A República do Chope
13 Capítulo 13 - O encontro no restaurante parte II
- Sim, até porque se todos pensarem que ele é inocente, não aparecerá tantos indícios contra ele. Ora, quem melhor para atacar um gay do que alguém que visivelmente não gosta de gays? Se ele fosse visto assim, certamente ele seria o primeiro a ser visto como o baderneiro homofóbico da faculdade. Ele pode até ter problemas psicológicos, mas ele não é nem um pouco burro. – Saga concluiu, satisfeito com a expressão confusa que causou no loiro. – Não se engane com a sua postura de bom moço. Ele é bem ardiloso, sabe enganar muito bem. Não é a toa que não conseguimos pegá-lo.
- Eu não costumo me enganar. – Shaka tentou manter a naturalidade, mas as palavras de Saga o deixaram ainda mais confuso.
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Saga voltou a comer, mas manteve o olhar nos olhos perdidos do loiro, analisando e tentando entender o que se passava naquela linda cabecinha. Sorriu divertido.
- O que foi? – Shaka perguntou sem olhar para o professor, olhando fixamente para seu prato.
- Você o encontrou. – Afirmou categoricamente, sem se importar com a pergunta do loiro. – A questão é: O que será que ele disse para te deixar com uma pulga atrás da orelha? – Indagou retoricamente, duvidando que o loiro respondesse. Shaka imediatamente voltou a encará-lo, mas nada disse. – Não duvido da sua capacidade de percepção, Shaka. Mas você também não deveria duvidar da minha.
- O que quer dizer com isso? – Shaka finalmente indagou.
- Eu gostaria muito de saber o que foi que aconteceu, mas gostaria ainda mais se você desejasse me dizer, ao invés de tentar arrancar-me informações. – Shaka sorriu discreto.
- Nem se eu quisesse poderia te dizer tudo o que penso. Nem tudo se dá pelas palavras.
- Então admite que algo aconteceu e que não me contou.
-Eu não falei com ele, se é o que quer saber. Como disse nem sempre é preciso palavras para entender as coisas. – Saga calou-se por alguns segundos, refletindo.
- Quantos anos você tem, Shaka? – O indiano surpreendeu-se com a repentina pergunta e acabou demonstrando isso em suas feições.
- Dezoito. Porque perguntou isso?
- Você é surpreendentemente sábio e perspicaz para um garoto da sua idade. – Saga comentou sorrindo, admirado. Shaka não se importou, estava cansado de ouvir esse tipo de coisa. – Isso é muito instigante. – Emendou olhando-o sedutoramente. Shaka apenas moveu seus olhos na direção dos dele e pôde perceber certa malícia no olhar do professor. Também não se impressionou.
- Já me disseram isso. – Disse sem dar muita importância e voltando sua atenção ao prato. Saga manteve o sorriso.
- Hunn.... você não deve ser do tipo que agrada pessoas da sua idade. – Saga comentou, mordendo levemente o lábio inferior e estreitando os olhos, sentindo como se estivesse brincando com algo perigoso. O olhar inquisitivo que o indiano lhe lançou aguçou ainda mais essa sensação, lhe proporcionando um friozinho na barriga. Sorriu amplamente, há muito tempo não se sentia assim. – Os jovens de hoje não sabem apreciar pessoas como você. Não costuma atraí-los uma pessoa com a sua personalidade, apesar de sua beleza ser estonteante. Aposto que nunca namorou alguém da sua idade. – Disse mantendo o amplo sorriso que não lhe largava. Shaka parou de comer, não totalmente irritado com as observações do professor, mas intrigado com sua ousadia em dizer-lhe tudo isso.
- Devo informar que perdeu a sua aposta. – Disse depois de algum tempo em silêncio encarando aqueles olhos. Aquela troca de olhar arrepiou levemente a ambos e Shaka resolveu devolver a ousadia. Aproximou-se do rosto do professor, apoiando-se com os braços sobre a mesa, olhando fixamente em seus olhos, vendo com satisfação a mudança na expressão de Saga, indo do divertimento para certa tensão e, baixo e pausadamente, sussurrou: — Eu sou do tipo que agrada a qualquer um que me interesse. – Para Saga, aquela cena parecia estar correndo em câmera lenta e vê-lo tão perto e sentir-lhe o cheiro tão profundamente o fez estremecer, mas nada o tinha preparado para que o que ele tinha dito. Como poderia aquele garoto ser tão culto e ao mesmo tempo tão sedutor? Viu Shaka se afastar como se nada tivesse acontecido, quando na verdade tinha acendido completamente seu corpo com uma mera e única provocação. Sorriu mais alto, adorando, vibrando com todas aquelas descobertas. Será que deveria perguntar se ele estava solteiro? Ou será que deveria agir mais sutilmente? Saga pensou.
