A Rainha Dourada
22 Lyanna Targaryen
Notas iniciais
"o Inverno está chegando" um corvo avisou á ela, antes que pudesse abrir os olhos.
Acordou em pânico sentindo seu corpo queimar, a garotinha que agora lhe fazia companhia ergueu os olhos do livro que estivera lendo.
– Está tudo bem, minha Senhora?- perguntou gentilmente.
– Sim — respondeu ainda ofegante — Foi só um sonho.
Já tinha tido sonhos parecidos, algumas vezes, porém eles haviam se intensificado desde que o bebê começara a se mover dentro dela. Por muitas vezes não sabia o que queriam dizer. Todavia , dessa vez, não haviam dúvidas.
"Asas escuras, palavras escuras" o dito valia para a visão que tivera, o corvo havia crocitado o lema de sua antiga casa, o que lhe dava certeza que a tempestade estava por vir.
Levantou-se de sua cama empertigada, Tanelle chegou a olhar para ela com desaprovação, sabia que não devia deixar ela sair, mas como não se importava realmente nada disse.
Lyanna foi até seu baú, procurando por uma capa escura com que pudesse se disfarçar, precisava sair, ao menos para uma caminhada, tinha certeza que faria bem. Não aguentaria nem mais um segundo em repouso, sem enlouquecer.
Foi quando sem aviso, sentiu uma fisgada na barriga, que a fez urrar de dor.Nunca tinha sentido nada parecido, não era como as outras dores que tinha passado, até agora.Eram muito mais intensas.
"Ainda não está na hora, não pode estar" desesperou-se, as voltas de lua não fechavam. Esperava seu herdeiro para o final da época de colheita. Se o bebê fosse prematuro, poderia não sobreviver.
– Chame as criadas — ordenou a Tanelle — Diga-lhes que está na hora, diga-lhes que chamem o meistre.- a garotinha nem bem havia ouvido a ordem partiu em disparada pelos corredores. Rapidamente duas mulheres estavam no quarto junto com a menina.
A senhora mais velha, já tinha perdido todos os dentes, e pode a reconhecer como a parteira que havia sido escolhida para trazer ao mundo o futuro rei.
A outra mulher era carrancuda, e não a olhava nos olhos.
– Deite-se -ordenou a mais nova — a vó vai te examinar.- a má vontade da mulher era evidente, mas fez o que era pedido.
Foi examinada com cuidado pela velha,tocava sua barriga, apalpando e sentindo seu bebê.
Colocou a mão dentro de sua intimidade , e Lya sentiu as dores se intensificarem. Quando ela retirou a mão viu que estava banhada em sangue.
– Não deve demorar muito — sorriu a banguela- logo terá sua criança nos braços.
Não pode sorrir de volta, não conseguia pensar em mais nada que não fossem suas dores, era insuportável, já tivera ossos quebrados, e costelas partidas.Contudo nada a preparara para aquilo.
Meistre Pycelle apareceu logo depois, mandando que as parteiras saíssem, o pedido causou estranheza.
– Podem nos deixar — ordenou um tanto curiosa-Mas fiquem por perto — aconselhou com receio, de que elas se afastassem demais.
Foi ouvida imediatamente.
E assim que ficaram sozinhos, o velho disparou com ousadia :
– Percebe, que esse bebê vem antes do tempo, Vossa Graça? — o homem sentia um prazer maldoso nas palavras, e teve certeza que ele se referia a sobrevivência da criança, assim como fora cruel com Cersei dizendo que Joanna não sobreviveria, o que foi provado estar errado já que a menina crescia forte longe dali, e longe de seus maus agouros.
Não podia estar mais enganada.
– O que quer insinuar, Meistre? — Perguntou tentando não demonstrar desprezo, e nem o quanto estava sofrendo pelo trabalho de parto, não podia ser fraca perante aquele estúpido.Do contrário, ele a comeria viva.
– Não insinuo nada, Majestade, apenas que devido aos ocorridos nesse último ano, talvez a senhora tenha se equivocado quanto a Real paternidade de vosso filho. — Cada palavra era um soco em seu estômago, se ao invés de um bebê prematuro, ela já estivesse grávida antes, então haveriam chances maiores da criança que carregava ser um Lannister, e a não ser que fosse semelhante em aparência a Rhaegar, mesmo que Lyanna tivesse certeza, o povo nunca aceitaria este bebê como herdeiro.
