A Redenção dos Renegados
1 Karma
Notas iniciais
Nota da Autora: É a primeira história que publico em Português e neste site. Esta fanfic faz uso de personagens que são recorrentes nas comics da Archie e da Fleetway, como a Fiona Fox, a Buns Rabbot e o Scourge the Hedgehog.
Capítulo I :
Karma
Uma torre eletrificada rasgava os céus cinzentos de Moebius, protegendo em si, centenas, senão milhares de criaturas que tiveram a sorte de sobreviver um dos últimos ataques terroristas do gangue do infame, Scourge.
Este, após ter sido capturado e lhe ser posto um colar que lhe suprimia os poderes que detia, via o céu aos quadrados através das grades ferrugentas da sua cela cheia de humidade.
Fiona Fox, conseguira escapar e estava a monte, determinada a arranjar uma maneira de libertar o seu matreiro namorado e o resto do gangue. Munida com armas e outros engenhos que arranjou do covil deles, observa no topo de uma falésia, possíveis pontos fracos da torre electrificada através de uns potentes binóculos.
Mais abaixo, uma silhueta familiar chama-lhe a atenção.
—”Buns… Está viva afinal...”
Pensa alto, após ver Buns Rabbot de exosqueleto, a patrulhar a àrea.
Não importava, Fiona estava determinada. Apesar de Buns lhe ter a ela, e especialmente ao Scourge um ódio de estimação por a terem abandonado para morrer, para Fiona, ela era apenas mais um obstáculo a ultrapassar. O objetivo dela era roubar os chamados “Globe Posts”, que abririam um portal para tirar o Scourge da prisão e fugir para outra dimensão.
Lá em baixo, Buns Rabbot observava o seu painel de controlo do exosqueleto criado pelo seu protetor, Dr. Kintobor, que impediu que a NIDS se espalhasse mais e eventualmente a matasse. Estava a acusar pouca bateria, mas a noite mostrava-se calma e ela calculou, se se mover pouco, conseguiria “esticar” a energia até ao fim do seu turno.
O ínicio da noite anunciava uma tempestade, a aproximar-se do horizonte.
Fiona avança pelas sombras, completamente vestida de negro, com uma balaclava que lhe tapava a cara, exepto o olhar matreiro, munida de óculos infra-vermelhos.
Nas suas costas, levava uma pequena mochila, com um engenho explosivo que roubou do Dr. Robotnick enquanto esteve na dimensão dele.
O engenho permitia-lhe quando ativado, criar uma onda electromagnética que fritava os circuitos, ou por menos, sobrecarregava-os, inutilizando-os por um período limitado de tempo. Era o suficiente para mandar abaixo o campo eletrificado da torre e ainda os deixar às escuras. Estava ainda armada com uma pequena arma silenciosa, numa das faixas das coxas e uma faca de combate.
Mobilidade e rapidez era tudo, se queria ser bem sucedida.
Movia-se pelas sombras com suavidade descendo a encosta, aproximando-se do seu primeiro obstáculo.
Buns, completamente perdida nos seus pensamentos, não imaginava o que se aproximava. A última vez que viu o gangue Supression Squad, foi quando Scourge a expulsou e a largou quando souberam que ela estava infetada com NIDS. Já se passaram quase 12 meses desde que isso acontecera. A justiça não tardou, pois pouco tempo depois foram apanhados pela justiça. Ela, apesar de ser ex criminosa, fora-lhe dada uma nova oportunidade de redenção e de viver, oportunidade que não iria desperdiçar.
Fiona escondida por detrás de um pilar, recarrega a arma silenciosa, preparando-se para disparar para matar. Ativa o lazer e cuidadosamente aponta para o meio da testa da Buns. A mão dela fica tensa para ter a certesa que o tiro é limpo, contudo, um relâmpago inesperado ofusca ambas e Buns afasta-se, aproximando do painel de controlo do campo eletrico que protegia a torre, preocupada com uma possível descarga elétrica. A raposa resmunga em frustração, com o corpo estremecido pelo som da trovada que caíra perto como um estrondo.