- Não tenho dúvida disso... sortudo aquele que tiver o prazer de ser alvo de seu interesse, deve ser um alguém muito feliz e agraciado. – Sorriu sedutor, esperando que ele entendesse o recado. Shaka riu.
- Isso é algo que só ele pode dizer. – Comentou desviando o olhar. Não gostava de se lembrar dele.
- Ele? Hunn... então temos um sortudo em especial. – Sorriu ao descobrir algo sobre aquele loiro tão misterioso e instigante.
- Não tem ninguém em especial. – Disse secamente.
- Não mesmo? – Perguntou incrédulo. Shaka suspirou.
- Você ficou de me dizer qual era as suas outras hipóteses para as atitudes de Carlo. – Desconversouum pouco tímido com o olhar malicioso e maravilhado de Saga sobre si.
- Ah... Por favor, Shaka, não vamos voltar a esse assunto. – Pediu fazendo uma voz manhosa. Shaka encarou o professor e corou um pouco, mas não desviou o olhar.
- Mas eu vim aqui para isso. – Argumentou.
- Eu sei, mas agente não pode deixar isso para depois? Eu te digo desde já que não tenho nenhuma informação a mais do que você já saiba ou tenha... percebido. – Frisou a última palavra. – Além do mais, essa nossa conversa está tão interessante, não imagina o quanto você pode ser interessante. – Sorriu novamente, jogando charme. Shaka meneou a cabeça e suspirou.
- Eu não... – Hesitou, não podia negar que o professor era lindo e que se sentia muito atraído por ele, mas não gostava do jeito “aberto e espontâneo demais” dele. — Não acho que devemos continuar com essa conversa.
- Porque não?
- Por que... – Olhou fundo nos olhos do professor e respirou fundo, tomando coragem. – Eu não quero esse clima de flerte com você. – Disse de uma vez, maldizendo-se pelo rubor que com certeza estava estampado em sua face. Saga precisou piscar algumas vezes e, ao se dar conta do que acabara de ouvir, não conseguiu se segurar e riu gostosamente.
- Ah isso é uma pena... eu estava adorando flertar com você. – Disse, já que o próprio resolveu escancarar, então ele iria seguir pelo mesmo rumo.
- Eu imagino... você adora flertar com todo mundo. – Disse sem perceber o tom enciumado de sua voz. Saga arqueou uma sobrancelha, ainda incrédulo do que ouvira. Será possível que aquilo era ciúme?
- Eu não flerto com todo mundo, Shaka. Poucas são as pessoas que me interessam verdadeiramente e você é uma delas. – O loiro riu desacreditado.
- Não é isso o que eu vejo.
- E o que você vê? – Desafiou.
- Que você joga charme para todo mundo!
- Isso não é verdade! Confesso que sou uma pessoa expansiva e até brincalhona, mas não flerto e nem jogo charme pra ninguém. – Sorriu sedutor. – Bem, não intencionalmente. – Completou roucamente.
- Sei... olha, já que você não tem mais nada para me dizer, é melhor ir embora.- Disse chamando o garçom. Saga riu.
- Porque está fugindo de mim Shaka? – Saga perguntou baixinho. Logo notou que apesar de toda a perspicácia, ele ainda era um garoto e agia como tal, por vezes até impulsivamente, se guiado corretamente.
- Eu não estou fugindo de você. – Disse calmamente, apesar de não estar nem um pouco calmo.
- Então porque tanta pressa?
- Não estou com pressa. Apenas o almoço terminou e eu preciso ir para casa. — Dizendo isso pediu a conta para o garçom. Saga imediatamente pegou a carteira, sorrindo com a pressa do loiro.
- Não se preocupe com a conta. – E depositou o dinheiro na mesa. Ao ver isso, Shaka imediatamente se levantou.
- Eu já vou então, obrigado pelo almoço. – Disse e se retirou e apesar de passar com a leveza de um pássaro, por dentro se sentia extremamente nervoso e agitado. Saga não perdeu tempo deixou o dinheiro ali na mesa, imaginando ser o suficiente e correu atrás de Shaka, chamando a atenção dos colegas Camus e Milo, que ainda estavam no local.
