A Rainha De Roma
4 Octavian
Notas iniciais
Bem, mais um capítulo! Espero que vocês estejam gostando! ;D
– Uma filha de Belona, certo?
Octavian estava analisando a situação. Ele havia visto a tatuagem no antebraço de Catherine, uma tocha e uma lança cruzadas, as letras SPQR e três linhas, como se fosse um código de barras para a imagem. Apesar da superioridade de Cath, ela estava com medo.
Ele descobriu o que ela era, e estava tentando usá-lo contra ela. E Cath não iria deixar isso acontecer. Ela preferia comer uma meia velha e fedorenta.
Ela não respondeu a pergunta do garoto. Simplesmente ficou encarando-o, como se fosse uma estátua, ou achou que aquela pergunta não precisava de resposta, pelo fato de ela ter a marca na pele. E, a cada segundo que se passava, Cath tinha vontade de pular no pescoço do garoto e esganá-lo até a morte.
– Eu lhe fiz uma pergunta — disse Octavian.
Catherine achou que realmente iria pular no pescoço do garoto, mas tentou engolir essa vontade. Ele era um superior, ela uma desconhecida, violenta, perigosa e amaldiçoada. Bem, ela poderia até ter um pouquinho de vantagem, mas iriam matar ela.
– De acordo com minha tatuagem, sim — Cath respondeu, fria. Ela podia ver os olhos de Octavian brilhando, procurando alguma coisa em que se apoiar.
Ele é um psicopata, pensou Catherine. O estranho que era exatamente como Jace, o antigo orador de sua Legião. Ele era moreno, ao invés de caucasiano. Vivia tentando tirar proveito dos outros, mas era legal, uma boa companhia, sempre fazia piadas, mas também se aproveitava demais dos outros. Catherine estava começando a mostrar para eles que Jace era uma pessoa legal, até que se foi na missão... E não voltou mais.
Relembrar aqueles fatos deixaram Catherine tonta e seus pulmões não conseguiam ar. Ela viu pontos dançando na frente dos olhos, e brigou consigo mesma por se lembrar. Ela caiu de joelhos, colocando as mãos de apoio, para não experimentar o gosto do chão. Pelo canto do olho, ela pode ver que Octavian analisava tudo, e não tinha movido um dedo para ajudá-la. Depois, só sentiu duas mãos fortes e firmes erguerem-na pelos braços.
Ela olhou pelo ombro e viu que era Butch, fazendo uma careta. Depois disso, Cath percebeu que não havia se apoiado, e a única coisa que a livrava de experimentar o chão era a força de Butch.
Ele realmente é uma gracinha, pensou ela, novamente. Com algum esforço, colocou os pés no chão, apoiando-se, e Butch colocou sua mão no ombro direito da garota, a fim de dar mais apoio. Ela suspirou e tentou acalmar as batidas do coração, que estavam mais do que aceleradas.
– Desculpe, eu acho que fiquei meio tonta.
Octavian ergueu uma sobrancelha e continuou desconfiado, olhando com desdém.
– Octavian! — Disse Butch, irritado. — Rasgue logo um de seus ursos e veja se ela pode ficar!
Ursos?, pensou Catherine. Então percebeu o enchimento de pelúcia no chão e vários ursinhos de pelúcia espalhados nos pés da estátua de Júpiter. Ela achou aquilo estranho, eles usavam... Ela balançou a cabeça novamente. Desmaiar de novo não. Então tentou se acalmar, olhando Octavian pegar um enorme saco e o trazer para frente da garota.
– Escolha um — disse ele, frio e seco. Catherine olhou para Butch, que deu de ombros.
Ela se abaixou, livrando-se da mão dele, e começou a mexer lá, procurando algum urso de pelúcia que ela gostasse. No fim das contas, escolheu um leão, com uma juba descabelada. Octavian arrancou o brinquedo da mão dela com força e arrastou o enorme saco para seu lugar, novamente. Depois, voltou aos pés da estátua e rasgou o bicho com as mãos para cima, espalhando enchimento para todos os lados.
Trovões ribombaram os céus, e depois de analisar o que restou do leão de pelúcia, se virou para ver Catherine. Ele tinha um sorriso maníaco no rosto pálido.
– Seja bem vinda a Décima Segunda Legião Fulminata! — Ele disse, com os braços abertos, como quem recebe um visitante em sua casa. Mas parecia que ele iria usar o visitante ao invés dos ursos de pelúcia para ler os augúrios.
Catherine percebeu que Butch deu um suspiro de alívio, e ela e o garoto saíram do templo, andando pela trilha dos tempos, aparentemente se dirigindo à Legião.
– Eu lembro que Octavian disse algo sobre Sexta Legião — disse Butch, sem olhar para Catherine.
– Ele deve estar maluco de tanto rasgar ursinhos de pelúcia — respondeu Catherine com um pequeno sorriso. Butch olhou para ela e deu risada.
– Bem, ele já fez algumas coisas malucas antes, e não duvido.
Ambos caíram na gargalhada por algum tempo, perto da saída da Colina dos Templos. Catherine olhou ao horizonte, onde a Legião estava aparentemente se alinhando.
– O que eles estão fazendo? — Perguntou ela, apontando com o indicador para onde via.
Butch pareceu levar um susto. Ele arregalou os olhos e disse:
– Venha! Não vamos querer sermos punidos! Eles estão fazendo a chamada!
E ambos saíram correndo em direção à Legião.
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