Não sabia o que pensar! Dispensara Jaime, por amor a Rhaegar e por ter certeza que não poderia conviver com ele carregando o filho de outro, assim como não poderia ter um filho Lannister vivendo sobre a proteção do Rei como um falso Targaryen.
Em seu íntimo tinha absoluta certeza que seu filho era um dragão, mas a certeza de uma mãe não é prova nenhuma, para senhores que não precisam de motivos para odiá-la.
A dor se tornou pior, não sabia se seu nervosismo aumentara o processo, porém quando o Meistre a examinou novamente disse que estava na hora.
Foi até a porta, e pediu que um dos guardas chamassem a parteira de volta, voltando rapidamente para o seu lado.
– Deve ser forte agora — encorajou, embora suas palavras não trouxessem nenhum conforto — Empurre com força!Faça força!- ordenava enérgico.
As mulheres entraram pondo panos molhados sobre sua testa, e abaixo de suas ancas.
Tanelle silenciosamente segurou sua mão.
– Empurre!- a velha disse — Se quiser esse bebê, empurre!
Lyanna o queria, fosse Lannister ou Targaryen, pouco importava, era seu.Iria até o fim do mundo por essa criança.Pediria migalhas para ela ter o que comer, mas nunca abandonaria.
Juntou todas forças que ainda restavam, e empurrou.
Sentiu a cabeça saindo, enquanto a mulher incentivava que empurrasse mais forte para o resto do corpo. Mais uma vez empurrou quase sentindo-se desmaiar, e então como um milagre dos deuses, pode ouvir o seu choro.
– É um menino! -Tanelle gritou eufórica — Um garoto!
Meistre Pycelle pegou a criança enrolando-a em panos e trazendo-a para ela.
A felicidade era indescritível, era uma coisinha pequena, uma pequena bolinha.
"Não tão pequena quanto deveria ser para um bebê antes do tempo" notou, sem se deixar abalar, não queria pensar nisso agora.
A pequena penugem que cobria sua cabeça era escura, como os cabelos de Lyanna. E quando o aninhou em seu colo ele abriu os olhos cinzentos para ela.
– É um bebê do norte — Pycelle riu sarcástico, sem obter efeito sobre a loba , ter seu bebê forte e saudável em seus braços a fazia mais forte do que um dia achara possível.Aquele velho não tinha qualquer poder sobre ela.
– Como vai chamá-lo, Minha Senhora? — Tanelle perguntou, esquecendo por um momento sua mágoa para com ela e sendo espontânea.
– Jon — disse simplesmente, não sabia como o nome chegara a sua mente, mas se impusera de tal forma, que sabia que só esse nome seria digno de seu filho.
– É um bom nome. — a menina sorriu.
O Meistre ainda a encarava com um sorriso irônico na face, quando ela ordenou que chamasse Rhaegar e que não se importasse em voltar até que fosse convocado.
O dragão, veio logo em seguida, afoito, e ofegante, correndo para seus braços sentou ao seu lado,pegando o menino para si.
– É mesmo, um menino!- observou eufórico.
– Chamaremos Jon — respondeu sorrindo para ele.
– Jon — repetiu pensativo — Meu herdeiro.
Lyanna se sentia tão feliz que não percebeu as feições do marido mudarem.
– Ele é tão parecido com você, parecido demais — fez uma careta -E é tão grande.
Se assustou ao vê-lo falar assim.
– O que quer dizer com isso?
– Como saberemos se ele é realmente meu? — indagou sem pestanejar, seu olhar era o mesmo com que Jaime a encarara quando soube de sua traição, como se a acusasse pelo simples fato de Jon não se parecer com ele.
– Ele é seu!- respondeu com raiva contida- Nunca duvide disso!
Sentiu o olhar do marido abrandar, mas ele não se desculpou. Apenas entregou o bebê de volta para ela, e saiu.
As lágrimas que contivera por todo o dia rolaram descontroladas por seu rosto enquanto apertava Jon contra seu corpo.
– Deve descansar, Senhora — a menina aconselhou -precisa de energia para alimentar o bebê.
Sabia que ela tinha razão, mas temia fechar os olhos e não voltar a ver seu filho, temia tudo que poderia acontecer. Se seu marido não acreditasse nela estaria perdida.
– Vigiarei ele pra a senhora — Tanelle prometeu.
Concordou exausta demais para negar, o sono logo se apossou dela. Fazendo a esquecer momentâneamente da tempestade chegando.
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