote de sorvete na mesa e se ajoelhou no sofá dirigindo um olhar arregalado para Shaka.

- Perguntei o que aconteceu no almoço com o professor Saga... – Perguntou já ansioso pela resposta enquanto Shaka procurava a tal colher. Quando achou, se apoiou no balcão e fechou os olhos.

- Aquele professor filho de uma desgraça me beijou. A força! – Disse logo de uma vez, precisava desabafar. Afrodite pulou do sofá levando às mãos a boca, abafando uma gargalhada e voltou a cair no sofá, perplexo.

- Mentira?!? – Perguntou com uma cara que não escondia em nada o seu divertimento. Shaka olhou enfezado para Afrodite e pegou a colher indo até o sofá. Dite deu lugar a ele e o loiro sentou pegando o pote de sorvete e um grande pedaço do sorvete.

- Verdade... – Disse antes de colocar mais um pedaço grande de sorvete na boca.

- E... como é que foi? – Perguntou receoso, sorrindo de lado.

- Ora... foi horrível! Como poderia ser um beijo roubado de um homem como aquele!! Um verdadeiro puto que sai com qualquer coisa que vê pela frente! – Dite arqueou uma sobrancelha sem entender a explosão de fúria do amigo.

- Ahh... então... você não gostou do beijo ou não gostou do fato dele flertar com meio mundo? – Perguntou pegando o pote de sorvete para si.

- Eu... – Suspirou. – O beijo... ele é muito bom sim. – Acabou confessando vendo Dite sorrir com uma colher na boca. Tomou o pote de novo para si.

- Sabe... eu acho que ele gosta de você... – Disse se reclinando no sofá.

- Hunn? Você é maluco? Ele deve ter feito isso com quase todos os alunos da faculdade!! – Dite riu.

- E qual o problema? O fato de ele ter sido galinha no passado não quer dizer que não possa gostar de você agora...

- Hunptf... você é muito romântico e sonhador. Acredita em tudo! Não é a toa que aconteceu... – Calou-se ao ver a besteira que iria dizer. – Desculpe Afrodite, não foi isso o que quis dizer. – Disse ao perceber o olhar triste do outro.

- Não, tudo bem... você está certo. – Disse e pegou de novo o pote de sorvete. – Eu sou um bobo que acredita em tudo. Se eu não fosse assim, talvez...

- Não diga isso! Você não tinha como saber... – Shaka sentiu-se mal pelas próprias palavras. Afrodite diria alguma coisa, mas o som vindo do quarto o calou. Eram Aioria e Mu entrando na sala.

- Até que enfim saíram do quarto. – Dite comentou deixando Mu corado.

- Nós vamos dar uma volta. – Comentou Aioria jogando os braços no ombro do namorado.

- Sim, estou pensando em distribuir uns currículos por ai. Com tudo o que aconteceu não me lembrei do principal, afinal precisamos pagar as contas. Dona Gertrudes não vai querer colocar as nossas contas no caixa para sempre. – Mu justificou.

- Você tem razão. – Shaka concordou. – Eu também preciso ver isso.

- Bom galera... então nós vamos indo... – Disse Aioria puxando Mu pelo braço, mas este resistiu um pouco sussurrando para Shaka.

- Depois preciso falar com você... – Shaka concordou com a cabeça, sorrindo com a pequena briga que causou no casal.

- Aioria precisa controlar esse temperamento.... – Dite comentou.

- Pois é... se continuar assim não há amor que agüente. – Shaka complementou.

Com a pequena ciumeira resolvida, Mu e Aioria saíram da república e avistaram Milo na esquina conversando animadamente com alguém dentro do carro.

- Aqueles ali não são Milo e o professor Camus? – O ariano perguntou.

- Sim, são eles. – Aioria confirmou.

- Engraçado... eles parecem tão íntimos... – Mu comentou rindo.

- É... quem olha pensa que são namorados. – Aioria riu. Mu virou para frente e se deparou com Aldebaran que estava na porta do bar limpando alguma coisa com um pano e os encarando fixamente. Seus olhos se cruzaram e Deba sorriu sedutor, piscando um olho para o ariano, que corou.

- Ahh vamos Aioria? – Pediu colocando as mãos no braço do namorado para que ele andasse virado para si e de costas para Aldebaran. O leonino concordou e o abraçou, sem ver que Milo saiu do carro e se despediu do Camus com um beijo na boca bem quente.

O escorpião entrou em casa e ignorou a conversa entre Shaka e Dite e se jogou no sofá entre eles, com um sorriso gigante no rosto.

- O que é isso Milo?? – Dite perguntou.

- Ahh, eu estou apaixonado! – Milo respondeu rindo a toa.

Continua...

Notas finais
N/A: Considerem que Milo é um jovem do interior e não é tão descolado quanto os jovens de hoje... rs