Determinada, aproxima-se mais um pouco pela retaguarda, expondo-se sem querer ao radar de movimentos da Buns. Esta vira-se num pulo para trás, ofuscando Fiona com os faróis intensos do exosqueleto que se retrai num salto para as sombras.
Buns ativou de imediato os mecanismos de defesa do seu aparelho, desafiando Fiona a mostrar-se de novo:
“Olá docinho, gostas do meu novo brinquedo? Estou ansiosa para te mostrar o que ele sabe fazer!”
Fiona responde com sarcasmo, enquanto repensa na sua estratégia escondida atrás de um pilar afastado:
“Pensei que fosses melhor do isso Buns! Esconderes-te atrás duma máquina é cobardia sabes?”
Buns fica furiosa, com os lasers a percorrer a escuridão da noite:
“Olha quem fala, uma cobarde que ataca pelas costas! Achas que estou presa a esta máquina porque quero sua besta?!”
Fiona não responde, ela quer primeiro descobrir o que a máquina sabe fazer. O seu criador, Dr. Kintobor era um homem de paz, por isso provavelmente não seria uma máquina letal.
O silêncio impera e outro trovão se faz sentir. A chuva começa a cair de mansinho, até começar a parecer um dilúvio. Buns perde a paciência e avança por entre os pilares, com os punhos cerrados, agarrados aos joysticks do painel de controlo do exosqueleto.
Fiona sorri, o chão estava lamacento, o que lhe dava uma vantagem estratégica. Buns movia-se com alguma dificuldade, pois as patas metálicas abatiam-se um pouco na lama, mas mesmo assim, não desistia. O ódio que tinha por Fiona, fazia-a continuar, determinada a apanhá-la e fazê-la sofrer.
A raposa era matreira e sabia que tinha vantagem. Se inutliza-se a máquina em que Buns se transportava, esta tornava-se vulnerável. Escondida nas sombras, aponta a mira a lazer para uma das articulações de metal das patas do exosqueleto. Num tiro abafado, a articulação estilhaça-se fazendo a máquina tropecar, cuspindo Buns uns metros para a frente, enterrando a face dela na lama.
Fiona dá uma gargalhada de gozo, mal querendo acreditar, de quão fácil foi mandar a Buns abaixo. Esta, sem mobilidade das pernas, com a face coberta de lama, saca dum taser que guardava num bolso e finge-se atordoada. A raposa aproxima-se confiante, a anca a abanar de um lado para o outro, sacando da faca de combate para terminar o serviço:
“Pensei que ias dar mais luta Rabbot… No nosso tempo eras bastante dura, agora uma quedazinha de nada e mal te consegues...”
Num rompante, Buns rebola sobre si mesma, vendo a faca de Fiona a passar de raspão na bochecha dela para se cravar no chão, cortando a pele delicada, mas num berro de raiva, crava os pinos do taser na perna de Fiona.
Uma descarga eléctrica brutal passa por Fiona, mas também por Buns, pois o solo estava humido pela chuva e a agua conduzia a eletricidade que fazia os músculos pulsar ferrozmente, numa dor atróz.
Fiona estremece por uns segundos, abrindo a boca de dor, sem conseguir articular um grito, antes de cair no chão a tremer, paralizada.
Buns estava rígida, ainda com o taser na mão, agora sem contacto direto, pois Fiona caiu. A dor que sentira não era nada comparado com o que sofrera nos últimos meses para travar o avanço da NIDS. Doença essa que lhe roubou o movimento da pernas e se preparava para paralisar os orgãos, levando-a à morte. Buns era uma sobrevivente, e não era Fiona que a ia mandar abaixo.
Apesar do seu protetor ser contra a violência, Buns iria usar os meios necessários para travar Fiona do que quer que ela estivesse a tramar. A arfar por ar, antes que Fiona recupera-se as forças do choque, ela roda a cabeça e vê a faca de combate da raposa, com um fio de sangue.