Shaka saiu a passos largos do restaurante pelo estacionamento para tentar despistar o homem que sabia vir atrás de si, mas não funcionou muito, pois Saga foi mais rápido e o alcançou, agarrando-lhe o braço e fazendo-o se virar contra si. A força para tal ato, no entanto, foi demasiada o que acabou colando os dois corpos. Calor, muito calor era o que passava pela cabeça de Shaka, estremecendo sob o contato da pele e sob os olhos intensos do professor. Os segundos se passaram e o que se podia ouvir eram as respirações ofegantes e os corações acelerados. Estavam tão pertos que podiam sentir suas respirações batendo contra a pele, arrepiando-os. Saga aproximou ainda mais o corpo do outro, trazendo-o junto ao peito, agarrando os dois braços do loiro com as mãos, com um toque vigoroso, mas ao mesmo tempo macio.
- Deixe-me levá-lo para casa, pelo menos. – Pediu roucamente, num sussurro que entorpeceu ainda mais a Shaka, que mentalmente recitava um mantra para manter-se frio em situações com essa, coisa que não estava funcionando muito bem.
- N-não precisa... – Foi o que conseguiu dizer. Estava completamente inebriado pelo poder de sedução daquele homem tão vigoroso que se sentia inevitavelmente mole e entregue.
- Eu insisto. – Saga estava tão perto que apenas um sussurro muito baixinho e sedutor foi preciso para que Shaka o ouvisse. Tão perto, tão colados que não precisaria muito para beijar-lhe aquela boca, que agora se mantinha entreaberta, puxando o ar com dificuldade. E apesar de tentadora, ele apenas encarava fixamente seus olhos, que agora pareciam como grandes lagos tragando-o a sanidade. Não estava conseguindo desviar daqueles olhos tão magnéticos, tão intensos, tão reveladores. Shaka sabia que estava sendo analisado na alma, que aqueles olhos o estavam invadindo tão intimo quanto possível, tão profundo capaz de arrancar-lhe segredos que se escondem dele mesmo, mas que se relevam no olhar. E sabia também quais as intenções dele para fazer isso.
- Eu não serei mais um na sua lista, Saga. – Murmurou incapaz de se desvencilhar dos braços dele. O desejo reprimido vinha à tona ao sentir-se tão perto dele. Saga, porém, não se deixou intimidar pelo ultimato.
- Você não seria mais um na lista de ninguém Shaka. Jamais passaria despercebido. — Mirou aqueles olhos com um olhar ardente, não suportando mais aquele desejo latente entre eles. Não conseguindo mais se segurar, roçou levemente seus lábios nos lábios entreabertos do indiano, estremecendo ao senti-lo estremecer. – Porque tenta negar o que o seu corpo tanto quer? – Perguntou fechando os olhos e o segurando ainda mais firme ao senti-lo tentar se soltar.
- Não... não fale do que não... – Mas Shaka não conseguiu concluir, pois logo Saga o interrompeu com um beijo profundo, lento e quente explorando suavemente o interior de seus lábios, numa dança sensual de línguas. Inclinando a cabeça levemente devido à proximidade, Saga se apossou da boca de Shaka com uma fome tão estarrecedora que o indianogemeu surpreso e deliciado, abrindo mais a boca, deixando-se levar pela língua que passeava por entre seus lábios. Num primeiro momento, Shaka enlaçou o pescoço do professor aprofundando o beijo, enquanto o geminiano agarrou-lhe a cintura com uma das mãos e a outra vagou por seus sedosos cabelos, entrelaçando seus dedos aos fios loiros, ambos ávidos por matar aquele desejo insano que já os estava enlouquecendo. Porém, assim que retomou o juízo, Shaka apartou o beijo, nervoso, sem conseguir, entretanto, sair do enlace de Saga, vendo-se ainda preso aos braços fortes dele.
- N-não faça mais isso! – Tentou ordenar, mas estava ofegante demais para a autoridade sair de sua voz. Saga continuou massageando-lhe a cintura e roucamente perguntou:
- Porque se eu sei que você me quer tanto quanto eu te quero? – Perguntou e logo depois se afundou no pescoço loiro aspirando profundamente o perfume que vinha daquele pele e sentindo o arrepio que tal ato causara no loiro.
- N-não, eu não quero! – Disse sem a menor convicção, gemendo ao senti-lo beijar e aspirar seu cheiro enquanto subia em direção a suas bochechas, mordendo levemente a maça de seu rosto.