Ignorando o corte que a faca lhe deixou na bochecha, roda de novo sobre si própria, ficando de barriga para baixo. Enquanto com uma mão se apoia no chão, e a faz erguer o tronco debruçado sobre Fiona, fazendo o braço tremer de esforço, a outra mão saca da faca cravada no chão e ergue-a no ar.
Esta, de olhos arregalados e a arfar por ar, faz o que o seu instinto de sobrevivência lhe manda. Buns dá um berro e faz cair com toda a sua força a faca de combate na direção do peito da Fiona, só que esta com as duas mãos, segura a lámina em desespero, fazendo uma força descomunal enquanto sentia a lámina a cortar-lhe a pele dos dedos e das palmas com o sangue a misturar-se no fio de sangue da Buns, começando a gotejar entre os seios.
“É mesmo isto... que tu queres Buns?! O que irá o Dr. Pensar… de ti?!”
Diz Fiona tentando dissuadi-lá a largar a faca, fazendo força para a afastar o mais possível, rangendo os dentes de dor.
“Quero vingança, pelo que me fizeram!! O Scourge é o próximo!!!”
Berra Buns Rabbot, cheia de raiva, fazendo cada vez mais força, atrevendo-se a usar a outra mão de apoio no chão, na faca, forçando o seu peso naquilo.
Fiona sabia que ela estava paralizada pelos membros inferiores, e que a força extra que ela estava a fazer, também a poderia destabilizar. Cheia de dores, berrando, espeta um pé na barriga de Buns e atira-a para detrás de si, usando a sua coluna como pivô de rotação, fazendo-a estatelar-se no chão, de barriga para cima, desamparada como uma tartaruga.
Mal pode, atira a faca para longe de si, e saca da pistola silenciosa, só para reparar, que os estragos feitos pela lâmina foram de tal ordem, que nem tinha força para premir o gatilho. Grunhindo de raiva, enlameada, ergue-se e olha para a Buns cujo olhar determinado não mostrava medo de morrer.
Contudo, por mais que a Buns estivesse vulnerável, Fiona não podia fazer grande coisa e deu-lhe um pontapé nos rins.
“Eu vou voltar para terminar o serviço sua besta!”
Grunhe Fiona, cuspindo-lhe em cima depois do pontapé.
Buns sorri, após de curvar com a dor:
“Não vai ser… tão cedo fofinha… Com as mãos nesse estado… infetada… O karma vai tratar de ti.”
Fiona recua incrédula, tendo de repente se dado conta que a lámina tinha um fio de sangue da Buns depois do primeiro ataque… Foi demasiado confiante e pagou caro por isso.
“Estás sem palavras fofinha?” Buns roda sobre si mesma e olha para Fiona em estado de choque “Quero ver o que o teu fofinho tem a dizer quando souber que estás infetada e inutilizada como eu...”
“CÁLA-TE!! ELE AMA-ME! NUNCA ME ABANDONARÁ ESTÁS A OUVIR?!”
Buns sorri, erguendo-se a custo, sentando-se apoiada pelas mãos. Parecia justiça poética o que estava a acontecer. Só faltava o Scourge ser infetado e aí passava mesmo a acreditar 100% no Karma.
O exosqueleto após uns minutos, começa a emitir um beacon de luz, que ilumina os céus e a àrea, como se estivesse a fazer um pedido de socorro que se via por quilómetros.
Para Fiona aquilo era a deixa dela para sair dali o mais depressa possível, munida ainda da bomba EMF por usar.
A luz azul esbranquiçada iluminava Buns por detrás, cujas orelhas arrebitadas a faziam ter uma silhueta demoniaca que seguia com o olhar brilhante a Fiona, que amaldiçoava baixinho o seu destino, pensando numa nova maneira de tirar o Scourge da prisão o mais rápidamente possível.
Fale com o autor