- Tem certeza que não me quer? — Saga olhou intensamente para os olhos de Shaka, estavam enevoados de prazer e desejo. Shaka confirmou com a cabeça, levando um sorriso sacana no rosto do professor, que o empurrou para trás o prensando num carro qualquer, esfregando sua ereção na do loiro causando mais um gemido entrecortado e então mordeu o lábio inferior dele.
- Mentiroso... – Sussurrou rente a boca do loiro e passeou as mãos que antes estavam nos cabelos loiros para vagarem por todo o corpo do loiro, confiante do poder que exercia sobre ele, certo de todo o desejo que via pulsar em seu corpo, aquecendo-o e enlouquecendo-o ainda mais, enquanto voltava a tomar os lábios do loiro, agora com certa rejeição. O novo beijo foi rápido e logo sentiu as mãos firmes tocarem o seu peito, tentando afastá-lo.
- Saia... – Tentou dizer entorpecido pelo prazer. – Você... só quer.... qure estar perto... – Shaka tentava explicar, mas não conseguia pensar direito, sentindo-se zonzo pelos beijos e mordidas por seu pescoço.
- Eu não quero somente estar perto de você Shaka... – Disse olhando bem dentro dos olhos do loiro. – Eu quero estar dentro de você. – Sussurrou e apertou fortemente as nádegas do loiro que gemeu. Aquelas palavras, apesar de despertar um fogo dentro de si, também despertou certa revolta.
- Não vou contradizer meu corpo, é claro que o desejo... – Shaka tentou explicar, tentando se recompor. — Mas minha vontade interior prevalece à vontade de meu corpo. – Disse recusando novos contatos. – Por favor, solte-me. – Sua voz ganhou mais autoridade ao ver estranhamento e surpresa nos olhos do professor. Saga ainda permaneceu abraçando-o, refletindo sobre o que ele tinha dito e principalmente, sobre o que dizia os seus olhos. Afastou-se devagar enfim. Shaka sentiu-se livre e sentimentos antagônicos se apossaram de si, mas tentou fugir deles, não era hora de pensar nisso agora.
- Não se iluda com esse papo de vontade interior Shaka. Respeitarei seu medo, seja lá os motivos que você tenha para tê-los, no entanto, sabemos bem qual a verdade aqui. – Disse, interpretando tal comportamento do loiro como medo de se entregar.
- Não tenho medo de você, apenas me reservo no direito de preservar algo que para mim é importante e que para você é banal. – Disse tranquilamente ajeitando suas roupas recém amassadas e rumando para fora do estacionamento sem olhar para trás.
- A carona! – Gritou para Shaka que já estava um pouco distante. O loiro nada disse, apenas negou com as mãos. Saga acompanhou os passos tranqüilos do loiro e ficou intrigado em como ele se manteve firme mesmo transbordando de tanto desejo.
- Nem todos têm uma visão tão liberal sobre sexo quanto você Saga. – Ouviu a voz de Camus atrás de si, mas não olhou para trás, mirando atentamente o local por onde Shaka tinha saído. Saga riu baixinho.
- Não acredito que deixou o loirinho sozinho só para vir me ver Camus... – Ironizou um tanto frustrado. Camus sorriu.
- Ele vai sobreviver. Vi como saiu e vim ver se estava tudo bem.
- Ficou com ciúmes, francês? – Zombou olhando de soslaio para o ruivo.
- Um pouco, nunca o vi se comportar desse jeito por ninguém. O que está acontecendo com o velho garanhão que nunca se apega a ninguém?
- Continuo o mesmo. – Disse cruzando os braços sobre o peito. Ouviu Camus rir e completou. — Então terei que fingir amor para levá-lo para a cama? – Olhou para Camus fingindo divertimento. Camus meneou negativamente a cabeça, sorrindo.
- Não há razão para agir como se fosse um canalha. Até porque você não precisará fingir coisa alguma. – Dizendo isso começou a andar de volta para o restaurante.
- O que quer dizer com isso, francês? – Perguntou andando um pouco atrás de Camus.
- Você sabe bem o que quero dizer. – Disse e se virou para encarar o ex-amante. – Se o quiser realmente, terá que ter outra abordagem, pois esse não parece ser do tipo que se leva para a cama apenas pelo tesão. – Saga suspirou.
- Estou vendo. Alguma sugestão? – Camus riu e negou com a cabeça.
- Boa sorte amigo. Tenho um loirinho para cuidar. – Dizendo isso entrou no restaurante, deixando Saga para trás, pensativo.
Continua...
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